Sinopses dos filmes do Cine-Teatro Denoy de Oliveira

Sinopses dos filmes do Cine-Teatro Denoy de Oliveira

 

Prelúdio de Uma Guerra

 

Frank Capra e Anatole Litvak (1942), EUA, 54 min.  
 
Sinopse
O documentário mostra a ascensão do fascismo na Itália, Alemanha e Japão, os ataques à província chinesa da Manchúria (1931), à Etiópia (1935) e outros preparativos que desembocaram na 2ª Guerra Mundial. O filme faz parte da série “Why We Fight”, também composta por “Ataque Nazista” (1943), “Dividir e Conquistar” (1943), “Batalha da Inglaterra” (1943), “Batalha da Rússia” (1943), “Batalha da China” (1944) e “War Comes To America” (1945), produzida pelo Exército dos EUA e supervisionada por Frank Capra.    
 
Direção: Frank Capra (1897-1991) e Anatole Litvak (1902-74)  
Francesco Rosario Capra nasceu na Sicília, mas se consagrou como cineasta nos EUA. Desembarcou no país com sua família em 1903, tornando-se cidadão norte-americano em 1920. Entre 1926 e 27, estreou na direção com três filmes de sucesso estrelados pelo comediante Harry Langdon. Nos próximos dez anos, dirigiria 25 filmes para a Columbia Pictures. 
Antes de se estabelecer como diretor de comédias sociais, Capra se tornou conhecido como um eficiente artesão de produções rentáveis. A partir da Década de 30, seus filmes compõem um penetrante painel do New Deal, a reação da sociedade à Grande Depressão, ao retratarem homens simples lutando para defender seus valores contra capitalistas gananciosos e instituições corruptas.
Frank Capra dirigiu 54 filmes, entre os quais “Loucura Americana” (1932), “Dama por um Dia” (1933), "Aconteceu Naquela Noite" (1934), "O Galante Mr. Deeds" (1936), "Do Mundo Nada se Leva" (1938), “A Mulher Faz o Homem” (1939), “Meu Adorável Vagabundo (1941), “Esse Mundo é um Hospício" (1944), "A Felicidade Não se Compra" (1946). Engajou-se também na realização de documentários que popularizaram a política de Roosevelt em relação à 2ª. Guerra Mundial. Ao longo da vida, Capra foi homenageado com seis estatuetas do Oscar e recebeu o Leão de Ouro (Festival de Veneza, 1982), em reconhecimento à sua carreira.  
Mikhail Anatol Litvak nasceu em Kiev, Ucrânia. Em 1915, começou a trabalhar como ajudante e depois como ator em um teatro de São Petersburgo. Após a Revolução, foi assistente de direção no estúdio Nordkino Leningrado e, em pouco tempo, começou a dirigir curtas. Em 1925, partiu para Berlim, trabalhou na edição do filme de Georg Wilhelm Pabst, "Rua das Lágrimas" (1925), e realizou seu primeiro longa, "Dolly Macht Karriere" (1930). Com a ascensão do nazismo, mudou-se para a França e dirigiu cinco películas, entre as quais o sucesso internacional “Mayerling" (1936). De 1937 a 1941, atuou nos EUA como diretor contratado da Warner, realizando "The Woman I Love" (1937), "Nobres Sem Fortuna" (1937), "Confissões de um Espião Nazista" (1939), "Tudo Isto e o Céu Também" (1940) e "Dois Contra uma Cidade Inteira" (1940). Dirigiu com Frank Capra a série "Why We Fight". Ao final da guerra (com patente de Coronel), realizou "Uma Vida Por Um Fio" e "A Cova da Serpe nte" (ambos de 1948). Radicou-se em Paris no início dos anos 50. O penúltimo dos 41 filmes que dirigiu foi "A Noite dos Generais" (1967).   
 
Argumento Original: Julius Epstein (1909-2000) e Philip Epstein (1909-1952)
Os gêmeos Julius e Philip Epstein nasceram em Nova York. Ambos se formaram em 1931, pela Universidade da Pensilvânia. A parceria entre os dois foi frequente tanto na produção de argumentos originais quanto na de roteiros adaptados de vários sucessos de Hollywood como "Casablanca" (Michael Curtiz, 1942), pelo qual os irmãos e o dramaturgo Howard Koch ganharam um Oscar. A dupla também assina os roteiros de “Quatro Filhas” (Michael Curtiz, 1938), "Quatro Esposas” e “Daughters Courage” (ambos de Michael Curtiz, 1939), "Satã Janta Conosco" (Willliam Keighley, 1942), "Este Mundo É um Hospício" (Frank Capra, 1944), "A Última Vez que Vi Paris" (Richard Brooks, 1954) e "Os Irmãos Karamazov" (Richard Brooks, 1958). Todos os filmes da série "Why we Fight" tiveram a participação de Julius e Philip Epstein como roteiristas. 
Em 1952, no auge da caça as bruxas, Jack Warner entregou os nomes dos Irmãos Epstein ao Comitê de Atividades Antiamericanas. Eles não foram convocados para depor. Nos questionários previamente enviados pela comissão, quando inquiridos se já tinham sido membros de uma "organização subversiva", eles escreveram: "Yes. Warner Brothers."
O roteiro de "Prelúdio de Uma Guerra" contou também com a participação de Robert Heller, Eric Knight e Anthony Veiller.   
 
Música Original: Alfred Newman (1901-70)
Natural de New Heaven, Connecticut, Newman dirigiu musicais da Broadway até 1929. No ano seguinte foi para Hollywood. Em 1940, assumiu a direção musical da Fox, compÃ?s a trilha de 200 filmes, recebeu 45 indicações para o Oscar e nove premiações, entre elas a obtida por seu trabalho em “Suplício de Uma Saudade” (Henry King, 1956), cuja canção-título “Love Is a Many-Splendored Thing” correu o mundo nas vozes de Nat King Cole e Frank Sinatra. “Prelúdio de Uma Guerra” contou também com composições de Hugo Friedhofer, Leigh Harline, Arthur Lange, Cyril J. Mockridge e David Raksin.
15/12/2012
TRATORISTAS
Ivan Pyriev (1939), com Marina Ladynina, Nikolai Kriuchkov, Boris Andreev, URSS, 88 min.    
 
Sinopse
Klim Iarko, piloto de tanque que estivera servindo no Extremo Oriente, volta para casa em uma fazenda coletiva na Ucrânia para retomar suas funções como motorista de trator. No kholkoz há uma famosa equipe feminina de tratoristas, comandada pela bela  Mariana Bajan, que possui inúmeros fãs e pretendentes. Mecânico experiente, Klim se desdobra para dar mais eficiência ao trabalho dos tratoristas e conquistar o coração de Mariana. A canção-tema que acompanha os créditos desta comédia musical se tornou um marcante sucesso popular.  
 
Direção: Ivan Pyriev (1901-68)
Nascido na aldeia de Kamen-na-Obi, oeste da Sibéria, Ivan Aleksandrovich Pyriev iniciou a carreira no Teatro Proletkult, contracenou com Grigori Alexandrov no curta-metragem “Diário de Glumov” (Eisenstein, 1923). Estreou como diretor de cinema com “Mulher Estranha” (1929). Em seguida vieram “Funcionário do Governo” (1930), “A Transportadora da Morte” (1933), “O Cartão do Partido” (1936).
Entre os anos 1938-49 dirigiu sete musicais, “A Noiva Rica” (1938), “A Tratorista” (1939), “A Bem-Amada” (1940), “Encontro em Moscou” (1941), “Às Seis da Tarde, Depois da Guerra” (1944), “Conto da Terra Siberiana” (1947), “Cossacos de Kuban” (1949), dividindo com Grigori Alexandrov a condição de diretor mais bem sucedido do país, no gênero. Realizou também o drama de guerra “Os Partisans” (1942). Em 1951, dirigiu em parceria com o cineasta holandês Joris Ivens o documentário “Vitória da Amizade”. Em 1954, concluiu “Devoção”.
Fundador da União dos Cineastas Soviéticos e membro do Soviete Supremo da URSS, Pyryev recebeu seis prêmios Stalin (1941, 1942, 1946, 1946, 1948, 1951) e foi diretor da Mosfilm Estúdios (1954-57). Sua produção no período kruschevista ficou restrita a cinco películas, três das quais adaptações dos clássicos de Dostoievsky - “O Idiota” (1958), “Noites Brancas (1959) e “Os Irmãos Karamazov” (1969), concluído por Kirill Lavrov e indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. As outras duas são “Nosso Amigo Comum” (1961) e “A Luz de Uma Estrela Distante” (1965).  
 
Argumento Original: Eugene Pomeschikov (1907-79)
Eugene Mikhailovich Pomeschikov nasceu em Donetsk, Ucrânia. Em 1929, graduou-se no departamento literário do Instituto de Educação, em Odessa. Em 1936, diplomou-se em roteiro pelo Instituto de Cinematografia Gerasimov (VGIK), onde passou a lecionar a partir de 1948. Suas histórias focalizam quase sempre temas contemporâneos, tratados sob a forma de comédia. Escreveu para Ivan Pyriev os argumentos de “A Noiva Rica” (1938), “Tratoristas” (1939), “Conto da Terra Siberiana” (1947). Entre os 30 roteiros que assina, encontram-se também “Nós dos Urais” (Lev Kuleshov, 1943), “Centro-Avante” (Semyon Derevyansky, 1946), “Verão Generoso" (Boris Barnet, 1950), “Canção do Pastor” (Andrei Frolov, 1956), “O Marinheiro do Cometa” (Isidoro Ann, 1958).  
 
Música Original: Dmitry Pokrass (1899-1978) e Daniel Pokrass (1904-54)
Dmitry Pokrass nasceu em Kiev, Ucrânia. Durante os anos 1914-17, estudou piano no Conservatório de Petrogrado e compÃ?s canções para shows de variedades. Em 1919 se juntou ao Exército Vermelho. Por ocasião da tomada de Rostov (1920) pela Primeira Cavalaria, escreveu "Marcha de Budyonny", que se tornou uma das primeiras canções soviéticas amplamente conhecidas. Em 1923-26, Pokrass serviu como regente titular e diretor musical do Teatro Hermitage, de Moscou. Entre 1932 e 1954, trabalhou em parceria com seu irmão, Daniel Pokrass, compondo música incidental para teatro e trilhas sonoras de filmes como “Caminhos do Inimigo” (Ivan Pravov, 1935), “Canção de Ninar” (Dziga Vertov, 1937), “Balada do Cossaco Golota” (Igor Savchenko, 1937), "Se a Guerra Começa Amanhã" (L. Antsi-Polovski e G.Berezko, 1938), “Tratoristas” (Ivan Pyriev, 1939), "Uma Garota de Personalidade"  (Konstantin Yudin, 1938), “Kino-Kontsert” (Isaak Menaker e Adolf Minkin, 1941), �€ œTanquista” (Zinovij Drapkin e Robert Malman, 1942).       
 
 

 

GERMINAL
Claude Berri (1993), com Gérard Depardieu, Renauld, Miou-Miou, Jean Carmet, FRANÇA, 170 min.

Sinopse
Adaptado do consagrado romance de Emile Zola, publicado em 1885, “Germinal” narra a greve dos mineiros de Voreux contra as degradantes condições de trabalho que imperavam na Europa, no final do século 19. 
Como pano de fundo, a obra apresenta o confronto entre as concepções marxistas, anarquistas e remanescentes do cartismo, que polarizavam na época a Associação Internacional dos Trabalhadores (1ª Internacional), identificadas nos personagens Étienne, Rasseneur e Suvarin.

Direção: Claude Berri (1934-2009) 
Diretor de cinema, ator, roteirista e produtor. Dirigiu 24 longas, entre os quais “Jean de Florette” (1986), “Germinal” (1993) e “Lucie Aubrac: Um Amor em Tempos de Guerra” (1997).

Argumento Original: Émile Zola (1840-1902) 
Escritor francês, criador da escola literária naturalista, além de importante figura libertária no país. Entre seus romances publicados, destacam-se: “Therese Raquin” (1867), “O Ventre de Paris” (1873), “Nana” (1880), com o qual superou o "determinismo biológico" que era o ponto fraco do naturalismo, “Germinal” (1885), “A Terra” (1887) . 
Zola foi autor, em 1898, do manifesto “J’Accuse”, em que denuncia os responsáveis pelo fraudulento processo do qual Alfred Dreyfuss foi vítima como representantes de um chauvinismo imperialista que iria desembocar na 1ª Guerra Mundial. Para escrever “Germinal”, o autor viveu dois meses como mineiro. Acordando, comendo, bebendo e trabalhando nas mesmas condições que eles.

Música Original: Jean-Louis Roques
Acordeonista, tecladista, arranjador e compositor francês que trabalhou com artistas como Renaud e Frank Sinatra. 
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19/11/2011
COMO ERA VERDE O MEU VALE
John Ford (1941), com Walter Pidgeon, Maureen O`Hara, Anna Lee, Donald Crisp, Roddy McDowall, 118 min.

Sinopse
Adaptado do romance do escritor galês Richard Llewellyn, publicado em 1939, o filme narra dois anos da luta da família Morgan - trabalhadores de uma mina de carvão, situada num verde vale do País de Gales - para manter-se unida em meio às adversidades, no final do século 19. Estas vão desde uma greve, que se estende por 22 semanas, aos boatos espalhados na pequena comunidade de que a jovem Gruffydd Morgan, recém-casada com o filho do proprietário da mina, mantém um caso amoroso com o pregador da igreja local – um religioso que faz questão de não esconder sua opinião favorável à organização dos sindicatos. “Como Era Verde o Meu Vale” recebeu nove indicações ao Oscar de 1942 e foi premiado com cinco: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Ator Coadjuvante (Donald Crisp), Melhor Direção de Arte.

Direção: John Ford (1894-1973) 
Em 51 anos de carreira, o legendário John Ford dirigiu 133 filmes: “No Tempo das Diligências” (1939), “As Vinhas da Ira” (1940), “Como Era Verde O Meu Vale” (1941), “Rastros de Ódio” (1956), “O Homem que Matou o Facínora” (1962) e vários outros que sem favor podem ser apontados como clássicos. 
Orson Welles disse que assistiu a “No Tempo das Diligências” mais de 40 vezes, antes de produzir sua obra-prima, “Cidadão Kane”, em 1941.

Argumento Original: Richard Llewellyn (1906-83) 
Escritor galês, cujo nome de batismo é Vivian Loyd, publicou, com o pseudônimo de Richard Llewellyn, 23 romances. Escreveu peças de teatro, trabalhou como jornalista e, depois da guerra, como roteirista da MGM. Seu segundo romance, “Apenas um Coração Solitário”, foi levado às telas em 1944.

Música Original: Alfred Newman (1901-70) 
Dirigiu musicais da Broadway até 1929. No ano seguinte foi para Hollywood. Em 1940, assumiu a direção musical da Fox, musicou cerca de 200 filmes, recebeu 45 indicações para o Oscar e nove premiações, entre elas a obtida por seu trabalho em Suplício de Uma Saudade (Henry King, 1956), cuja canção-título “Love Is a Many-Splendored Thing” correu o mundo nas vozes de Nat King Cole e Frank Sinatra. 
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26/11/2011
A FESTA DE BABETTE
Gabriel Axel (1987), com Stéphane Audran, Jean-Philippe Lafont, Gudmar Wivesson, 102 min.

Sinopse
Em uma noite de 1871, fugindo da repressão à Comuna de Paris, Babete chega a um vilarejo da costa dinamarquesa e se oferece para ser a cozinheira e faxineira da família de um rigoroso pastor luterano. Muitos anos depois, ainda trabalhando na casa, ela recebe a notícia de que ganhara uma pequena fortuna numa loteria em Paris. Babete, que havia sido chef du cuisine do requintado Café Anglais, decide gastar o dinheiro na produção de um refinado jantar francês que oferece à comunidade. Seu banquete opera milagres de transformação no estado de espírito e no grau de sociablidade dos convivas, como a revelar o quanto a satisfação plena das necessidades é capaz de mudar as mentes humanas. 
Baseado em conto de Isak Dinesen, publicado no livro Anedotas do Destino (1958). Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1988.

Direção: Gabriel Axel (1918- ) 
Nascido em 18 de abril de 1918, na Dinamarca, diretor, ator, escritor e produtor, o veterano Gabriel Axel dirigiu projetos para teatro, cinema e televisão, tanto na Dinamarca quanto na França. Realizou cerca de 70 filmes para cinema e TV, entre os quais “Familien Gyldenkål” (1975), “Les Colonnes du Ciel” (TV mini-series, 1985-86) e “Jutland - Reinado de Ódio” (1994), baseado na história real que inspirou William Shakespeare em seu “Hamlet”. Sua obra “Hagbard e Signe” (1967), produção dinamarquesa-sueco-islandesa, recebeu o Grand Prix de la Technique no Festival de Cannes. Em 2003, ganhou um Lifetime Achievement Award no 1º. Festival de Cinema Internacional de Copenhagen.

Argumento Original: Isak Dinesen (1885-1962) 
A dinamarquesa Karen Christence von Blixen-Finecke, que assinava com o pseudônimo de Isak Dinesen, tornou-se mundialmente conhecida por seu terceiro livro “Den Afrikanske Farm” (A Fazenda Africana), publicado em 1937 e baseado no período em que ela viveu no continente africano. Em 1985, o livro foi adaptado para o filme, com o nome de “Out of Africa” (Entre Dois Amores), sob a direção de Sydney Pollack e com Meryl Streep, Robert Redford e Klaus Maria Brandauer nos papéis principais. Durante a 2ª. Guerra Mundial, Karen escreveu “Contos de Inverno”, publicado em 1942, e o romance “As Vingadoras Angélicas” (1944), sob o pseudônimo de Pierre Andrezel. Escreveu também “Anedotas do Destino”, de 1958, que inclui o conto “A Festa de Babette”, e “Sombras na Pradaria” (1960), entre outros.

Música Original: Per Norgárd (1932- ) 
Nascido em 13 de julho de 1932, em Gentofte, Dinamarca. Nørgård compôs nos principais estilos: seis óperas, dois balés, sete sinfonias e outras peças para orquestra, diversos concertos, composições para voz e coral, trabalhos para câmara, dez quartetos de corda e muitos trabalhos instrumentais solo. 
Criou a trilha para diversos filmes, entre eles: “O Casaco Vermelho” (1966), “A Festa de Babette (1987) e “Hamlet, Príncipe da Dinamarca” (1993) – de Gabriel Axel – e “Manden der Tænkte Ting” (Jens Ravn, 1969). 
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03/12/2011
OS COMPANHEIROS
Mario Monicelli (1963), com Marcello Mastroianni, Renato Salvatori, Annie Girardot, 125 min.

Sinopse 
Turim, 1890. Operários de uma fábrica têxtil trabalham 14 horas por dia com pausa de meia hora para comer o alimento trazido por suas famílias e entregue através das grades dos portões. A fadiga provoca terrível acidente – um trabalhador perde a mão numa máquina de fiação. No dia seguinte, todos concordam em realizar um boicote. Decidiu-se tocar a sirene - que anunciava o fim do expediente - uma hora antes do previsto. Tudo dá errado, até que num trem vindo de Roma chega à cidade o professor Sinegalia, agitador socialista caçado pela polícia. E o embrião de revolta vai se transformando numa greve organizada. Filme didádico e comovente, de um mestre na arte de combinar em doses exatas o drama e a comédia.

Direção e Argumento Original: Mario Monicelli (1915-2010) 
Crítico cinematográfico desde 1932, de 1939 a 1949 colaborou em cerca de 40 filmes, como argumentista, roteirista e assistente de direção. O começo de seu trabalho como diretor ocorre em 1949, em parceria com Stefano Vanzina, em "Totò Cerca Casa". A colaboração dos dois diretores deu origem a oito filmes, dentre os quais os célebres "Guardie e Ladri" (1951) e "Totò a Colori" (1952). Em 1953 inicia o trabalho solo. "Os Eternos Desconhecidos" (1958), com elenco composto por Vittorio Gassman, Marcello Mastroianni, Totò e Claudia Cardinale, é considerado o primeiro do filão da commedia all`italiana. Em 1959 "A Grande Guerra" ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza e rendeu sua primeira indicação ao Oscar. A segunda viria em 1963, com "Os Companheiros". Diversas outras películas merecem destaque, em sua carreira de mais de 60 filmes: “O Incrível Exército de Brancaleone” (1966), “Meus Caros Amigos” (1975), “Um Burguês Muito Pequeno” (1977), “Quinteto Irreverente” (1982).

Música Original: Carlo Rustichelli (1916-2004) 
Nascido em Carpi, Emilia-Romagna, estudou piano no Conservatório de Bolonha e composição na Academia de Santa Cecília. Compôs cerca de 250 trilhas, entre as quais vários clássicos resultantes de uma assídua colaboração com os diretores Pietro Germi e Mario Monicelli: “Juventude Perdida” (1948), “O Ferroviário” (1956), “Divórcio à Italiana” (1961), “Os Companheiros (1963), “Seduzida e Abandonada” (1964), “O Incrível Exército de Brancaleone” (1966), “Meus Caros Amigos” (1975). 
Em 1972, foi contratado por Billy Wilder para compor a música para “Avanti!”, em 1995 criou a trilha de “Per Semper” para o diretor brasileiro Walter Hugo Khoury. 
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10/12/2011
A MÃE
Vsevolod Pudovkin (1926), com Vera Baranovskaya, Nikolai Batalov, Ivan Koval, 90 min.

Sinopse
Adaptado do romance homônimo de Maximo Gorky, publicado em 1906, este clássico do cinema mudo narra a história da transformação de Nilovna-Vlasova, de camponesa submissa, escrava dos seus medos e da brutalidade doméstica, a uma mulher que se engaja na disseminação de idéias renovadoras. Seu marido, um ferreiro alcoólatra e fura-greves, é morto por um militante, amigo do seu filho (Pavel), por tentar impedir uma greve que estava sendo preparada pelos operários da cidade de Sormovo. Nilovna, tentando proteger Pavel, colabora com a polícia e denuncia seu amigo, provocando inadvertidamente a prisão do próprio filho. Arrependida, ela vai passando gradativamente a ocupar o lugar de Pavel na luta revolucionária.

Direção: Vsevolod Pudovkin (1893-1953) 
O teórico e cineasta soviético Vsevolod Illarionovitch Pudovkin, que se tornou conhecido por interpretar de forma visual as motivações internas dos personagens de suas obras, considerava a montagem como o clímax do trabalho criador do diretor de cinema. Desde seu primeiro curta, a comédia “Febre de Xadrez” (1924), dirigiu 18 filmes, entre os quais obras-primas como “A Mãe” (1926), “O Fim de São Petersburgo” (1927), “Tempestade sobre a Ásia” (1928), “Em Nome da Pátria” (1943), “O Retorno de Vasili Bortinikov” (1953). Como ator, trabalhou em 13 filmes.

Argumento Original: Maximo Gorki (1868-1936) 
Fundador do realismo socialista, ativo militante do partido bolchevique, amigo e colaborador de Lenin, e depois de Stalin, Alexei Maximovich Pechkov, pseudônimo Maximo Gorki, é ainda hoje considerado o maior escritor em língua russa, na qual despontaram expoentes como Pushkin (1799-1837), Gogol (1809-52), Dostoievski (1821-81), Tolstói (1828-1910), Tchecov (1860-1904), Maiakovski (1893-1930), Ostrovski (1904-36), Fadeyev (1901-56), Ehrenburg (1891-1967), Alexandr Bek (1903-72), Sholokhov (1904-84), Simonov (1915-79) e tantos outros. Suas obras registram com vigor personagens que integravam as classes exploradas: operários, vagabundos, prostitutas, homens e mulheres do povo. Autores realistas e naturalistas já tinham incorporado estes setores à literatura, mas, mesmo com simpatia, olhavam para os pobres de fora. Gorki conhecia aquele universo por dentro e soube captar o que havia de mais profundo na alma russa. 
Entre suas obras destacam-se “Pequenos Burgueses” (teatro, 1901), “Ralé” (teatro, 1901), “Os Inimigos” (teatro, 1906), “A Mãe” (romance, 1906-07), “A Confissão” (romance, 1908), “Infância” (romance autobiográfico, 1913-14), “Ganhando Meu Pão” (romance autobiográfico, 1915-16), “Minhas Universidades” (romance autobiográfico, 1923), “A Casa dos Artamonov” (romance, 1925), “Quarenta Anos: A vida de Klim Sanghin” (tetralogia, 1925-36), “Yegor Bulychóv e os Outros” (romance, 1932). 
Gorki morreu em 18 de junho de 1936, vítima de envenenamento criminoso ordenado pela direção do “bloco bukharinista-trotskista” e organizado por Genrikh Yagoda. O assassinato foi descrito e analisado, detalhadamente, nas duas sessões do dia 8 de março de 1938 do Colégio Militar da Corte Suprema da URSS.

Música: Tikhon Khrennikov (1913–2007) 
Tikhon Nikolayevich Khrennikov, pianista, foi Secretário-geral da União Soviética de Compositores. Escreveu três sinfonias, quatro concertos para piano, dois concertos para violino, dois concertos para violoncelo, óperas, operetas, balés, música de câmara, trilhas sonoras e musicas para cinema. Entre seus filmes mais conhecidos, estão: "Às Seis da Tarde, Depois da Guerra” (dirigido por Ivan Pyryev, 1944), "Amigos Verdadeiros" (Mikhail Kalatozov, 1954) e "Balada Hussarda" (Eldar Ryazanov, 1962). A trilha que compôs para “A Mãe” substituiu, em 1970, a música de David Blok, que havia sido introduzida em 1935. 
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17/12/2011
SACCO E VANZETTI
Giuliano Montaldo (1971), com Gian Maria Volonté, Riccardo Cucciolla, 120 min.

Sinopse
Em 1920, os imigrantes anarquistas italianos Sacco Niccola e Bartolomeo Vanzetti são condenados à morte na cadeira elétrica, falsamente acusados do homicídio de um contador e de um guarda de uma fábrica de sapatos. Na verdade, eles são condenados devido a suas crenças políticas. O processo destaca não só a sua inocência, mas a vontade das autoridades dos EUA de realizar um ato de represália política, condenando à morte de maneira exemplar dois anarquistas, com o intuito de intimidar o movimento operário. Nos anos seguintes, a luta pela anulação da sentença leva milhares de pessoas às ruas em todo o mundo.

Direção e Argumento Original: Giuliano Montaldo (1930- ) 
Nascido em Genova, Giuliano Montaldo fez sua estréia como diretor com “Tiro Al Piccione” (1960), um filme sobre a Resistência Partisan. Seu segundo filme, “Una Bella Grinta”, estrelado por Norma Benguel, sobre um alpinista social durante a época do “milagre econômico italiano”, ganhou o prêmio especial do júri no Festival de Berlim (1965). Naquele ano, também dirigiu a segunda unidade da obra-prima de Pontecorvo “A Batalha de Argel”. Depois de ter filmado para a Paramount, nos EUA, voltou à Itália para realizar “Gott Mit Uns” (1969), “Sacco E Vanzetti” (1971) e “Giordano Bruno” (1973). Com “Agnes Vai Morrer” (1976), retomou o tema da Resistência. Em seguida, voltou-se para a televisão, tendo dirigido, entre outras, a série Marco Polo (1982). Entre 1999 e 2003, foi presidente da RAI Cinema. Seus filmes mais recentes são: “Os Demônios de São Petersburgo” (2008), o documentário “O Ouro de Cuba” (2009) e “O Industrial” (2011).

Música Original: Ennio Morriconi (1928- ) 
Ao longo da sua carreira Morriconi foi responsável pela composição e arranjo de mais de 500 trilhas musicais para filmes e programas de televisão. Entre suas composições se incluem as trilhas de “A Batalha de Argel” (1966), “Queimada (1969), “Sacco e Vanzetti” (1971), “Os Intocáveis” (Brian de Palma, 1987), “Cinema Paradiso” (Giuseppe Tornatore, 1988), “Lolita” (Adrian Lyne, 1997), “Bastardos Inglórios” (Quentin Tarantino, 2009). Recebeu cinco prêmios BAFTA (British Academy of Film and Television Arts), quatro David di Donatello e um Oscar (2007) pelo conjunto da obra. 
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14/01/2012
O VENTO SERÁ TUA HERANÇA
Stanley Kramer (1960), com Spencer Tracy, Frederick March, Gene Kelly, 128 min.

Sinopse
O filme é inspirado em um caso real, o "Processo do Macaco de Scopes", como foi chamado o processo do Estado do Tennessee contra o professor de biologia John Thomas Scopes, ocorrido em Dayton, 1925. O professor foi julgado por ensinar a teoria da Evolução, de Darwin, em uma escola pública. No tribunal, o advogado Clarence Darrow confronta o líder fundamentalista William Jennings Bryan, em uma acirrada batalha ideológica.

Direção: Stanley Kramer (1913-2001) 
Produtor e realizador, Stanley Earl Kramer nasceu no Brooklyn, Nova Iorque. Depois de um percurso inicial como argumentista, instalou-se em Hollywood como produtor, apostando em êxitos como “O Invencível” (Mark Robson, 1949), “A Morte do Caixeiro Viajante” (László Benedek, 1951), “Matar ou Morrer” (Fred Zinnemann,1952), Estreou como diretor em 1955. O racismo, a intolerância, o macarthismo, a ganância, a culpa histórica do fascismo, a colaboração e a bomba são temas recorrentes em sua obra. Entre os 14 filmes que dirigiu, encontram-se “Acorrentados” (1958), “O Vento Será tua Herança” (1960), “Julgamento em Nuremberg” (1961), “A Nau dos Insensatos” (1965), “Adivinhe Quem Vem para Jantar” (1967), “O Segredo de Santa Vitória” (1969).

Argumento Original: Nathan E. Douglas (1914-68) 
Nathan E. Douglas foi o pseudônimo adotado pelo ator e escritor norte-americano, nascido na Filadélfia, Nedrick Young, após o macarthismo ter incluído seu nome na lista negra de Hollywood. Young escreveu também o roteiro para “Acorrentados” (1958), “O Prisioneiro do Rock” (Richard Thorpe, 1957) e “Sombra sobre a Terra (1968).

Música Original: Ernest Gold (1921-99) 
Nascido em Viena, o pianista e compositor Ernest Gold escreveu mais de 100 trilhas musicais para cinema e televisão, entre 1945 e 1992. Seu trabalho foi premiado quatro vezes com o Oscar. As trilhas de “A Hora Final” (Stanley Kramer, 1959), “Deu a Louca no Mundo (Stanley Kramer, 1963), “Minha Esperança É Você” (John Cassavetes, 1963), “Adivinhe Quem Vem para Roubar” (Ted Kotcheff,1977) estão entre suas obras mais conhecidas. 
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21/01/2012
SANGUE NEGRO
Paul Thomas Anderson (2007), com Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Kevin J. O`Connor, 158 min.

Sinopse
Inspirado no romance “Oil!”, escrito por Upton Sinclair em 1927, “Sangue Negro“ começa em 1898, Novo México. Daniel luta para extrair seu sustento de uma modesta mina de prata. Anos depois, o petróleo brota num daqueles buracos e o trabalhador inicia a escalada para transformar-se em “big oil man”. No caminho vai deixando para trás a sua humanidade. Acompanhado do filho de um amigo morto em serviço, bebê que adota para posar de homem de família nas mesas de negociação, Daniel chega a Little Boston e encontra o pastor Eli Sunday - um rival na lábia e nas ambições de prosperar.

Direção: Paul Thomas Anderson (1970- ) 
O diretor norte-americano Paul Thomas Anderson já acumulava um caminhão de troféus (Oscar, Urso de Ouro, BAFTA, Bodil, Cinco Continentes, Metro Media Award, Satélite de Ouro, Cannes) por seus filmes “Boogie Nights” (1997), “Magnólia” (1999) e “Embriagado de Amor” (2002). Ganhou outros tantos com “Sangue Negro” (2007). Mas o fato é que a (ex) jovem promessa tem revelado a capacidade de se superar, filme após filme.

Argumento Original: Upton Sinclair (1878-1968) 
Nascido em Baltimore, EUA, o escritor Upton Beal Sinclair foi um dos principais representantes do grupo chamado pelos conservadores de "Muckrackers" ("os que se espojam na lama"), buscando caracterizar negativamente seu empenho na denúncia das injustiças e na defesa de mudanças sociais. Juntamente com Jack London e Sinclair Lewis, pertenceu à comunidade socialista Helicon Hall-Farm, que dava apoio ativo à política do New Deal de Franklin Roosevelt. 
Entre os títulos mais célebres deste autor de mais de mais de 100 livros, estão “A Selva” (1906), onde denuncia os horrores das condições de vida e trabalho dos operários nos matadouros de Chicago, “Petróleo!” (1927), “O Fim do Mundo” (1940-53), série de romances, publicada em 11 volumes, cuja ação se passa em diversas cidades como Washington, Moscou, Paris, Londres e Berlim, da 1ª. Guerra Mundial até a Guerra Fria, e nos quais a história contemporânea surge aliada à aventura, ao amor e ao crime.

