UMA MENTIRA HISTÓRICA PARA TENTAR DEFENDER O INDEFENSÁVEL


Em editorial, o Portal Vermelho apresenta como pretexto para continuar apoiando o governo neoliberal e anti-nacional de Dilma Rousseff, uma suposta ameaça de golpe. Como se Dilma já não tivesse dado o golpe contra o povo e o Brasil ao trair suas promessas e destruir a economia, privilegiar banqueiros e rentistas, cortar direitos trabalhistas, arrochar salários, praticar o maior juros do mundo e causar a maior recessão desde Collor.

Mas, para justificar essa posição, o editorial apresenta como exemplo, uma situação, que segundo o texto, seria semelhante à atual. A ameaça de golpe do general Kornilov, na Rússia revolucionária. Segundo o portal, os bolcheviques, diante da ameaça de golpe de Kornilov, teriam apoiado o governo "reformista" de Kerensky. Ainda segundo a publicação, teria sido Lenin o responsável por dar essa orientação ao partido. Nada mais falso. 

Abaixo publicamos o editorial do Portal Vermelho, com essa invencionice histórica, e mais abaixo, o texto original - oficial - da História do Partido Bolchevique, obra publicada pelo PCUS em 1938, que desmente integralmente o "argumento" do Vermelho. 

EDITORIAL DO VERMELHO

Sem dispersão, todos juntos contra o golpe

As forças mais conservadoras e reacionárias do país, ligadas ao imperialismo e aos interesses dos grandes rentistas, se preparam para tomar o poder contra o voto popular. 

Essa não é uma suposição, mas uma campanha aberta, com todos os requintes e detalhes que uma iniciativa desse tipo costuma ter. Estão mobilizados abertamente articulistas da grande imprensa, juristas conservadores, congressistas e até mesmo um simulacro farsesco de movimento social. 

Para além disso, eles já apresentaram o programa de seu governo golpista. Como este portal demonstrou em uma série de matérias especiais, os tucanos já afirmaram que privatizarão o que resta de empresas estatais, entregarão o pré-sal, destruirão as garantias trabalhistas e acabarão com a estabilidade do funcionalismo público, dentre outros ataques à nação e aos trabalhadores. 

Em resumo, a direita, de forma aberta e declarada, conduz um golpe e apresenta um programa de liquidação nacional para o governo que dele se oriunda. 

Esse quadro de tremenda urgência impõe uma pauta praticamente única aos setores democráticos: impedir o golpe e o programa de liquidação da nação. Neste momento de crise extrema, de ameaça iminente, é preciso assertividade e agudeza: evitar o golpe é a mãe de todas as batalhas. 

Apesar desse estado de emergência, ainda há setores da esquerda que, mesmo enxergando a ameaça do golpe, colocam a defesa do mandato da presidenta em meio a um cipoal de reivindicações variadas. A luta contra o golpe acaba sendo uma bandeira entre muitas, o que a enfraquece e a torna quase letra morta. 

A dura verdade dos fatos é que todas essas aspirações e reivindicações parciais, embora justas, quando tiram a luta contra os golpistas do centro, acabam por confundir o lado de cá e facilitar o trabalho do inimigo. 

Durante a Revolução Russa de 1917, no período entre fevereiro e outubro, quando ainda governava o reformista Kerensky, uma ameaça de golpe de direita pairou no ar. O General Lavr Kornilov, impulsionado pelas forças mais reacionárias do país, marchou contra o governo oriundo da revolução democrática de fevereiro. Lênin, que até então fazia dura oposição ao primeiro-ministro Kerensky, lançou uma palavra de ordem clara: “Com Kerensky, contra Kornilov”. A posição dos bolcheviques, que detinham grande influência naquele momento, foi decisiva para que o golpe da direita fosse desbaratado. Não fosse a clareza tática do líder revolucionário russo, talvez a Revolução de Outubro não tivesse sido vitoriosa. 

Invocamos esse exemplo da história para dialogar com aqueles que têm reservas ou mesmo que fazem uma oposição de esquerda ao governo Dilma. Este é o momento no qual é preciso deixar as divergências em segundo plano diante da ameaça golpista que paira no ar. 

O nosso chamado é para que todos os que consideram a derrubada da presidenta um golpe contra a democracia, por cima de qualquer outra divergência, se unam em uma contraofensiva firme para derrotar o golpe. 

O DESMENTIDO DO PCUS

Trecho de "A História do Partido Comunista (Bolchevique) da URSS"
Comissão do Comitê Central do PC(b) da URSS
Capítulo VII — O Partido Bolchevique Durante o Período de Preparação e Realização da Revolução Socialista de Outubro (Abril de 1917-1918)

(…) A 25 de agosto, Kornilov enviou sobre Petrogrado o 3°. Corpo de Cavalaria, sob o comando do general Krimov, e declarou que se propunha "salvar a Pátria". Como resposta à sublevação Kornilovista, o Comitê Central do Partido bolchevique fez um chamado aos operários e aos soldados para que opusessem uma resistência ativa e armada a contra-revolução. Os operários começaram a se armar e a se preparar rapidamente para a luta. Nesses dias, multiplicaram-se os destacamentos de guardas vermelhos. Os sindicatos mobilizaram seus membros.

As unidades revolucionárias de tropas de Petrogrado se prepararam também para o combate. Em torno de Petrogrado se abriram trincheiras, estenderam-se cercas de arame e se arrancaram os trilhos das vias férreas. De Kronstadt chegaram alguns milhares de marinheiros armados para a defesa da capital. Enviaram-se ao encontro da "Divisão selvagem", que avançava sobre Petrogrado, delegados que explicaram àqueles soldados montanheses a intenção do movimento Kornilovista, conseguindo que estas tropas se negassem a marchar sobre a capital. Enviaram-se também agitadores a outras unidades Kornilovistas. Foram criados Comitês revolucionários e Estados Maiores para a luta contra os sublevados em todos os lugares onde havia algum perigo.

Naqueles dias, os líderes social-revolucionários e mencheviques, entre eles Kerenski, mortos de medo, iam buscar amparo com os bolcheviques, convencidos de que estes eram a única força efetiva da capital capaz de esmagar Kornilov.

Mas, ainda mobilizando as massas para esmagar o movimento de Kornilov, os bolcheviques não cessaram sua luta contra o governo Kerenski, desmascarando perante as massas este governo e os mencheviques e social-revolucionários, que, com toda sua política, ajudavam objetivamente a intentona contra-revolucionária de Kornilov.

Graças a todas estas medidas, foi esmagada a intentona de Kornilov. O general Krimov suicidou-se com um tiro. Kornilov e seus cúmplices, Denikin e Lukomski, foram presos (se bem que logo fossem postos de novo em liberdade por Kerenski).

Sérgio Cruz

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