Ronaldo Tedesco: Unir todos os petroleiros contra o PLS de Serra/PSDB e a venda de ativos de Dilma/Bendine

O Senado Federal, presidido por Renan Calheiros do PMDB, prepara um grande ataque contra a Petrobrás e a soberania nacional. A direita travestida em “oposição” está para colocar em votação um projeto que visa diminuir a participação da Petrobrás no Pré-Sal. Eles estão de olho grande nos extraordinários resultados que a Petrobrás tem conseguido no pré-sal. Querem que o governo ceda ainda mais do que já cedeu ao aprovar o regime de partilha. Só para ter uma pequena noção destes resultados, a Bacia de Campos, no pós-sal demorou 21 anos (1974-1995) para atingir a marca de 500 mil barris/dia, com mais de 470 poços em produção naquele momento. O pré-sal atingiu a mesma marca em apenas oito anos (2006-2014), com menos de 50 poços perfurados.

A Petrobrás aumentou o seu lucro bruto mesmo durante uma das maiores crises internacionais do petróleo desde a década de 1970 e em meio aos escândalos de corrupção e superfaturamento de obras e projetos que atingiu a companhia com força no ano passado. E só apresentou prejuízo pelo necessário reapreçamento de seus ativos realizado nas Demonstrações Contábeis do Exercício 2014.

A PETROBRÁS COMO OPERADORA

Ao aprovar o regime de partilha, o governo de Dilma (PT/PMDB/PP) já colocou 70% do nosso petróleo à disposição dos interesses dos capitalistas estrangeiros. O regime, no entanto, mantém a Petrobrás como operadora única e detentora de 30% de toda a produção, mas isso não garante o interesse nacional. O que garantiria a nossa soberania é manter todo o petróleo para o Brasil.

No entanto, a condição de operadora da Petrobrás no pré-sal ao menos dificultaria que as empresas petroleiras fraudassem seus índices de produção. Bem como dificultaria uma exploração predatória do pré-sal. O projeto da Serra é o PLS 131/2015 (Projeto de Lei do Senado) que revoga a participação mínima de 30% da Petrobrás nos consórcios de exploração do pré-sal e revoga a obrigatoriedade da Petrobrás na operação do pré sal.

A AEPET está divulgando documento que explicita a posição de sua diretoria em defesa da manutenção da companhia como operadora única, o chamado “As 14 principais razões porque a Petrobrás deve ser a operadora única no Pré-Sal”. O projeto está sendo amplamente divulgado pela Entidade na mídia oficial e na mídia alternativa. Estão sendo realizadas iniciativas políticas para afirmação destes argumentos em todo o país. Recentemente o deputado estadual do Rio de Janeiro Paulo Ramos (PSOL) realizou Audiência Pública na ALERJ para fortalecer este debate.

Precisaremos de toda a nossa força para impedir esta mudança que será muito prejudicial para o Brasil. Mas estamos sendo enfraquecidos internamente para este enfrentamento.

O PROJETO DE DILMA/BENDINE ENFRAQUECE A PETROBRÁS

A gestão do presidente da empresa, Aldemir Bendini, em conjunto com o Governo da DILMA/PT/PMDB/PP revelou sua intenção clara de “diminuição” do tamanho da empresa através do desinvestimento e da continuidade dos leilões de petróleo.

O Presidente Aldemir Bendine anunciou que vai vender US$ 40 Bilhões em ativos. Não explicitou quais (por “segredo empresarial”) mas os “analistas” sonham com a venda das UTEs, da TRANSPETRO, participação na BR DISTRIBUIDORA, FAFENs, dutos, navios, poços de petróleo etc. A Petrobrás venderá ativos na bacia das almas, perdendo o dinheiro que investiu nos últimos anos. Há uma redução de US$ 90 Bilhões em investimentos e um ajuste geral que envolve redução de contratos (leia-se “precarização”) e também redução de custos com pessoal direto e indireto.

O Presidente da AEPET, Felipe Coutinho foi absolutamente claro e objetivo quanto ao posicionamento da Entidade: "Em relação ao desinvestimento, salvo casos excepcionais, como algumas unidades no exterior, não concordo com a alienação dos ativos e a desintegração produtiva. A capacidade de geração de caixa e de lidar com as flutuações de mercado é proporcional a integração produtiva da companhia. Não é razoável que por uma questão conjuntural a Petrobrás venda ativos, se desintegre e se fragilize perante os riscos inerentes ao setor. Existem alternativas de financiamento, no mercado interno e na China por exemplo, o fluxo de caixa pode ser assegurado por política de preços adequada e alguns investimentos podem ser postergados para lidar com questões financeiras conjunturais." Ou seja, quem conhece a Petrobrás por dentro e está fora do jogo político de interesses do sistema financeiro, tem clareza das potencialidades da companhia. E do seu papel social para o Brasil.