Música Original: Jonny Greenwood (1971- ) 
Nascido em Oxford, Jonathan Richard Guy Greenwood é músico da banda inglesa Radiohead. No grupo, atua em diversos instrumentos, como guitarra, teclados, percussão, sintetizadores, harmônica, xilofone, além de objetos não convencionais, como televisões e rádios. Inventa também novos instrumentos. Compôs "Life in a Glass House" e "The Tourist".
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28/11/2012
QUEIMADA
Gilio Pontecorvo (1969), com Marlon Brando, Evaristo Márquez e Renato Salvatori, 112 min.

Sinopse
Nesta parábola sobre a penetração dos EUA nos países subdesenvolvidos, estamos em 1845. Londres envia à ilha negra das Pequenas Antilhas, Queimada, dominada pelos portugueses, um de seus mais hábeis fomentadores de rebelião, Sir William Walker, com o propósito de conquistá-la. Walker estimula a capacidade de liderança do negro José Dolores e fomenta uma revolta vitoriosa: é declarada a independência da ilha, que passa a ser manobrada por uma empresa britânica exportadora de açúcar. Passam-se dez anos, e o agente é novamente enviado à Queimada porque, desta vez, Dolores lidera uma revolução contra o domínio econômico inglês sobre o seu povo.

Direção: Gillo Pontecorvo (1919-2006) 
Nasceu em Pisa, Itália. No final dos anos 30, abraçou o movimento antifascista italiano. Em 1943, trabalhou como jornalista no “L’Únitá”, órgão clandestino do Partido Comunista da Itália. Após a libertação, tornou-se diretor de “Pattuglia”, jornal conjunto das juventudes comunista e socialista. No início dos anos 50, tornou-se assistente dos cineastas Joris Ivens, Yves Allégret e Mario Monicelli. Dirigiu documentários antes de estrear na ficção com “Giovanna”, episódio de “Die Vind Rose” (1954) sobre uma operária da indústria têxtil. Dirigiu também “A Grande Estrada Azul” (1957), “Kapò” (1959), os poderosos “A Batalha de Argel” (1966) e “Queimada” (1969), “Operação Ogro” (1979), “O Adeus a Enrico Berlinguer” (1984). Seu último trabalho foi “Firenze, il nostro domani” (2003), documentário sobre os quatro dias do Fórum Social Europeu, realizado em novembro 2002 naquela cidade, co-dirigido por 10 realizadores, entre os quais Mario Monicelli e Franco Giraldi.

Argumento Original: Franco Solinas (1927-82) e Giorgio Arlorio (1929- ) 
Além de escrever para Pontecorvo os argumentos de “Giovanna”, “A Grande Estada Azul”, “Kapó”, “A Batalha de Argel” e “Queimada”, Franco Solinas assina os argumentos de “O Bandido Giuliano” (Francesco Rosi, 1962), “Estado de Sítio” (Costa-Gavras, 1972), “Suspeita” (Francesco Maseli, 1975), “Cidadão Klein” (Joseph Losey, 1976), “Hanna K.” (Costa-Gavras, 1983), entre outros. 
O primeiro argumento de Giorgio Arlorio para cinema foi escrito para o filme “”Crimen” (Mario Camerini, 1960). Para Pontecorvo, escreveu também “Operação Ogro”.

Música Original: Ennio Morriconi (1928- ) 
Ao longo da sua carreira Morriconi foi responsável pela composição e arranjo de mais de 500 trilhas musicais para filmes e programas de televisão. Entre suas composições se incluem as trilhas de “A Batalha de Argel” (1966), “Queimada (1969), “Sacco e Vanzetti” (1971), “Os Intocáveis” (Brian de Palma, 1987), “Cinema Paradiso” (Giuseppe Tornatore, 1988), “Lolita” (Adrian Lyne, 1997), “Bastardos Inglórios” (Quentin Tarantino, 2009). Recebeu cinco prêmios BAFTA (British Academy of Film and Television Arts), quatro David di Donatello e um Oscar (2007) pelo conjunto da obra. 
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04/02/2012
A GUERRA DO ÓPIO
Xie Jin (1997), com Bao Guoan, Rob Freeman, Xiangting Ge, Emma Griffith, 150 min.

Sinopse
Os produtos chineses tinham grande valor na Europa (seda, chá e porcelana), mas os produtos oferecidos pela Inglaterra não atraíam a atenção dos chineses, exceto o ópio. A Companhia Britânica das Índias Orientais mantinha intenso comércio com os chineses, comprando chá e vendendo o ópio trazido da Índia. A droga representava metade das exportações inglesas para a China. Devido à venda em grande escala, nascia o problema social: a dependência química de vastas parcelas da população. Em 1796, um decreto imperial chinês proibiu o uso do ópio sem sucesso. Em 1839, o imperador Daoguang assinou novo decreto. Na cidade portuária de Cantão, foram queimadas mais de 20 mil caixas da droga, confiscadas de depósitos britânicos. O Reino Unido declarou guerra. A 1ª. Guerra do Ópio (1839-42) rendeu à Inglaterra a abertura de mais cinco portos em território chinês, a indenização pelo ópio destruído, além de Hong Kong, que ficou sob seu domínio por 100 anos. Na 2ª. Guerra do Ópio (1856-60), a França se associou à Inglaterra, a China foi obrigada a autorizar a legalização do ópio e a abrir mais 11 portos, garantindo o “livre comércio” com as potências ocidentais. O uso e a comercialização do ópio só foram proibidos no território chinês com a vitória da revolução popular de 1949. É incrível, mas é tudo verdade.

Direção: Xie Jin (1923-2008) 
Xie estudou na escola de arte dramática de Jiang`an, entre 1946 e 1948, e se formou na Universidade Popular Revolucionária, em 1953. Dirigiu seu primeiro filme, “A Crise”, em 1954, e continuou a realizar filmes protagonizados por figuras femininas como “O Destacamento Vermelho das Mulheres” (1960) e “Duas Irmãs de Palco” (1965). Dirigiu também “A Lenda de Tianyun Mountain” (1980), que ganhou o 1º. Galo de Ouro. Com "Cidade Hibiscus" (1986), foi premiado no 7º. Galo de Ouro e no 26º. Festival Internacional de Karlovy Vary, Checoslováquia. “Guerra do Ópio” (1997), recebeu premiação no 28º Galo de Ouro e no Festival de Cinema de Montreal. Realizou cerca de 20 filmes.

Argumento Original: Zhu Sujin (1953- ), Ni Zhen, Fuxian Zong, Ann Hui (1947- ) 
Zhu Sujin é natural de Nanjing. Especializado em temas históricos, escreveu para televisão as séries “Kang Xi Wang Chao” (2001), “Jiang Shan Feng Yu Qing” (2005), “Zhu Yuan Zhang” (2008), “Tres Reinos” (2010). 
Escritor e professor de cinema, Ni Zhen publicou "Memórias da Academia de Cinema de Pequim: A Gênese da Quinta Geração da China". Escreveu os argumentos de “Lanternas Vermelhas” (Zhang Yimou, 1991), “O Crepúsculo da Cidade Proibida” (Manfred Woon, 1993), “Hong Fen” (Li Shahong, 1995), “A Guerra do Ópio” (Xie Jin, 1997). Nascida em Anshan, a diretora, atriz, produtora e roteirista Ann Hui On-Wah mudou-se para Macau e depois Hong Kong, quando tinha cinco anos de idade. Estudou inglês e literatura comparada na Universidade de Hong Kong, até 1972, antes de passar dois anos na Escola Internacional de Cinema de Londres. Dirigiu 24 filmes, entre os quais “Do jeito que Somos” (2008) e “Noite e Nevoeiro” (2009).

Música Original: Jin Fuzai
Fuzai compôs as trilhas musicais de “A Última Imperatriz” (Chen Jialin, 1987), “Shan Shui Qing” (animação, 1988), “Sino do Templo de Pureza” (Xie Jin, 1992), “A Guerra do Ópio” (Xie Jin, 1997), “Bao Lian Deng” (animação, 2000). 
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11/02/2012
MANGAL PANDEI: O LEVANTE
Ketan Mehta (2005), com Aamir Khan, Toby Stephens, Amisha Patel, Rani Mukherjee, ÍNDIA, 144 min.

Sinopse
1857. O subcontinente indiano é governado por uma única empresa, a Companhia Britânica das Índias Orientais. A companhia tem suas próprias leis, o seu próprio exército, constituído por soldados indianos (os sipaios) comandados por oficiais ingleses. A “Empresa Raj", como era conhecida, pilhava o país, obrigando, entre outras coisas, camponeses a trocarem suas culturas tradicionais pela da papoula, para a produção do ópio que a companhia comercializava na China. Após 100 anos de subjugação, a consciência indiana se afirma através da perspectiva revolucionária da independência. Tem início a rebelião. “Mangal Pandei – O Levante” é um conto épico de amizade, traição, amor e sacrifício, no cenário que foi chamado pelos britânicos de “motim sipaio“, mas que para os indianos foi a 1ª. Guerra da Independência. E tudo bem temperado com estonteantes números musicais.

Direção: Ketan Mehta (1952- )
Nascido em Navsari, Gujarat, Ketan Mehta formou-se em direção no Instituto de Cinema e Televisão da Índia. Durante sua carreira, realizou 10 longas-metragens, sete documentários e séries de televisão. Seu repertório de temas inclui comédia, sátira, romance e rebeldia . Seus filmes foram selecionados para vários festivais de cinema internacionais, como Nantes ( França) e o Moscow Film Festival. “Bhavni Bhavai“ (1980), “Mirch Masala“ (1985), “Oh Darling! Yeh Hai India“ (1995), “Mangal Pandei: O Levante“ (2005) são alguns de seus sucessos num país que possui mais de 30 mil salas de cinema, produz 1500 filmes por ano (o triplo de Hollywood) e vende anualmente 4 bilhões de ingressos (95% para produções nacionais).

Argumento Original: Farrukh Dhondy (1944- )
Farrukh Dhondy nasceu em Poona, Mumbai, em 1944. Formou-se em Ciências pela Universidade de Poona em 1964. Recebeu bolsa para estudar Inglês em Cambridge. Depois cursou a Universidade de Leicester para fazer o mestrado. Em Leicester ingressou na Associação dos Trabalhadores Indianos e, mais tarde, em Londres, no movimento dos Panteras Negras, juntando-se à revista “Race Today”, em 1970, onde foi revelada a sua vocação de escritor.
A produção literária de Dhondy inclui livros para adultos, jovens e crianças, bem como peças para teatro, cinema e televisão. Escreveu para o Channel 4 a série “Noites Tandoori” (1985-87) e, para a BBC, “Rei do Ghetto” (1986). No cinema, entre os argumentos que produziu encontram-se “Sob a Luz da América“ (Roger Christian, 2004), “Mangal Pandei: O Levante” (Ketan Mehta, 2005), “Kisna: O Poeta Guerreiro“ (Subhash Ghai, 2005), “Take 3 Girls” (Baz Taylor, 2006) e “Carpet Boy” (Giles Nuttgens, 2013).

Música Original: A.R. Rahman (1966- ), Javed Akhtar (1945- )
Allah Rakha Rahman nasceu em Chennai. Suas obras são notáveis pela integração da música clássica oriental com sons de música eletrônica e arranjos de orquestra tradicional. Já ganhou dois Oscar, dois Grammy, um BAFTA, um Golden Globe, quatro National Film Awards, 14 Filmfare Awards, 11 South Filmfare Awards, além de outros prêmios. Trabalhando em produções da indústria cinematográfica indiana, cinema internacional e teatro, Rahman já vendeu mais de 300 milhões de cópias de suas trilhas sonoras compostas para mais de 100 filmes. 
Poeta, letrista e roteirista, Akhtar é uma das figuras mais proeminentes e populares de Bollywood, cujas canções estão presentes nas trilhas de uma centena de filmes.
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25/02/2012
LAWRENCE DA ARÁBIA
David Lean (1962), com Peter O’Toole, Omar Sharif, Alec Guiness, Anthony Quinn, INGLATERRA, 187 min.

Sinopse
Thomas Edward Lawrence iniciou a trajetória que o tornaria mundialmente famoso entre 1911 e 1914, quando trabalhando numa expedição arqueológica no Oriente Médio aproveitou para aprender árabe e os costumes da região. Com a eclosão da 1ª. Guerra Mundial, em 1914, alistou-se nas Forças Armadas e passou a fornecer informações estratégicas para o Exército britânico. Seu principal papel na guerra, porém, foi incentivar tribos árabes que se encontravam sob o tacão do Império Turco-Otomano, inimigo dos ingleses, a se rebelarem. Para motivar os povos do deserto, Londres havia assegurado que, terminada a guerra, os 20 milhões de árabes teriam a sua independência. Em março de 1917 os turcos perdiam Bagdá, e no ano seguinte Damasco. Em 1919, Lawrence tornou-se conselheiro da delegação árabe na Conferência de Paz de Paris, onde com pesar viu as promessas de reconhecimento serem desfeitas, com a passagem dos territórios árabes do Império Otomano para o controle da Inglaterra (Mesopotâmia e Palestina) e da França (Síria e Líbano). O bolo fora dividido em 1916 pelo acordo “Sykes-Picot”, assinado secretamente pelas duas potências coloniais.

Direção: David Lean (1908-91) 
Como um dos mais importantes cineastas britânicos, David Lean reúne em sua filmografia 19 títulos, dentre os quais “A Ponte do Rio Kwai” (1957) e “Passagem para a India” (1984), além de “Lawrence da Arábia” (1962) que obteve sete Oscars: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Direção de Arte Colorida, Melhor Fotografia Colorida, Melhor Montagem, Melhor Som, Melhor Trilha Sonora. Foi também documentarista, produtor, escritor, ator, e editor brilhante e perfeccionista.

Argumento Original: T.E. Lawrence (1888-1935) 
Nascido em Tremadog, País de Gales, o arqueólogo, explorador, militar e diplomata, T.E. Lawrence é autor de “Os Sete Pilares da Sabedoria”, obra autobiográfica em que narra a saga vivida com as tribos árabes que se rebelaram no deserto, e sem dúvida seu livro mais importante. Lawrence escreveu também “Revolta no Deserto”, “The Mint” e “As Cartas de T.E. Lawrence”.

Música Original: Maurrice Jarre (1924-2009) 
Maurice-Alexis Jarre iniciou seu aprendizado musical no conservatório de Paris, onde estudou percussão, composição e harmonia. Celebrizou-se, principalmente, por compor trilhas das quais se destacam as parcerias com David Lean, que lhe renderam três prêmios Oscar: “Lawrence da Arábia” (1962), “Dr. Jivago” (1965) e “Passagem para a India” (1984). Recebeu também dois Globos de Ouro, de um total de quatro, pela melhor trilha sonora destes dois últimos filmes. Jarre compôs para teatro, concertos, óperas, balés e gravou seis CDs – o último em 2007, com o título de “Maurice Jarre: Tributo a David Lean”. 
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03/03/2012
ATAS DE MARUSIA
Miguel Littin (1975), com Gian Maria Volonté, Armando Acosta, Arturo Beristáin, Diana Bracho, MÉXICO, 110 min.

Sinopse
O filme conta a história do massacre dos trabalhadores da mina de salitre inglesa Marusia Mining Co., em 1925, pelo exército chileno. Adaptando o episódio para o ano de 1907, Miguel Littin realizou as filmagens em seu exílio no México, durante a ditadura de Pinochet. 
Uma greve se inicia após a morte de um funcionário britânico e a violenta repressão que se segue ao incidente. Os grevistas se organizam e exigem melhores salários e condições de trabalho. O líder Gregório Chasqui, interpretado pelo italiano Gian Maria Volonté (1933-94), incentiva os mineiros a utilizarem armas e dinamite contra a repressão. Para impedir o movimento de se estender a outras minas, o governo decide riscar a cidade do mapa. Já acuado pelo exército, Gregório compreende que, para se obter a vitória, é necessário conquistar alianças políticas e, acima de tudo, a unidade popular.
O Massacre de Marusia figura entre os mais conhecidos daquela época, no Chile. São eles: o da Escuela Santa María de Iquique (1907); o de San Gregorio (1921) e o de La Coruña (1925). Filme indicado ao Oscar, concorreu no Festival de Cannes, ganhou nove prêmios Ariel de Oro no México, além de ser premiado no Festival de Huelva (Espanha), todos em 1976.

Direção: Miguel Littín (1942- ) 
Miguel Ernesto Littín Cucumides estudou teatro na Universidade do Chile e, em 1968, tornou-se professor da universidade. Em 1971, o presidente Salvador Allende o nomeou diretor da estatal Chile Films e junto a essa instituição realizou o documentário “Compañero Presidente” (1971). Após o golpe militar, radicou-se no México, onde dirigiu “Atas de Marusia” (1975), além de uma série de outras obras que denunciavam as condições do povo chileno e a ditadura de Pinochet. Iniciou, com Luis Buñuel, um movimento pela afirmação de uma identidade para o cinema latino-americano, o que resultou no Festival do Cinema Iberoamericano de Huelva. Em 1985, Littin voltou clandestinamente ao Chile para realizar “Ata Geral do Chile” (1986). Seu retorno ao país foi registrado no livro "A Aventura de Miguel Littin Clandestino no Chile", de Gabriel García Márquez, fazendo com que o cineasta se tornasse ainda mais conhecido. Dirigiu, entre outros, "Allende: o Tempo da História" (1985), "Sandino" (1990), a produção italiana "Terra do Fogo" (2000), "Crônicas Palestinas" (2001) e “Dawson Ilha 10” (2009).

Argumento Original: Patricio Manns (1937- ) 
Escritor e compositor chileno. Iniciou seu trabalho como jornalista no periódico “La Patria”, mas foi em 1966, com o álbum “Entre Mar y Cordillera” e a canção “Arriba en la Cordillera” que se tornou famoso em seu país. Membro fundador do movimento "Nueva Canción Chilena", colaborou ativamente para as eleições presidenciais que levaram Salvador Allende à presidência. Se exilou em Cuba após o golpe militar, dando continuidade a sua carreira musical. Publicou, em 1974, o livro “Atas de Marusia”, no qual relata o massacre dos mineiros à partir de relatos de um sobrevivente. Publicou mais 11 livros, entre os quais “De Repente los Lugares Desaparecen” (1991), “Memorial de la Noche” (1998) “La Vida Privada de Emile Dubois” (2004).

Música Original: Mikis Theodorakis (1925- ) 
Começou a compor aos 12 anos quando participava do coral da escola e ganhou seu primeiro violino. Aos 18, em 1943, foi preso e torturado por integrar a resistência grega na 2ª. Guerra Mundial (até o final desta seria preso mais duas vezes). No mesmo ano, ingressou no Conservatório de Atenas, onde estudou até 1950, depois foi para Creta e fundou sua primeira orquestra. Seus principais trabalhos nesta época e durante a estadia em Paris (1954-59) foram: um concerto para piano, uma suite, sua primeira sinfonia, composições para balé, além das trilhas dos filmes "Ill met by Moonlight" (Michael Powell, 1957), "Luna de Miel" (Michael Powell. 1959) e o aclamado "Zorba, o Grego" (Michael Cacoyannis, 1964). Anos mais tarde, retornou à resistência para combater a “ditadura dos coronéis” (1967-74) e novamente foi preso. Iniciou-se então um amplo movimento internacional de artistas e intelectuais, como Arthur Miller, Laurence Olivier, Yves Montand, Dmitri Shostakovich, Leonard Bernstein, Harry Belafonte, e por fim ele foi libertado. Foi eleito duas vezes deputado (1981-86 e 1989-93) e nomeado ministro no governo de Constantinos Mitsotakis (1990-93). Em 1983, recebeu o Prêmio Lenin da Paz e, em 2000, foi indicado ao Nobel da Paz. Compôs também, entre outras, as trilhas de “Phaedra” (Jules Dassin, 1961), “Z” (Costa-Gavras, 1969), “Estado de Sítio” (Costa-Gavras, 1972), "Serpico" (Sidney Lumet, 1973), “Atas de Marusia” (Miguel Littin, 1975). 
Em 12 de fevereiro de 2012, Theodorakis publicou com Manolis Glezos, herói nacional grego que arrancou a bandeira nazista da Acrópole em 1941, uma Carta Aberta contra o massacre do país pelo sistema financeiro internacional.
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10/03/2012
CORONEL DELMIRO GOUVEIA
Geraldo Sarno (1976), com Rubens de Falco, Sura Berditchevsky, NIldo Parente, Jofre Soares, José Dumont e Isabel Ribeiro. BRASIL, 90 min.

Sinopse
O filme narra a trajetória de Delmiro da Cruz Gouveia, cearense, nascido em 1863, que aos 15 anos trabalhava como cobrador na ferrovia Brazilian Street Railways Company, no Recife, e aos 25 já estava bem situado no ramo de compra e venda de couros. Aos 36 consolida a reputação de empresário enérgico e inovador, com a criação do Mercado do Derby, conjunto de 264 lojinhas, primeiro shopping center do Brasil. Desavenças com velhos oligarcas o levam à prisão e à falência. Mas ele recomeça no interior de Alagoas. Em 1913 constrói a primeira hidrelétrica no São Francisco, inaugura uma fábrica de linhas de costura e a Vila Operária da cidade de Pedra. A Guerra Mundial de 1914 dificulta a chegada dos produtos ingleses à América do Sul. Delmiro conquista o mercado antes dominado pela Machine Cottons. Os ingleses enviam emissários. Ele nega-se a vender a fábrica ou associar-se. É assassinado em outubro de 1917. O pistoleiro, ninguém sabe, ninguém viu. Em 1929, a fábrica é comprada pela Machine, desmontada e suas peças lançadas nas corredeiras de Paulo Afonso.

Direção: Geraldo Sarno (1938- )
Diretor de cinema, roteirista, produtor e escritor, Geraldo Sarno é um destacado representante do cinema documental. Nasceu em Poções na Bahia. No inicio dos anos 60, quando estudava Direito na Universidade Federal da Bahia, tornou-se membro do Centro Popular de Cultura (CPC). Nesta época, inicia suas primeiras experiências cinematográficas com os companheiros de faculdade. Eram filmes sobre camponeses e revolução agrária, que misturavam documentário e ficção. Mais tarde realizou o célebre “Viramundo” (1965), sobre migrantes nordestinos em São Paulo, e como integrante da Caravana Farkas vários outros documentários sobre o povo brasileiro. Dirigiu cerca de 17 filmes, entre os quais; “Iaô” (1976), “Deus É Um Fogo” (1987). “Tudo Isto Me Parece Um Sonho” (2008), “Último Romance de Balzac” (2010). Seu “Coronel Delmiro Gouveia” recebeu o prêmio de Melhor Filme, no Festival de Cinema de Havana, e o Candango de Melhor Roteiro no Festival de Brasília (1978).

Argumento Original: Geraldo Sarno e Orlando Senna (1940- ) 
Orlando Sales de Senna nasceu em Afrânio Peixoto – Lençóis - Bahia. Estudou direito, cursou teatro, tornou-se jornalista. Em 1960 dirigiu documentários como “Imagem da Terra e do Povo” (produzido por Glauber Rocha) e “A Lenda Africana na Bahia”. Em 1970 trabalhou em São Paulo com o Teatro de Cordel. Além da parceria com Geraldo Sarno, Orlando trabalhou nos roteiros de “O Rei da Noite” (Hector Babenco, 1975), “Ópera do Malandro” (Rui Guerra, 1986) e “Quincas Berro D’Água” (Sérgio Machado, 2010). Em 1974 dividiu com Jorge Bodanzky a direção de “Iracema – Uma Transa Amazônica”, filme que permaneceu vários anos censurado e se tornou o grande vencedor do Festival de Brasília, em 1980. Orlando Senna foi Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura (2003-07), e diretor geral da TV Brasil (2007-08).

Musica Original: J. Lins (1947–2004) 
Jaceguay Monteiro Lins nasceu em Canhotinho, Pernambuco. Foi compositor, maestro, arranjador, escritor e poeta. No final dos anos 60, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde lecionou na Escola de Música Villa-Lobos. Entretanto, os acontecimentos políticos de 64, encerrariam prematuramente a sua carreira na Escola de Música. Demitido sob a acusação de subversão, compôs música para filmes ao longo da década de 70: ”Mãos Vazias” (Luís Carlos Lacerda, 1971), “Coronel Delmiro Gouveia” (Geraldo Sarno, 1976), “Virgem Camuflada” (Célio Gonlalves, 1979). “Bububu no Bobobó” (Marcos Farias, 1980), “Homem de Areia” (Vladimir de Carvalho, 1981) e outros. Nos anos 80, retomou, no Espírito Santo, a atividade acadêmica, passando também a reger a Orquestra Filarmônica daquele estado. Estudioso da cultura popular, foi peça chave na revitalização do congo capixaba. 
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17/03/2012
JOHNNY VAI A GUERRA
Dalton Trumbo (1970), com Timothy Bottoms, Donald Sutherland, Jason Robards, EUA, 108 min.

Sinopse
Único filme dirigido por Dalton Trumbo, o título original “Johnny Got His Gun” era um slogan utilizado para convocar os jovens norte-americanos a se alistarem nas Forças Armadas. O filme conta a história de um soldado que, ferido durante a 1ª Guerra Mundial, perde suas pernas e braços, assim como sua capacidade de ver, ouvir e se comunicar, mas não a de sentir e pensar. O filme pode ser considerado uma alusão aos soldados que perderam suas vidas na guerra, mas também uma metáfora sobre o macartismo, que a pretexto de “livrar os EUA da infiltração comunista” investia contra as bases do New Deal, perseguindo uma série de artistas como Charlie Chaplin, Lillian Hellman e o próprio Dalton Trumbo. O período da “caça às bruxas” durou, oficialmente, de 1946 a 1956, mas suas marcas se estendem até os dias de hoje. 
O filme foi vencedor do Prêmio Especial do Júri e do Prêmio da Crítica no Festival de Cannes (1971).

Direção e Argumento Original: Dalton Trumbo (1905-76) 
O roteirista e escritor americano James Dalton Trumbo começou a produzir argumentos e roteiros em 1936. Em 1940, seu trabalho em “Kitty Foyle” (Sam Wood, 1939) recebeu indicação para o Oscar na categoria de Melhor Roteiro Adaptado. 
Trumbo foi membro do Partido Comunista dos Estados Unidos da América do ano de 1943 até 1948. Seu nome integrou a lista dos “Hollywood Ten”, grupo de dez diretores e roteiristas condenados, em 1947, por se recusarem a delatar seus companheiros de trabalho ao Comitê de Atividades Antiamericanas do Congresso. O roteirista passou 11 meses em uma prisão federal no Kentucky, em 1950. 
Enquanto seu nome permanecia na lista negra, se mudou com a família para o México, onde escreveu quatro roteiros sob pseudônimo: “A Princesa e o Plebeu” (Willyam Wyler, 1953), “Areias Sangrentas” (Irving Rapper, 1956), “Exodus” (Otto Preminger, 1960) e “Spartacus” (Stanley Kubrick, 1960). Por insistência de Kubrick, que ameaçou abandonar a direção do filme antes de sua conclusão, o nome de Dalton Trumbo foi incluído nos créditos de “Spartacus”, quebrando um jejum que já durava 13 anos. Em 1993 a Academia deu a Trumbo o prêmio póstumo pelo argumento original de “A Princesa e o Plebeu”, vencedor do Oscar (1954), naquela categoria.

Música Original:Jerry Fielding (1922-80) 
Joshua Itzhak Feldman foi compositor de trilhas, músico e diretor de orquestra de Jazz. Estudou no Instituto Carnegie para Instrumentistas. Aos 17 anos, uniu-se à banda de Swing Alvino`s Ray Swing Band. 
Fieldings era membro do Mobilização dos Roteiristas de Hollywood. Foi convocado para interrogatório perante o Comitê de Atividades Antiamericanas, em dezembro de 1953. Fielding se apoiou na Quinta Emenda, recusando-se a divulgar o nome de seus colegas. Por isso, foi incluído na lista negra, o que o impediu de continuar trabalhando para a televisão e cinema. Durante esse tempo, trabalhou com orquestras e bandas de Jazz e lançou alguns álbuns pelo selo Decca Records, como “Sweet With a Beat” (1955) e “Fielding’s Formula” (1957). 
Em 1962, fez a trilha de “Tempestade sobre Washington” (Otto Preminger, 1962). Recebeu um Oscar por seu trabalho em “Straw Dogs” (Sam Peckinpah, 1971) e outro por “The Outlaw Josey Wales” (Clint Easwood, 1976). 
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24/03/2012
NADA DE NOVO NO FRONT
Lewis Milestone (1930), com Louis Wolheim, Lew Ayres, Paul Bäumer, John Wray, Arnold Lucy, EUA, 131 min.

Sinopse
Adaptação do romance de Erich Maria Remarque, "Nada de Novo no Front" conta a história de sete amigos que se apresentam como voluntários ao exército alemão, durante a 1ª. Guerra Mundial, movidos por uma campanha que encobria interesses imperialistas com apelos à defesa da pátria. Os jovens soldados logo descobrem a devastadora realidade da vida nas trincheiras. Paul Bäumer observa seus companheiros definharem rapidamente e, após uma ofensiva que quase o leva à morte, é enviado de volta à cidade natal. Lá, lhe pedem que faça um discurso “patriótico”, incentivando os estudantes a se juntarem à batalha. Ao invés disso, Paul faz uma declaração pela paz. 
"Nada de Novo no Front" mostra a realidade de uma guerra sem lado certo ou justificativa moral. Travada entre as potências imperialistas, com objetivo de promover a redivisão das esferas de influência colonial, a 1ª. Guerra Mundial (1914-18) deixou um saldo de 10 milhões de mortos e 30 milhões de feridos. Oscar de Melhor Filme e de Melhor Diretor, em 1930. Recebeu menção especial do comitê do Prêmio Nobel da Paz.

Direção: Lewis Milestone (1895–1980) 
Leib Milstein nasceu em Kishinev (Moldávia), território do então Império Russo. Queria ser ator, mas seus pais o mandaram à Alemanha, para cursar engenharia. Largou a escola e fugiu para os EUA em 1912. Alistou-se para lutar na 1ª. Guerra Mundial, em 1917. Dois anos mais tarde, ganhou cidadania americana, mudou o nome e começou a trabalhar com cinema. O primeiro filme dos mais de 50 que dirigiu foi “Seven Sinners” (1925). Ganhou o primeiro Oscar com a comédia “Dois Cavaleiros Árabes” (1927). Além de “Nada de Novo no Front" (1930), Milestone se destacou com “A Primeira Página” (1931); "Os Ratos e os Homens" (1939); o documentário "Our Russian Front" (1942), codireção de Joris Ivens; "Estrela do Norte" (1943). Depois da guerra, dirigiu "Arco do TrIunfo" (1948), "Os Miseráveis" (1952), foi perseguido pelo macartismo, entrou para a lista negra de Hollywood. Mudou-se para a Europa. No retorno aos EUA, lançou “Onze Homens e Um Segredo” (1960) e “O Grande Motim” (1962). O último pedido de Milestone antes de morrer, em 1980, foi que a Universal Studios restaurasse a versão original de “Nada de Novo no Front", pedido só atendido duas décadas mais tarde.

Argumento Original: Erich Maria Remarque (1898-1970) 
O escritor Erich Paul Remark nasceu em Osnabrück, Alemanha. Aos 18, se alistou no exército e combateu na 1a. Guerra Mundial. Quando escreveu “Nada de Novo no Front”, em 1929, passou a usar o pseudônimo de Erich Maria Remarque, adotando o nome “Maria” em homenagem à sua mãe. Em 1931, mudou-se para a Suiça. Escreveu mais alguns livros sobre a guerra e o pós-guerra que, em 1933, foram queimados pelos nazistas, com a justificativa de que o autor seria descendente de judeus franceses - a perseguição atingiu sua irmã, Elfried Showz, executada em 1943. 
Erich migrou para os EUA, em 1939. Em 1945, lançou mais uma obra que se tornou best seller, “Arco do Triunfo”, levado à tela, em 1948, por Milestone. Em 1954, publicou “Amar e Morrer”. Seu ultimo trabalho, “A Noite em Lisboa” (1962), vendeu 900 mil exemplares na Alemanha.

