Tombini diz no Senado que o BC vai aumentar os juros

 

 

O depoimento do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na Comissão Mista de Orçamento, na terça-feira, não se ateve ao que obriga a Lei de Responsabilidade Fiscal - uma prestação de contas das “políticas monetária, creditícia e cambial”. Tombini, ainda que menos prolixo que outras vezes, dissertou sobre a política econômica em geral.

Especificamente sobre a política monetária, o que disse Tombini foi que, se depender dele, os juros vão aumentar - e não somente na reunião do Copom da próxima semana. Disse ele: “Choques de oferta registrados no segmento de alimentos, entre outros fatores, contribuíram para manter a inflação em níveis elevados, acima do esperado nos últimos trimestres. (...) … ações também foram tomadas, e a mais relevante foi o início de um ciclo de ajustes na taxa básica de juros da economia(Selic)”.

Chamar de “choque de oferta” a especulação em Chicago e Nova Iorque com derivativos supostamente estribados no preço dos alimentos,  não é uma descrição muito precisa. E, apesar dessa especulação, não há surto inflacionário no país. Há estagnação, crescimento medíocre ou inexistente. Porém, Tombini não se importa com tais detalhes, até porque o aumento de juros não é para combater a inflação; pelo contrário, a inflação é mero pretexto para aumentar os juros.

Portanto, Tombini fez questão de dizer que a grande conquista do governo Dilma, precisamente a redução dos juros, vai acabar – se ele e a diretoria do BC forem deixados à solta.

Além disso, Tombini não acredita muito nos contos sobre o investimento. Repare o leitor na forma de falar: "... criam-se perspectivas de que, nos próximos anos, ocorra uma ampliação da taxa de investimento da economia". Será possível que Tombini esteja acreditando na “recuperação do investimento”? Para quando? Ah, sim, “criam-se perspectivas”, “nos próximos anos”... Considerando que, até agora, fora restos a pagar, o governo liberou efetivamente apenas 1,41% da verba orçamentária deste ano para investimentos (Siafi, consulta em 20/05/2013), poder-se-ia pensar que Tombini tem alguma razão. Mas a verdade é que ele nem se preocupa com inutilidades como “investimento”.

Assim, nem no condão das “concessões”, essa panaceia, ele parece acreditar (dessa vez, com alguma razão). Outra vez, note o leitor o modo de falar: “tão ou mais importante do que os impactos diretos das concessões sobre os investimentos, são os efeitos positivos que a ampliação e a melhoria da logística terão sobre o ânimo do empresariado”. Hum...

Entre os parlamentares presentes, parecia haver uma firme convicção de que estavam ali para elogiar e - perdoem esse outro verbo, mas ele é exato - bajular o presidente do BC, assim como a política econômica em geral. Ninguém parecia interessado no que ele dizia nem nos problemas do país - pode ser que estejamos cometendo alguma injustiça, mas não conseguimos encontrar a exceção.

Por exemplo, Tombini mostrou um quadro com o custo de captação das reservas cambiais em 2012 (7,63%) e a rentabilidade destas mesmas reservas (apenas 1,59%). Portanto, como também está no quadro de Tombini, um “custo de carregamento” das reservas de 6,04% (=7,63 - 1,59), o que significa um gasto de R$ 43,8 bilhões somente para manter as reservas em 2012, devido à diferença entre a taxa de juro que o governo paga e a taxa de juro que o governo recebe pela aplicação das reservas.

Nenhum parlamentar achou que isso merecia alguma atenção, apesar do conhecimento público de que até esse custo está subestimado, uma constatação feita por inúmeros especialistas, inclusive por consultores do Legislativo (v., por exemplo, o artigo de um consultor do Senado, Marcos Kohler, “Quanto custa ao Brasil manter um elevado nível de reservas internacionais?”, 04/04/2011).

Também ninguém estranhou que nas "operações compromissadas" (venda de títulos públicos aos bancos com compromisso de recompra) o BC tenha perdido R$ 45,032 bilhões.

Pelo menos - é justo que se diga - Tombini revelou que o BC, por enquanto, e desde o final de março, acabou com suas operações de derivativos cambiais (os famosos “swap cambiais” do BC, outra drenagem violenta para os bancos). Mas ninguém notou esse acontecimento. O puxa-saquismo não era por algo que Tombini tenha feito de bom.

 

Por Carlos Lopes

Fonte Hora do Povo

C.L.

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