A própria FUP – Federação Única dos Petroleiros – publicou afinal no dia 30 de junho de 2015 em seu sítio na rede mundial de computadores a sua primeira crítica consistente e eloqüente em relação ao atual projeto do Governo Federal e da gestão Bendine na Petrobrás em que destacamos o seguinte trecho: “É simbólico nesse processo o total desconhecimento da nova gestão que impõe impactos deletérios sobre o emprego e as economias locais. A expectativa é que, com essa nova estratégia, a Petrobras retome a confiança dos mercados e recupere sua trajetória de lucro. Ao mesmo tempo, ignoram-se todos os impactos sociais em várias regiões do país e o papel fundamental que a empresa possui a fim de impulsionar vários outros segmentos da indústria. Para os trabalhadores petroleiros, talvez seja o momento mais crítico observado desde a greve de 1995.”

O RITMO DE PRODUÇÃO E A MANUTENÇÃO DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

No novo planejamento estratégico apresentado pela diretoria da Petrobrás não há uma modificação da estratégia central que a companhia mantém desde o planejamento anterior. A busca pelo ritmo intenso de produção é mantida em detrimento de novos investimentos nos setores de transformação da economia, no refino e nas petroquímicas. O Governo Dilma ao manifestar a continuidade da política de continuidade dos leilões de petróleo aponta exatamente para a manutenção da mesma estratégia. E esta vai a passos firmes em direção a doença holandesa, abrindo mão de um projeto nacional consistente mais uma vez. A Presidente Dilma encontrou motivos para se orgulhar da mandioca, mas não consegue estender seu raciocínio em direção a uma riqueza ainda maior do Brasil. O petróleo.

Há uma resposta política, econômica e administrativa não para os graves problemas que a companhia e o país atravessam, mas para as insatisfações do mercado e do empresariado multinacional, contrariado com o conteúdo nacional, o controle da produção do pré-sal, a autonomia da Petrobrás em relação aos interesses estrangeiros – que ainda se mantém apesar do forte cerco em que se encontra. E, por isso, a estratégia de enfraquecimento da Petrobrás.

Tanto aqui no Brasil como na Grécia, vemos o mesmo modelo ser aplicado para satisfação do sistema financeiro, relegando a segundo plano as necessidades do povo. Na Grécia, a resposta até o momento tem sido a resistência, capitaneada agora pelo governo recém eleito. No Brasil, há um posicionamento no sentido contrário por parte do governo Dilma e, até este momento, os setores populares tem tido uma dificuldade extrema em se mobilizar e se organizar com propostas econômico-sociais que possam se opor aos interesses do sistema financeiro. A “oposição” direitista confunde amplos setores de massa com críticas em relação ao comportamento imoral e antiético que o governo adotou, impedindo que um debate estratégico possa superar os limites atuais, até por que concorda com a estratégia adotada e a priorização do sistema financeiro.

RECESSÃO E CRISE SOCIAL

O governo aposta numa política recessiva que aprofundará a crise atual. Em paralelo a Petrobrás aponta para uma redução brutal de atividades consolida a política recessiva de Dilma e impactará amplos setores da sociedade. E partem para a realização dos prejuízos que até mesmo a administração anterior da companhia se recusou a realizar. A venda de ativos – outro apelido para a privatização, que já chamada de concessão e de partilha – será a consolidação de perdas que poderiam ser perfeitamente evitadas, caso o Governo e a atual diretoria da Petrobrás acreditassem de fato na companhia e em suas potencialidades.

Dilma e Bendine sucumbem às pressões capitalistas que estão fortemente interessadas nas riquezas que a Petrobrás é incumbida constitucionalmente de produzir. Com isto acabam por enfraquecer a Petrobrás e os petroleiros no momento em que deveriam nos fortalecer para enfrentar o projeto de Serra e o Brasil. Na prática, ambos dão razão ao Senador José Serra neste debate. O senador insiste em dizer que a Petrobrás não conseguirá superar aos desafios que tem pela frente. O que ele não aprendeu é que “O desafio é a nossa energia”. E isto, infelizmente, Aldemir Bendine e Dilma Rousseff se “esqueceram” também.

* Ronaldo Tedesco Vilardo é Conselheiro Fiscal da Petros, fundo de pensão dos petroleiros e diretor licenciado da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET –

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