Música Original: David Broekman (1899-1958) 
Compositor de trilhas sonoras e regente, nasceu em Leiden, província da Holanda do Sul e estudou no Conservatório Real de Haia. Ainda quando jovem, dirigiu a Residentie Orchestra de Haia, e também a orquestra francesa Royal Opera.
Broekman possui diversas obras para orquestra, óperas, concertos para violino, piano e percussão. Entre suas trilhas mais conhecidas estão as compostas para os filmes "O Mergulhador" (Frank Capra, 1928), "Nada de Novo no Front" (Lewis Milestone, 1930), "Frakenstein" (James Shake, 1931), "Dirigível" (Fank Capra, 1931), "Glamour" (William Wyler, 1935).
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31/03/2012
O RETORNO DE MAXIM
Grigori Kozintsev e Leonid Trauberg (1937), com Boris Tchirkov, Valentina Kibardina, Mikhail Tarkhanov, Stepan Kajukov, URSS, 113 min.

Sinopse
O filme é o segundo da trilogia realizada por Grigori Kozintsev e Leonid Trauberg, que começa com “Juventude de Maxim” (1935) e termina com “Distrito Viborg” (1939). Maxim é o operário russo que acompanha o movimento histórico. Em 1910, apaixonado por Natasha, adere ao bolchevismo, empenha-se na luta clandestina e acaba preso. Em 1914, atua em greves e manifestações contra a guerra, e ingressa no Exército para prosseguir a luta no seu interior. Depois da Revolução de Outubro, torna-se o comissário encarregado da direção de um banco nacionalizado. Esses três momentos fornecem o tema desenvolvido em cada obra da trilogia. Na 1ª. Guerra Mundial (1914-18), a Rússia compôs com a França, Inglaterra - e, depois de 1917, com os EUA - um bloco que se bateu contra a aliança entre Alemanha, Império Austro-Húngaro e Império Turco-Otomano numa sangrenta disputa pela obtenção de novos mercados e fontes de matérias-primas. No Congresso da Basiléia (1912), os 555 delegados da Internacional Socialista votaram por unanimidade resolução que convocava os trabalhadores a uma “luta decidida pela paz”, contra os “objetivos espoliadores da guerra preparada pelos imperialistas”. Caso esta eclodisse, a resolução defendia a oposição frontal ao esforço de guerra. Com a aproximação do conflito, a maioria dos partidos da 2ª. Internacional foi se amoldando aos interesses expansionistas das burguesias de seus respectivos países. Na Rússia, o partido de Lenin manteve-se fiel à resolução.

Direção e Argumento Original: Grigori Kozintsev (1905-73) e Leonid Trauberg (1902-90) 
Originários de diferentes regiões da Ucrânia, Grigori Kozintsev e Leonid Trauberg se encontraram em Petrogrado (Leningrado, São Petersburgo), em 1922, onde criaram a Fábrica do Ator Excêntrico (FEKs), iniciando uma parceria de mais de 20 anos que redundou na realização de 12 filmes escritos e dirigidos a quatro mãos. “As Aventuras de Oktyabrina” (1924), “Nova Babilônia” (1929), “Solidão” (1931), “Juventude de Maxim” (1935), “O Retorno de Maxim” (1937), “Distrito Viborg” (1939), “As Nossas Meninas” (1943) são alguns desses títulos. Kozintsev e Trauberg são considerados dois dos diretores mais bem-sucedidos na transição de um estilo avant-garde, fortemente marcado pelo expressionismo, para o realismo socialista, na década de 30. Como obras solo, o primeiro dirigiu, já no período krushevista em que ambos se dedicaram a lecionar, “Don Quixote” (1957), “Hamlet” (1963), “Rei Lear” (1971). O segundo realizou quatro filmes, entre os quais “Havia Soldados” (1958) e “Almas Mortas” (1960). Kozintzev foi nomeado Artista do Povo, em 1964, e Trauberg recebeu o Prêmio Stalin (1941).

Música Original: Dmitri Shostakovitch (1906-75) 
Dmitri Dmitriyevich Shostakovich estudou piano com Leonid Nikolaiev e composição com Steinberg e Glazunov. Sua primeira sinfonia foi escrita em 1926, aos 19 anos, como tese de conclusão do curso no Conservatório de Leningrado. 
Com uma música envolvente que ultrapassou fronteiras, Shostakovich foi celebrado em prosa e verso na URSS e criou uma obra que impressiona pela qualidade e quantidade: 15 sinfonias; 6 concertos para piano, violino e violoncelo; suas Danças Fantásticas; 24 prelúdios para piano; 24 prelúdios e fugas para piano; 2 sonatas; 8 quartetos de cordas, diversas obras de música de câmara, 3 óperas e mais de 100 trilhas para cinema. 
Curiosamente, nove entre dez sites relacionados pelo Google apresentam o compositor como vítima de intensa perseguição, durante a Era Stalin (1927-53), que o teria levado inclusive a desenvolver “impulsos suicidas”. De objetivo, há duas críticas desfavoráveis no Pravda, em 1936, à ópera “Lady Macbeth” e ao balé “O Límpido Regato”, e menções esparsas de “formalismo” feitas, em 1948, por Andrei Zhdanov, presidente do Soviete Supremo (1946-47). De fato, deve ter sido uma perseguição insuportável para quem recebeu nove prêmios Stalin entre 1941 e 1952, e foi especialmente convidado para compor a trilha do maior épico da cinematografia soviética “A Queda de Berlim” (Mikhail Chiaurelli, 1949), além de ser eleito deputado ao Soviete Supremo, em 1951. 
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. 07/04/2012
LENIN EM OUTUBRO
Mikhail Romm (1937), com Boris Shchukin, Nikolai Okhlopkov. Yelena Shatrova, Vasili Vanin, URSS, 108 min.

Sinopse
Neste clássico de Mikhail Romm, estamos em 1917. A Frota do Báltico e unidades do Exército estão sublevadas contra o governo Kerenski, unindo as vozes às dos operários e camponeses que exigem paz: a saída da Rússia da guerra mundial. Lenin chega a Petrogrado num trem vindo da Finlândia e na reunião do Comitê Central, de 10 de outubro, derrota as resistências de Zinoviev, Kamenev e Trotsky para deflagrar a insurreição. Paralelamente, as forças contrarrevolucionárias organizam uma caçada para matar o líder dos bolcheviques. Os acontecimentos se precipitam em ritmo veloz até o momento final: sob as bandeiras de “Pão, Paz e Terra!” e “Todo Poder aos Sovietes!”, a Revolução de Outubro triunfa. 
O filme termina aí, não a guerra. Só em março de 1918, após isolar a oposição de Bukharin e Trotsky, Lenin pôde cumprir o compromisso de retirar a Rússia da guerra imperialista, mesmo tendo que ceder territórios à Alemanha. O ato selou a confiança dos trabalhadores, soldados e marinheiros nos bolcheviques, e garantiu apoio ao poder soviético depois que as tropas da intervenção anglo-franco-nipo-polaca reforçaram os exércitos brancos que visavam restaurar a velha ordem. A guerra civil que ocorreu nessa fase durou mais de 30 meses e terminou em novembro de 1920.

Direção: Mikhail Romm (1901-71) 
Mikhail Romm Ilich nasceu na cidade siberiana de Irkutsk, serviu no Exército Vermelho durante a guerra civil, graduou-se em escultura pelo Instituto Artístico-Técnico de Moscou. Em 1931 ingressou no Mosfilm Estúdio, atuou como produtor e diretor. No Instituto de Cinematografia Gerasimov (VGIK), desde 1962, foi professor de proeminentes cineastas como Andrei Tarkovsky, Grigori Chukhrai, Gleb Panfilov, Elem Klimov. Realizou 18 longas-metragens, entre os quais “Treze” (1936), “Lenin em Outubro” (1937), “Lenin em 1918” (1939), “Sonho” (1941), “Garota nº. 217” (1945), “Missão Secreta” (1950), “Nove Dias em Um Ano” (1962), “Fascismo Comum” (documentário, 1965). Recebeu o Prêmio Stalin nos anos de 1941, 1946, 1948, 1949, 1951. De seu filme “Sonho” disse o presidente Franklin Roosevelt: “é um dos maiores do mundo”.

Argumento Original: Alexei Kapler (1903-79) 
Natural de Kiev, Aleksei Yakovlevich Kapler foi roteirista, ator, escritor, além de âncora e diretor do programa de TV “Kinopanorama” (1966-72). Em 1941, foi agraciado com o Prêmio Stalin. Entre os roteiros que assinou estão: “Lenin em Outubro” (Mikhail Romm, 1937), “Lenin em 1918” (Mikhail Romm, 1939), “Um Bom Camarada” (Boris Barnet, 1942), “Dia Após Dia” (documentário, Mikhail Slutsky, 1943), “Homem Anfíbio” (Vladimir Chebotaryov, 1962), “O Pássaro Azul” (George Cukor, 1976). Conta a lenda que, em desaprovação ao romance com sua filha Svetlana, Stalin enviou Kapler a um campo de trabalhos forçados (Vorkuta), em 1943. Mas a condenação foi por espionagem. Ainda que em favor dos aliados ingleses, a atividade não era bem vista na época. Kapler ocupou esse tempo trabalhando como fotógrafo.

Música Original: Anatoli Alexandrov (1888-1982) 
Nascido em Moscou, Alexandrov completou os estudos de piano e composição no Conservatório daquela cidade, em 1916. Participou da 1ª. Guerra Mundial e lutou no Exército Vermelho, durante a Guerra Civil. Apresentou-se como concertista, anos seguidos, até 1974. Compôs sonatas para piano, obras para quarteto de cordas, óperas, canções e mais de 150 peças infantis. No cinema dedicou-se principalmente às trilhas para desenhos animados. "O Conto do Czar Durandae" (Zinaida e Valentina Brumberg, 1934), "Ivashko e Baba Yaga" (Zinaida e Valentina Brumberg, 1939), "Sarmiko" (Olga Khodataeva e Eugene Raikovski, 1952), "Irmã e Irmão Alyonushka Ivanushka" (Olga Khodataeva e Vladimir Danilov, 1953) são algumas que assinou. Escreveu as músicas de dois filmes de Mikhail Romm - “Treze” (1936), “Lenin em Outubro” (1939) - e do épico romântico “História do Norte” (Eugene Andrikanis, 1960). 
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14/04/2012
CHAPAYEV
Georgi e Sergei Vasilyev (1934), com Boris Babochkin, Boris Blinov, Varvara Myasnikova, Leonid Kmit, URSS, 93 min.

Sinops
O que “Potemkim” foi para o cinema mudo, em 1925, “Chapayev” representou dez anos depois para o jovem cinema sonoro da URSS. Como “Potemkin”, “Chapayev” se baseia em fatos reais. Mas ao invés de se fixar na ação das massas, o filme a condensa na trajetória de um herói da guerra civil, Chapayev, que comandou a 25ª. Divisão do Exército Vermelho contra as tropas brancas de Kolchak, na Sibéria, durante os anos 1918-19, antes de cair em combate. Seu tema principal é o choque entre as personalidades e saberes do camponês Chapaiev e do comissário político bolchevique, Furmanov, encaminhado para aconselhá-lo e ajudá-lo. “Chapayev” foi um dos primeiros filmes lançados após o 1º. Congresso de Escritores Soviéticos no verão de 1934, onde Gorki apresentou sua ideia de um “realismo socialista”, contrastando-o com o “realismo crítico” do Século 19 que “se limitava a expor as imperfeições da sociedade”. Para ele, o compromisso maior do novo realismo era com o “desenvolvimento do povo” e a luta pela superação de suas contradições internas. 
O filme teve mais de 30 milhões de espectadores no primeiro ano de exibição.

Direção: Georgi Vasilyev (1899–1946) e Sergei Vasilyev (1900–1959) 
Georgi e Sergei Vasilyev começaram no cinema como técnicos, trabalhando horas a fio na sala de montagem. Dirigiram, em 1928, o documentário “Heroísmo sobre o Gelo”. Em “A Bela Adormecida” (1930), assinaram pela primeira vez como Irmãos Vassilyev. Embora nunca tenham sido parentes, a coincidência de sobrenomes alimentava o mito. Realizaram, na sequência, “Um Assunto Pessoal” (1932), “Chapayev” (1935), “A Defesa de Volotchayevsk” (1937), “Defesa de Tsaritsin” (1942). O último filme que dirigiram juntos, “Front” (1943), é baseado na peça teatral de Alexander Korneichuk, que aborda o conflito entre antigos e jovens generais na frente ucraniana. Sergei Vasilyev dirigiu também “Heróis de Shipka” (1954) e “Dias de Outubro” (1958). A dupla recebeu a Ordem Lenin (1935) e o prêmio Stalin (1941 e 1942).

Argumento Original: Dimitri Furmanov (1891-1926) 
“Muitos eram mais arrojados e inteligentes, melhores militares e homens de maior consciência política, porém o nome deles foi esquecido, enquanto o de Chapayev vive e viverá por muito tempo nas lendas, pois saiu das entranhas do povo e reunia em si, de modo surpreendente, tudo o que podia encontrar-se, ainda que disperso, na personalidade e no caráter de seus companheiros de armas". Assim escreveu o comissário político Dimitri Furmanov ao transportar suas aventuras com Chapayev para um romance, escrito em 1924, que se tornou extremamente popular na URSS. Em 1932, a viúva de Furmanov sugeriu aos estúdios Lenfilm a realização da película. A sensação de espontaneidade que ela transmite foi obtida através de intenso esforço dos diretores, que por dois anos escreveram e reescreveram dezenas de vezes as cenas do roteiro.

Música Original: Gavril Popov (1904-72) 
Estudou no Conservatório de Leningrado de 1922 até 1930. Com uma invenção melódica e instrumental enraizada na música folclórica russa, Popov compôs peças para coral, piano, escreveu óperas, música de câmara e sinfonias. Realizou mais de 20 trilhas para obras cinematográficas, entre as quais: “Chapayev” (1935), “Prado de Bezhin” (Eisenstein, 1937), “Front” (Irmãos Vassilyev, 1943), “Ela Defende a Pátria” (Fridrikh Ermler, 1943), “História Inacabada” (Fridrikh Ermler, 1956), “Os Cossacos” (Vasili Pronin, 1961). 
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21/04/2012
DISTRITO VYBORG 
Grigori Kozintsev e Leonid Trauberg (1939), com Boris Tchirkov, Valentina Kibardina, Mikhail Tarkhanov, Stepan Kajukov, URSS, 105 min.

Sinopse
1918, primeiros dias. Em Petrogrado há fome, ataques a armazéns, a contrarrevolução procura semear o caos, os banqueiros transferem milhões de rublos para o exterior. No bairro operário de Vyborg, centro da Revolução de Outubro, o clima é de apreensão. O aguerrido bolchevique Maxim recebe a missão de estabelecer o bom funcionamento do Banco do Estado. Para enfrentar a sabotagem de funcionários que escondem papéis importantes, ele precisa aprender as normas do comércio bancário. Com um grupo de guardas vermelhos, consegue restaurar a ordem no estabelecimento, desmonta um complô de oficiais brancos para assassinar Lenin no dia da dissolução da Assembleia Constituinte, restabelece o ânimo no Distrito Vyborg, coloca a sua assinatura nas primeiras estimativas de receitas e despesas do Estado soviético, beija Natasha e parte para outras aventuras.

Direção e Argumento Original: Grigori Kozintsev (1905-73) e Leonid Trauberg (1902-90) 
Originários de diferentes regiões da Ucrânia, Grigori Kozintsev e Leonid Trauberg se encontraram em Petrogrado (Leningrado, São Petesburgo), em 1922, onde criaram a Fábrica do Ator Excêntrico (FEKs), iniciando uma parceria de mais de 20 anos que redundou na realização de 12 filmes escritos e dirigidos a quatro mãos. “As Aventuras de Oktyabrina” (1924); “Nova Babilônia” (1929); “Solidão” (1931); Trilogia de Maxim - "Juventude de Maxim (1935), "O Retorno de Maxim" (1937), "Distrito Viborg” (1939); “As Nossas Meninas” (1943) são alguns desses títulos. 
Kozintsev e Trauberg são considerados dois dos diretores mais bem-sucedidos na transição de um estilo avant-garde, fortemente marcado pelo expressionismo, para o realismo socialista, na década de 30. Como obras solo, o primeiro dirigiu, já no período kruschevista em que ambos se dedicaram a lecionar, “Don Quixote” (1957), “Hamlet” (1963), “Rei Lear” (1971). O segundo realizou quatro filmes, entre os quais “Havia Soldados” (1958) e “Almas Mortas” (1960). Kozintzev foi nomeado Artista do Povo, em 1964, e Trauberg recebeu o Prêmio Stalin (1941).

Música Original: Dmitri Shostakovitch (1906-75)
Dmitri Dmitriyevich Shostakovich estudou piano com Leonid Nikolaiev e composição com Steinberg e Glazunov. Sua primeira sinfonia foi escrita em 1926, aos 19 anos, como tese de conclusão do curso no Conservatório de Leningrado.
Com uma música envolvente que ultrapassou fronteiras, Shostakovich foi celebrado em prosa e verso na URSS e criou uma obra que impressiona pela qualidade e quantidade: 15 sinfonias; 6 concertos para piano, violino e violoncelo; suas Danças Fantásticas; 24 prelúdios para piano; 24 prelúdios e fugas para piano; 2 sonatas; 8 quartetos de cordas, diversas obras de música de câmara, 3 óperas e mais de 100 trilhas para cinema. 
Curiosamente, nove entre dez sites relacionados pelo Google apresentam o compositor como vítima de intensa perseguição, durante a Era Stalin (1927-53), que o teria levado inclusive a desenvolver “impulsos suicidas”. De objetivo, há duas críticas desfavoráveis no Pravda, em 1936, à ópera “Lady Macbeth” e ao balé “O Límpido Regato”, e menções esparsas de “formalismo” feitas, em 1948, por Andrei Zhdanov, presidente do Soviete Supremo (1946-47). De fato, deve ter sido uma perseguição insuportável para quem recebeu nove prêmios Stalin entre 1941 e 1952, e foi especialmente convidado para compor a trilha do maior épico da cinematografia soviética “A Queda de Berlim” (Mikhail Chiaurelli, 1949), além de ser eleito deputado ao Soviete Supremo, em 1951. 
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28/04/2012
TEMPESTADE SOBRE A ÁSIA
Vsevolod Pudovkin (1928), com Valéry Inkijinoff, I. Inkizhinov, I. Dedintsev, URSS, 126 min.

Sinopse
Faltava a Pudovkin um mês para terminar “O Fim de São Petersburgo” (1927), quando começou a trabalhar neste clássico do cinema mudo – uma fábula épica sobre um pastor que se transforma em líder anticolonial. Valeri Inkijinoff, que tinha sido seu colega na Escola de Cinema do Estado, interpreta o herói sem nome, um mongol que aprendeu a desconfiar dos capitalistas, quando um mercador Ocidental lhe rouba uma pele rara de raposa prateada. Estamos em 1918, e o mongol se alia a guerrilheiros do Exército Vermelho que lutavam na frente Oriental contra as forças do Exército Branco (Kolchak, Ungern-Sternberg e britânicos) que ocuparam áreas da Sibéria e Mongólia durante a Guerra Civil Russa. Capturado e condenado à morte, o mongol é salvo por um talismã antigo que traz consigo e, segundo o qual, o seu proprietário é descendente de Ghengis Khan. Os invasores resolvem fazer dele um rei fantoche, mas, ao rever entre eles o mercador, o mongol desperta e conduz o seu povo à vitória.

Direção: Vsevolod Pudovkin (1893-1953) 
O teórico e cineasta soviético Vsevolod Illarionovitch Pudovkin, que se tornou conhecido por interpretar de forma visual as motivações internas dos personagens de suas obras, considerava a montagem como o clímax do trabalho criador do diretor de cinema. Desde seu primeiro curta, a comédia “Febre de Xadrez” (1924), dirigiu 18 filmes, entre os quais obras-primas como “A Mãe” (1926), “O Fim de São Petersburgo” (1927), “Tempestade sobre a Ásia” (1928), “Em Nome da Pátria” (1943), “O Retorno de Vasili Bortinikov” (1953). Como ator, trabalhou em 13 filmes.

Argumento Original: Ivan M. Novokshonov (1896-1943) 
De família camponesa Novokshonov não chegou a concluir os estudos secundários da escola industrial em Glaskova, na província de Irkutsk (sudeste siberiano). Após a revolução de fevereiro de 1917, ingressou no Partido Bolchevique. Durante a guerra civil, lutou como comandante de regimento na região Trans-Baikal, à leste de Irkutsk. Entre 1925 e 1926, escreveu no jornal “Pravda Buryat-Mongol” e nas revistas “Sete Dias”, “Mó”, “Komsomolets” e outras. Em 1927 publicou “Anym, O Grande”, “In Memorian de Outubro” e a história “Horror Taiga”. Em 1928 escreveria o romance que Pudovkin transformou em filme, com o título original de “O Descendente de Ghengis Khan”.

Música Original: Nikolai Kryukov (1908-61) 
Formou-se em 1932, na Faculdade de Música de Moscou. Em 1930 foi editor da “Rádio União”. Assumiu em 1931 a direção musical do estúdio "Mosfilm". Entre suas principais obras estão as sinfonias nº. 1 e nº. 2, a cantata épica “Lenda da Terra Siberiana” e a “Suíte Para Temas Folclóricos da Bielorússia”. Realizou mais de 40 trilhas para filmes, entre os quais, “Lenin em 1918” (Mikhail Romm, 1939), “A História de Um Homem de Verdade” (A. Stolper, 1948), “O Quarenta e Um” (Grigori Chukrai, 1956), “A Carta que Nunca Foi Enviada” (Mikhail Kalatozov, 1959). Em 1949 compôs a música definitiva de “Tempestade Sobre a Ásia” (Pudovkin, 1928) e no ano seguinte a de “Encouraçado Potenkim” (Eisenstein, 1925). 
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05/05/2012
ROSA LUXEMBURGO
Margarethe Von Trotta (1983), com Barbara Sukowa, Daniel Olbrychski, Otto Sander, ALEMANHA, 126 min.

Sinopse
Nascida na Polônia, doutora em Ciências Econômicas, Rosa Luxemburgo ingressou, em 1898, no Partido Social-Democrata alemão, o maior da 2ª. Internacional. Em 1914, foi sentenciada a um ano de prisão. Sua defesa, uma condenação da guerra e do imperialismo, foi publicada com o título de "Militarismo, Guerra e Classe Operária". Em 4 de agosto de 1914, a bancada socialdemocrata do parlamento (Reichstag) votou a favor dos créditos de guerra. Em dezembro, o deputado Karl Liebknecht votou sozinho contra nova concessão desses créditos. Liebknecht e Luxemburgo fundaram, então, o Grupo Internationale, que se transformaria na Liga Espartaquista. Em 1915, Luxemburgo foi de novo condenada por agitação antimilitarista. Em 28 de outubro de 1918, cai o governo do Kaiser, os socialdemocratas assumem o poder e fundam a República de Weimar. A rendição da Alemanha, em 11 de novembro, se dá num quadro de profunda crise interna. Luxemburgo deixa a prisão e dá continuidade à agitação revolucionária, dirigindo o jornal “A Bandeira Vermelha” e fundando, com Liebknecht, o Partido Comunista da Alemanha, enquanto conflitos armados sacodem as ruas de Berlim. Em 15 de janeiro de 1919, Luxemburgo e Liebknecht foram levados para interrogatório no Hotel Éden. Seus assassinos jamais foram julgados. Somente em 1999, uma investigação governamental admitiu que as tropas receberam ordens dos governantes socialdemocratas para matá-los.

Direção e Argumento Original: Margarethe Von Trotta (1942- )
Natural de Berlim, Margarethe Von Trotta iniciou sua carreira em 1965 no Teatro de Stuttgart e estreou no cinema em 1967 no filme “Tränen Trocknet der Wind”, de Heinz Gerhard Schier. Foi uma das atrizes mais destacadas do Novo Cinema Alemão, tendo atuado, até 1981, em cerca de 15 filmes (quatro dos quais dirigidos por Rainer Fassbinder). Em 1975 tornou-se roteirista e diretora ao assinar com o marido, Volker Schlöndorff, “A Honra Perdida de Katharina Blum”. Realizou 23 obras para cinema e televisão entre as quais. “Os Anos de Chumbo” (1981), "Rosa Luxemburgo" (1986), “As Mulheres de Rosenstrasse” (2003). Entre as premiações destacam-se o Leão de Ouro no Festival de Veneza (Itália, 1981), o David di Donatello (Itália, 1981 e 2004); o Prêmio de Melhor Filme da Academia da Alemanha (1986); o Prêmio do Júri Ecumênico e do Público no Festival de Montreal (Canadá, 1993).

Música Original: Nicolas Economou (1953-93) 
Nicolas Economou, compositor e concertista, nasceu em Nicósia, Chipre. Escreveu música para piano, conjuntos de câmara, música sinfônica e música para cinema. Compôs a trilha musical de 12 filmes, incluindo “Os Anos de Chumbo” (1981) e "Rosa Luxemburgo" (1986), de Margarethe Von Trotta, “Marlene” (Maximilian Schell, 1984), “Chekov em Minha Vida” (documentário, Vadim Glowna, 1985), “Quarantäne” (Nico Hofmann,1989). 
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12/05/2012
O OVO DA SERPENTE 
Ingmar Bergman (1977), com David Carradine, Liv Ullmann, Heinz Bennet, ALEMANHA/EUA, 120 min.

Sinopse
Berlim, novembro de 1923, mês e ano do fracassado putsch de Munique, que levou Hitler à prisão. 
Quatro anos após os assassinatos de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, que expressaram a adesão da socialdemocracia ao banditismo, e a falência moral da República de Weimar, Abel Rosenberg é um trapezista desempregado, que descobriu recentemente que seu irmão, Max, se suicidou. Logo ele encontra Manuela, sua cunhada. Juntos eles sobrevivem com dificuldade à violenta recessão econômica que abala o país. Sem compreender as transformações e as lutas políticas em curso, eles aceitam trabalhar em uma clínica clandestina que realiza experiências com seres humanos, em nome da supremacia ariana. Lá começam a encontrar respostas para o suicídio de Max. Neste ambiente de caos o “ovo da serpente” vai sendo chocado para eclodir mais tarde, trazendo à luz a fera nazista.

Direção e Argumento Original: Ingmar Bergman (1918-2007) 
Ernest Ingmar Bergman, dramaturgo e cineasta sueco, dirigiu 45 longas e vários filmes para televisão, cujos argumentos via de regra levam sua assinatura. É autor de clássicos como “Noites de Circo” (1953), “O Sétimo Selo” (1956), “Morangos Silvestres” (1957), “O Silêncio” (1963), “Gritos e Sussurros” (1972), “Fanny e Alexandre” (1982). Ao longo de sua carreira ganhou quatro vezes o Prêmio Bodil de Melhor Filme Europeu; um Urso de Ouro, no Festival de Berlim; o Prêmio Especial do Júri e duas vezes o Leão de Ouro, no Festival de Veneza; o Prêmio do Júri, o de Melhor Realizador e a Palma das Palmas, no Festival de Cannes; recebeu três indicações ao César, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, uma ao Globo de Ouro, como Melhor Realizador, duas ao BAFTA, de Melhor Filme; três prêmios Oscar, de Melhor Filme em Língua Estrangeira, três indicações ao Oscar de Melhor Realizador e cinco na categoria de Melhor Argumento Original.

Música Original: Rolf A. Wilhelm (1927- ) 
Rolf Alexander Wilhelm, que também assina como John Williams, nasceu em Munique. Em 1942, ingressou na Academia de Música de Viena, com a idade de 15 anos, onde aprendeu composição. Realizou mais de 50 trilhas para filmes de todos os gêneros, entre os quais “15/08: A Guerra” (Paul de Maio, 1956), “Tonio Kröger” (Rolf Thiele,1964), “Die Nibelungen - I” (Harald Heinl, 1966) “Die Nibelungen - II” (Harald Heinl, 1967), “A Sala de Aula Voadora” (Werner Jacobs, infantil, 1973), “O Ovo da Serpente” (Ingmar Bergman, 1977), “Ödipussi” (Loriot, 1988), “Pappa Ante Portas” (Loriot, 1991). Compôs também para televisão, teatro e novelas de rádio. 
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19/05/2012
ESTRADA PARA A VIDA
Nikolai Ekk (1931), com Nikolai Batalov, Mikhail Zharov, Yvan Kyrlya, URSS, 95 min.

Sinopse
Primeiro filme sonoro soviético, “Estrada Para a Vida” se inspira no trabalho teórico e prático do pedagogo soviético, nascido na Ucrânia, Anton Makarenko (1888-1939), que à frente das colônias Gorki e Dzerzhinsky, nos anos 20 e 30, desenvolveu um método de ensino e socialização de jovens que haviam vivido na marginalidade, cuja base era a vida em comunidade, trabalho, disciplina e a participação dos internos na organização da escola. Para a recém-fundada República Soviética, essa recuperação tinha, além do sentido humanitário e social, um caráter político. Se tratava, como afirmava Felix Dzerzhinsky, de impedir que os jovens delinquentes continuassem a servir como massa de manobra da contrarrevolução. 
O tema do filme é a reabilitação de gangues de meninos que vagavam pelas ruas, em 1923, pouco após o término da guerra civil. As lealdades dos jovens estão divididas entre Zhigan, que exorta-os a continuar ladrões, e Sergeev, o chefe de uma escola-comuna. “Estrada Para a Vida” ganhou o prêmio de Melhor Direção, no Festival Internacional de Veneza (1932). As dedicatórias poéticas apresentadas na introdução e no final do filme são interpretadas por Basil Katchalov.

Direção: Nikolai Ekk (1902-76) e A. Stolper (1907-79) 
Nikolai Vladimirovich Ekk nasceu em Riga (Letônia). Estudou interpretação e direção de teatro em Moscou. Nos anos 1928-36 comandou o estúdio "Mezhrabpomfilm" - atual Estúdio Gorki. Entre os obras cinematográficas que dirigiu estão o primeiro filme sonoro soviético, “Estrada Para a Vida” (1931), e o primeiro em cores, “Grunya Kornakova” (1936), além de “A Feira de Sorochinsk” (1939), “Noite de Maio” (1941) e "O Homem da Luva Verde" (1968) – realizado em 3D. Trabalhou também como ator, escritor e diretor de teatro.

Argumento Original: Nikolai Ekk (1902-76) e A. Stolper (1907-79) 
Aleksandr Stolper é natural de Dvinskk (Lituânia). De 1923 a 1925 estudou na faculdade de formação de atores do Proletkult. A partir de 1927 trabalhou como cenógrafo no estúdio Soyuzkino, em Moscou. Em 1938 diplomou-se na faculdade de realizadores do Instituto de Cinematografia Gerasimov (VGIK). A partir de 1968 passou a dar aulas de direção de arte naquela instituição. Entre os principais filmes que dirigiu estão “Espere por Mim” (1943), “A História de um Homem de Verdade” (1948), “Longe de Moscou” (1959), “Os Vivos e os Mortos” (1963).

Música Original: Yakov Stollyar (1890-1962) 
Formou-se no Conservatório de Moscou, em 1927. Compôs as óperas “Amran” (1929); e “Rio de Felicidade” (1949), sinfonias, sonatas e obras para voz e piano, como “Ciclos de Canções do Uzbequistão”(1942-44). Escreveu trilhas para teatro: “Suíte Ucraniana” e “Comandante Suvorov”, ambas em 1940. Compôs as músicas de quatro filmes de Nikolai Ekk: “Estrada Para a Vida” (1931), “Grunya Kornakova” (1935), “Carnaval de Cores” (1935), “A Feira de Sorochinsk” (1939). Assina também a trilha musical de “Pedras Azuis” (Mark Donskói e Vladimir Braun, 1940). 
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26/05/2009
O JURAMENTO
Mikhail Chiaurelli (1946), URSS, com Sofiya Giatsintova, Mikhail Gelovani e Nikolai Bogolyubov, 106 min.

Sinopse
Centrado na saga da família Petrov, o filme apresenta as diversas fases percorridas pelo desenvolvimento da URSS, e os agudos conflitos políticos originados por interesses de classe antagônicos, quanto aos caminhos a serem trilhados, desde a morte de Lenin até o final da 2ª. Guerra Mundial. A presença de Stalin, em diversos momentos da narrativa, provoca indisfarçável irritação nos críticos que gostariam de poder bani-lo da vida e da história da União Soviética, como se isso fosse possível. “O Juramento” ganhou Medalha de Ouro no Festival Internacional de Veneza (1946).

Direção: Mikhail Chiaurelli (1894-1974) 
Mikhail Edisherovich Chiaurelli nasceu em Tbilisi (Geórgia). Em 1916 se formou na Escola de Pintura e Escultura, em Tbilisi. Na mesma cidade atuou na organização do Teatro de Sátira Revolucionária (1926-27), foi ator e diretor de Krasny Proletkult Theatre (1926-28) e diretor-artístico do Teatro Georgiano de Comédia (1928-41). Em 1928, tornou-se diretor de cinema do Goskinprom Estúdio. Seu filme mudo “Khabarda" (1931), uma comédia popular, ganhou aclamação da crítica. Em seguida realizou uma série de filmes históricos revolucionários, marca mais característica de seu trabalho: “A Última Máscara” (1934), “Arsen” (1937), “O Grande Brilho” (1938), “Georgii Saakadze” (1942, 1943), “O Juramento” (1946), “A Queda de Berlim” (1950), “O Ano Inesquecível de 1919” (1952). Após a morte de Stalin, interpretado em várias dessas películas pelo ator Mikhail Gelovani, também georgiano, Chiaurelli foi atingido pelos ventos kruschevistas, ficando seu trabalho restrito a produções de baixo orçamento. Durante a última década da vida dedicou-se ao cinema de animação.

