Telefónica lucra R$ 1 bilhão e oferece 0,65% de reajuste

 

Com lucro exorbitante e incentivos do governo, oferta de aumento da espanhola é insignificante

Os trabalhadores da Vivo/Telefônica estão em campanha salarial por aumento real e não aceitaram a última proposta da empresa espanhola, cujo aumento real ficou em apenas 0,65%. Os funcionários da GVT (comprada pela Telefônica em setembro deste ano) organizaram uma paralisação das 7h às 13h no último dia 07, em Guarulhos.

O Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (Sintetel), realizou manifestação nos prédios da Eco Berrini e Chucri Zaidan com o objetivo de protestar frente a proposta da empresa. Para o sindicato, ela poderia ser melhorada, principalmente pelo lucro monstruoso apresentado pela tele estrangeira no último trimestre.

A proposta oferecida inclui reajuste de 6,5% no vale-alimentação retroativo a setembro para o pessoal da administração e o mesmo para lojistas, que teriam nova correção de 9,5% em junho do ano que vem para igualar valores; aumento no desconto da assistência médica para 1,5% aos administrativos e 1% aos lojistas, igualando os descontos em junho. Os demais benefícios ficam com reajuste de 6,35%.

A Vivo/Telefônica, além de ter apresentado um lucro liquido de R$ 1,02 bilhão no terceiro trimestre – 35% de aumento com relação ao período anterior - desfruta das isenções fiscais como o PIS/Cofins e financiamentos milionários por parte do BNDES – garantidos e propagandeados pelo Ministro das Telecomunicações, Paulo Bernardo. No acumulado do ano, a companhia tem R$ 3,68 bilhões de lucro, montante 47,9% maior que nos nove primeiros meses de 2013 (ver mais na página 2 desta edição).

A receita líquida do grupo entre julho e setembro foi de R$ 8,72 bilhões, o que corresponde a um crescimento de 1,2% na comparação com o mesmo trimestre de 2013. O custo operacional da empresa caiu 1% em um ano, baixando de R$ 6,24 bilhões para R$ 6,18 bilhões. Além disso, a tele destaca o aumento de 22,8% em um ano de sua base de clientes pós-pagos, com adições líquidas de 1,014 milhão somente neste terceiro trimestre.

E esse lucro todo é decorrente de um dos piores serviços registrados no Brasil – bem como uma das piores condições de trabalho. Neste ano, trabalhadores de um call center da Vivo tiveram que fazer greve para garantir que lhes fosse pago o piso: a assombrosa quantia de R$ 850,00. A empresa também já foi condenada a pagar multa de R$ 1 milhão por terceirizar atividades fim, e submeter trabalhadores a condições degradantes de trabalho.

As teles privatizadas lideraram mais uma vez o ranking de reclamações do Procon-SP em 2013, a Telefônica/Vivo aparece em segundo lugar entre as operadoras, com 1.536 reclamações, sendo que 503 destas não foram atendidas. E não só deixou de atender as queixas, como de pagar multas: as empresas de telefonia com o consentimento da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) em 2013 e pagaram somente 2,8% das multas aplicadas a elas pela péssima qualidade de serviço prestado.

E tudo isso considerando que as multas – já absolutamente irrisórias – foram em boa parte perdoadas. A Anatel chegou a comemorar a desoneração das multas de 190 Processos de Apuração de Descumprimento de Obrigações (Pados) movidas contra as empresas em 2013.

No que se refere às desonerações, o Regime Especial de Tributação do Programa Nacional de Banda Larga (REPNBL), entregue às teles estrangeiras em detrimento da Telebrás garante renúncia fiscal de R$ 6 bilhões. O governo espera que as operadoras façam investimentos de R$ 16 bilhões a R$ 18 bilhões até 2016.

As teles também são beneficiadas com o PIS/Cofins e o IPI. Segundo Paulo Bernardo, o ministro "amigo das teles", essa isenção pode representar renúncias fiscais de R$ 1,2 bilhão por ano. Entre os itens beneficiados com a queda do PIS e Cofins estarão rádios, modens, construção de torres, dutos e fibra ótica. Já a isenção de IPI valeria para a construção de redes, estações e subestações.

ANA CAMPOS

 

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