Sérgio Cruz: Plebiscito incomoda os sem-voto

Sérgio Cruz: Plebiscito incomoda os sem-voto

 

A mídia monopolista e os partidos da oposição sem voto – Democratas, PPS e PSDB – estão batendo o pé contra a realização do plebiscito proposto pela presidente Dilma Rousseff para ouvir o povo e concretizar a tão desejada reforma política no Brasil. Eles soltaram nota inconformados com a proposta de ouvir o povo sobre o assunto. Um dos objetivos da reforma é exatamente impedir que o poder econômico continue a controlar os políticos através do financiamento privado das campanhas. É por isso que os "compradores de votos" têm tanto medo do plebiscito. Eles sabem que o sistema de financiamento público acabará com a promiscuidade entre candidatos e grupos privados que financiam as campanhas.

Na nossa edição passada já havíamos dito que, se o ministro Gilmar Mendes, do STF, acha que o plebiscito é ruim, nós podíamos estar certos que ele é bom. Agora que a mídia golpista e a oposição se juntaram a ele e também estão fazendo carga contra a participação do povo nas decisões, temos que intensificar a campanha pela sua realização. Está claro que sem mobilização e luta popular, não haverá plebiscito nenhum sobre a reforma política. A oposição não quer nem ouvir falar no assunto. Ela quer deixar o povo de fora e manter tudo como está, ou seja, com os bancos, as empreiteiras e as multinacionais financiando as candidaturas e depois cobrando deles o "retorno" de seu "investimento". Mas é exatamente isso que tem que acabar, através do financiamento público de campanha.

A demagogia é tanta que alguns chegam a dizer que chamar o povo para decidir é terceirizar a política. "Não podemos terceirizar ou colocar sobre os ombros da população todo o peso e uma responsabilidade que é especialmente nossa, das instituições democráticas", discursou a senadora Ana Amélia (PP-RS), dizendo que temas complexos relacionados à reforma política já são debatidos no Congresso. Em suma, ela quer deixar o povo de fora e seguir debatendo o assunto indefinidamente entre seus pares como vem ocorrendo há décadas.

Para impedir o plebiscito, a oposição está inventando todo tipo de dificuldades. Dizem que é "oportunismo da presidente". Que ela está muito apressada, que o assunto não é fácil, etc. Mas, o que eles querem mesmo é inviabilizar a presença do povo. Dizem que já estão discutindo o assunto no legislativo. Mas é exatamente essa a preocupação da presidente, que além das discussões que se arrastam no Congresso, era necessário ouvir a "voz das ruas". Não há forma melhor de ouvir a voz das ruas do que a realização de um plebiscito. Resistir ao plebiscito, assim como demorar para atender as demandas sociais, injetando mais recursos em saúde, educação e transporte, é apostar no agravamento da crise.

O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), resiste à proposta e tenta levar a bancada a votar contra. Já o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), enrola, propondo uma comissão para fazer a reforma na Câmara e só depois um referendo. A presidente Dilma quer pressa e já enviou a consulta ao TSE e as sugestões do governo para o plebiscito. Ela sabe que a consulta tem que ser feita antes de outubro para valer já para as próximas eleições. "Gostaria de informar que pretendo sugerir aos membros do Congresso Nacional a realização do plebiscito sobre reforma. Diante disso, consulto sobre o tempo mínimo bem como os procedimentos necessários para a operacionalização e a racionalização da referida consulta popular", solicitou a presidente ao TSE.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, minimizou as resistências existentes na bancada do PMDB para aprovar o plebiscito. "O PMDB é o nosso principal parceiro, mais do que parceiro, faz parte do governo na sua essência, por meio da figura cada vez mais importante do vice-presidente Temer. Agora, é natural que o partido tenha a liberdade de se expressar", disse Carvalho, ao comentar a resistência da bancada do PMDB, liderada pelo deputado Eduardo Cunha.

Entre os temas propostos pela presidente, levados ao Congresso na terça-feira (2) pelo vice-presidente Michel Temer e pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para a reforma estão o Financiamento das campanhas, se públicas, se privadas, se mista; Definição do sistema eleitoral, se será o voto proporcional como é hoje, se será o voto distrital, se será o distrital misto, se será o ‘distritão’, se será a proposta em dois turnos; Continuidade ou não da existência da suplência no Senado; Manutenção ou não das coligações partidárias nas eleições e o fim do voto secreto ou não no Parlamento.

Fonte Hora do Povo 

 

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