Argumento Original: Mikhail Chiaurelli (1894-1974) e Pyotr Pavlenko (1899-1951)
Pyotr Andreyevich Pavlenko nasceu em Petrogrado e estudou na Politécnica de Baku. Em 1920 iniciou o trabalho político no Exército Vermelho e continuou esse trabalho na Transcaucásia. Publicou seus primeiros contos e ensaios em 1928, entre eles as “Coleções de Histórias da Ásia”. Suas viagens no Oriente soviético forneceram-lhe material para superar a herança do romantismo oriental. A nova abordagem se refletiu na novela “O Deserto” (1931). No romance “As Barricadas” (1932), cujo tema é a Comuna de Paris, alcançou a técnica realista na qual vinha trabalhando. Atuou também como jornalista e correspondente de guerra. Entre 1942 e 1943, foi presidente da Comissão de Defesa da União de Escritores. Seu principal romance, “Felicidade” (1947), narra a história de um veterano de guerra ferido que vai para a Criméia com a esperança de uma vida calma. Colaborou em argumentos e roteiros de filmes de alguns dos mais destacados diretores soviéticos: “Alexandre Nevsky” (Eisenstein, 1938), “Yakov Sverdlov” (B.M. Levin, 1940), “Um Bom Rapaz” (Boris Barnet, 1941), “O Juramento” (Mikhail Chiaurelli, 1946), “A Queda de Berlim” (Mikhail Chiaurelli, 1950), “O Compositor Glinka” (Grigori Alexandrov, 1953).

Música Original: Andrei Balanchivadze (1902-82) 
Nascido em Petrogrado, filho do compositor georgiano Melliton Balanchivadze (1862-1937), estudou no Conservatório de Tbilisi e graduou-se no Conservatório de Leningrado, tendo como professor de composição Maximilian Steinberg. Nome de destaque na música da Geórgia, Balanchivadze atuou como regente da Orquestra. Sinfônica do Estado e lecionou no Conservatório de Tbilisi. Compôs óperas, sinfonias, vocais e corais. Escreveu música para 20 filmes, entre os quais “Georgii Saakadze” (1943) e “O Juramento” (1946), de Mikhail Chiaurelli. 
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09/06/2012
O DELITO MATTEOTTI
Florestano Vancini (1973), com Franco Nero, Mario Adorf, Riccardo Cucciolla, Vittorio De Sica, ITÁLIA, 118 min.

Sinopse
Itália, 1924: O deputado socialista Giacomo Matteotti pede à Câmara que anule as eleições de abril daquele ano porque a maioria dos votos computados pela Lista Nazionale, formada por fascistas e liberais, foi obtida através de fraude e violência. No dia 10 de junho ele é sequestrado e assassinado por ordem de Mussolini. Em janeiro de 1925 o Duce impõe as leis de exceção e conclui o processo de estabelecimento da ditadura fascista sobre o povo italiano. Ex-editor do jornal socialista Avanti, Mussolini fora expulso do partido por apoiar a entrada da Itália na guerra imperialista de 1914. Em 1922, havia se tornado primeiro-ministro a convite do rei Vitor Emanuel III, em meio à crise do pós-guerra, quando os monopólios italianos jogaram as fichas nos camisas-negras visando bloquear a ascensão das lutas dos trabalhadores. O filme recebeu o Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Moscou (1974).

Direção: Florestano Vancini (1926-2008)
Após alguns curtas e colaboração com os diretores Mario Soldati (1906-99) e Valerio Zurlini (1926-82), Vancini realizou em 1960 seu primeiro longa-metragem, "La Lunga Notte del ‘43", que revive o massacre de 11 resistentes pelas brigadas fascistas da República de Salò. Com roteiro de Pier Paolo Pasolini (1922-1975), adaptado da coletânea “Cinco Histórias de Ferrara”, de Giorgio Bassani, o filme recebeu indicação para o Leão de Ouro e o Prêmio Primeira Obra no 21º. Festival de Veneza. Vancini dirigiu 15 longas, entre os quais, "La Calda Vita" (1963); "Le Stagioni del Nostro Amore" (1965), que obteve o Prêmio da Crítica no Festival de Berlim; "Dio E’ Com Noi" (1970); "Bronte" (1972); "Il Delitto Matteotti" (1973); "Amore Amaro" (1974); "Un Dramma Borghese" (1983). Nos anos 1980, realizou séries para televisão: "La Neve nel Bicchiere" (1984) - história de três gerações de camponeses da planície ferrarense, sua terra natal - e "Lettera dal Salvador" (1987), telefilme político sobre médico francês em El Salvador no período da guerra civil, para a série francesa "Médecins des Hommes".

Argumento Original: Florestano Vancini (1926-2008) e Lucio M. Battistrada
Lucio Battistrada (Manlio) estreou como roteirista no filme “Il Sole Negli Occhi” (Antonio Pietrangeli, 1953) e participou da elaboração de mais de 30 argumentos e adaptações para cinema e televisão, até 1988, entre os quais “L’Oro di Roma” (Carlo Lizzani, 1961), “Il Delitto Matteotti”, Florestano Vancini, 1973), "Dio E’ Com Noi" (Florestano Vancini, 1983), “Morte em Vaticano” (Marcelo Aliprandi, 1982), “La Casa del Tappeto Giallo” (Carlo Lizzani, 1983), "Un Dramma Borghese" (Florestano Vancini, 1983).

Música Original: Egisto Macchi (1928-92)
Nascido em Grosseto, Egisto Macchi estudou piano, violino, canto e composição em Roma. Criou dezenas de peças para orquestra de câmara, coro e trilhas para teatro. Desde 1959 teve presença ativa no mundo do cinema e televisão, trabalhando com continuidade na Itália, França e Bélgica. Escreveu música para 50 filmes e assinou as trilhas sonoras de cerca de 3000 documentários e programas de TV . 
Entre os diretores com os quais trabalhou estão Florestano Vancini (“Bronte”, 1972, e “Il Delitto Matteotti”, 1973), Lino Del Fra (“Antonio Gramsci: Os Dias de Prisão”, 1977), Joseph Losey (“Monsieur Klein”, 1976), os Irmãos Taviani (“Padre Padrone”, 1978). 
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15/06/2012
O LEÃO DO DESERTO
Moustapha Akkad (1981), com Anthony Quinn, Oliver Reed, Rod Steiger, Irene Papas, LÍBIA/EUA, 152 min.

Sinopse
Com a ascensão de Mussolini, a Itália, como as demais potências européias, procura ampliar suas zonas de exploração na África. A atenção se volta para a Líbia, onde o líder Omar Mukhtar comanda uma tenaz resistência armada contra a colonização italiana estabelecida desde 1911. Em 1929, irritado com insubmissão líbia, o Duce decide realizar uma grande operação de “pacificação”, comandada pelo general Rodolfo Graziani. Ainda não havia a OTAN, mas as semelhanças notáveis entre os acontecimentos daquela época e os atuais estão longe de poderem ser classificadas como meras coincidências.

Direção: Moustapha Akkad (1930-2005) 
Nascido na Síria, estudou cinema na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e trabalhou com o diretor Sam Peckinpah. Em 1976 produziu e dirigiu “Maomé - O Mensageiro de Alá”, realizado em duas versões: em inglês, com Anthony Quinn no papel do profeta, e em árabe, “Al-Risalah”, com Abdallah Gheith no mesmo papel. Em 1980 dirigiu o épico “O Leão do Deserto”, também estrelado por Anthony Quinn e Irene Papas. O filme foi coproduzido pelo governo líbio e proibido na Itália, até o ano de 2009. Akkad produziu oito filmes da série “Halloween”, entre 1978 e 2002. Foi morto, em 2005, com sua filha Rimma, em Amã, na Jordânia, por um homem-bomba.

Argumento Original: H.A.L. Craig (1921-78) 
Harry Arthur Craig nasceu na Irlanda, trabalhou como escritor, jornalista, crítico literário e teatral. Escreveu programas de televisão para a BBC e argumentos para cinema, entre os quais “A Batalha de Anzio” (Edward Dmytryk, 1968), “Waterloo” (Sergey Bondarchuk, 197I), “Maomé - O Mensageiro de Alá” (Moustapha Akkad 1977), “Aeroporto” (Jerry Jameson, 1977), “O Leão do Deserto” (Moustapha Akkad, 1981).

Música Original: Maurice Jarre (1924-2009) 
Maurice-Alexis Jarre iniciou seu aprendizado musical no conservatório de Paris, onde estudou percussão, composição e harmonia. Celebrizou-se, principalmente, pela criação de trilhas musicais das quais se destacam as parcerias com David Lean, que lhe renderam três prêmios Oscar: “Lawrence da Arábia” (1962), “Dr. Jivago” (1965) e “Passagem para a India” (1984). Em 1978, recebeu uma indicação para o Oscar pela música de “Maomé - O Mensageiro de Alá”. Para o diretor Moustapha Akkad, compôs também a trilha de “O Leão do Deserto” (1981).
Jarre escreveu música para teatro, concertos, óperas, balés e gravou seis CDs. 
.GERMINAL

Claude Berri (1993), com Gérard Depardieu, Renauld, Miou-Miou, Jean Carmet, FRANÇA, 170 min.

Sinopse
Adaptado do consagrado romance de Emile Zola, publicado em 1885, “Germinal” narra a greve dos mineiros de Voreux contra as degradantes condições de trabalho que imperavam na Europa, no final do século 19. 
Como pano de fundo, a obra apresenta o confronto entre as concepções marxistas, anarquistas e remanescentes do cartismo, que polarizavam na época a Associação Internacional dos Trabalhadores (1ª Internacional), identificadas nos personagens Étienne, Rasseneur e Suvarin.

Direção: Claude Berri (1934-2009) 
Diretor de cinema, ator, roteirista e produtor. Dirigiu 24 longas, entre os quais “Jean de Florette” (1986), “Germinal” (1993) e “Lucie Aubrac: Um Amor em Tempos de Guerra” (1997).

Argumento Original: Émile Zola (1840-1902) 
Escritor francês, criador da escola literária naturalista, além de importante figura libertária no país. Entre seus romances publicados, destacam-se: “Therese Raquin” (1867), “O Ventre de Paris” (1873), “Nana” (1880), com o qual superou o "determinismo biológico" que era o ponto fraco do naturalismo, “Germinal” (1885), “A Terra” (1887) . 
Zola foi autor, em 1898, do manifesto “J’Accuse”, em que denuncia os responsáveis pelo fraudulento processo do qual Alfred Dreyfuss foi vítima como representantes de um chauvinismo imperialista que iria desembocar na 1ª Guerra Mundial. Para escrever “Germinal”, o autor viveu dois meses como mineiro. Acordando, comendo, bebendo e trabalhando nas mesmas condições que eles.

Música Original: Jean-Louis Roques
Acordeonista, tecladista, arranjador e compositor francês que trabalhou com artistas como Renaud e Frank Sinatra. 
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19/11/2011
COMO ERA VERDE O MEU VALE
John Ford (1941), com Walter Pidgeon, Maureen O`Hara, Anna Lee, Donald Crisp, Roddy McDowall, 118 min.

Sinopse
Adaptado do romance do escritor galês Richard Llewellyn, publicado em 1939, o filme narra dois anos da luta da família Morgan - trabalhadores de uma mina de carvão, situada num verde vale do País de Gales - para manter-se unida em meio às adversidades, no final do século 19. Estas vão desde uma greve, que se estende por 22 semanas, aos boatos espalhados na pequena comunidade de que a jovem Gruffydd Morgan, recém-casada com o filho do proprietário da mina, mantém um caso amoroso com o pregador da igreja local – um religioso que faz questão de não esconder sua opinião favorável à organização dos sindicatos. “Como Era Verde o Meu Vale” recebeu nove indicações ao Oscar de 1942 e foi premiado com cinco: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Ator Coadjuvante (Donald Crisp), Melhor Direção de Arte.

Direção: John Ford (1894-1973) 
Em 51 anos de carreira, o legendário John Ford dirigiu 133 filmes: “No Tempo das Diligências” (1939), “As Vinhas da Ira” (1940), “Como Era Verde O Meu Vale” (1941), “Rastros de Ódio” (1956), “O Homem que Matou o Facínora” (1962) e vários outros que sem favor podem ser apontados como clássicos. 
Orson Welles disse que assistiu a “No Tempo das Diligências” mais de 40 vezes, antes de produzir sua obra-prima, “Cidadão Kane”, em 1941.

Argumento Original: Richard Llewellyn (1906-83) 
Escritor galês, cujo nome de batismo é Vivian Loyd, publicou, com o pseudônimo de Richard Llewellyn, 23 romances. Escreveu peças de teatro, trabalhou como jornalista e, depois da guerra, como roteirista da MGM. Seu segundo romance, “Apenas um Coração Solitário”, foi levado às telas em 1944.

Música Original: Alfred Newman (1901-70) 
Dirigiu musicais da Broadway até 1929. No ano seguinte foi para Hollywood. Em 1940, assumiu a direção musical da Fox, musicou cerca de 200 filmes, recebeu 45 indicações para o Oscar e nove premiações, entre elas a obtida por seu trabalho em Suplício de Uma Saudade (Henry King, 1956), cuja canção-título “Love Is a Many-Splendored Thing” correu o mundo nas vozes de Nat King Cole e Frank Sinatra. 
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26/11/2011
A FESTA DE BABETTE
Gabriel Axel (1987), com Stéphane Audran, Jean-Philippe Lafont, Gudmar Wivesson, 102 min.

Sinopse
Em uma noite de 1871, fugindo da repressão à Comuna de Paris, Babete chega a um vilarejo da costa dinamarquesa e se oferece para ser a cozinheira e faxineira da família de um rigoroso pastor luterano. Muitos anos depois, ainda trabalhando na casa, ela recebe a notícia de que ganhara uma pequena fortuna numa loteria em Paris. Babete, que havia sido chef du cuisine do requintado Café Anglais, decide gastar o dinheiro na produção de um refinado jantar francês que oferece à comunidade. Seu banquete opera milagres de transformação no estado de espírito e no grau de sociablidade dos convivas, como a revelar o quanto a satisfação plena das necessidades é capaz de mudar as mentes humanas. 
Baseado em conto de Isak Dinesen, publicado no livro Anedotas do Destino (1958). Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1988.

Direção: Gabriel Axel (1918- ) 
Nascido em 18 de abril de 1918, na Dinamarca, diretor, ator, escritor e produtor, o veterano Gabriel Axel dirigiu projetos para teatro, cinema e televisão, tanto na Dinamarca quanto na França. Realizou cerca de 70 filmes para cinema e TV, entre os quais “Familien Gyldenkål” (1975), “Les Colonnes du Ciel” (TV mini-series, 1985-86) e “Jutland - Reinado de Ódio” (1994), baseado na história real que inspirou William Shakespeare em seu “Hamlet”. Sua obra “Hagbard e Signe” (1967), produção dinamarquesa-sueco-islandesa, recebeu o Grand Prix de la Technique no Festival de Cannes. Em 2003, ganhou um Lifetime Achievement Award no 1º. Festival de Cinema Internacional de Copenhagen.

Argumento Original: Isak Dinesen (1885-1962) 
A dinamarquesa Karen Christence von Blixen-Finecke, que assinava com o pseudônimo de Isak Dinesen, tornou-se mundialmente conhecida por seu terceiro livro “Den Afrikanske Farm” (A Fazenda Africana), publicado em 1937 e baseado no período em que ela viveu no continente africano. Em 1985, o livro foi adaptado para o filme, com o nome de “Out of Africa” (Entre Dois Amores), sob a direção de Sydney Pollack e com Meryl Streep, Robert Redford e Klaus Maria Brandauer nos papéis principais. Durante a 2ª. Guerra Mundial, Karen escreveu “Contos de Inverno”, publicado em 1942, e o romance “As Vingadoras Angélicas” (1944), sob o pseudônimo de Pierre Andrezel. Escreveu também “Anedotas do Destino”, de 1958, que inclui o conto “A Festa de Babette”, e “Sombras na Pradaria” (1960), entre outros.

Música Original: Per Norgárd (1932- ) 
Nascido em 13 de julho de 1932, em Gentofte, Dinamarca. Nørgård compôs nos principais estilos: seis óperas, dois balés, sete sinfonias e outras peças para orquestra, diversos concertos, composições para voz e coral, trabalhos para câmara, dez quartetos de corda e muitos trabalhos instrumentais solo. 
Criou a trilha para diversos filmes, entre eles: “O Casaco Vermelho” (1966), “A Festa de Babette (1987) e “Hamlet, Príncipe da Dinamarca” (1993) – de Gabriel Axel – e “Manden der Tænkte Ting” (Jens Ravn, 1969). 
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03/12/2011
OS COMPANHEIROS
Mario Monicelli (1963), com Marcello Mastroianni, Renato Salvatori, Annie Girardot, 125 min.

Sinopse 
Turim, 1890. Operários de uma fábrica têxtil trabalham 14 horas por dia com pausa de meia hora para comer o alimento trazido por suas famílias e entregue através das grades dos portões. A fadiga provoca terrível acidente – um trabalhador perde a mão numa máquina de fiação. No dia seguinte, todos concordam em realizar um boicote. Decidiu-se tocar a sirene - que anunciava o fim do expediente - uma hora antes do previsto. Tudo dá errado, até que num trem vindo de Roma chega à cidade o professor Sinegalia, agitador socialista caçado pela polícia. E o embrião de revolta vai se transformando numa greve organizada. Filme didádico e comovente, de um mestre na arte de combinar em doses exatas o drama e a comédia.

Direção e Argumento Original: Mario Monicelli (1915-2010) 
Crítico cinematográfico desde 1932, de 1939 a 1949 colaborou em cerca de 40 filmes, como argumentista, roteirista e assistente de direção. O começo de seu trabalho como diretor ocorre em 1949, em parceria com Stefano Vanzina, em "Totò Cerca Casa". A colaboração dos dois diretores deu origem a oito filmes, dentre os quais os célebres "Guardie e Ladri" (1951) e "Totò a Colori" (1952). Em 1953 inicia o trabalho solo. "Os Eternos Desconhecidos" (1958), com elenco composto por Vittorio Gassman, Marcello Mastroianni, Totò e Claudia Cardinale, é considerado o primeiro do filão da commedia all`italiana. Em 1959 "A Grande Guerra" ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza e rendeu sua primeira indicação ao Oscar. A segunda viria em 1963, com "Os Companheiros". Diversas outras películas merecem destaque, em sua carreira de mais de 60 filmes: “O Incrível Exército de Brancaleone” (1966), “Meus Caros Amigos” (1975), “Um Burguês Muito Pequeno” (1977), “Quinteto Irreverente” (1982).

Música Original: Carlo Rustichelli (1916-2004) 
Nascido em Carpi, Emilia-Romagna, estudou piano no Conservatório de Bolonha e composição na Academia de Santa Cecília. Compôs cerca de 250 trilhas, entre as quais vários clássicos resultantes de uma assídua colaboração com os diretores Pietro Germi e Mario Monicelli: “Juventude Perdida” (1948), “O Ferroviário” (1956), “Divórcio à Italiana” (1961), “Os Companheiros (1963), “Seduzida e Abandonada” (1964), “O Incrível Exército de Brancaleone” (1966), “Meus Caros Amigos” (1975). 
Em 1972, foi contratado por Billy Wilder para compor a música para “Avanti!”, em 1995 criou a trilha de “Per Semper” para o diretor brasileiro Walter Hugo Khoury. 
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10/12/2011
A MÃE
Vsevolod Pudovkin (1926), com Vera Baranovskaya, Nikolai Batalov, Ivan Koval, 90 min.

Sinopse
Adaptado do romance homônimo de Maximo Gorky, publicado em 1906, este clássico do cinema mudo narra a história da transformação de Nilovna-Vlasova, de camponesa submissa, escrava dos seus medos e da brutalidade doméstica, a uma mulher que se engaja na disseminação de idéias renovadoras. Seu marido, um ferreiro alcoólatra e fura-greves, é morto por um militante, amigo do seu filho (Pavel), por tentar impedir uma greve que estava sendo preparada pelos operários da cidade de Sormovo. Nilovna, tentando proteger Pavel, colabora com a polícia e denuncia seu amigo, provocando inadvertidamente a prisão do próprio filho. Arrependida, ela vai passando gradativamente a ocupar o lugar de Pavel na luta revolucionária.

Direção: Vsevolod Pudovkin (1893-1953) 
O teórico e cineasta soviético Vsevolod Illarionovitch Pudovkin, que se tornou conhecido por interpretar de forma visual as motivações internas dos personagens de suas obras, considerava a montagem como o clímax do trabalho criador do diretor de cinema. Desde seu primeiro curta, a comédia “Febre de Xadrez” (1924), dirigiu 18 filmes, entre os quais obras-primas como “A Mãe” (1926), “O Fim de São Petersburgo” (1927), “Tempestade sobre a Ásia” (1928), “Em Nome da Pátria” (1943), “O Retorno de Vasili Bortinikov” (1953). Como ator, trabalhou em 13 filmes.

Argumento Original: Maximo Gorki (1868-1936) 
Fundador do realismo socialista, ativo militante do partido bolchevique, amigo e colaborador de Lenin, e depois de Stalin, Alexei Maximovich Pechkov, pseudônimo Maximo Gorki, é ainda hoje considerado o maior escritor em língua russa, na qual despontaram expoentes como Pushkin (1799-1837), Gogol (1809-52), Dostoievski (1821-81), Tolstói (1828-1910), Tchecov (1860-1904), Maiakovski (1893-1930), Ostrovski (1904-36), Fadeyev (1901-56), Ehrenburg (1891-1967), Alexandr Bek (1903-72), Sholokhov (1904-84), Simonov (1915-79) e tantos outros. Suas obras registram com vigor personagens que integravam as classes exploradas: operários, vagabundos, prostitutas, homens e mulheres do povo. Autores realistas e naturalistas já tinham incorporado estes setores à literatura, mas, mesmo com simpatia, olhavam para os pobres de fora. Gorki conhecia aquele universo por dentro e soube captar o que havia de mais profundo na alma russa. 
Entre suas obras destacam-se “Pequenos Burgueses” (teatro, 1901), “Ralé” (teatro, 1901), “Os Inimigos” (teatro, 1906), “A Mãe” (romance, 1906-07), “A Confissão” (romance, 1908), “Infância” (romance autobiográfico, 1913-14), “Ganhando Meu Pão” (romance autobiográfico, 1915-16), “Minhas Universidades” (romance autobiográfico, 1923), “A Casa dos Artamonov” (romance, 1925), “Quarenta Anos: A vida de Klim Sanghin” (tetralogia, 1925-36), “Yegor Bulychóv e os Outros” (romance, 1932). 
Gorki morreu em 18 de junho de 1936, vítima de envenenamento criminoso ordenado pela direção do “bloco bukharinista-trotskista” e organizado por Genrikh Yagoda. O assassinato foi descrito e analisado, detalhadamente, nas duas sessões do dia 8 de março de 1938 do Colégio Militar da Corte Suprema da URSS.

Música: Tikhon Khrennikov (1913–2007) 
Tikhon Nikolayevich Khrennikov, pianista, foi Secretário-geral da União Soviética de Compositores. Escreveu três sinfonias, quatro concertos para piano, dois concertos para violino, dois concertos para violoncelo, óperas, operetas, balés, música de câmara, trilhas sonoras e musicas para cinema. Entre seus filmes mais conhecidos, estão: "Às Seis da Tarde, Depois da Guerra” (dirigido por Ivan Pyryev, 1944), "Amigos Verdadeiros" (Mikhail Kalatozov, 1954) e "Balada Hussarda" (Eldar Ryazanov, 1962). A trilha que compôs para “A Mãe” substituiu, em 1970, a música de David Blok, que havia sido introduzida em 1935. 
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17/12/2011
SACCO E VANZETTI
Giuliano Montaldo (1971), com Gian Maria Volonté, Riccardo Cucciolla, 120 min.

Sinopse
Em 1920, os imigrantes anarquistas italianos Sacco Niccola e Bartolomeo Vanzetti são condenados à morte na cadeira elétrica, falsamente acusados do homicídio de um contador e de um guarda de uma fábrica de sapatos. Na verdade, eles são condenados devido a suas crenças políticas. O processo destaca não só a sua inocência, mas a vontade das autoridades dos EUA de realizar um ato de represália política, condenando à morte de maneira exemplar dois anarquistas, com o intuito de intimidar o movimento operário. Nos anos seguintes, a luta pela anulação da sentença leva milhares de pessoas às ruas em todo o mundo.

Direção e Argumento Original: Giuliano Montaldo (1930- ) 
Nascido em Genova, Giuliano Montaldo fez sua estréia como diretor com “Tiro Al Piccione” (1960), um filme sobre a Resistência Partisan. Seu segundo filme, “Una Bella Grinta”, estrelado por Norma Benguel, sobre um alpinista social durante a época do “milagre econômico italiano”, ganhou o prêmio especial do júri no Festival de Berlim (1965). Naquele ano, também dirigiu a segunda unidade da obra-prima de Pontecorvo “A Batalha de Argel”. Depois de ter filmado para a Paramount, nos EUA, voltou à Itália para realizar “Gott Mit Uns” (1969), “Sacco E Vanzetti” (1971) e “Giordano Bruno” (1973). Com “Agnes Vai Morrer” (1976), retomou o tema da Resistência. Em seguida, voltou-se para a televisão, tendo dirigido, entre outras, a série Marco Polo (1982). Entre 1999 e 2003, foi presidente da RAI Cinema. Seus filmes mais recentes são: “Os Demônios de São Petersburgo” (2008), o documentário “O Ouro de Cuba” (2009) e “O Industrial” (2011).

Música Original: Ennio Morriconi (1928- ) 
Ao longo da sua carreira Morriconi foi responsável pela composição e arranjo de mais de 500 trilhas musicais para filmes e programas de televisão. Entre suas composições se incluem as trilhas de “A Batalha de Argel” (1966), “Queimada (1969), “Sacco e Vanzetti” (1971), “Os Intocáveis” (Brian de Palma, 1987), “Cinema Paradiso” (Giuseppe Tornatore, 1988), “Lolita” (Adrian Lyne, 1997), “Bastardos Inglórios” (Quentin Tarantino, 2009). Recebeu cinco prêmios BAFTA (British Academy of Film and Television Arts), quatro David di Donatello e um Oscar (2007) pelo conjunto da obra. 
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14/01/2012
O VENTO SERÁ TUA HERANÇA
Stanley Kramer (1960), com Spencer Tracy, Frederick March, Gene Kelly, 128 min.

Sinopse
O filme é inspirado em um caso real, o "Processo do Macaco de Scopes", como foi chamado o processo do Estado do Tennessee contra o professor de biologia John Thomas Scopes, ocorrido em Dayton, 1925. O professor foi julgado por ensinar a teoria da Evolução, de Darwin, em uma escola pública. No tribunal, o advogado Clarence Darrow confronta o líder fundamentalista William Jennings Bryan, em uma acirrada batalha ideológica.

Direção: Stanley Kramer (1913-2001) 
Produtor e realizador, Stanley Earl Kramer nasceu no Brooklyn, Nova Iorque. Depois de um percurso inicial como argumentista, instalou-se em Hollywood como produtor, apostando em êxitos como “O Invencível” (Mark Robson, 1949), “A Morte do Caixeiro Viajante” (László Benedek, 1951), “Matar ou Morrer” (Fred Zinnemann,1952), Estreou como diretor em 1955. O racismo, a intolerância, o macarthismo, a ganância, a culpa histórica do fascismo, a colaboração e a bomba são temas recorrentes em sua obra. Entre os 14 filmes que dirigiu, encontram-se “Acorrentados” (1958), “O Vento Será tua Herança” (1960), “Julgamento em Nuremberg” (1961), “A Nau dos Insensatos” (1965), “Adivinhe Quem Vem para Jantar” (1967), “O Segredo de Santa Vitória” (1969).

Argumento Original: Nathan E. Douglas (1914-68) 
Nathan E. Douglas foi o pseudônimo adotado pelo ator e escritor norte-americano, nascido na Filadélfia, Nedrick Young, após o macarthismo ter incluído seu nome na lista negra de Hollywood. Young escreveu também o roteiro para “Acorrentados” (1958), “O Prisioneiro do Rock” (Richard Thorpe, 1957) e “Sombra sobre a Terra (1968).

Música Original: Ernest Gold (1921-99) 
Nascido em Viena, o pianista e compositor Ernest Gold escreveu mais de 100 trilhas musicais para cinema e televisão, entre 1945 e 1992. Seu trabalho foi premiado quatro vezes com o Oscar. As trilhas de “A Hora Final” (Stanley Kramer, 1959), “Deu a Louca no Mundo (Stanley Kramer, 1963), “Minha Esperança É Você” (John Cassavetes, 1963), “Adivinhe Quem Vem para Roubar” (Ted Kotcheff,1977) estão entre suas obras mais conhecidas. 
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21/01/2012
SANGUE NEGRO
Paul Thomas Anderson (2007), com Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Kevin J. O`Connor, 158 min.

Sinopse
Inspirado no romance “Oil!”, escrito por Upton Sinclair em 1927, “Sangue Negro“ começa em 1898, Novo México. Daniel luta para extrair seu sustento de uma modesta mina de prata. Anos depois, o petróleo brota num daqueles buracos e o trabalhador inicia a escalada para transformar-se em “big oil man”. No caminho vai deixando para trás a sua humanidade. Acompanhado do filho de um amigo morto em serviço, bebê que adota para posar de homem de família nas mesas de negociação, Daniel chega a Little Boston e encontra o pastor Eli Sunday - um rival na lábia e nas ambições de prosperar.

Direção: Paul Thomas Anderson (1970- ) 
O diretor norte-americano Paul Thomas Anderson já acumulava um caminhão de troféus (Oscar, Urso de Ouro, BAFTA, Bodil, Cinco Continentes, Metro Media Award, Satélite de Ouro, Cannes) por seus filmes “Boogie Nights” (1997), “Magnólia” (1999) e “Embriagado de Amor” (2002). Ganhou outros tantos com “Sangue Negro” (2007). Mas o fato é que a (ex) jovem promessa tem revelado a capacidade de se superar, filme após filme.

Argumento Original: Upton Sinclair (1878-1968) 
Nascido em Baltimore, EUA, o escritor Upton Beal Sinclair foi um dos principais representantes do grupo chamado pelos conservadores de "Muckrackers" ("os que se espojam na lama"), buscando caracterizar negativamente seu empenho na denúncia das injustiças e na defesa de mudanças sociais. Juntamente com Jack London e Sinclair Lewis, pertenceu à comunidade socialista Helicon Hall-Farm, que dava apoio ativo à política do New Deal de Franklin Roosevelt. 
Entre os títulos mais célebres deste autor de mais de mais de 100 livros, estão “A Selva” (1906), onde denuncia os horrores das condições de vida e trabalho dos operários nos matadouros de Chicago, “Petróleo!” (1927), “O Fim do Mundo” (1940-53), série de romances, publicada em 11 volumes, cuja ação se passa em diversas cidades como Washington, Moscou, Paris, Londres e Berlim, da 1ª. Guerra Mundial até a Guerra Fria, e nos quais a história contemporânea surge aliada à aventura, ao amor e ao crime.

Música Original: Jonny Greenwood (1971- ) 
Nascido em Oxford, Jonathan Richard Guy Greenwood é músico da banda inglesa Radiohead. No grupo, atua em diversos instrumentos, como guitarra, teclados, percussão, sintetizadores, harmônica, xilofone, além de objetos não convencionais, como televisões e rádios. Inventa também novos instrumentos. Compôs "Life in a Glass House" e "The Tourist".
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28/11/2012
QUEIMADA
Gilio Pontecorvo (1969), com Marlon Brando, Evaristo Márquez e Renato Salvatori, 112 min.

Sinopse
Nesta parábola sobre a penetração dos EUA nos países subdesenvolvidos, estamos em 1845. Londres envia à ilha negra das Pequenas Antilhas, Queimada, dominada pelos portugueses, um de seus mais hábeis fomentadores de rebelião, Sir William Walker, com o propósito de conquistá-la. Walker estimula a capacidade de liderança do negro José Dolores e fomenta uma revolta vitoriosa: é declarada a independência da ilha, que passa a ser manobrada por uma empresa britânica exportadora de açúcar. Passam-se dez anos, e o agente é novamente enviado à Queimada porque, desta vez, Dolores lidera uma revolução contra o domínio econômico inglês sobre o seu povo.

