UNILA realiza ato em solidariedade à Síria

UNILA realiza ato em solidariedade à Síria

A Universidade de Integração Latino-Americana (Unila) em Foz do Iguaçu realizou um ato em solidariedade ao povo sírio e repúdio às ações invasivas estadunidenses com os povos do mundo. Atividade aconteceu na noite de quinta-feira (12) e contou com a participação de alunos, professores, comunidade árabe local e sociedade civil.

 

Em ato de solidariedade à Síria realizado em Foz do Iguaçu, alunos, professores, comunidade árabe e sociedade civil organizada debateram a gravidade deste atual conflito e a responsabilidade dos povo/ foto: Mariana Serafini


A mesa foi composta pelo vereador do PCdoB de Foz do Iguaçu Nilton Bobato, pelo professor sênior de Economia da Unila, Nilson Araújo Souza, pelo sheik xiita da Sociedade Beneficente Árabe de Foz do Iguaçu, Mohammad Khalil e pelo presidente da União Jovem Árabe Brasileira, Adnan El Sayed. O debate foi mediado pelo professor de Economia Luciano Wexell Severo e contou com a participação de estudantes de diversos países da América Latina, entre eles, Argentina, Venezuela, Uruguai, Paraguai, além de iguaçuenses nascidos ou com família no Líbano, Síria e outros países do Oriente Médio. 

A mobilização para a atividade foi feita por meio das redes sociais. De maneira espontânea, cada interessado se responsabilizou por uma tarefa. Pessoas que até então não se conheciam trabalharam juntas por um interesse em comum e mostraram ser possível levar solidariedade aos povos além das divergências políticas, ideológicas ou religiosas. 

O professor sênior, Nilson Araújo de Sousa atestou que “os Estados Unidos são uma potência em declínio, e uma potência em declínio é mais agressiva que uma potência em ascensão”. O acadêmico acompanha a crise dos Estados Unidos desde seu início já na década de 1970 e avaliou que é justamente devido a esta crise que o país está cada vez mais interessado em criar guerras contra os povos, agora do Oriente Médio, mas não tarda para o império mudar o alvo para América Latina. Para ele, a Síria é último país com capacidade de resistir ao imperialismo estadunidense e é isso que torna a atual situação ainda mais grave. 



Sousa ressaltou a importância da realização de atos de solidariedade à Síria neste momento: quanto mais a população mundial se posicionar contra esta guerra iminente, menos chances os Estados Unidos terão de atacar”. Segundo ele, o mundo entrou em uma profunda crise econômica e política nos anos 1970 e, desde então, os Estados Unidos vêm perdendo espaço, por isso a necessidade de criar guerra após guerra e destruir os focos de resistência ao sistema capitalista devastador existentes no Oriente Médio. “O povo sírio está mostrando um heroísmo profundo ao resistir por tanto tempo. O povo se sente parte do processo político e o governo respeita as religiões”, ressaltou. 

O professor, que esteve na Síria já em duas ocasiões diferentes, avaliou que para resistir ao imperialismo estadunidense é preciso que cada país use seus recursos naturais em favor dos seus povos e sublinhou que a Síria faz isso com mestria. Para Sousa, se a Síria sair vitoriosa deste processo que está vivendo, terá potencial para crescer e se tornar uma potência no Oriente Médio. 

Já o presidente da União Jovem Árabe Brasileira, Adnan El Sayed, falou a respeito da atual situação política e econômica da Síria e confirmou que se trata de um país laico, cujo governo trabalha para o seu povo respeitando as diferenças religiosas. “A Síria tem saúde e educação públicas de altíssima qualidade para todo mundo, não importa a religião, a preferência política, todo mundo tem acesso a esses serviços lá, inclusive muita gente do Líbano vai até a Síria para utilizar o serviço de saúde, por exemplo”. 

Para Sayed, os valores estão sendo deturpados, o que leva o ser humano a um longo processo de “bestialização”, através do consumo exacerbado e inconsequente. Defendeu ainda que só um amplo trabalho de conscientização política, educacional e cultural serão capazes reestabelecer a soberania nos países, não só do Oriente Médio, mas de todos os países que sofrem a influência do imperialismo estadunidense. 

Já o vereador Bobato fez o alerta: “precisamos ficar atentos, porque se não for a Síria, vai ser outro lugar”. 

 

Por Mariana Serafini, especial para o Portal Vermelho

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