Tombini ataca salários por alta da inflação e sinaliza mais arrocho

 

Preço da cesta básica sobe o dobro do salário

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, divulgou nota na sexta-feira (10) comentando a respeito do IPCA, que “encerrou 2013 em 5,9% (5,91%), mostrando resistência ligeiramente acima daquela que se antecipava. Essa resistência da inflação, em grande medida, se deveu à depreciação cambial ocorrida nos últimos semestres, a custos originados no mercado de trabalho, além de recentes pressões no setor de transportes”.

Querer atribuir “a custos originados no mercado de trabalho” – leia-se os salários – é só um pretexto para aumentar ainda mais os juros. Levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado no dia 9, registra que o valor da cesta básica aumentou em todas as 18 capitais pesquisadas no ano passado, sendo que em 16 a variação foi maior do que o índice da inflação. Na cidade de São Paulo, por exemplo, onde se concentra os maiores reajustes salariais do país, a cesta básica ficou em R$ 327,24, alta de 7,33% em relação ao ano anterior. O valor da cesta básica na capital paulista correspondeu a 52,46% do salário mínimo líquido em 2013.

Em nove das cidades, a alta da cesta básica ficou acima de 10%. Em Salvador, o reajuste foi de 16,74%, chegando a R$ 265,13. Em Natal, variação de 14,07%, atingindo o valor de R$ 273,36. A cesta básica de Campo Grande aumentou 12,38%, com um valor de R$ 301,20.

O valor mais alto da cesta básica (R$ 329,18) se deu em Porto Alegre, um crescimento de 11,83% em comparação com 2012; o segundo maior foi o de São Paulo, seguido de Vitória (R$ 321,39), uma variação de 10,48%; Florianópolis (R$ 319,33) teve alta de 10,09%; Rio de Janeiro (R$ 315,52), aumento de 11,95%.

Além de São Paulo, as cidades de Porto Alegre, Vitória, Rio de Janeiro, Florianópolis e Belo Horizonte os valores respectivos da cesta básica representaram mais de 50% do salário mínimo líquido.

Não é de hoje a campanha do sr. Tombini contra os salários. No melhor estilo copiar e colar, a cada ata das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) consta a indefectível análise de que “um risco significativo reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a inflação”.

CÂMBIO

A depreciação cambial usada por Tombini também é um embuste. Como consequência dos juros alucinados do BC, houve uma invasão de dólar no país e a sua cotação chegou a R$ 1,50, atingindo em cheio a indústria. É verdade que a invasão de dólar diminuiu um pouco entre setembro de 2011 e março de 2013, quando a taxa Selic foi reduzida timidamente, caindo a sobrevalorização do real, com o câmbio chegando a R$ 2,43 por dólar.

Aí, com o apoio de todo o governo Dilma, a partir de abril do ano passado o BC voltou a elevar os juros e a taxa de câmbio despencou novamente. Além dos juros altos, a atuação do BC no chamado “mercado de câmbio” impediu que a cotação subisse acima de R$ 2,30. Ou seja, a atuação do BC se dá exatamente para favorecer os bancos, já que o câmbio nesse patamar continua subsidiando as importações, enquanto torna caro os produtos para exportações.

Para Amir Khair, ex-secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo, “não tem maior inimigo da economia do que o Banco Central. (...) O Banco Central opera aumentando taxas Selic quando o mundo inteiro está baixando desde setembro do ano passado”. De acordo com Khair, “ele [BC] tem o diagnóstico de que inflação se combate assim, mas a Selic cria uma distorção na questão do câmbio, que é a forma como influi na inflação, tornando o real uma moeda supervalorizada em relação ao passado do Brasil e a outras moedas em comparações históricas”.

Ainda segundo Khair, a sobrevalorização do artificial do câmbio é devastadora para a economia. Uma se de suas consequências é o rombo das contas externas. Em sua avaliação, o câmbio de equilíbrio para restaurar as contas externas é de R$ 3,00/US$.

VALDO ALBUQUERQUE

 

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