Direção: Gillo Pontecorvo (1919-2006) 
Nasceu em Pisa, Itália. No final dos anos 30, abraçou o movimento antifascista italiano. Em 1943, trabalhou como jornalista no “L’Únitá”, órgão clandestino do Partido Comunista da Itália. Após a libertação, tornou-se diretor de “Pattuglia”, jornal conjunto das juventudes comunista e socialista. No início dos anos 50, tornou-se assistente dos cineastas Joris Ivens, Yves Allégret e Mario Monicelli. Dirigiu documentários antes de estrear na ficção com “Giovanna”, episódio de “Die Vind Rose” (1954) sobre uma operária da indústria têxtil. Dirigiu também “A Grande Estrada Azul” (1957), “Kapò” (1959), os poderosos “A Batalha de Argel” (1966) e “Queimada” (1969), “Operação Ogro” (1979), “O Adeus a Enrico Berlinguer” (1984). Seu último trabalho foi “Firenze, il nostro domani” (2003), documentário sobre os quatro dias do Fórum Social Europeu, realizado em novembro 2002 naquela cidade, co-dirigido por 10 realizadores, entre os quais Mario Monicelli e Franco Giraldi.

Argumento Original: Franco Solinas (1927-82) e Giorgio Arlorio (1929- ) 
Além de escrever para Pontecorvo os argumentos de “Giovanna”, “A Grande Estada Azul”, “Kapó”, “A Batalha de Argel” e “Queimada”, Franco Solinas assina os argumentos de “O Bandido Giuliano” (Francesco Rosi, 1962), “Estado de Sítio” (Costa-Gavras, 1972), “Suspeita” (Francesco Maseli, 1975), “Cidadão Klein” (Joseph Losey, 1976), “Hanna K.” (Costa-Gavras, 1983), entre outros. 
O primeiro argumento de Giorgio Arlorio para cinema foi escrito para o filme “”Crimen” (Mario Camerini, 1960). Para Pontecorvo, escreveu também “Operação Ogro”.

Música Original: Ennio Morriconi (1928- ) 
Ao longo da sua carreira Morriconi foi responsável pela composição e arranjo de mais de 500 trilhas musicais para filmes e programas de televisão. Entre suas composições se incluem as trilhas de “A Batalha de Argel” (1966), “Queimada (1969), “Sacco e Vanzetti” (1971), “Os Intocáveis” (Brian de Palma, 1987), “Cinema Paradiso” (Giuseppe Tornatore, 1988), “Lolita” (Adrian Lyne, 1997), “Bastardos Inglórios” (Quentin Tarantino, 2009). Recebeu cinco prêmios BAFTA (British Academy of Film and Television Arts), quatro David di Donatello e um Oscar (2007) pelo conjunto da obra. 
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04/02/2012
A GUERRA DO ÓPIO
Xie Jin (1997), com Bao Guoan, Rob Freeman, Xiangting Ge, Emma Griffith, 150 min.

Sinopse
Os produtos chineses tinham grande valor na Europa (seda, chá e porcelana), mas os produtos oferecidos pela Inglaterra não atraíam a atenção dos chineses, exceto o ópio. A Companhia Britânica das Índias Orientais mantinha intenso comércio com os chineses, comprando chá e vendendo o ópio trazido da Índia. A droga representava metade das exportações inglesas para a China. Devido à venda em grande escala, nascia o problema social: a dependência química de vastas parcelas da população. Em 1796, um decreto imperial chinês proibiu o uso do ópio sem sucesso. Em 1839, o imperador Daoguang assinou novo decreto. Na cidade portuária de Cantão, foram queimadas mais de 20 mil caixas da droga, confiscadas de depósitos britânicos. O Reino Unido declarou guerra. A 1ª. Guerra do Ópio (1839-42) rendeu à Inglaterra a abertura de mais cinco portos em território chinês, a indenização pelo ópio destruído, além de Hong Kong, que ficou sob seu domínio por 100 anos. Na 2ª. Guerra do Ópio (1856-60), a França se associou à Inglaterra, a China foi obrigada a autorizar a legalização do ópio e a abrir mais 11 portos, garantindo o “livre comércio” com as potências ocidentais. O uso e a comercialização do ópio só foram proibidos no território chinês com a vitória da revolução popular de 1949. É incrível, mas é tudo verdade.

Direção: Xie Jin (1923-2008) 
Xie estudou na escola de arte dramática de Jiang`an, entre 1946 e 1948, e se formou na Universidade Popular Revolucionária, em 1953. Dirigiu seu primeiro filme, “A Crise”, em 1954, e continuou a realizar filmes protagonizados por figuras femininas como “O Destacamento Vermelho das Mulheres” (1960) e “Duas Irmãs de Palco” (1965). Dirigiu também “A Lenda de Tianyun Mountain” (1980), que ganhou o 1º. Galo de Ouro. Com "Cidade Hibiscus" (1986), foi premiado no 7º. Galo de Ouro e no 26º. Festival Internacional de Karlovy Vary, Checoslováquia. “Guerra do Ópio” (1997), recebeu premiação no 28º Galo de Ouro e no Festival de Cinema de Montreal. Realizou cerca de 20 filmes.

Argumento Original: Zhu Sujin (1953- ), Ni Zhen, Fuxian Zong, Ann Hui (1947- ) 
Zhu Sujin é natural de Nanjing. Especializado em temas históricos, escreveu para televisão as séries “Kang Xi Wang Chao” (2001), “Jiang Shan Feng Yu Qing” (2005), “Zhu Yuan Zhang” (2008), “Tres Reinos” (2010). 
Escritor e professor de cinema, Ni Zhen publicou "Memórias da Academia de Cinema de Pequim: A Gênese da Quinta Geração da China". Escreveu os argumentos de “Lanternas Vermelhas” (Zhang Yimou, 1991), “O Crepúsculo da Cidade Proibida” (Manfred Woon, 1993), “Hong Fen” (Li Shahong, 1995), “A Guerra do Ópio” (Xie Jin, 1997). Nascida em Anshan, a diretora, atriz, produtora e roteirista Ann Hui On-Wah mudou-se para Macau e depois Hong Kong, quando tinha cinco anos de idade. Estudou inglês e literatura comparada na Universidade de Hong Kong, até 1972, antes de passar dois anos na Escola Internacional de Cinema de Londres. Dirigiu 24 filmes, entre os quais “Do jeito que Somos” (2008) e “Noite e Nevoeiro” (2009).

Música Original: Jin Fuzai
Fuzai compôs as trilhas musicais de “A Última Imperatriz” (Chen Jialin, 1987), “Shan Shui Qing” (animação, 1988), “Sino do Templo de Pureza” (Xie Jin, 1992), “A Guerra do Ópio” (Xie Jin, 1997), “Bao Lian Deng” (animação, 2000). 
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11/02/2012
MANGAL PANDEI: O LEVANTE
Ketan Mehta (2005), com Aamir Khan, Toby Stephens, Amisha Patel, Rani Mukherjee, ÍNDIA, 144 min.

Sinopse
1857. O subcontinente indiano é governado por uma única empresa, a Companhia Britânica das Índias Orientais. A companhia tem suas próprias leis, o seu próprio exército, constituído por soldados indianos (os sipaios) comandados por oficiais ingleses. A “Empresa Raj", como era conhecida, pilhava o país, obrigando, entre outras coisas, camponeses a trocarem suas culturas tradicionais pela da papoula, para a produção do ópio que a companhia comercializava na China. Após 100 anos de subjugação, a consciência indiana se afirma através da perspectiva revolucionária da independência. Tem início a rebelião. “Mangal Pandei – O Levante” é um conto épico de amizade, traição, amor e sacrifício, no cenário que foi chamado pelos britânicos de “motim sipaio“, mas que para os indianos foi a 1ª. Guerra da Independência. E tudo bem temperado com estonteantes números musicais.

Direção: Ketan Mehta (1952- )
Nascido em Navsari, Gujarat, Ketan Mehta formou-se em direção no Instituto de Cinema e Televisão da Índia. Durante sua carreira, realizou 10 longas-metragens, sete documentários e séries de televisão. Seu repertório de temas inclui comédia, sátira, romance e rebeldia . Seus filmes foram selecionados para vários festivais de cinema internacionais, como Nantes ( França) e o Moscow Film Festival. “Bhavni Bhavai“ (1980), “Mirch Masala“ (1985), “Oh Darling! Yeh Hai India“ (1995), “Mangal Pandei: O Levante“ (2005) são alguns de seus sucessos num país que possui mais de 30 mil salas de cinema, produz 1500 filmes por ano (o triplo de Hollywood) e vende anualmente 4 bilhões de ingressos (95% para produções nacionais).

Argumento Original: Farrukh Dhondy (1944- )
Farrukh Dhondy nasceu em Poona, Mumbai, em 1944. Formou-se em Ciências pela Universidade de Poona em 1964. Recebeu bolsa para estudar Inglês em Cambridge. Depois cursou a Universidade de Leicester para fazer o mestrado. Em Leicester ingressou na Associação dos Trabalhadores Indianos e, mais tarde, em Londres, no movimento dos Panteras Negras, juntando-se à revista “Race Today”, em 1970, onde foi revelada a sua vocação de escritor.
A produção literária de Dhondy inclui livros para adultos, jovens e crianças, bem como peças para teatro, cinema e televisão. Escreveu para o Channel 4 a série “Noites Tandoori” (1985-87) e, para a BBC, “Rei do Ghetto” (1986). No cinema, entre os argumentos que produziu encontram-se “Sob a Luz da América“ (Roger Christian, 2004), “Mangal Pandei: O Levante” (Ketan Mehta, 2005), “Kisna: O Poeta Guerreiro“ (Subhash Ghai, 2005), “Take 3 Girls” (Baz Taylor, 2006) e “Carpet Boy” (Giles Nuttgens, 2013).

Música Original: A.R. Rahman (1966- ), Javed Akhtar (1945- )
Allah Rakha Rahman nasceu em Chennai. Suas obras são notáveis pela integração da música clássica oriental com sons de música eletrônica e arranjos de orquestra tradicional. Já ganhou dois Oscar, dois Grammy, um BAFTA, um Golden Globe, quatro National Film Awards, 14 Filmfare Awards, 11 South Filmfare Awards, além de outros prêmios. Trabalhando em produções da indústria cinematográfica indiana, cinema internacional e teatro, Rahman já vendeu mais de 300 milhões de cópias de suas trilhas sonoras compostas para mais de 100 filmes. 
Poeta, letrista e roteirista, Akhtar é uma das figuras mais proeminentes e populares de Bollywood, cujas canções estão presentes nas trilhas de uma centena de filmes.
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25/02/2012
LAWRENCE DA ARÁBIA
David Lean (1962), com Peter O’Toole, Omar Sharif, Alec Guiness, Anthony Quinn, INGLATERRA, 187 min.

Sinopse
Thomas Edward Lawrence iniciou a trajetória que o tornaria mundialmente famoso entre 1911 e 1914, quando trabalhando numa expedição arqueológica no Oriente Médio aproveitou para aprender árabe e os costumes da região. Com a eclosão da 1ª. Guerra Mundial, em 1914, alistou-se nas Forças Armadas e passou a fornecer informações estratégicas para o Exército britânico. Seu principal papel na guerra, porém, foi incentivar tribos árabes que se encontravam sob o tacão do Império Turco-Otomano, inimigo dos ingleses, a se rebelarem. Para motivar os povos do deserto, Londres havia assegurado que, terminada a guerra, os 20 milhões de árabes teriam a sua independência. Em março de 1917 os turcos perdiam Bagdá, e no ano seguinte Damasco. Em 1919, Lawrence tornou-se conselheiro da delegação árabe na Conferência de Paz de Paris, onde com pesar viu as promessas de reconhecimento serem desfeitas, com a passagem dos territórios árabes do Império Otomano para o controle da Inglaterra (Mesopotâmia e Palestina) e da França (Síria e Líbano). O bolo fora dividido em 1916 pelo acordo “Sykes-Picot”, assinado secretamente pelas duas potências coloniais.

Direção: David Lean (1908-91) 
Como um dos mais importantes cineastas britânicos, David Lean reúne em sua filmografia 19 títulos, dentre os quais “A Ponte do Rio Kwai” (1957) e “Passagem para a India” (1984), além de “Lawrence da Arábia” (1962) que obteve sete Oscars: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Direção de Arte Colorida, Melhor Fotografia Colorida, Melhor Montagem, Melhor Som, Melhor Trilha Sonora. Foi também documentarista, produtor, escritor, ator, e editor brilhante e perfeccionista.

Argumento Original: T.E. Lawrence (1888-1935) 
Nascido em Tremadog, País de Gales, o arqueólogo, explorador, militar e diplomata, T.E. Lawrence é autor de “Os Sete Pilares da Sabedoria”, obra autobiográfica em que narra a saga vivida com as tribos árabes que se rebelaram no deserto, e sem dúvida seu livro mais importante. Lawrence escreveu também “Revolta no Deserto”, “The Mint” e “As Cartas de T.E. Lawrence”.

Música Original: Maurrice Jarre (1924-2009) 
Maurice-Alexis Jarre iniciou seu aprendizado musical no conservatório de Paris, onde estudou percussão, composição e harmonia. Celebrizou-se, principalmente, por compor trilhas das quais se destacam as parcerias com David Lean, que lhe renderam três prêmios Oscar: “Lawrence da Arábia” (1962), “Dr. Jivago” (1965) e “Passagem para a India” (1984). Recebeu também dois Globos de Ouro, de um total de quatro, pela melhor trilha sonora destes dois últimos filmes. Jarre compôs para teatro, concertos, óperas, balés e gravou seis CDs – o último em 2007, com o título de “Maurice Jarre: Tributo a David Lean”. 
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03/03/2012
ATAS DE MARUSIA
Miguel Littin (1975), com Gian Maria Volonté, Armando Acosta, Arturo Beristáin, Diana Bracho, MÉXICO, 110 min.

Sinopse
O filme conta a história do massacre dos trabalhadores da mina de salitre inglesa Marusia Mining Co., em 1925, pelo exército chileno. Adaptando o episódio para o ano de 1907, Miguel Littin realizou as filmagens em seu exílio no México, durante a ditadura de Pinochet. 
Uma greve se inicia após a morte de um funcionário britânico e a violenta repressão que se segue ao incidente. Os grevistas se organizam e exigem melhores salários e condições de trabalho. O líder Gregório Chasqui, interpretado pelo italiano Gian Maria Volonté (1933-94), incentiva os mineiros a utilizarem armas e dinamite contra a repressão. Para impedir o movimento de se estender a outras minas, o governo decide riscar a cidade do mapa. Já acuado pelo exército, Gregório compreende que, para se obter a vitória, é necessário conquistar alianças políticas e, acima de tudo, a unidade popular.
O Massacre de Marusia figura entre os mais conhecidos daquela época, no Chile. São eles: o da Escuela Santa María de Iquique (1907); o de San Gregorio (1921) e o de La Coruña (1925). Filme indicado ao Oscar, concorreu no Festival de Cannes, ganhou nove prêmios Ariel de Oro no México, além de ser premiado no Festival de Huelva (Espanha), todos em 1976.

Direção: Miguel Littín (1942- ) 
Miguel Ernesto Littín Cucumides estudou teatro na Universidade do Chile e, em 1968, tornou-se professor da universidade. Em 1971, o presidente Salvador Allende o nomeou diretor da estatal Chile Films e junto a essa instituição realizou o documentário “Compañero Presidente” (1971). Após o golpe militar, radicou-se no México, onde dirigiu “Atas de Marusia” (1975), além de uma série de outras obras que denunciavam as condições do povo chileno e a ditadura de Pinochet. Iniciou, com Luis Buñuel, um movimento pela afirmação de uma identidade para o cinema latino-americano, o que resultou no Festival do Cinema Iberoamericano de Huelva. Em 1985, Littin voltou clandestinamente ao Chile para realizar “Ata Geral do Chile” (1986). Seu retorno ao país foi registrado no livro "A Aventura de Miguel Littin Clandestino no Chile", de Gabriel García Márquez, fazendo com que o cineasta se tornasse ainda mais conhecido. Dirigiu, entre outros, "Allende: o Tempo da História" (1985), "Sandino" (1990), a produção italiana "Terra do Fogo" (2000), "Crônicas Palestinas" (2001) e “Dawson Ilha 10” (2009).

Argumento Original: Patricio Manns (1937- ) 
Escritor e compositor chileno. Iniciou seu trabalho como jornalista no periódico “La Patria”, mas foi em 1966, com o álbum “Entre Mar y Cordillera” e a canção “Arriba en la Cordillera” que se tornou famoso em seu país. Membro fundador do movimento "Nueva Canción Chilena", colaborou ativamente para as eleições presidenciais que levaram Salvador Allende à presidência. Se exilou em Cuba após o golpe militar, dando continuidade a sua carreira musical. Publicou, em 1974, o livro “Atas de Marusia”, no qual relata o massacre dos mineiros à partir de relatos de um sobrevivente. Publicou mais 11 livros, entre os quais “De Repente los Lugares Desaparecen” (1991), “Memorial de la Noche” (1998) “La Vida Privada de Emile Dubois” (2004).

Música Original: Mikis Theodorakis (1925- ) 
Começou a compor aos 12 anos quando participava do coral da escola e ganhou seu primeiro violino. Aos 18, em 1943, foi preso e torturado por integrar a resistência grega na 2ª. Guerra Mundial (até o final desta seria preso mais duas vezes). No mesmo ano, ingressou no Conservatório de Atenas, onde estudou até 1950, depois foi para Creta e fundou sua primeira orquestra. Seus principais trabalhos nesta época e durante a estadia em Paris (1954-59) foram: um concerto para piano, uma suite, sua primeira sinfonia, composições para balé, além das trilhas dos filmes "Ill met by Moonlight" (Michael Powell, 1957), "Luna de Miel" (Michael Powell. 1959) e o aclamado "Zorba, o Grego" (Michael Cacoyannis, 1964). Anos mais tarde, retornou à resistência para combater a “ditadura dos coronéis” (1967-74) e novamente foi preso. Iniciou-se então um amplo movimento internacional de artistas e intelectuais, como Arthur Miller, Laurence Olivier, Yves Montand, Dmitri Shostakovich, Leonard Bernstein, Harry Belafonte, e por fim ele foi libertado. Foi eleito duas vezes deputado (1981-86 e 1989-93) e nomeado ministro no governo de Constantinos Mitsotakis (1990-93). Em 1983, recebeu o Prêmio Lenin da Paz e, em 2000, foi indicado ao Nobel da Paz. Compôs também, entre outras, as trilhas de “Phaedra” (Jules Dassin, 1961), “Z” (Costa-Gavras, 1969), “Estado de Sítio” (Costa-Gavras, 1972), "Serpico" (Sidney Lumet, 1973), “Atas de Marusia” (Miguel Littin, 1975). 
Em 12 de fevereiro de 2012, Theodorakis publicou com Manolis Glezos, herói nacional grego que arrancou a bandeira nazista da Acrópole em 1941, uma Carta Aberta contra o massacre do país pelo sistema financeiro internacional.
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10/03/2012
CORONEL DELMIRO GOUVEIA
Geraldo Sarno (1976), com Rubens de Falco, Sura Berditchevsky, NIldo Parente, Jofre Soares, José Dumont e Isabel Ribeiro. BRASIL, 90 min.

Sinopse
O filme narra a trajetória de Delmiro da Cruz Gouveia, cearense, nascido em 1863, que aos 15 anos trabalhava como cobrador na ferrovia Brazilian Street Railways Company, no Recife, e aos 25 já estava bem situado no ramo de compra e venda de couros. Aos 36 consolida a reputação de empresário enérgico e inovador, com a criação do Mercado do Derby, conjunto de 264 lojinhas, primeiro shopping center do Brasil. Desavenças com velhos oligarcas o levam à prisão e à falência. Mas ele recomeça no interior de Alagoas. Em 1913 constrói a primeira hidrelétrica no São Francisco, inaugura uma fábrica de linhas de costura e a Vila Operária da cidade de Pedra. A Guerra Mundial de 1914 dificulta a chegada dos produtos ingleses à América do Sul. Delmiro conquista o mercado antes dominado pela Machine Cottons. Os ingleses enviam emissários. Ele nega-se a vender a fábrica ou associar-se. É assassinado em outubro de 1917. O pistoleiro, ninguém sabe, ninguém viu. Em 1929, a fábrica é comprada pela Machine, desmontada e suas peças lançadas nas corredeiras de Paulo Afonso.

Direção: Geraldo Sarno (1938- )
Diretor de cinema, roteirista, produtor e escritor, Geraldo Sarno é um destacado representante do cinema documental. Nasceu em Poções na Bahia. No inicio dos anos 60, quando estudava Direito na Universidade Federal da Bahia, tornou-se membro do Centro Popular de Cultura (CPC). Nesta época, inicia suas primeiras experiências cinematográficas com os companheiros de faculdade. Eram filmes sobre camponeses e revolução agrária, que misturavam documentário e ficção. Mais tarde realizou o célebre “Viramundo” (1965), sobre migrantes nordestinos em São Paulo, e como integrante da Caravana Farkas vários outros documentários sobre o povo brasileiro. Dirigiu cerca de 17 filmes, entre os quais; “Iaô” (1976), “Deus É Um Fogo” (1987). “Tudo Isto Me Parece Um Sonho” (2008), “Último Romance de Balzac” (2010). Seu “Coronel Delmiro Gouveia” recebeu o prêmio de Melhor Filme, no Festival de Cinema de Havana, e o Candango de Melhor Roteiro no Festival de Brasília (1978).

Argumento Original: Geraldo Sarno e Orlando Senna (1940- ) 
Orlando Sales de Senna nasceu em Afrânio Peixoto – Lençóis - Bahia. Estudou direito, cursou teatro, tornou-se jornalista. Em 1960 dirigiu documentários como “Imagem da Terra e do Povo” (produzido por Glauber Rocha) e “A Lenda Africana na Bahia”. Em 1970 trabalhou em São Paulo com o Teatro de Cordel. Além da parceria com Geraldo Sarno, Orlando trabalhou nos roteiros de “O Rei da Noite” (Hector Babenco, 1975), “Ópera do Malandro” (Rui Guerra, 1986) e “Quincas Berro D’Água” (Sérgio Machado, 2010). Em 1974 dividiu com Jorge Bodanzky a direção de “Iracema – Uma Transa Amazônica”, filme que permaneceu vários anos censurado e se tornou o grande vencedor do Festival de Brasília, em 1980. Orlando Senna foi Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura (2003-07), e diretor geral da TV Brasil (2007-08).

Musica Original: J. Lins (1947–2004) 
Jaceguay Monteiro Lins nasceu em Canhotinho, Pernambuco. Foi compositor, maestro, arranjador, escritor e poeta. No final dos anos 60, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde lecionou na Escola de Música Villa-Lobos. Entretanto, os acontecimentos políticos de 64, encerrariam prematuramente a sua carreira na Escola de Música. Demitido sob a acusação de subversão, compôs música para filmes ao longo da década de 70: ”Mãos Vazias” (Luís Carlos Lacerda, 1971), “Coronel Delmiro Gouveia” (Geraldo Sarno, 1976), “Virgem Camuflada” (Célio Gonlalves, 1979). “Bububu no Bobobó” (Marcos Farias, 1980), “Homem de Areia” (Vladimir de Carvalho, 1981) e outros. Nos anos 80, retomou, no Espírito Santo, a atividade acadêmica, passando também a reger a Orquestra Filarmônica daquele estado. Estudioso da cultura popular, foi peça chave na revitalização do congo capixaba. 
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17/03/2012
JOHNNY VAI A GUERRA
Dalton Trumbo (1970), com Timothy Bottoms, Donald Sutherland, Jason Robards, EUA, 108 min.

Sinopse
Único filme dirigido por Dalton Trumbo, o título original “Johnny Got His Gun” era um slogan utilizado para convocar os jovens norte-americanos a se alistarem nas Forças Armadas. O filme conta a história de um soldado que, ferido durante a 1ª Guerra Mundial, perde suas pernas e braços, assim como sua capacidade de ver, ouvir e se comunicar, mas não a de sentir e pensar. O filme pode ser considerado uma alusão aos soldados que perderam suas vidas na guerra, mas também uma metáfora sobre o macartismo, que a pretexto de “livrar os EUA da infiltração comunista” investia contra as bases do New Deal, perseguindo uma série de artistas como Charlie Chaplin, Lillian Hellman e o próprio Dalton Trumbo. O período da “caça às bruxas” durou, oficialmente, de 1946 a 1956, mas suas marcas se estendem até os dias de hoje. 
O filme foi vencedor do Prêmio Especial do Júri e do Prêmio da Crítica no Festival de Cannes (1971).

Direção e Argumento Original: Dalton Trumbo (1905-76) 
O roteirista e escritor americano James Dalton Trumbo começou a produzir argumentos e roteiros em 1936. Em 1940, seu trabalho em “Kitty Foyle” (Sam Wood, 1939) recebeu indicação para o Oscar na categoria de Melhor Roteiro Adaptado. 
Trumbo foi membro do Partido Comunista dos Estados Unidos da América do ano de 1943 até 1948. Seu nome integrou a lista dos “Hollywood Ten”, grupo de dez diretores e roteiristas condenados, em 1947, por se recusarem a delatar seus companheiros de trabalho ao Comitê de Atividades Antiamericanas do Congresso. O roteirista passou 11 meses em uma prisão federal no Kentucky, em 1950. 
Enquanto seu nome permanecia na lista negra, se mudou com a família para o México, onde escreveu quatro roteiros sob pseudônimo: “A Princesa e o Plebeu” (Willyam Wyler, 1953), “Areias Sangrentas” (Irving Rapper, 1956), “Exodus” (Otto Preminger, 1960) e “Spartacus” (Stanley Kubrick, 1960). Por insistência de Kubrick, que ameaçou abandonar a direção do filme antes de sua conclusão, o nome de Dalton Trumbo foi incluído nos créditos de “Spartacus”, quebrando um jejum que já durava 13 anos. Em 1993 a Academia deu a Trumbo o prêmio póstumo pelo argumento original de “A Princesa e o Plebeu”, vencedor do Oscar (1954), naquela categoria.

Música Original:Jerry Fielding (1922-80) 
Joshua Itzhak Feldman foi compositor de trilhas, músico e diretor de orquestra de Jazz. Estudou no Instituto Carnegie para Instrumentistas. Aos 17 anos, uniu-se à banda de Swing Alvino`s Ray Swing Band. 
Fieldings era membro do Mobilização dos Roteiristas de Hollywood. Foi convocado para interrogatório perante o Comitê de Atividades Antiamericanas, em dezembro de 1953. Fielding se apoiou na Quinta Emenda, recusando-se a divulgar o nome de seus colegas. Por isso, foi incluído na lista negra, o que o impediu de continuar trabalhando para a televisão e cinema. Durante esse tempo, trabalhou com orquestras e bandas de Jazz e lançou alguns álbuns pelo selo Decca Records, como “Sweet With a Beat” (1955) e “Fielding’s Formula” (1957). 
Em 1962, fez a trilha de “Tempestade sobre Washington” (Otto Preminger, 1962). Recebeu um Oscar por seu trabalho em “Straw Dogs” (Sam Peckinpah, 1971) e outro por “The Outlaw Josey Wales” (Clint Easwood, 1976). 
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24/03/2012
NADA DE NOVO NO FRONT
Lewis Milestone (1930), com Louis Wolheim, Lew Ayres, Paul Bäumer, John Wray, Arnold Lucy, EUA, 131 min.

Sinopse
Adaptação do romance de Erich Maria Remarque, "Nada de Novo no Front" conta a história de sete amigos que se apresentam como voluntários ao exército alemão, durante a 1ª. Guerra Mundial, movidos por uma campanha que encobria interesses imperialistas com apelos à defesa da pátria. Os jovens soldados logo descobrem a devastadora realidade da vida nas trincheiras. Paul Bäumer observa seus companheiros definharem rapidamente e, após uma ofensiva que quase o leva à morte, é enviado de volta à cidade natal. Lá, lhe pedem que faça um discurso “patriótico”, incentivando os estudantes a se juntarem à batalha. Ao invés disso, Paul faz uma declaração pela paz. 
"Nada de Novo no Front" mostra a realidade de uma guerra sem lado certo ou justificativa moral. Travada entre as potências imperialistas, com objetivo de promover a redivisão das esferas de influência colonial, a 1ª. Guerra Mundial (1914-18) deixou um saldo de 10 milhões de mortos e 30 milhões de feridos. Oscar de Melhor Filme e de Melhor Diretor, em 1930. Recebeu menção especial do comitê do Prêmio Nobel da Paz.

Direção: Lewis Milestone (1895–1980) 
Leib Milstein nasceu em Kishinev (Moldávia), território do então Império Russo. Queria ser ator, mas seus pais o mandaram à Alemanha, para cursar engenharia. Largou a escola e fugiu para os EUA em 1912. Alistou-se para lutar na 1ª. Guerra Mundial, em 1917. Dois anos mais tarde, ganhou cidadania americana, mudou o nome e começou a trabalhar com cinema. O primeiro filme dos mais de 50 que dirigiu foi “Seven Sinners” (1925). Ganhou o primeiro Oscar com a comédia “Dois Cavaleiros Árabes” (1927). Além de “Nada de Novo no Front" (1930), Milestone se destacou com “A Primeira Página” (1931); "Os Ratos e os Homens" (1939); o documentário "Our Russian Front" (1942), codireção de Joris Ivens; "Estrela do Norte" (1943). Depois da guerra, dirigiu "Arco do TrIunfo" (1948), "Os Miseráveis" (1952), foi perseguido pelo macartismo, entrou para a lista negra de Hollywood. Mudou-se para a Europa. No retorno aos EUA, lançou “Onze Homens e Um Segredo” (1960) e “O Grande Motim” (1962). O último pedido de Milestone antes de morrer, em 1980, foi que a Universal Studios restaurasse a versão original de “Nada de Novo no Front", pedido só atendido duas décadas mais tarde.

Argumento Original: Erich Maria Remarque (1898-1970) 
O escritor Erich Paul Remark nasceu em Osnabrück, Alemanha. Aos 18, se alistou no exército e combateu na 1a. Guerra Mundial. Quando escreveu “Nada de Novo no Front”, em 1929, passou a usar o pseudônimo de Erich Maria Remarque, adotando o nome “Maria” em homenagem à sua mãe. Em 1931, mudou-se para a Suiça. Escreveu mais alguns livros sobre a guerra e o pós-guerra que, em 1933, foram queimados pelos nazistas, com a justificativa de que o autor seria descendente de judeus franceses - a perseguição atingiu sua irmã, Elfried Showz, executada em 1943. 
Erich migrou para os EUA, em 1939. Em 1945, lançou mais uma obra que se tornou best seller, “Arco do Triunfo”, levado à tela, em 1948, por Milestone. Em 1954, publicou “Amar e Morrer”. Seu ultimo trabalho, “A Noite em Lisboa” (1962), vendeu 900 mil exemplares na Alemanha.

Música Original: David Broekman (1899-1958) 
Compositor de trilhas sonoras e regente, nasceu em Leiden, província da Holanda do Sul e estudou no Conservatório Real de Haia. Ainda quando jovem, dirigiu a Residentie Orchestra de Haia, e também a orquestra francesa Royal Opera.
Broekman possui diversas obras para orquestra, óperas, concertos para violino, piano e percussão. Entre suas trilhas mais conhecidas estão as compostas para os filmes "O Mergulhador" (Frank Capra, 1928), "Nada de Novo no Front" (Lewis Milestone, 1930), "Frakenstein" (James Shake, 1931), "Dirigível" (Fank Capra, 1931), "Glamour" (William Wyler, 1935).
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31/03/2012
O RETORNO DE MAXIM
Grigori Kozintsev e Leonid Trauberg (1937), com Boris Tchirkov, Valentina Kibardina, Mikhail Tarkhanov, Stepan Kajukov, URSS, 113 min.

Sinopse
O filme é o segundo da trilogia realizada por Grigori Kozintsev e Leonid Trauberg, que começa com “Juventude de Maxim” (1935) e termina com “Distrito Viborg” (1939). Maxim é o operário russo que acompanha o movimento histórico. Em 1910, apaixonado por Natasha, adere ao bolchevismo, empenha-se na luta clandestina e acaba preso. Em 1914, atua em greves e manifestações contra a guerra, e ingressa no Exército para prosseguir a luta no seu interior. Depois da Revolução de Outubro, torna-se o comissário encarregado da direção de um banco nacionalizado. Esses três momentos fornecem o tema desenvolvido em cada obra da trilogia. Na 1ª. Guerra Mundial (1914-18), a Rússia compôs com a França, Inglaterra - e, depois de 1917, com os EUA - um bloco que se bateu contra a aliança entre Alemanha, Império Austro-Húngaro e Império Turco-Otomano numa sangrenta disputa pela obtenção de novos mercados e fontes de matérias-primas. No Congresso da Basiléia (1912), os 555 delegados da Internacional Socialista votaram por unanimidade resolução que convocava os trabalhadores a uma “luta decidida pela paz”, contra os “objetivos espoliadores da guerra preparada pelos imperialistas”. Caso esta eclodisse, a resolução defendia a oposição frontal ao esforço de guerra. Com a aproximação do conflito, a maioria dos partidos da 2ª. Internacional foi se amoldando aos interesses expansionistas das burguesias de seus respectivos países. Na Rússia, o partido de Lenin manteve-se fiel à resolução.

Direção e Argumento Original: Grigori Kozintsev (1905-73) e Leonid Trauberg (1902-90) 
Originários de diferentes regiões da Ucrânia, Grigori Kozintsev e Leonid Trauberg se encontraram em Petrogrado (Leningrado, São Petersburgo), em 1922, onde criaram a Fábrica do Ator Excêntrico (FEKs), iniciando uma parceria de mais de 20 anos que redundou na realização de 12 filmes escritos e dirigidos a quatro mãos. “As Aventuras de Oktyabrina” (1924), “Nova Babilônia” (1929), “Solidão” (1931), “Juventude de Maxim” (1935), “O Retorno de Maxim” (1937), “Distrito Viborg” (1939), “As Nossas Meninas” (1943) são alguns desses títulos. Kozintsev e Trauberg são considerados dois dos diretores mais bem-sucedidos na transição de um estilo avant-garde, fortemente marcado pelo expressionismo, para o realismo socialista, na década de 30. Como obras solo, o primeiro dirigiu, já no período krushevista em que ambos se dedicaram a lecionar, “Don Quixote” (1957), “Hamlet” (1963), “Rei Lear” (1971). O segundo realizou quatro filmes, entre os quais “Havia Soldados” (1958) e “Almas Mortas” (1960). Kozintzev foi nomeado Artista do Povo, em 1964, e Trauberg recebeu o Prêmio Stalin (1941).

Música Original: Dmitri Shostakovitch (1906-75) 
Dmitri Dmitriyevich Shostakovich estudou piano com Leonid Nikolaiev e composição com Steinberg e Glazunov. Sua primeira sinfonia foi escrita em 1926, aos 19 anos, como tese de conclusão do curso no Conservatório de Leningrado. 
Com uma música envolvente que ultrapassou fronteiras, Shostakovich foi celebrado em prosa e verso na URSS e criou uma obra que impressiona pela qualidade e quantidade: 15 sinfonias; 6 concertos para piano, violino e violoncelo; suas Danças Fantásticas; 24 prelúdios para piano; 24 prelúdios e fugas para piano; 2 sonatas; 8 quartetos de cordas, diversas obras de música de câmara, 3 óperas e mais de 100 trilhas para cinema. 
Curiosamente, nove entre dez sites relacionados pelo Google apresentam o compositor como vítima de intensa perseguição, durante a Era Stalin (1927-53), que o teria levado inclusive a desenvolver “impulsos suicidas”. De objetivo, há duas críticas desfavoráveis no Pravda, em 1936, à ópera “Lady Macbeth” e ao balé “O Límpido Regato”, e menções esparsas de “formalismo” feitas, em 1948, por Andrei Zhdanov, presidente do Soviete Supremo (1946-47). De fato, deve ter sido uma perseguição insuportável para quem recebeu nove prêmios Stalin entre 1941 e 1952, e foi especialmente convidado para compor a trilha do maior épico da cinematografia soviética “A Queda de Berlim” (Mikhail Chiaurelli, 1949), além de ser eleito deputado ao Soviete Supremo, em 1951. 
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. 07/04/2012
LENIN EM OUTUBRO
Mikhail Romm (1937), com Boris Shchukin, Nikolai Okhlopkov. Yelena Shatrova, Vasili Vanin, URSS, 108 min.

Sinopse
Neste clássico de Mikhail Romm, estamos em 1917. A Frota do Báltico e unidades do Exército estão sublevadas contra o governo Kerenski, unindo as vozes às dos operários e camponeses que exigem paz: a saída da Rússia da guerra mundial. Lenin chega a Petrogrado num trem vindo da Finlândia e na reunião do Comitê Central, de 10 de outubro, derrota as resistências de Zinoviev, Kamenev e Trotsky para deflagrar a insurreição. Paralelamente, as forças contrarrevolucionárias organizam uma caçada para matar o líder dos bolcheviques. Os acontecimentos se precipitam em ritmo veloz até o momento final: sob as bandeiras de “Pão, Paz e Terra!” e “Todo Poder aos Sovietes!”, a Revolução de Outubro triunfa. 
O filme termina aí, não a guerra. Só em março de 1918, após isolar a oposição de Bukharin e Trotsky, Lenin pôde cumprir o compromisso de retirar a Rússia da guerra imperialista, mesmo tendo que ceder territórios à Alemanha. O ato selou a confiança dos trabalhadores, soldados e marinheiros nos bolcheviques, e garantiu apoio ao poder soviético depois que as tropas da intervenção anglo-franco-nipo-polaca reforçaram os exércitos brancos que visavam restaurar a velha ordem. A guerra civil que ocorreu nessa fase durou mais de 30 meses e terminou em novembro de 1920.

Direção: Mikhail Romm (1901-71) 
Mikhail Romm Ilich nasceu na cidade siberiana de Irkutsk, serviu no Exército Vermelho durante a guerra civil, graduou-se em escultura pelo Instituto Artístico-Técnico de Moscou. Em 1931 ingressou no Mosfilm Estúdio, atuou como produtor e diretor. No Instituto de Cinematografia Gerasimov (VGIK), desde 1962, foi professor de proeminentes cineastas como Andrei Tarkovsky, Grigori Chukhrai, Gleb Panfilov, Elem Klimov. Realizou 18 longas-metragens, entre os quais “Treze” (1936), “Lenin em Outubro” (1937), “Lenin em 1918” (1939), “Sonho” (1941), “Garota nº. 217” (1945), “Missão Secreta” (1950), “Nove Dias em Um Ano” (1962), “Fascismo Comum” (documentário, 1965). Recebeu o Prêmio Stalin nos anos de 1941, 1946, 1948, 1949, 1951. De seu filme “Sonho” disse o presidente Franklin Roosevelt: “é um dos maiores do mundo”.

Argumento Original: Alexei Kapler (1903-79) 
Natural de Kiev, Aleksei Yakovlevich Kapler foi roteirista, ator, escritor, além de âncora e diretor do programa de TV “Kinopanorama” (1966-72). Em 1941, foi agraciado com o Prêmio Stalin. Entre os roteiros que assinou estão: “Lenin em Outubro” (Mikhail Romm, 1937), “Lenin em 1918” (Mikhail Romm, 1939), “Um Bom Camarada” (Boris Barnet, 1942), “Dia Após Dia” (documentário, Mikhail Slutsky, 1943), “Homem Anfíbio” (Vladimir Chebotaryov, 1962), “O Pássaro Azul” (George Cukor, 1976). Conta a lenda que, em desaprovação ao romance com sua filha Svetlana, Stalin enviou Kapler a um campo de trabalhos forçados (Vorkuta), em 1943. Mas a condenação foi por espionagem. Ainda que em favor dos aliados ingleses, a atividade não era bem vista na época. Kapler ocupou esse tempo trabalhando como fotógrafo.

Música Original: Anatoli Alexandrov (1888-1982) 
Nascido em Moscou, Alexandrov completou os estudos de piano e composição no Conservatório daquela cidade, em 1916. Participou da 1ª. Guerra Mundial e lutou no Exército Vermelho, durante a Guerra Civil. Apresentou-se como concertista, anos seguidos, até 1974. Compôs sonatas para piano, obras para quarteto de cordas, óperas, canções e mais de 150 peças infantis. No cinema dedicou-se principalmente às trilhas para desenhos animados. "O Conto do Czar Durandae" (Zinaida e Valentina Brumberg, 1934), "Ivashko e Baba Yaga" (Zinaida e Valentina Brumberg, 1939), "Sarmiko" (Olga Khodataeva e Eugene Raikovski, 1952), "Irmã e Irmão Alyonushka Ivanushka" (Olga Khodataeva e Vladimir Danilov, 1953) são algumas que assinou. Escreveu as músicas de dois filmes de Mikhail Romm - “Treze” (1936), “Lenin em Outubro” (1939) - e do épico romântico “História do Norte” (Eugene Andrikanis, 1960). 
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14/04/2012
CHAPAYEV
Georgi e Sergei Vasilyev (1934), com Boris Babochkin, Boris Blinov, Varvara Myasnikova, Leonid Kmit, URSS, 93 min.

Sinops
O que “Potemkim” foi para o cinema mudo, em 1925, “Chapayev” representou dez anos depois para o jovem cinema sonoro da URSS. Como “Potemkin”, “Chapayev” se baseia em fatos reais. Mas ao invés de se fixar na ação das massas, o filme a condensa na trajetória de um herói da guerra civil, Chapayev, que comandou a 25ª. Divisão do Exército Vermelho contra as tropas brancas de Kolchak, na Sibéria, durante os anos 1918-19, antes de cair em combate. Seu tema principal é o choque entre as personalidades e saberes do camponês Chapaiev e do comissário político bolchevique, Furmanov, encaminhado para aconselhá-lo e ajudá-lo. “Chapayev” foi um dos primeiros filmes lançados após o 1º. Congresso de Escritores Soviéticos no verão de 1934, onde Gorki apresentou sua ideia de um “realismo socialista”, contrastando-o com o “realismo crítico” do Século 19 que “se limitava a expor as imperfeições da sociedade”. Para ele, o compromisso maior do novo realismo era com o “desenvolvimento do povo” e a luta pela superação de suas contradições internas. 
O filme teve mais de 30 milhões de espectadores no primeiro ano de exibição.

Direção: Georgi Vasilyev (1899–1946) e Sergei Vasilyev (1900–1959) 
Georgi e Sergei Vasilyev começaram no cinema como técnicos, trabalhando horas a fio na sala de montagem. Dirigiram, em 1928, o documentário “Heroísmo sobre o Gelo”. Em “A Bela Adormecida” (1930), assinaram pela primeira vez como Irmãos Vassilyev. Embora nunca tenham sido parentes, a coincidência de sobrenomes alimentava o mito. Realizaram, na sequência, “Um Assunto Pessoal” (1932), “Chapayev” (1935), “A Defesa de Volotchayevsk” (1937), “Defesa de Tsaritsin” (1942). O último filme que dirigiram juntos, “Front” (1943), é baseado na peça teatral de Alexander Korneichuk, que aborda o conflito entre antigos e jovens generais na frente ucraniana. Sergei Vasilyev dirigiu também “Heróis de Shipka” (1954) e “Dias de Outubro” (1958). A dupla recebeu a Ordem Lenin (1935) e o prêmio Stalin (1941 e 1942).

Argumento Original: Dimitri Furmanov (1891-1926) 
“Muitos eram mais arrojados e inteligentes, melhores militares e homens de maior consciência política, porém o nome deles foi esquecido, enquanto o de Chapayev vive e viverá por muito tempo nas lendas, pois saiu das entranhas do povo e reunia em si, de modo surpreendente, tudo o que podia encontrar-se, ainda que disperso, na personalidade e no caráter de seus companheiros de armas". Assim escreveu o comissário político Dimitri Furmanov ao transportar suas aventuras com Chapayev para um romance, escrito em 1924, que se tornou extremamente popular na URSS. Em 1932, a viúva de Furmanov sugeriu aos estúdios Lenfilm a realização da película. A sensação de espontaneidade que ela transmite foi obtida através de intenso esforço dos diretores, que por dois anos escreveram e reescreveram dezenas de vezes as cenas do roteiro.

Música Original: Gavril Popov (1904-72) 
Estudou no Conservatório de Leningrado de 1922 até 1930. Com uma invenção melódica e instrumental enraizada na música folclórica russa, Popov compôs peças para coral, piano, escreveu óperas, música de câmara e sinfonias. Realizou mais de 20 trilhas para obras cinematográficas, entre as quais: “Chapayev” (1935), “Prado de Bezhin” (Eisenstein, 1937), “Front” (Irmãos Vassilyev, 1943), “Ela Defende a Pátria” (Fridrikh Ermler, 1943), “História Inacabada” (Fridrikh Ermler, 1956), “Os Cossacos” (Vasili Pronin, 1961). 
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21/04/2012
DISTRITO VYBORG 
Grigori Kozintsev e Leonid Trauberg (1939), com Boris Tchirkov, Valentina Kibardina, Mikhail Tarkhanov, Stepan Kajukov, URSS, 105 min.

Sinopse
1918, primeiros dias. Em Petrogrado há fome, ataques a armazéns, a contrarrevolução procura semear o caos, os banqueiros transferem milhões de rublos para o exterior. No bairro operário de Vyborg, centro da Revolução de Outubro, o clima é de apreensão. O aguerrido bolchevique Maxim recebe a missão de estabelecer o bom funcionamento do Banco do Estado. Para enfrentar a sabotagem de funcionários que escondem papéis importantes, ele precisa aprender as normas do comércio bancário. Com um grupo de guardas vermelhos, consegue restaurar a ordem no estabelecimento, desmonta um complô de oficiais brancos para assassinar Lenin no dia da dissolução da Assembleia Constituinte, restabelece o ânimo no Distrito Vyborg, coloca a sua assinatura nas primeiras estimativas de receitas e despesas do Estado soviético, beija Natasha e parte para outras aventuras.

Direção e Argumento Original: Grigori Kozintsev (1905-73) e Leonid Trauberg (1902-90) 
Originários de diferentes regiões da Ucrânia, Grigori Kozintsev e Leonid Trauberg se encontraram em Petrogrado (Leningrado, São Petesburgo), em 1922, onde criaram a Fábrica do Ator Excêntrico (FEKs), iniciando uma parceria de mais de 20 anos que redundou na realização de 12 filmes escritos e dirigidos a quatro mãos. “As Aventuras de Oktyabrina” (1924); “Nova Babilônia” (1929); “Solidão” (1931); Trilogia de Maxim - "Juventude de Maxim (1935), "O Retorno de Maxim" (1937), "Distrito Viborg” (1939); “As Nossas Meninas” (1943) são alguns desses títulos. 
Kozintsev e Trauberg são considerados dois dos diretores mais bem-sucedidos na transição de um estilo avant-garde, fortemente marcado pelo expressionismo, para o realismo socialista, na década de 30. Como obras solo, o primeiro dirigiu, já no período kruschevista em que ambos se dedicaram a lecionar, “Don Quixote” (1957), “Hamlet” (1963), “Rei Lear” (1971). O segundo realizou quatro filmes, entre os quais “Havia Soldados” (1958) e “Almas Mortas” (1960). Kozintzev foi nomeado Artista do Povo, em 1964, e Trauberg recebeu o Prêmio Stalin (1941).

Música Original: Dmitri Shostakovitch (1906-75)
Dmitri Dmitriyevich Shostakovich estudou piano com Leonid Nikolaiev e composição com Steinberg e Glazunov. Sua primeira sinfonia foi escrita em 1926, aos 19 anos, como tese de conclusão do curso no Conservatório de Leningrado.
Com uma música envolvente que ultrapassou fronteiras, Shostakovich foi celebrado em prosa e verso na URSS e criou uma obra que impressiona pela qualidade e quantidade: 15 sinfonias; 6 concertos para piano, violino e violoncelo; suas Danças Fantásticas; 24 prelúdios para piano; 24 prelúdios e fugas para piano; 2 sonatas; 8 quartetos de cordas, diversas obras de música de câmara, 3 óperas e mais de 100 trilhas para cinema. 
Curiosamente, nove entre dez sites relacionados pelo Google apresentam o compositor como vítima de intensa perseguição, durante a Era Stalin (1927-53), que o teria levado inclusive a desenvolver “impulsos suicidas”. De objetivo, há duas críticas desfavoráveis no Pravda, em 1936, à ópera “Lady Macbeth” e ao balé “O Límpido Regato”, e menções esparsas de “formalismo” feitas, em 1948, por Andrei Zhdanov, presidente do Soviete Supremo (1946-47). De fato, deve ter sido uma perseguição insuportável para quem recebeu nove prêmios Stalin entre 1941 e 1952, e foi especialmente convidado para compor a trilha do maior épico da cinematografia soviética “A Queda de Berlim” (Mikhail Chiaurelli, 1949), além de ser eleito deputado ao Soviete Supremo, em 1951. 
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28/04/2012
TEMPESTADE SOBRE A ÁSIA
Vsevolod Pudovkin (1928), com Valéry Inkijinoff, I. Inkizhinov, I. Dedintsev, URSS, 126 min.

Sinopse
Faltava a Pudovkin um mês para terminar “O Fim de São Petersburgo” (1927), quando começou a trabalhar neste clássico do cinema mudo – uma fábula épica sobre um pastor que se transforma em líder anticolonial. Valeri Inkijinoff, que tinha sido seu colega na Escola de Cinema do Estado, interpreta o herói sem nome, um mongol que aprendeu a desconfiar dos capitalistas, quando um mercador Ocidental lhe rouba uma pele rara de raposa prateada. Estamos em 1918, e o mongol se alia a guerrilheiros do Exército Vermelho que lutavam na frente Oriental contra as forças do Exército Branco (Kolchak, Ungern-Sternberg e britânicos) que ocuparam áreas da Sibéria e Mongólia durante a Guerra Civil Russa. Capturado e condenado à morte, o mongol é salvo por um talismã antigo que traz consigo e, segundo o qual, o seu proprietário é descendente de Ghengis Khan. Os invasores resolvem fazer dele um rei fantoche, mas, ao rever entre eles o mercador, o mongol desperta e conduz o seu povo à vitória.

Direção: Vsevolod Pudovkin (1893-1953) 
O teórico e cineasta soviético Vsevolod Illarionovitch Pudovkin, que se tornou conhecido por interpretar de forma visual as motivações internas dos personagens de suas obras, considerava a montagem como o clímax do trabalho criador do diretor de cinema. Desde seu primeiro curta, a comédia “Febre de Xadrez” (1924), dirigiu 18 filmes, entre os quais obras-primas como “A Mãe” (1926), “O Fim de São Petersburgo” (1927), “Tempestade sobre a Ásia” (1928), “Em Nome da Pátria” (1943), “O Retorno de Vasili Bortinikov” (1953). Como ator, trabalhou em 13 filmes.

Argumento Original: Ivan M. Novokshonov (1896-1943) 
De família camponesa Novokshonov não chegou a concluir os estudos secundários da escola industrial em Glaskova, na província de Irkutsk (sudeste siberiano). Após a revolução de fevereiro de 1917, ingressou no Partido Bolchevique. Durante a guerra civil, lutou como comandante de regimento na região Trans-Baikal, à leste de Irkutsk. Entre 1925 e 1926, escreveu no jornal “Pravda Buryat-Mongol” e nas revistas “Sete Dias”, “Mó”, “Komsomolets” e outras. Em 1927 publicou “Anym, O Grande”, “In Memorian de Outubro” e a história “Horror Taiga”. Em 1928 escreveria o romance que Pudovkin transformou em filme, com o título original de “O Descendente de Ghengis Khan”.

Música Original: Nikolai Kryukov (1908-61) 
Formou-se em 1932, na Faculdade de Música de Moscou. Em 1930 foi editor da “Rádio União”. Assumiu em 1931 a direção musical do estúdio "Mosfilm". Entre suas principais obras estão as sinfonias nº. 1 e nº. 2, a cantata épica “Lenda da Terra Siberiana” e a “Suíte Para Temas Folclóricos da Bielorússia”. Realizou mais de 40 trilhas para filmes, entre os quais, “Lenin em 1918” (Mikhail Romm, 1939), “A História de Um Homem de Verdade” (A. Stolper, 1948), “O Quarenta e Um” (Grigori Chukrai, 1956), “A Carta que Nunca Foi Enviada” (Mikhail Kalatozov, 1959). Em 1949 compôs a música definitiva de “Tempestade Sobre a Ásia” (Pudovkin, 1928) e no ano seguinte a de “Encouraçado Potenkim” (Eisenstein, 1925). 
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05/05/2012
ROSA LUXEMBURGO
Margarethe Von Trotta (1983), com Barbara Sukowa, Daniel Olbrychski, Otto Sander, ALEMANHA, 126 min.

Sinopse
Nascida na Polônia, doutora em Ciências Econômicas, Rosa Luxemburgo ingressou, em 1898, no Partido Social-Democrata alemão, o maior da 2ª. Internacional. Em 1914, foi sentenciada a um ano de prisão. Sua defesa, uma condenação da guerra e do imperialismo, foi publicada com o título de "Militarismo, Guerra e Classe Operária". Em 4 de agosto de 1914, a bancada socialdemocrata do parlamento (Reichstag) votou a favor dos créditos de guerra. Em dezembro, o deputado Karl Liebknecht votou sozinho contra nova concessão desses créditos. Liebknecht e Luxemburgo fundaram, então, o Grupo Internationale, que se transformaria na Liga Espartaquista. Em 1915, Luxemburgo foi de novo condenada por agitação antimilitarista. Em 28 de outubro de 1918, cai o governo do Kaiser, os socialdemocratas assumem o poder e fundam a República de Weimar. A rendição da Alemanha, em 11 de novembro, se dá num quadro de profunda crise interna. Luxemburgo deixa a prisão e dá continuidade à agitação revolucionária, dirigindo o jornal “A Bandeira Vermelha” e fundando, com Liebknecht, o Partido Comunista da Alemanha, enquanto conflitos armados sacodem as ruas de Berlim. Em 15 de janeiro de 1919, Luxemburgo e Liebknecht foram levados para interrogatório no Hotel Éden. Seus assassinos jamais foram julgados. Somente em 1999, uma investigação governamental admitiu que as tropas receberam ordens dos governantes socialdemocratas para matá-los.

Direção e Argumento Original: Margarethe Von Trotta (1942- )
Natural de Berlim, Margarethe Von Trotta iniciou sua carreira em 1965 no Teatro de Stuttgart e estreou no cinema em 1967 no filme “Tränen Trocknet der Wind”, de Heinz Gerhard Schier. Foi uma das atrizes mais destacadas do Novo Cinema Alemão, tendo atuado, até 1981, em cerca de 15 filmes (quatro dos quais dirigidos por Rainer Fassbinder). Em 1975 tornou-se roteirista e diretora ao assinar com o marido, Volker Schlöndorff, “A Honra Perdida de Katharina Blum”. Realizou 23 obras para cinema e televisão entre as quais. “Os Anos de Chumbo” (1981), "Rosa Luxemburgo" (1986), “As Mulheres de Rosenstrasse” (2003). Entre as premiações destacam-se o Leão de Ouro no Festival de Veneza (Itália, 1981), o David di Donatello (Itália, 1981 e 2004); o Prêmio de Melhor Filme da Academia da Alemanha (1986); o Prêmio do Júri Ecumênico e do Público no Festival de Montreal (Canadá, 1993).

Música Original: Nicolas Economou (1953-93) 
Nicolas Economou, compositor e concertista, nasceu em Nicósia, Chipre. Escreveu música para piano, conjuntos de câmara, música sinfônica e música para cinema. Compôs a trilha musical de 12 filmes, incluindo “Os Anos de Chumbo” (1981) e "Rosa Luxemburgo" (1986), de Margarethe Von Trotta, “Marlene” (Maximilian Schell, 1984), “Chekov em Minha Vida” (documentário, Vadim Glowna, 1985), “Quarantäne” (Nico Hofmann,1989). 
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12/05/2012
O OVO DA SERPENTE 
Ingmar Bergman (1977), com David Carradine, Liv Ullmann, Heinz Bennet, ALEMANHA/EUA, 120 min.

Sinopse
Berlim, novembro de 1923, mês e ano do fracassado putsch de Munique, que levou Hitler à prisão. 
Quatro anos após os assassinatos de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, que expressaram a adesão da socialdemocracia ao banditismo, e a falência moral da República de Weimar, Abel Rosenberg é um trapezista desempregado, que descobriu recentemente que seu irmão, Max, se suicidou. Logo ele encontra Manuela, sua cunhada. Juntos eles sobrevivem com dificuldade à violenta recessão econômica que abala o país. Sem compreender as transformações e as lutas políticas em curso, eles aceitam trabalhar em uma clínica clandestina que realiza experiências com seres humanos, em nome da supremacia ariana. Lá começam a encontrar respostas para o suicídio de Max. Neste ambiente de caos o “ovo da serpente” vai sendo chocado para eclodir mais tarde, trazendo à luz a fera nazista.

Direção e Argumento Original: Ingmar Bergman (1918-2007) 
Ernest Ingmar Bergman, dramaturgo e cineasta sueco, dirigiu 45 longas e vários filmes para televisão, cujos argumentos via de regra levam sua assinatura. É autor de clássicos como “Noites de Circo” (1953), “O Sétimo Selo” (1956), “Morangos Silvestres” (1957), “O Silêncio” (1963), “Gritos e Sussurros” (1972), “Fanny e Alexandre” (1982). Ao longo de sua carreira ganhou quatro vezes o Prêmio Bodil de Melhor Filme Europeu; um Urso de Ouro, no Festival de Berlim; o Prêmio Especial do Júri e duas vezes o Leão de Ouro, no Festival de Veneza; o Prêmio do Júri, o de Melhor Realizador e a Palma das Palmas, no Festival de Cannes; recebeu três indicações ao César, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, uma ao Globo de Ouro, como Melhor Realizador, duas ao BAFTA, de Melhor Filme; três prêmios Oscar, de Melhor Filme em Língua Estrangeira, três indicações ao Oscar de Melhor Realizador e cinco na categoria de Melhor Argumento Original.

Música Original: Rolf A. Wilhelm (1927- ) 
Rolf Alexander Wilhelm, que também assina como John Williams, nasceu em Munique. Em 1942, ingressou na Academia de Música de Viena, com a idade de 15 anos, onde aprendeu composição. Realizou mais de 50 trilhas para filmes de todos os gêneros, entre os quais “15/08: A Guerra” (Paul de Maio, 1956), “Tonio Kröger” (Rolf Thiele,1964), “Die Nibelungen - I” (Harald Heinl, 1966) “Die Nibelungen - II” (Harald Heinl, 1967), “A Sala de Aula Voadora” (Werner Jacobs, infantil, 1973), “O Ovo da Serpente” (Ingmar Bergman, 1977), “Ödipussi” (Loriot, 1988), “Pappa Ante Portas” (Loriot, 1991). Compôs também para televisão, teatro e novelas de rádio. 
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19/05/2012
ESTRADA PARA A VIDA
Nikolai Ekk (1931), com Nikolai Batalov, Mikhail Zharov, Yvan Kyrlya, URSS, 95 min.

Sinopse
Primeiro filme sonoro soviético, “Estrada Para a Vida” se inspira no trabalho teórico e prático do pedagogo soviético, nascido na Ucrânia, Anton Makarenko (1888-1939), que à frente das colônias Gorki e Dzerzhinsky, nos anos 20 e 30, desenvolveu um método de ensino e socialização de jovens que haviam vivido na marginalidade, cuja base era a vida em comunidade, trabalho, disciplina e a participação dos internos na organização da escola. Para a recém-fundada República Soviética, essa recuperação tinha, além do sentido humanitário e social, um caráter político. Se tratava, como afirmava Felix Dzerzhinsky, de impedir que os jovens delinquentes continuassem a servir como massa de manobra da contrarrevolução. 
O tema do filme é a reabilitação de gangues de meninos que vagavam pelas ruas, em 1923, pouco após o término da guerra civil. As lealdades dos jovens estão divididas entre Zhigan, que exorta-os a continuar ladrões, e Sergeev, o chefe de uma escola-comuna. “Estrada Para a Vida” ganhou o prêmio de Melhor Direção, no Festival Internacional de Veneza (1932). As dedicatórias poéticas apresentadas na introdução e no final do filme são interpretadas por Basil Katchalov.

Direção: Nikolai Ekk (1902-76) e A. Stolper (1907-79) 
Nikolai Vladimirovich Ekk nasceu em Riga (Letônia). Estudou interpretação e direção de teatro em Moscou. Nos anos 1928-36 comandou o estúdio "Mezhrabpomfilm" - atual Estúdio Gorki. Entre os obras cinematográficas que dirigiu estão o primeiro filme sonoro soviético, “Estrada Para a Vida” (1931), e o primeiro em cores, “Grunya Kornakova” (1936), além de “A Feira de Sorochinsk” (1939), “Noite de Maio” (1941) e "O Homem da Luva Verde" (1968) – realizado em 3D. Trabalhou também como ator, escritor e diretor de teatro.

Argumento Original: Nikolai Ekk (1902-76) e A. Stolper (1907-79) 
Aleksandr Stolper é natural de Dvinskk (Lituânia). De 1923 a 1925 estudou na faculdade de formação de atores do Proletkult. A partir de 1927 trabalhou como cenógrafo no estúdio Soyuzkino, em Moscou. Em 1938 diplomou-se na faculdade de realizadores do Instituto de Cinematografia Gerasimov (VGIK). A partir de 1968 passou a dar aulas de direção de arte naquela instituição. Entre os principais filmes que dirigiu estão “Espere por Mim” (1943), “A História de um Homem de Verdade” (1948), “Longe de Moscou” (1959), “Os Vivos e os Mortos” (1963).

Música Original: Yakov Stollyar (1890-1962) 
Formou-se no Conservatório de Moscou, em 1927. Compôs as óperas “Amran” (1929); e “Rio de Felicidade” (1949), sinfonias, sonatas e obras para voz e piano, como “Ciclos de Canções do Uzbequistão”(1942-44). Escreveu trilhas para teatro: “Suíte Ucraniana” e “Comandante Suvorov”, ambas em 1940. Compôs as músicas de quatro filmes de Nikolai Ekk: “Estrada Para a Vida” (1931), “Grunya Kornakova” (1935), “Carnaval de Cores” (1935), “A Feira de Sorochinsk” (1939). Assina também a trilha musical de “Pedras Azuis” (Mark Donskói e Vladimir Braun, 1940). 
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26/05/2009
O JURAMENTO
Mikhail Chiaurelli (1946), URSS, com Sofiya Giatsintova, Mikhail Gelovani e Nikolai Bogolyubov, 106 min.

Sinopse
Centrado na saga da família Petrov, o filme apresenta as diversas fases percorridas pelo desenvolvimento da URSS, e os agudos conflitos políticos originados por interesses de classe antagônicos, quanto aos caminhos a serem trilhados, desde a morte de Lenin até o final da 2ª. Guerra Mundial. A presença de Stalin, em diversos momentos da narrativa, provoca indisfarçável irritação nos críticos que gostariam de poder bani-lo da vida e da história da União Soviética, como se isso fosse possível. “O Juramento” ganhou Medalha de Ouro no Festival Internacional de Veneza (1946).

Direção: Mikhail Chiaurelli (1894-1974) 
Mikhail Edisherovich Chiaurelli nasceu em Tbilisi (Geórgia). Em 1916 se formou na Escola de Pintura e Escultura, em Tbilisi. Na mesma cidade atuou na organização do Teatro de Sátira Revolucionária (1926-27), foi ator e diretor de Krasny Proletkult Theatre (1926-28) e diretor-artístico do Teatro Georgiano de Comédia (1928-41). Em 1928, tornou-se diretor de cinema do Goskinprom Estúdio. Seu filme mudo “Khabarda" (1931), uma comédia popular, ganhou aclamação da crítica. Em seguida realizou uma série de filmes históricos revolucionários, marca mais característica de seu trabalho: “A Última Máscara” (1934), “Arsen” (1937), “O Grande Brilho” (1938), “Georgii Saakadze” (1942, 1943), “O Juramento” (1946), “A Queda de Berlim” (1950), “O Ano Inesquecível de 1919” (1952). Após a morte de Stalin, interpretado em várias dessas películas pelo ator Mikhail Gelovani, também georgiano, Chiaurelli foi atingido pelos ventos kruschevistas, ficando seu trabalho restrito a produções de baixo orçamento. Durante a última década da vida dedicou-se ao cinema de animação.

Argumento Original: Mikhail Chiaurelli (1894-1974) e Pyotr Pavlenko (1899-1951)
Pyotr Andreyevich Pavlenko nasceu em Petrogrado e estudou na Politécnica de Baku. Em 1920 iniciou o trabalho político no Exército Vermelho e continuou esse trabalho na Transcaucásia. Publicou seus primeiros contos e ensaios em 1928, entre eles as “Coleções de Histórias da Ásia”. Suas viagens no Oriente soviético forneceram-lhe material para superar a herança do romantismo oriental. A nova abordagem se refletiu na novela “O Deserto” (1931). No romance “As Barricadas” (1932), cujo tema é a Comuna de Paris, alcançou a técnica realista na qual vinha trabalhando. Atuou também como jornalista e correspondente de guerra. Entre 1942 e 1943, foi presidente da Comissão de Defesa da União de Escritores. Seu principal romance, “Felicidade” (1947), narra a história de um veterano de guerra ferido que vai para a Criméia com a esperança de uma vida calma. Colaborou em argumentos e roteiros de filmes de alguns dos mais destacados diretores soviéticos: “Alexandre Nevsky” (Eisenstein, 1938), “Yakov Sverdlov” (B.M. Levin, 1940), “Um Bom Rapaz” (Boris Barnet, 1941), “O Juramento” (Mikhail Chiaurelli, 1946), “A Queda de Berlim” (Mikhail Chiaurelli, 1950), “O Compositor Glinka” (Grigori Alexandrov, 1953).

Música Original: Andrei Balanchivadze (1902-82) 
Nascido em Petrogrado, filho do compositor georgiano Melliton Balanchivadze (1862-1937), estudou no Conservatório de Tbilisi e graduou-se no Conservatório de Leningrado, tendo como professor de composição Maximilian Steinberg. Nome de destaque na música da Geórgia, Balanchivadze atuou como regente da Orquestra. Sinfônica do Estado e lecionou no Conservatório de Tbilisi. Compôs óperas, sinfonias, vocais e corais. Escreveu música para 20 filmes, entre os quais “Georgii Saakadze” (1943) e “O Juramento” (1946), de Mikhail Chiaurelli. 
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09/06/2012
O DELITO MATTEOTTI
Florestano Vancini (1973), com Franco Nero, Mario Adorf, Riccardo Cucciolla, Vittorio De Sica, ITÁLIA, 118 min.

Sinopse
Itália, 1924: O deputado socialista Giacomo Matteotti pede à Câmara que anule as eleições de abril daquele ano porque a maioria dos votos computados pela Lista Nazionale, formada por fascistas e liberais, foi obtida através de fraude e violência. No dia 10 de junho ele é sequestrado e assassinado por ordem de Mussolini. Em janeiro de 1925 o Duce impõe as leis de exceção e conclui o processo de estabelecimento da ditadura fascista sobre o povo italiano. Ex-editor do jornal socialista Avanti, Mussolini fora expulso do partido por apoiar a entrada da Itália na guerra imperialista de 1914. Em 1922, havia se tornado primeiro-ministro a convite do rei Vitor Emanuel III, em meio à crise do pós-guerra, quando os monopólios italianos jogaram as fichas nos camisas-negras visando bloquear a ascensão das lutas dos trabalhadores. O filme recebeu o Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Moscou (1974).

Direção: Florestano Vancini (1926-2008)
Após alguns curtas e colaboração com os diretores Mario Soldati (1906-99) e Valerio Zurlini (1926-82), Vancini realizou em 1960 seu primeiro longa-metragem, "La Lunga Notte del ‘43", que revive o massacre de 11 resistentes pelas brigadas fascistas da República de Salò. Com roteiro de Pier Paolo Pasolini (1922-1975), adaptado da coletânea “Cinco Histórias de Ferrara”, de Giorgio Bassani, o filme recebeu indicação para o Leão de Ouro e o Prêmio Primeira Obra no 21º. Festival de Veneza. Vancini dirigiu 15 longas, entre os quais, "La Calda Vita" (1963); "Le Stagioni del Nostro Amore" (1965), que obteve o Prêmio da Crítica no Festival de Berlim; "Dio E’ Com Noi" (1970); "Bronte" (1972); "Il Delitto Matteotti" (1973); "Amore Amaro" (1974); "Un Dramma Borghese" (1983). Nos anos 1980, realizou séries para televisão: "La Neve nel Bicchiere" (1984) - história de três gerações de camponeses da planície ferrarense, sua terra natal - e "Lettera dal Salvador" (1987), telefilme político sobre médico francês em El Salvador no período da guerra civil, para a série francesa "Médecins des Hommes".

Argumento Original: Florestano Vancini (1926-2008) e Lucio M. Battistrada
Lucio Battistrada (Manlio) estreou como roteirista no filme “Il Sole Negli Occhi” (Antonio Pietrangeli, 1953) e participou da elaboração de mais de 30 argumentos e adaptações para cinema e televisão, até 1988, entre os quais “L’Oro di Roma” (Carlo Lizzani, 1961), “Il Delitto Matteotti”, Florestano Vancini, 1973), "Dio E’ Com Noi" (Florestano Vancini, 1983), “Morte em Vaticano” (Marcelo Aliprandi, 1982), “La Casa del Tappeto Giallo” (Carlo Lizzani, 1983), "Un Dramma Borghese" (Florestano Vancini, 1983).

Música Original: Egisto Macchi (1928-92)
Nascido em Grosseto, Egisto Macchi estudou piano, violino, canto e composição em Roma. Criou dezenas de peças para orquestra de câmara, coro e trilhas para teatro. Desde 1959 teve presença ativa no mundo do cinema e televisão, trabalhando com continuidade na Itália, França e Bélgica. Escreveu música para 50 filmes e assinou as trilhas sonoras de cerca de 3000 documentários e programas de TV . 
Entre os diretores com os quais trabalhou estão Florestano Vancini (“Bronte”, 1972, e “Il Delitto Matteotti”, 1973), Lino Del Fra (“Antonio Gramsci: Os Dias de Prisão”, 1977), Joseph Losey (“Monsieur Klein”, 1976), os Irmãos Taviani (“Padre Padrone”, 1978). 
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15/06/2012
O LEÃO DO DESERTO
Moustapha Akkad (1981), com Anthony Quinn, Oliver Reed, Rod Steiger, Irene Papas, LÍBIA/EUA, 152 min.

Sinopse
Com a ascensão de Mussolini, a Itália, como as demais potências européias, procura ampliar suas zonas de exploração na África. A atenção se volta para a Líbia, onde o líder Omar Mukhtar comanda uma tenaz resistência armada contra a colonização italiana estabelecida desde 1911. Em 1929, irritado com insubmissão líbia, o Duce decide realizar uma grande operação de “pacificação”, comandada pelo general Rodolfo Graziani. Ainda não havia a OTAN, mas as semelhanças notáveis entre os acontecimentos daquela época e os atuais estão longe de poderem ser classificadas como meras coincidências.

Direção: Moustapha Akkad (1930-2005) 
Nascido na Síria, estudou cinema na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e trabalhou com o diretor Sam Peckinpah. Em 1976 produziu e dirigiu “Maomé - O Mensageiro de Alá”, realizado em duas versões: em inglês, com Anthony Quinn no papel do profeta, e em árabe, “Al-Risalah”, com Abdallah Gheith no mesmo papel. Em 1980 dirigiu o épico “O Leão do Deserto”, também estrelado por Anthony Quinn e Irene Papas. O filme foi coproduzido pelo governo líbio e proibido na Itália, até o ano de 2009. Akkad produziu oito filmes da série “Halloween”, entre 1978 e 2002. Foi morto, em 2005, com sua filha Rimma, em Amã, na Jordânia, por um homem-bomba.

Argumento Original: H.A.L. Craig (1921-78) 
Harry Arthur Craig nasceu na Irlanda, trabalhou como escritor, jornalista, crítico literário e teatral. Escreveu programas de televisão para a BBC e argumentos para cinema, entre os quais “A Batalha de Anzio” (Edward Dmytryk, 1968), “Waterloo” (Sergey Bondarchuk, 197I), “Maomé - O Mensageiro de Alá” (Moustapha Akkad 1977), “Aeroporto” (Jerry Jameson, 1977), “O Leão do Deserto” (Moustapha Akkad, 1981).

Música Original: Maurice Jarre (1924-2009) 
Maurice-Alexis Jarre iniciou seu aprendizado musical no conservatório de Paris, onde estudou percussão, composição e harmonia. Celebrizou-se, principalmente, pela criação de trilhas musicais das quais se destacam as parcerias com David Lean, que lhe renderam três prêmios Oscar: “Lawrence da Arábia” (1962), “Dr. Jivago” (1965) e “Passagem para a India” (1984). Em 1978, recebeu uma indicação para o Oscar pela música de “Maomé - O Mensageiro de Alá”. Para o diretor Moustapha Akkad, compôs também a trilha de “O Leão do Deserto” (1981).
Jarre escreveu música para teatro, concertos, óperas, balés e gravou seis CDs. 

07/07/2012

 

23/06/2012 
MATEWAN – A LUTA FINAL 
John Sayles (1987), com Chris Cooper, James Earl Jones, Mary MacDonnel, David Strainthairn, EUA, 135 min. 

Sinopse 
Baseado numa história real, o filme narra os acontecimentos ocorridos, em 1920, numa região de mineração situada na Virgínia Ocidental (EUA). Seu foco são as condições sub-humanas do trabalho dos mineradores de carvão, sua luta para se organizarem em sindicatos (unions), a violência deflagrada pelas empresas de mineração com o uso de força ilegal - milícia constituída por detetives da empresa Baldwin Feltros. Tudo começa quando Joe Kenehan chega na pequena cidade de Matewan. Para organizar um sindicato de mineradores, ele terá que superar a desconfiança dos que temem perder o emprego e unir dois grupos que se digladiam, os brancos formados por italianos e os negros descendentes dos escravos. 

Direção e Argumento Original: John Sayles (1950- ) 
Nascido em Schenectady, estado de Nova Iorque, escritor, diretor de cinema, roteirista, ator e produtor, Sayles é por opção um diretor de filmes independentes. Foi com o trabalho de roteirista, iniciado em 1970, que levantou o orçamento para realizar seu primeiro longa, “O Reencontro dos Sete Rebeldes” (1980). Escreveu cerca de 40 argumentos para cinema e televisão, entre os quais os de “Apolo XIII” (Ron Howard, 1995) e “A Estrela Solitária”, filme que também dirigiu e lhe rendeu uma indicação para o Oscar (1996), na categoria de Melhor Roteiro. Como diretor e produtor, realizou 20 filmes, com destaque para “Matewan: a Luta Final” (1987), “Fora da Jogada” (1 988), “Cidade da Esperança” (1991), “Limbo” (1999), “A Terra do Sol” (2002), “Silver City” (2004) e, seu trabalho mais recente, “Amigo” (2010), drama que tem como pano de fundo a ocupação das Filipinas pelos EUA, em 1898. 

Música Original: Mason Daring (1049- ) 
Mason nasceu na Filadélfia, Pensilvânia. Sua carreira como músico tem como base a produção de trilhas sonoras para filmes e séries de TV a cabo. Conheceu John Sayles na época da realização de seu primeiro filme, “O Regresso dos Sete Rebeldes” (1980). Daí por diante, ambos construíram uma parceria duradoura, que incluiu a composição das trilhas sonoras de oito filmes de Sayles. Em “Matewan”, Sayles divide com Mason Daring os créditos da trilha sonora. 

 

MICHAEL COLLINS – O PREÇO DA LIBERDADE
Neil Jordan (1996), com Liam Neeson, Julia Roberts, Aidan Quinn, IRLANDA/INGLATERRA, 133 min.

Sinopse
Em 1916, uma insurreição em Dublin impulsiona o processo de independência da Irlanda. A “Páscoa Sangrenta” se estende por uma semana. A Inglaterra mobiliza 20 mil soldados contra o levante. A rebelião sufocada volta a explodir em 1918. A maioria dos deputados irlandeses eleitos para o Parlamento Britânico cria o Dáil Éireann, Parlamento Irlandês, e proclama a independência do país. A Inglaterra reage. O Dáil Éireann, presidido por Éamon de Valera, é declarado ilegal. Tem início a campanha de guerrilhas do Exército Republicano Irlandês (IRA), sob o comando de Michael Collins. Em 1921, uma trégua abre as negociações. A proposta da Inglaterra dá autonomia à Irlanda (Eire), dentro da Commonwealth, mas não a independência – e exclui a Irlanda do Norte do tratado. Collins aceita o acordo, postulando a tática do “alargamento progressivo da soberania”, de Valera o rejeita. Em janeiro de 1922, o Dáil à ‰ireann aprova o tratado por 64 votos contra 57, de Valera renuncia e move uma guerra civil contra o novo governo. Collins tomba nesse confronto, em agosto, quando um comboio que se dirige ao vilarejo de Béal na Bláth sofre uma emboscada cujo objetivo era cobrir a retirada dos chefes rebeldes que estavam reunidos no local. A consternação causada por sua morte isola as forças antitratado. O filme termina aí, a luta pela independência prossegue. Em 1926, de Valera funda o Fianna Fáil, Partido Republicano, que obtém maioria parlamentar em várias eleições sucessivas e amplia a soberania irlandesa com a nova Constituição de 1937 e a retirada da Irlanda (Eire) da Commonwealth. A independência da Irlanda do Norte e a unificação do país são objetivos que seguem na pauta. 
O filme ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza (1997), categoria Melhor Ator (Liam Neeson).

Direção e Argumento Original: Neil Jordan (1950- ) 
Jordan nasceu na aldeia de Sligo, Irlanda. Filho de professor universitário, começou a trabalhar como escritor, tendo publicado um livro de contos, “Noite na Tunísia” (1976), e o romance “O Passado” (1980). O primeiro contato com o mundo cinematográfico veio em 1981, quando foi convidado pelo diretor John Boorman a auxiliar no roteiro de “Excalibur” (1981). Estreou como realizador em “Angel” (1982), thriller passado na Irlanda do Norte sobre um saxofonista que se torna testemunha involuntária de um duplo assassinato. O filme passou quase despercebido. O mesmo não ocorreu com seu segundo trabalho, “A Companhia dos Lobos” (1984), uma adaptação adulta da história do "Chapeuzinho Vermelho", que abriu caminho à coleção de premiações obtidas por Jordan ao longo de sua carreira - entre as quais dois Bafta, um Oscar, O Leão de Ouro e o Urso de Prata. “Traídos Pelo Desejo” (1992), “Entrevista com o Vampiro” (1994), “Nó na Garganta” (1997), “Valente" (2007) figuram entre seus filmes mais conhecidos.

Música Original: Elliot Goldenthal (1954- ) 
Nascido em Nova Iorque, no Brooklin, Goldenthal tocou em bandas de rock, na década de 70, antes de cursar a Manhattan School of Music, de onde saiu em 1979 com o diploma de Master em Composição. Escreveu obras para concerto, teatro, dança e cinema. Conhecido por seus experimentos com técnicas não convencionais e sonoridades atonais, recebeu indicação ao Prêmio Pulitzer de Música (2007), por sua ópera “Grendel”, indicações para o Oscar e o Globo de Ouro pela trilha de “Michael Collins” (Neil Jordan, 1994) e dezenas de premiações por diversos trabalhos. Escreveu música para 35 filmes, entre os quais, “Drugstore Cowboy” (Gus Van Sant, 1989), “Entrevista com o Vampiro” (Neil Jordan, 1994), “Cobb” (Ron Shelton, 1994), “Titus” (Julie Taymor, 1999), “Inimigos Públicos” (Michael Mann, 2009), “A Tempestade” (Julie Taymor, 2010). 

 

17/08/2012
AS VINHAS DA IRA
John Ford (1940), com Henry Fonda, John Darwell, John Carradine, EUA, 129 min.

Sinopse
Em meio à Grande Depressão, produzida pela crise de 1929, famílias de trabalhadores rurais se veem forçadas a migrar em busca de melhores condições de vida. A família Joad deixa Oklahoma e segue para a Califórnia, onde há a promessa de prosperidade e garantia de trabalho. Ao confrontar seus sonhos com a realidade, eles descobrem que o lugar para onde estão indo pode ser pior do que o que deixaram para trás. 
A crise de 29 gerou a mais violenta recessão econômica do século 20. Começou nos EUA e se propagou rapidamente pela Europa, como a crise atual que eclodiu em 2008. Na busca cega pela maximização dos lucros, os capitalistas ampliam a produção ao mesmo tempo em que buscam comprimir os salários dos trabalhadores. Aos primeiros sinais de que o mercado já não é suficiente para absorver a produção, os capitais se deslocam para a especulação e tem início o “salve-se quem puder”, que antecede a qu ebradeira. O desemprego dispara, estreitando o mercado e produzindo mais quebradeira. 
A Grande Depressão dos anos 30, particularmente suas consequências sociais, foi abordada sob variados ângulos em filmes como “As Vinhas da Ira”, “Tempos Modernos” (Charlie Chaplin, 1936), “Só Se Vive Uma Vez (Fritz Lang, 1937), “A Noite dos Desesperados (Sidney Pollack, 1969), “O Poder Vai Dançar (Tim Robbins, 1999), “A Luta Pela Esperança” (Ron Howard, 2005).

Direção: John Ford (1894-1973) 
Em 51 anos de carreira, o legendário John Ford dirigiu 133 filmes: “No Tempo das Diligências” (1939), “As Vinhas da Ira” (1940), “Como Era Verde O Meu Vale” (1941), “Rastros de Ódio” (1956), “O Homem que Matou o Facínora” (1962) e vários outros que sem favor podem ser apontados como clássicos. 
Orson Welles disse que assistiu a “No Tempo das Diligências” mais de 40 vezes, antes de produzir sua obra-prima, “Cidadão Kane”, em 1941.

Argumento Original: John Steinbeck (1902-1968) 
John Ernst Steinbeck Jr. nasceu em Salinas, Califórnia. Ingressou, em 1920, na Universidade de Stanford. Seu livro de estréia foi "A Taça de Ouro" (1929). Com "Boêmios Errantes" (1935), se tornou conhecido, ganhando a medalha de ouro do Commonwealth Club de São Francisco como "melhor livro californiano do ano". Escreveu também "Luta Incerta" (1936) e "Ratos e Homens" (1937). O romance "Vinhas da Ira" (1939) recebeu o prêmio Pulitzer, o mais prestigiado entre jornalistas e escritores norte-americanos. 
Steinbeck teve outras 16 obras adaptadas para o cinema e trabalhou como roteirista, sendo indicado ao Oscar de Melhor Roteiro por "Um Barco e Nove Destinos" (Alfred Hitchcock, 1944). Em 1948 publicou “Um Diário Russo”, obra realizada em parceria com o fotógrafo Robert Capa, que narra a viagem de dois meses feita por ambos à União Soviética, em 1947. John Steinbeck recebeu o prêmio Nobel de Literatura, em 1962.

Música Original: Alfred Newman (1901-70) 
Dirigiu musicais da Broadway até 1929. No ano seguinte foi para Hollywood. Em 1940, assumiu a direção musical da Fox, musicou cerca de 200 filmes, recebeu 45 indicações para o Oscar e nove premiações, entre elas a obtida por seu trabalho em "Suplício de Uma Saudade" (Henry King, 1956), cuja canção-título “Love Is a Many-Splendored Thing” correu o mundo nas vozes de Nat King Cole e Frank Sinatra.

 

SÓ SE VIVE UMA VEZ
Fritz Lang (1937), com Henry Fonda, Sylvia Sidney, Barton MacLane, EUA, 86 min.  
 
Sinopse
Durante a Grande Depressão, Eddie tenta reiniciar a vida, depois de sair da prisão com a ajuda de sua noiva que trabalha na Defensoria Pública. O casal pretende construir uma nova vida, mas conviver como um ex-presidiário não é nada fácil. O preconceito social faz com Eddie seja demitido, a busca por um novo emprego não tem resultados e ele é acusado e condenado à cadeira elétrica por um crime que não cometeu.  
 
Direção e Argumento Original: Fritz Lang (1890-1976)
Cineasta, produtor e argumentista nascido em Viena, Friedrich Anton Christian Lang perdeu um olho na Primeira Guerra Mundial e no hospital, recuperando-se do grave ferimento, começou a escrever roteiros para filmes.  Estreou em 1919, com “Halbblut”. Essa primeira fase do diretor, auxiliado por sua esposa, a roteirista Thea Von Harbou, o fez ficar conhecido como o maior representante do expressionismo alemão, com filmes como “Metropolis” (1927) e “O Vampiro de Dusseldorf” (1931).  Conta a lenda que Hitler, após assistir “Metropolis”, convidou o casal para produzir filmes na UFA – o principal estúdio de cinema da Alemanha. Enquanto Thea aceitou a função, Lang fugiu para Paris. Em 1934, emigrou para os EUA onde continuou a trabalhar como diretor, com filmes como “Fúria” (1936); “Vive-se Uma Só Vez” (1937); “Os Carrascos Também Morrem” (1943), que contou com a colaboração de Bertolt Brecht no argumento e roteiro; “Ministério do M edo” (1944); “Um Retrato de Mulher” (1944); “O Diabo Feito Mulher” (1952); “Os Corruptos” (1953); “Enquanto a Cidade Dorme” (1956); “Acima de Qualquer Supeita” (1956). Para o mestre do film noir, sua visão da sociedade não era pessimista, mas realista – pelo menos a da sociedade que ele retratava. A influência de Fritz Lang é reivindicada por cineastas como Buñuel, Orson Welles e Hitchcock.  
 
Música Original: Alfred Newman (1901-70)
Dirigiu musicais da Broadway até 1929. No ano seguinte foi para Hollywood. Em 1940, assumiu a direção musical da Fox, musicou cerca de 200 filmes, recebeu 45 indicações para o Oscar e nove premiações, entre elas a obtida por seu trabalho em "Suplício de Uma Saudade" (Henry King, 1956), cuja canção-título “Love Is a Many-Splendored Thing” correu o mundo nas vozes de Nat King Cole e Frank Sinatra.
 
 
TEMPOS MODERNOS
Charlie Chaplin (1936), com Charlie Chaplin e Paulette Goddard, EUA, 87 min.  
 
Sinopse
Um operário, usado como cobaia no teste de uma "máquina revolucionária" criada para que o trabalho não pare durante o almoço, é levado à loucura pela frenética repetição de movimentos na linha de montagem. Recuperado, encontra a fábrica onde trabalhava fechada. É confundido com o líder de uma manifestação e acaba preso. Por sua “boa conduta” na prisão, consegue a liberdade e retorna ao convívio da sociedade, que no período enfrenta a Grande Depressão. O trabalhador une-se a uma jovem órfã na busca de novo emprego, sobrevivência e felicidade.
Em “Tempos Modernos”, Chaplin expõe as engrenagens do modo de produção capitalista a uma crítica arrasadora. O filme faz uso de efeitos sonoros para sublinhar a inutilidade destes em relação ao personagem “Carlitos”. Foi a última vez em que Chaplin o interpretou nas telas.  
 
Direção, Argumento e Música Original: Charles Chaplin (1889-1977)
Charles Spencer Chaplin foi ator, diretor, produtor, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico inglês. Considerado um dos maiores artistas desde a criação do cinema, começou como ator e cantor de teatro, mas logo estreou nas telas com "Carlitos Repórter" (Henry Lehrman, 1914). Foi nesta época que desenvolveu seu personagem mais marcante, o "Carlitos".
Charlie Chaplin ficou conhecido também por suas posições políticas. Tido como comunista pelo FBI, apoiou o esforço de Roosevelt para superar a “política de neutralidade” que favorecia a escalada nazifascista e recebeu dele o estímulo para realizar o “Grande Ditador” (1940), quando a Paramount pressionava pela desistência do projeto. Os ventos macarthistas, que começaram a soprar nos EUA após a morte de Roosevelt, logo o atingiram. Em 1947, "Monsieur Verdoux", dirigindo pelo próprio Chaplin, foi boicotado em diversas cidades. Em 1952, enquanto viaja à Inglaterra para promover "Luzes da Ribalta", seu visto foi revogado pelo governo americano. Impedido de retornar ao país, Chaplin escreveu: “Desde o fim da última guerra mundial, tenho sido alvo de mentiras e propagandas por poderosos grupos reacionários que, por sua influência e com a ajuda da imprensa marrom, criaram um ambiente doentio no qual indivíduos de mente liberal possam ser apontado s e perseguidos”.
Outros dos filmes mais celebrados de Chaplin são: "Em Busca do Ouro" (1925), "O Circo" (1928), "Luzes da Cidade" (1931) e  “Um Rei em Nova Iorque” (1957).  
 
 
14/09/2012
DO MUNDO NADA SE LEVA
Frank Capra (1938), com Jean Arthur, Lionel Barrymore, James Stewart, Ann Miller, EUA, 126 min.  
 
Sinopse
Tony Kirby é filho de um rico empresário. Alice Sycamore é sua secretária, de família humilde. Ambos estão apaixonados e pretendem se casar. Quando as famílias se conhecem, o pai de Tony descobre que a casa onde mora a família de Alice é o único imóvel que ele não conseguiu comprar numa área em que pretende realizar um grande empreendimento imobiliário.  
 
Direção: Frank Capra (1897-1991)
Francesco Rosario Capra nasceu na Sicília, mas se consagrou como importante cineasta nos EUA. Desembarcou no país com sua família em 1903, tornando-se cidadão norte-americano em 1920. Entre 1926 e 27, estreou na direção com três filmes de sucesso estrelados pelo comediante Harry Langdon. Nos próximos dez anos, dirigiria 25 filmes para a Columbia Pictures.
Antes de se estabelecer como um diretor de comédias sociais, Capra se tornou conhecido como eficiente artesão de produções rentáveis, independente do gênero. A partir da década de 30, seus filmes compõem um penetrante painel do New Deal, a reação da sociedade à Grande Depressão, ao retratarem homens simples lutando para defender seus valores contra capitalistas gananciosos e instituições corruptas.
Frank Capra dirigiu 54 filmes, entre os quais, “Loucura Americana” (1932), “Dama por um Dia” (1933), "Aconteceu Naquela Noite" (1934), "O Galante Mr. Deeds" (1936), "Do Mundo Nada se Leva" (1938); “A Mulher Faz o Homem” (1939), “Meu Adorável Vagabundo (1941), “Esse Mundo é um Hospício (1944), "A Felicidade não se Compra" (1946). Engajou-se também na realização de documentários que popularizaram a política de Roosevelt em relação à 2ª. Guerra Mundial: “Prelúdio de uma Guerra (com Anatole Litvak, 1943), “Ataque Nazista” (com Anatole Litvak, 1943), “Dividir e Conquistar” (1943), “Batalha da Inglaterra” (1943), “Batalha da Rússia” (com Anatole Litvak, 1943), “Batalha da China” (1944), “O Soldado Negro” (1944). Ao longo da vida, Capra foi homenageado com seis estatuetas do Oscar e recebeu o Leão de Ouro (Festival de Veneza, 1982), em reconhecimento à sua carreira.   
 
Argumento Original: George S. Kaufman (1889–1961) e Moss Hart (1904–1961)
George Kaufman nasceu na Pensilvânia. Tornou-se um dos maiores teatrólogos de sua época, nos Estados Unidos. Começou como jornalista e crítico de teatro e estreou na Broadway em 1918 com "Há Alguém em Casa".  Também assinou o roteiro de alguns filmes, como "Uma Noite na Ópera" (Sam Wood, 1935) dos irmãos Marx. 
Moss Hart nasceu em Nova Iorque e também escreveu diversas peças de sucesso. "Merrily We Roll Along", também co-escrita com George Kaufman, foi adaptada para a Broadway em 1928. Ganhou o Tony de Melhor Diretor em 1957 pela adaptação da peça de Bernard Shaw, “Pygmalion” (My Fair Lady). 
George Kaufman e Moss Hart ganharam o prêmio Pulitzer, em 1937, pela peça "Do Mundo Nada se Leva".  
 
Música Original: Dimitri Tiomkin (1894-1979)
Compositor e maestro ucraniano, Dimitri Zinovievich Tiomkin é considerado um dos mais importantes compositores de Hollywood. Educado no Conservatório de São Petersburgo, mudou-se para Nova Iorque em 1925 e depois para Hollywood, em 1930. Escreveu música para alguns filmes, como "Alice no País das Maravilhas" (Norman Z. McLeod, 1933). Sua grande chance veio em 1937, com o convite de Frank Capra para compor a trilha de "Horizonte Perdido". Compôs também as trilhas de  "Matar Ou Morrer" (Fred Zinnemann, 1952), "Disque M para Matar" (Alfred Hitchcock, 1954), "Um Fio de Esperança" (William A. Wellman, 1954),  "Os Canhões de Navarone" (J. Lee Thompson, 1961) e "A Queda do Império Romano" (Anthony Mann, 1964), entre outros. 

 

 
 
 
21/09/2012
CIRCUS
Grigori Alexandrov (1936), com Lyubov Orlova, Vladimir Volodin, Sergei Stolyarov, URSS, 94 min.  
 
Sinopse
Enquanto a Grande Depressão arrasava a economia dos EUA, os planos quinquenais produziam um intenso desenvolvimento na União Soviética. É lá que acaba indo parar uma artista de circo americana ao fugir de uma multidão enfurecida com o fato dela ter dado à luz um bebê negro. Marion Dixon busca abrigo num trem, onde encontra o agente teatral alemão Franz von Kneishitz, que a recruta para uma turnê circense através da URSS e procura mantê-la como escrava sob a ameaça de revelar seu segredo.    
 
Direção e Argumento Original: Grigori Alexandrov (1903-83)
Grigori Vasilyevich Alexandrov nasceu em Yekaterinburg, distrito federal dos Urais. Em 1921 iniciou no Teatro Proletkult uma fecunda parceria com Eisenstein, que se estenderia ao cinema. Co-escreveu o roteiro de “A Greve” (1924), co-dirigiu “Encouraçado Potemkin” (1925), “Outubro” (1928) e “Linha Geral” (1929). Em 1930 acompanhou Eisenstein em sua viagem aos EUA, participou, em 1932, das filmagens do inacabado “Que Viva México” – em 1979 concluiu uma edição das imagens colhidas nesse trabalho. Retornou à URSS em 1933 e de uma conversação mantida com Stalin e Gorki surgiu o projeto de realizar comédias musicais estreladas por Lyubov Orlova, cantora extremamente popular, na época, que mais tarde se tornaria sua esposa. As produções deste ciclo são “Amigos Extraordinários” (1934), “Circus” (1936), “Volga-Volga” (1938), “Primavera” (1947). Os musicais obtiveram estrondoso sucesso e abriram caminho para outros diretores que s e notabilizaram no gênero, como Ivan Pyryev.
De 1951 a 1957, Alexandrov lecionou direção no Instituto de Cinematografia Gerasimov (VGIK). Entre os filmes que realizou destacam-se também “Encontro no Elba” (1949), “Glinka” (1952), “Grande Luto” (1953), “Souvenir Russo” (1960), “Lenin na Polônia” (1961), “Lenin na Suiça” (1965), “Starling e Lira” (1974). Foi premiado três vezes com a Ordem de Lenin, e recebeu o Prêmio Stalin em 1941 e 1950.  
 
Música Original: Isaak Dunayevsky (1900-55)

Considerado um dos maiores compositores soviéticos, Isaak Osipovich Dunayevsky nasceu em Lokhvitsa (Ucrânia). Em 1919 formou-se em violino e teoria musical no  Conservatório Kharkiv. Em 1924 transferiu-se para Moscou, indo trabalhar no Teatro Hermitage. Foi diretor e regente do Music Hall (1929-34), de Leningrado. Depois retornou a Moscou para trabalhar em suas operetas e músicas para cinema. Dunayevsky criou 14 operetas, 3 balés, 3 cantatas, 80 coros, 80 canções e romances, música de 88 peças e 42 filmes, 43 composições para orquestra de música ligeira e 12 para orquestra de jazz, 52 composições para orquestra sinfônica e 47 de piano composições e um quarteto de cordas. Escreveu a música para três filmes de Alexandrov: “Amigos Extraordinários” (1934), “Circus” (1936) e “Volga-Volga” (1938). Compôs também, entre outras, as trilhas de  “Três Camaradas” (Semyon Timoshenko, 1935), “Filhos do Capitão Grant” (Vladimir Weinstock, 1 936), “Meu Amor” (Vladimir Korsh-Sablin, 1940), “Cossacos de Kuban” (Ivan Pyryev, 1949).  

 

 
28/09/2012
O PODER VAI DANÇAR
Tim Robbins (1999), com Cary Elwes, Philip Baker Hall, Hank Azaria EUA, 109 min.  
 
Sinopse
No outono de 1936, enquanto Mussolini invade o norte da África e Hitler fortalece seu poder, os EUA começam a se recuperar dos tempos difíceis, com empregos gerados pelo Estado, através do WPA (Works Progress Administration). Uma das divisões da WPA é o Projeto do Teatro Federal, que leva espetáculos a milhões de americanos, com ingressos a baixo custo. A montagem da peça "Cradle Will Rock" incomoda os adversários do New Deal, que pressionam para obter sua censura, no dia da estréía.  
 
Direção e Argumento Original: Tim Robbins (1958- )
Ator, roteirista e diretor americano, nascido na Califórnia. Estudou teatro na Universidade da Califórnia e se formou em 1981. Além de "O Poder Vai Dançar", Tim Robbins dirigiu mais dois filmes para o cinema: "Bob Roberts" (1992) - no qual interpreta o personagem que dá nome ao filme - e "Os Últimos Passos de Um Homem" (1995), estrelado pela atriz Susan Sarandon, sua esposa na época.  Atuou em diversos filmes, entre eles: "Sorte no Amor" (1988), "Um Sonho de Liberdade" (1994), "O Suspeito da Rua Arlington" (1999) e "Sobre Meninos e Lobos" (2003).  
 
Música Original: David Robbins (1955- )

Irmão de Tim Robbins, trabalhou diversas vezes junto ao diretor, compondo trilhas para os filmes "Bob Roberts" (1992) e "Os Últimos Passos de Um Homem" (1995), além de "O Poder Vai Dançar". Compôs também a trilha do documentário "Casino Jack and the United States of Money" (Alex Gibney, 2010)- Jack Cassino e os Estados Unidos do Dinheiro- sobre o lobista Jack Abramoff e sua relação com os políticos de Washington.       .

 

 

 
05/10/2012
OS DEUSES MALDITOS
Luchino Visconti (1969), com Dirk Bogarde, Ingrid Thulin, Helmut Griem, Helmut Berger, Charlotte Rampling, Florinda Bolkan, ITÁLIA, 156 min.  
 
Sinopse
Nos anos de 1933 (Incêndio do Reichstag) e 1934 (Noite dos Longos Punhais), traições e assassinatos marcam a luta pelo poder entre os membros da família von Essenbeck, reis do aço na Alemanha. A história se entrelaça com a crônica da violência e degradação que marcou a ascensão do nazismo naquele país.  
 
Direção: Luchino Visconti (1906-76)
Luchino Visconti di Modrone, conde de Lonate Pozzolo, nasceu em Milão e descende da família Visconti da antiga nobreza italiana. Começou seu trabalho no cinema como assistente do diretor Jean Renoir nos filmes “Toni” (1934), “Les Bas-Fonds” (1936) "Partie de Campagne" (1936). Ingressou no Partito Comunista d'Italia em 1942. Seu primeiro filme como diretor foi "Obsessão" (1943). Voltou-se em seguida para o teatro. Em 1948, realizou “La Terra Trema”, um clássico do cinema neorrealista. Recebeu sua primeira premiação no Festival de Veneza (Leão de Prata), em 1957, pelo filme "As Noites Brancas"  - baseado em conto de Fiodor Dostoievski. Em 1960, chega aos cinemas "Rocco e Seus Irmãos" e, em 1963, o mais aplaudido de seus trabalhos, "O Leopardo", adaptação do romance de mesmo nome de Giuseppe Tomasi di Lampedusa. Depois vieram “As Vagas Estrelas da Ursa” (1965), “O Estrangeiro” (1967), “Os Deuses Malditos” (1969), "Morte em Veneza " (1971), "Ludwig" (1972), "Violência e Paixão" (1974) e "O Intruso" (1976).
Visconti assina também a direção de 42 peças teatrais e 20 óperas encenadas entre 1945 e 1973.  
 
Argumento Original: Luchino Visconti (1906-76), Nicola Badalucco (1929- ), Enrico Medioli (1925- )
Nicola Badalucco escreveu mais de 40 roteiros para filmes, desde 1969. Entre seus trabalhos, estão: "A Tenda Vermelha" (Mikhail Kalatozov, 1969), "Morte em Veneza" (Luchino Visconti, 1971) e "Bronte - Crônica de um Massacre que os Livros de História não Contam" (Florestano Vancini, 1972). Enrico Medioli assina algumas das maiores obras do cinema italiano. Junto a Luchino Visconti, Medioli escreveu sete roteiros, dentre os quais, o de "Rocco e Seus Irmãos" (1960). Além de Visconti, trabalhou também com os diretores Valerio Zurlini, Mauro Bolognini, Alberto Lattuada. São de sua autoria os roteiros de "O Leopardo" (Luchino Visconti,1963) e "A Primeira Noite do Filme Silencioso" (Valerio Zurlini, 1972).  
 
Música Original: Maurrice Jarre (1924-2009)
Maurice-Alexis Jarre iniciou seu aprendizado musical no conservatório de Paris, onde estudou percussão, composição e harmonia. Celebrizou-se, principalmente, por compor trilhas das quais se destacam as parcerias com David Lean, que lhe renderam três prêmios Oscar: “Lawrence da Arábia” (1962), “Dr. Jivago” (1965) e “Passagem para a India” (1984). Recebeu também dois Globos de Ouro, de um total de quatro, pela melhor trilha sonora destes dois últimos filmes. Jarre compôs para teatro, concertos, óperas, balés e gravou seis CDs – o último em 2007, com o título de “Maurice Jarre: Tributo a David Lean”. Trabalhou também com John Frankeheimer (“O Trem”, 1965), René Clément (“Paris Está em Chamas”, 1966), Richard Brooks (“Os Profissionais”, 1966), Anatole Litvak (“A Noite dos Generais”, 1967), Luchino Visconti (“Os Deuses Malditos”, 1969), John Huston (“O Homem que Queria Ser Rei”, 1975), Peter Weir (“Sociedade dos P oetas Mortos”, 1989), entre outros. 
 
 
 
 
12/10/2012
JÚLIA
Fred Zinnemann (1977), com Jane Fonda, Vanessa Redgrave, Meryl Streep, Jason Robards, Maximilian Schell, EUA, 118 min.  
 
Sinopse
Em 1934, Lillian (Jane Fonda) começa a ter sucesso escrevendo peças de teatro em Nova Iorque. Enquanto isso, Julia (Vanessa Redgrave), sua amiga de escola, está morando em Viena. Quando Lillian vai à Rússia para uma conferência de escritores, em viagem de trem que atravessa a Europa, recebe um pedido de Júlia: transportar clandestinamente uma grande soma de dinheiro de Paris para Berlim, recursos que serão usados na resistência contra o nazismo.
 
Direção: Fred Zinnemann (1907-97)
Diretor dos clássicos “Matar ou Morrer” (1952) e “A Um Passo da Eternidade” (1953), Zinnemann nasceu em Viena, trabalhou na Alemanha ao lado de outros iniciantes como Billy Wilder e Robert Siodmak. Mudou-se para Hollywood em dezembro de 1934. Dirigiu 20 curtas e 24 longas, entre os quais “A Sétima Cruz” (1946), “The Search” (1948), “O Velho e o Mar” (1958), “O Homem Que Não Vendeu Sua Alma” (1966), “O Dia do Chacal” (1973), “Júlia” (1977).
 
Argumento Original: Lillian Hellman (1905-84)
Lillian nasceu em Nova Orleans, estudou na Universidade de Nova Iorque. Trabalhou como crítica literária, até 1930. “The Children's Hour”, seu primeiro texto para teatro, estreou na Broadway em 1934 e ganhou duas adaptações cinematográficas dirigidas por William Wyler, “These Three” (1936) e “Infâmia” (1961). Escreveu para a Metro-Goldwin-Mayer os argumentos de  “The Dark Angel” (Sidney Franklin, 1935) e “Dead End” (William Wyler, 1937). Uniu-se a intelectuais como Dashiell Hammett (seu marido por 30 anos), John dos Passos, Ernest Hemingway e Arthur Miller, na luta para isolar as posições pró-nazis dentro dos EUA.
Em 1939, escreveu a peça “The Little Foxes”. Sucesso de público e crítica, também foi levada às telas. O filme, dirigido por William Wyler, recebeu nove indicações para o Oscar (1942). Em seguida, escreveu as peças antinazistas, “Watch on the Rhine” e “The Searching Wind”, que ganharam versões cinematográficas - “Horas de Tormenta” (Herman Shumlin, 1943), “A Esperança Nunca Morre” (William Dieterle, 1946) -, e o argumento de “A Estrela do Norte” (Lewis Milestone, 1943). Em 1946, escreveu “Another Part of the Forest”.
Em 1951, Lillian e Hammett foram levados à Comissão de Inquérito sobre Atividades Antiamericanas. Dashiell foi preso por seis meses. Ela relata o episódio no livro “Scoundrel Time” (literalmente: “Tempo Canalha”), escrito em 1976. Em 1977, Fred Zinnemann dirigiu o filme “Júlia”, ganhador de três prêmios Oscar, baseado em um capítulo de “Pentimento: um Livro de Retratos” (1973, memórias), escrito por Lillian. Ela assina também o argumento de “Caçada Humana” (Arthur Penn, 1966).  
 
Música Original: Georges Delerue (1925- )
Georges Delerue nasceu em Roubaix, França. Estudou no Conservatótio de Roubaix e depois no Conservatório de Paris. Começou a compor em 1940, para o Théâtre National Populaire, a Comédie-Française e a companhia de Jean-Louis Barrault. Também se tornou amigo de Maurice Jarre e Pierre Boulez.
Escreveu música com frequência para vários diretores de cinema: François Truffaut, incluindo “Jules e Jim” (1962), Jean-Luc Godard, Alain Resnais, Louis Malle, Bernardo Bertolucci, além de trabalhar em produções de Hollywood, como “Platoon” e “Salvador” (Oliver Stone, 1986). Durante sua carreira de 42 anos, assinou as trilhas de 200 filmes de longa metragem, 125 curtas, 70 filmes e 35 seriados de TV. A música de “Dien Bien Phu” (Pierre Schoendoerffer, 1992), foi um de seus últimos trabalhos notáveis.   
 
 
20/10/2012
HORAS DE TORMENTA
Herman Shumlin (1943), com Paul Lukas, Bette Davis, Geraldine Fitzgerald, Lucile Watson, EUA, 114 min.    
 
Sinopse
Adaptação cinematográfica da peça teatral de Lillian Hellman “Watch on The Rhine”, produzida e dirigida por Herman Shumlin em 1941.
Ao retornar com a família a Washington, após 18 anos vivendo na Europa, Kurt Muller (Paul Lukas) precisa fugir após balear o homem que descobriu sua participação em um grupo clandestino de resistentes antinazistas e o ameaça com chantagem. A esposa (Bette Davies), sem notícias do marido, sabe que seu filho mais velho se prepara para seguir o mesmo caminho.  
 
Direção:Herman Shumlin (1898-1979)
Herman Shumlin nasceu no Colorado. Radicou-se na Broadway, no início de 1927, trabalhando como produtor e diretor de teatro, até 1974. Realizou 45 montagens, incluindo três produções da peça de Emlyn Williams, “The Corn Is Green” (1940, 1943 e 1950) e “Inherit the Wind” (“O Vento Será Tua Herança”, de Jerome Lawrence e Robert Edwin Lee), cuja primeira temporada, iniciada em 1955, ultrapassou as 800 apresentações.
Shumlin levou ao palco quatro peças de Lilllian Hellman, “The Children’s Hour” (1936), “The Little Foxes” (1939), “Watch on the Rhine” (1941) e “The Searching Wind” (1944). Como diretor de cinema, realizou “Horas de Tormenta” (1943), que deu a Paul Lukas o Oscar de Melhor Ator, e “Quando Os Destinos Se Cruzam” (1945), adaptação do romance “Confidential Agent”, de Graham Greene, que tem como pano de fundo a Guerra Civil Espanhola.  
 
Argumento Original: Lillian Hellman (1905-84)
Lillian nasceu em Nova Orleans, estudou na Universidade de Nova Iorque. Trabalhou como crítica literária, até 1930. “The Children's Hour”, seu primeiro texto para teatro, estreou na Broadway em 1934 e ganhou duas adaptações cinematográficas dirigidas por William Wyler, “These Three” (1936) e “Infâmia” (1961). Escreveu para a Metro-Goldwin-Mayer os argumentos de  “The Dark Angel” (Sidney Franklin, 1935) e “Dead End” (William Wyler, 1937). Uniu-se a intelectuais como Dashiell Hammett (seu marido por 30 anos), John dos Passos, Ernest Hemingway e Arthur Miller, na luta para isolar as posições pró-nazis dentro dos EUA.
Em 1939, escreveu a peça “The Little Foxes”. Sucesso de público e crítica, também foi levada às telas. O filme, dirigido por William Wyler, recebeu nove indicações para o Oscar (1942). Em seguida, escreveu as peças antinazistas, “Watch on the Rhine” e “The Searching Wind”, que ganharam versões cinematográficas - “Horas de Tormenta” (Herman Shumlin, 1943), “A Esperança Nunca Morre” (William Dieterle, 1946) -, e o argumento de “A Estrela do Norte” (Lewis Milestone, 1943). Em 1946, escreveu “Another Part of the Forest”.
Em 1951, Lillian e Hammett foram levados à Comissão de Inquérito sobre Atividades Antiamericanas. Dashiell foi preso por seis meses. Ela relata o episódio no livro “Scoundrel Time” (literalmente: “Tempo Canalha”), escrito em 1976. Em 1977, Fred Zinnemann dirigiu o filme “Júlia”, ganhador de três prêmios Oscar, baseado em um capítulo de “Pentimento: um Livro de Retratos” (1973, memórias), escrito por Lillian. Ela assina também o argumento de “Caçada Humana” (Arthur Penn, 1966).    
 
Música Original: Max Steiner (1888-1971)
Maximilian Raoul Steiner era austríaco. Afilhado de Richard Strauss, estudou piano com Brahms e composição com Mahler. Trabalhou em Nova Iorque, a partir de 1914, como diretor musical, arranjador e maestro da Broadway. Em 1929, foi para Hollywood, onde é muitas vezes citado como o “pai da música para cinema”. Compôs centenas de trilhas, entre as quais as de “King Kong” (Merian C. Cooper, 1933), “O Delator” (John Ford, 1935), Jezebel (William Wyler, 1938), “E o Vento Levou” (Victor Fleming, 1939). “Casablanca” (Michael Curtis, 1942), “Missão em Moscou”  (Michael Curtis, 1943), “Horas de Tormenta” (Herman Shumlin, 1943), “O Tesouro de Sierra Madre” (John Huston, 1948), “Rastros de Ódio” (John Ford, 1956). 

 

 

03/11/2012
LA ROSA BLANCA
Roberto Gavaldón (1961), com Ignacio López Tarso, Christiane Martel, Reinhold Olszewski, MÉXICO, 105 min.  
 
Sinopse
Don Jacinto, um camponês mexicano, é pressionado pela petroleira americana Condor Oil Company Inc., que deseja comprar sua terra. Diante da negativa, a companhia decide atraí-lo a Los Angeles para obter sua assinatura num título de venda que permita despojá-lo da “Rosa Blanca”. A novela de B. Traven, na qual o filme se baseia, foi escrita em 1929. A adaptação cinematográfica transportou-a para 1937 e conduz a história até o ano seguinte, data da nacionalização do petróleo mexicano empreendida pelo presidente Lázaro Cardenas, que exerceu o mandato entre 1934 e 1940.
 
Direção: Roberto Gavaldón (1909-86)
Nascido em 1909 em Jiménez, México, Roberto Gavaldón ingressou na emergente  indústria de cinema do México no final dos anos 20, participando de dezenas de projetos como ator, editor ou assistente. A partir de “La Barraca” (1946), estabeleceu-se como um dos diretores mais talentosos do país. Como seus contemporâneos Emilio Fernandez, Ismael Rodrigues e Luis Buñuel, Gavaldón trabalhou em uma ampla variedade de temas e gêneros. Desenvolveu uma série de thrillers a partir de três obras escritas pelo enigmático emigrado alemão B. Traven - “Macario”, “La Rosa Blanca”, “Outoño” - e manteve parceria constante com o escritor e ativista José Revueltas. Dirigiu 47 filmes, entre os quais “La Escondida” (1956), “Quarta Feira de Cinzas” (1958), premiado com o Urso de Ouro no Festival de Berlim, “Macario” (1960), indicado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, “La Rosa Blanca” (1961), “Dias de Outoño” (1963), “La Vida Inútil de Pito Pérez” (1970), “O Homem dos Cogumelos” (1976).  
 
Argumento Original: Bruno Traven (1882-1969)
Exilado no interior do México, B. Traven conseguiu manter a identidade em segredo por toda a vida. Suas obras de ficção, no entanto, se tornaram mundialmente conhecidas, principalmente após o  sucesso  da adaptação cinematográfica de “O Tesouro de Sierra Madre”, dirigida por John Huston e estrelada por Humphrey Bogart, em 1948. Muitas hipóteses foram levantadas sobre a sua identidade, inclusive as de que seria o ex-presidente mexicano (1958-1964) Adolfo López Mateos ou o escritor Jack London, internado na floresta de Chiapas após forjar a própria morte em 1916. A mais aceita é a de que se tratava do alemão Max Albert Otto Feige, diretor-administrativo do escritório de Gelsenkirchen da Federação dos Metalúrgicos, que adotou o pseudônimo de Ret Marut ao se transferir para o teatro, trabalhar em jornais anarquistas e ser condenado à morte, em 1919, como um dos líderes da insurreição que instituiu o “Soviete de Munique”, na Baviera.   
Traven é autor de 12 romances, muitos contos e um diário de viagem. Suas obras foram traduzidos em 24 idiomas, atingiram a circulação de 30 milhões de exemplares e ganharam oito adaptações para o cinema: “O Tesouro de Sierra Madre” (John Huston, 1948), “La Rebelión de los Colgados (Alfredo B. Crevenna e Emílio Fernandes, 1954), “Macario” (Roberto Gavaldón, 1959), “O Navio da Morte” (Georg Tressler, 1959), “La Rosa Blanca” (Roberto Gavaldón, 1961), “Dias de Outoño” (Roberto Gavaldón, 1963), “A Ponte na Selva” (Pancho Kohner, 1971) e a segunda versão de “La Rebelión de los Colgados” (Luis Buñuel, 1986).  
 
Música Original: Raúl Lavista (1913-80)
Raúl Lavista Peimbert nasceu na cidade do México, estudou harmonia e composição na Faculdade de Música da Universidade Nacional e no Conservatório Nacional de Música. Dirigiu a Orquestra Sinfônica Nacional e a Filarmônica da UNAM. Em 1934, iniciou sua carreira no cinema compondo a trilha de “Dois Monges” (Juan Bustillo Oro). Durante quatro décadas, musicou mais de 300 filmes. Entre os mais célebres encontram-se “Ahi Esta El Detalle” (Juan Bustillo Oro, 1940), “Tizoc” (Ismael Rodrigues, 1957), “La Cucaracha” (Ismael Rodriguez, 1957), “Macario” (Roberto Gavaldón, 1960), “La Rosa Blanca” (Roberto Gavaldón, 1961), “O Anjo Exterminador” (Luis Buñuel, 1962), “Simón del Deserto” (Luis Buñuel, 1965), “Guerra Santa” (Carlos Enrique Taboada, 1977).
 
0/11/2012
A REGRA DO JOGO
Jean Renoir (1939), com Marcel Dalio, Nora Gregor, Roland Toutain, Paulette Dubost, FRANÇA, 110 min.  
 
Sinopse
Às vésperas da invasão da França pela Alemanha, na 2ª. Guerra Mundial, tradicional família burguesa, sob a proteção de Deus e da “intransponível” Linha Maginot, abre a casa de campo a convidados para celebrar sua alienação num baile de máscaras onde tramas amorosas se desenrolam por todos os cantos e conduzem a um final trágico. Considerado por muitos críticos como o maior filme de todos os tempos, “A Regra do Jogo” é uma livre adaptação de “Os Caprichos de Marianne”, comédia de costumes bastante popular no século 19, escrita por Alfred de Musset.  
 
Direção: Jean Renoir (1894-1979)
Cineasta, escritor, argumentista e ator nascido em Paris. Filho do pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir, Jean Renoir assinou 36 obras cinematográficas e foi um dos mais importantes cineastas da história. Serviu na I Guerra Mundial, na qual ganhou a Croix de Guerre, o que não o impediu de se confrontar em “A Grande Ilusão” (1937) com os propósitos torpes dos dois lados em conflito. Entre suas principais obras encontram-se também "Um Dia no Campo" (1933), "Les Bas-Fonds" (1936), “O Crime do Sr. Lange (1936), "La Vie Est à Nous" (1936), "A Marselhesa" (1938), “A Besta Humana” (1938), “A Regra do Jogo” (1939), “Esta Terra É Minha” (1943), “O Sulista” (1945), “A Carruagem de Ouro” (1952), várias delas produto da estreita parceria que manteve com a Central Geral do Trabalho e o Partido Comunista Francês, especialmente no período do governo da Frente Popular (1936-38).
Luchino Visconti, Guy Lefranc, Jean-Paul Chanois, Jacques Becker e Yves Alegrete são realizadores de renome cujas carreiras cinematográficas foram impulsionadas por sua participação como assistentes de direção em filmes de Jean Renoir.
 
Argumento Original: Alfred de Musset (1810-1857)
Alfred Louis Charles de Musset nasceu em Paris, no século 19, foi poeta, novelista e dramaturgo. Após tentar Medicina e Direito, adotou o ofício de escritor, com 17 anos. Aos 19, publicou seu primeiro livro, "Contos de Espanha e da Itália", onde se encontram paródias, em forma de verso, de algumas das mais reverenciadas obras românticas da época. Aos 20, já era considerado um dos escritores mais importantes do Romantismo, na França.  Autor de clássicos como “Os Caprichos de Marianne” (teatro, 1833), “Confissão de um Filho do Século” (1836), “As Noites” (1835-37), “La Mouche” (1853), Musset recebeu a Légion D'Honneur em 1845, ao mesmo tempo que Honoré de Balzac, e foi eleito para a Académie Française em 1852.  
 
Música Original: Roger Désormière (1898-1963)
Roger Desormière foi um dos mais importantes maestros franceses do século 20. Estudou no Conservatório de Paris e trabalhou como flautista em várias orquestras antes de fazer sua estreia como regente, em 1921, em Na Pleyel. A partir de 1932, Désormière foi diretor musical da empresa cinematográfica Pathé-Nathan. Compôs a trilha de diversos filmes, entre os quais "A Regra do Jogo" (Jean Renoir, 1939), "Le Mariage de Chiffon" (Claude Autant-Lara, 1942) e "Le Voyageur de la Toussaint" (Louis Daquin, 1943). Roger Desormiere também regeu a orquestra em mais de 20 outras películas, como "Um Dia no Campo" (Jean Renoir, 1936), “Volpone” (Maurice Torneur, 1941), "A Bela e a Fera" (Jean Cocteau, 1946) e “A Beleza do Diabo” (René Clair, 1950). Em 1944 foi nomeado diretor da Paris Opéra-Comique e em 1945 acrescentou em suas atividades o cargo de diretor-assistente da Ópera de Paris. Do ano de 1947 a 1951 foi diretor Musical da Orquestra Nacional da França.
 
17/11/2012
O CARTÃO DO PARTIDO
Ivan Pyryev (1936), com Andrei Abrikosov, Anatoli Goryunov, Igor Maleyev, URSS, 108 min.  
 
Sinopse
Em 1º. de dezembro de 1934, o assassinato de Serguei Kirov, líder do Partido Comunista em Leningrado, revelou a existência de uma rede contrarrevo-
lucionária que se dedicava a promover atentados contra o poder soviético. Nesse contexto, Pavel Kuganov é um sedutor agente da quinta-coluna que se aproxima de Anna para forjar a fachada legal para suas atividades de sabotagem e espionagem. Inocentemente, ela se casa com ele e acaba envolvida numa trama que acarreta sua condenação, depois de seu cartão de identidade do partido, roubado por Pavel, ter sido usado numa operação.    
 
Direção: Ivan Pyriev (1901-68)
Nascido na aldeia de Kamen-na-Obi, oeste da Sibéria, Ivan Aleksandrovich Pyriev iniciou a carreira no Teatro Proletkult, contracenou com Grigori Alexandrov no curta-metragem “Diário de Glumov” (Eisenstein, 1923). Estreou como diretor de cinema com “Mulher Estranha” (1929). Em seguida vieram “Funcionário do Governo” (1930), “A Transportadora da Morte” (1933), “O Cartão do Partido” (1936). Entre os anos 1938-49 dirigiu sete musicais, “A Noiva Rica” (1938), “Tratoristas” (1939), “A Bem-Amada” (1940), “Encontro em Moscou” (1941), “Às Seis da Tarde, Depois da Guerra” (1944), “Conto da Terra Siberiana” (1947), “Cossacos de Kuban” (1949), dividindo com Grigori Alexandrov a condição de diretor mais bem sucedido do país, no gênero. Realizou também o drama de guerra “Os Partisans” (1942). Em 1951, dirigiu em parceria com o cineasta holandês Joris Ivens o documentário “Vitória da Amizade”. Em 1954, concluiu “Dev oção”. Fundador da União dos Cineastas Soviéticos e membro do Soviete Supremo da URSS, Pyryev recebeu seis prêmios Stalin (1941, 1942, 1946, 1946, 1948, 1951) e foi diretor da Mosfilm Estúdios (1954-57). Sua produção no período kruschevista ficou restrita a cinco películas, três das quais adaptações dos clássicos de Dostoievsky - “O Idiota” (1958), “Noites Brancas (1959) e “Os Irmãos Karamazov” (1969), concluído por Kirill Lavrov e indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. As outras duas são “Nosso Amigo Comum” (1961) e “A Luz de Uma Estrela Distante” (1965).  
 
Argumento Original: Yekaterina Vinogradskaya (1905-73)
Katerina Nikolayevna Vinogradskaya – ou, simplesmente, Tissova - nasceu em Oryol, Ucrânia. Sua carreira literária começou em 1926 e o primeiro trabalho no cinema foi o roteiro de “Um Fragmento do Império” (Fridrikh Ermler, 1929). Escreveu também os argumentos de "O Cartão do Partido (Ivan Pyriev, 1936), “Membro do Governo” (Joseph E. Heifitz, 1940), “Caminho da Glória” (Boris Buneev, 1947), “Para a Vida” (Nikolai Lebedev, 1952), entre outros. Desde 1956, passou a dar aulas no Instituto de Cinematografia Gerasimov (VGIK).
 
Música Original: Valery Zhelobinsky (1913-46)
Como Lev Kulechov, Zhelobinsky nasceu em Tambov, 450 km a sudeste de Moscou. Estudou piano e composição no Conservatório de Leningrado. Teve uma carreira curta, porém brilhante. Suas quatro óperas, que incluem “O Camponês de Komarino”, produzida em Leningrado, em 1933, e “Mãe”, de 1938, baseada no romance de Gorky, foram recebidas com entusiasmo. Ele também escreveu música orquestral, incluindo seis sinfonias e três concertos para piano. Seu “Poema Romântico” para violino e orquestra estreou em Leningrado, juntamente com a primeira performance de Dmitri Shostakovich da “Sexta Sinfonia” em novembro de 1939. Compôs música para diversos filmes, entre os quais a comédia “Dias Agitados” (Alexander Zarkhi e Iosif Kheifits, 1935), “O Cartão do Partido” (Ivan Pyriev, 1936), “Dnepr em Chamas” (Czeslaw Sabinsky, 1937) e três adaptações de Isidoro Ann para peças de Anton Checov - “Máscara” (1938), “O Urso” (1938) e “Casament o” (1944). Voltou a Tambov em 1942, onde lecionou na Faculdade de Música e foi Presidente da União dos Compositores.
 
 
23 e 24/11/2012
UM REI EM NOVA IORQUE
Charlie Chaplin (1957), com Charlie Chaplin, Maxine Audley, Jerry Desmonde, Oliver Johnston, INGLATERRA, 110 min.  
 
Sinopse
Monarca deposto chega a Nova Iorque e encontra seu ex-primeiro ministro, que se apropriou de todo seu dinheiro. Com uma conta alta e crescente no hotel, é persuadido a fazer comerciais para TV. O encontro com um garoto cujos pais sofrem perseguições políticas o torna suspeito de ser comunista e nessa condição é intimado a depor numa “comissão de atividades antiamericanas”.       
 
Direção, Argumento e Música Original: Charlie Chaplin (1889-1977)     
Charles Spencer Chaplin foi ator, diretor, produtor, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico inglês. Considerado um dos maiores artistas desde a criação do cinema, começou como ator e cantor de teatro, mas logo estreou nas telas com "Carlitos Repórter" (Henry Lehrman, 1914). Foi nesta época que desenvolveu seu personagem mais marcante, o "Carlitos".
Chaplin ficou conhecido também por suas posições políticas. Tido como comunista pelo FBI, apoiou o esforço de Roosevelt para superar a “política de neutralidade” que favorecia a escalada nazifascista e recebeu dele o estímulo para realizar o “Grande Ditador” (1940), quando a Paramount pressionava pela desistência do projeto.
Os ventos macarthistas, que começaram a soprar nos EUA após a morte de Roosevelt, logo o atingiram. Em 1947, "Monsieur Verdoux", dirigindo pelo próprio Chaplin, foi boicotado em diversas cidades. Em 1952, enquanto viaja à Inglaterra para promover "Luzes da Ribalta", seu visto foi revogado pelo governo americano. Impedido de retornar ao país, Chaplin escreveu: “Desde o fim da última guerra mundial, tenho sido alvo de mentiras e propagandas por poderosos grupos reacionários que, por sua influência e com a ajuda da imprensa marrom, criaram um ambiente doentio no qual indivíduos de mente liberal possam ser apontados e perseguidos”.     
Outros dos filmes mais celebrados de Chaplin são: "Em Busca do Ouro" (1925), "O Circo" (1928), "Luzes da Cidade" (1931) e "Iempos Modernos" (1936) .
 
 
08/12/2012
VOLGA-VOLGA
Grigori Alexandrov (1938), com Lyubov Orlova e Igor Ilyinsky, URSS, 104 min.  
 
Sinopse
Dois grupos de artistas amadores de uma aldeia driblam o boicote do burocrata Byalov e seguem a caminho de Moscou para atuar em um concurso de talentos chamado de Olimpíada Musical. A maior parte da ação se passa em um barco a vapor viajando no rio Volga. O nome do filme é retirado da canção popular russa "Stenka Razin", que Alexandrov cantava enquanto remava com Charlie Chaplin nas águas da baía de San Francisco. Chaplin brincando sugeriu as palavras para título de um filme e Alexandrov aproveitou a dica. Conta a lenda que era o preferido de Stalin.  
 
Direção e Argumento Original: Grigori Alexandrov (1903-83)     
Grigori Vasilyevich Alexandrov nasceu em Yekaterinburg, distrito federal dos Urais. Em 1921 iniciou no Teatro Proletkult uma fecunda parceria com Eisenstein, que se estenderia ao cinema. Co-escreveu o roteiro de “A Greve” (1924), co-dirigiu “Encouraçado Potemkin” (1925), “Outubro” (1928) e “Linha Geral” (1929). Em 1930 acompanhou Eisenstein em sua viagem aos EUA, participou, em 1932, das filmagens do inacabado “Que Viva México!” – em 1979 concluiu uma edição das imagens colhidas nesse trabalho. Retornou à URSS em 1933 e de uma conversação mantida com Stalin e Gorki surgiu o projeto de realizar comédias musicais estreladas por Lyubov Orlova, cantora extremamente popular, na época, que mais tarde se tornaria sua esposa. As produções deste ciclo são “Amigos Extraordinários” (1934), “Circus” (1936), “Volga-Volga” (1938), “Primavera” (1947). Os musicais obtiveram estrondoso sucesso e abriram caminho para outros diretores que se notabilizaram no gênero, como Ivan Pyriev.       
De 1951 a 1957, Alexandrov lecionou direção no Instituto de Cinematografia Gerasimov (VGIK). Entre os filmes que dirigiu destacam-se também “Encontro no Elba” (1949), “Glinka” (1952), “Grande Luto” (1953), “Souvenir Russo” (1960), “Lenin na PolÃ?nia” (1961), “Lenin na Suiça” (1965), “Starling e Lira” (1974). Foi premiado três vezes com a Ordem de Lenin, e recebeu o Prêmio Stalin em 1941 e 1950.  
 
Música Original: Isaak Dunayevsky (1900-55)
Considerado um dos maiores compositores soviéticos, Isaak Osipovich Dunayevsky nasceu em Lokhvitsa, Ucrânia. Em 1919, formou-se em violino e teoria musical no  Conservatório Kharkiv. Em 1924 transferiu-se para Moscou, indo trabalhar no Teatro Hermitage. Foi diretor e regente do Music Hall (1929-34), de Leningrado. Depois retornou a Moscou para trabalhar em suas operetas e músicas para cinema.
Dunayevsky criou 14 operetas, 3 balés, 3 cantatas, 80 coros, 80 canções e romances, música de 88 peças e 42 filmes, 43 composições para orquestra de música ligeira e 12 para orquestra de jazz, 52 composições para orquestra sinfÃ?nica e 47 de piano composições e um quarteto de cordas. Escreveu a música para três filmes de Alexandrov: “Amigos Extraordinários” (1934), “Circus” (1936) e “Volga-Volga” (1938). CompÃ?s também, entre outras, as trilhas de “Três Camaradas” (Semyon Timoshenko, 1935), “Filhos do Capitão Grant” (Vladimir Weinstock, 1936), “Meu Amor” (Vladimir Korsh-Sablin, 1940), “Cossacos de Kuban” (Ivan Pyriev, 1949).    
 
 
 

 

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