Rombo externo vai a US$ 11,6 bilhões só em janeiro


I - Balanço de pagamentos - Janeiro de 2014

O balanço de pagamentos registrou superavit de US$2,9 bilhões em janeiro. As transações correntes foram deficitárias em US$11,6 bilhões, acumulando, nos últimos doze meses, deficit de US$81,6 bilhões, equivalente a 3,67% do PIB. A conta financeira apresentou ingressos líquidos de US$14 bilhões, destacando-se os investimentos estrangeiros diretos, US$5,1 bilhões, e os investimentos estrangeiros em carteira, US$2,7 bilhões.

A conta de serviços apresentou deficit de US$3,4 bilhões em janeiro, 8,1% inferior ao registrado para o mesmo mês de 2013. As despesas líquidas com transportes somaram US$743 milhões, recuo de 11,4% na mesma base de comparação. O item viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$1,5 bilhão, redução de 7,8%, comparativamente ao ocorrido em janeiro do ano anterior. O resultado foi influenciado pelas reduções de 7,8% nos gastos de turistas brasileiros em viagens ao exterior e de 7,7% nos gastos de viajantes estrangeiros ao Brasil. Destacaram-se as elevações nas despesas líquidas com aluguel de equipamentos, 2,3%, e royalties e licenças, 6,8%. Os demais itens da conta de serviços apresentaram recuo nas despesas líquidas, computação e informações, 40,9%; e seguros, 7,4%. As receitas líquidas de serviços financeiros diminuíram 11,1%.

As remessas líquidas de renda para o exterior somaram US$4,3 bilhões no mês, elevação de 13% na comparação com janeiro de 2013. As despesas líquidas totais de lucros e dividendos atingiram US$2,5 bilhões, ante US$2,1 bilhões no mesmo mês do ano anterior, enquanto as despesas líquidas de juros somaram US$1,9 bilhão, aumento de 3,5% no período comparativo. As saídas líquidas de renda de investimento direto totalizaram US$2,3 bilhões, 40,8% superiores ao observado em janeiro de 2013. As remessas líquidas de renda de investimentos em carteira somaram US$1,5 bilhão, resultantes de despesas líquidas de lucros e dividendos, US$329 milhões, e de juros de títulos de renda fixa, US$1,2 bilhão. A despesa líquida de renda de outros investimentos somou US$488 milhões, recuo de 15,1% comparado ao mês equivalente do ano anterior.

As transferências unilaterais registram ingressos líquidos de US$171 milhões, recuo de 10% em relação a janeiro de 2013. O ingresso bruto de manutenção de residentes somou US$145 milhões, redução de 8,4% no mesmo período comparativo.

Os investimentos brasileiros diretos no exterior registraram aplicações líquidas de US$116 milhões, compreendendo aplicações líquidas de US$4,1 bilhões em aquisição de participação no capital de empresas no exterior, enquanto os ingressos líquidos provenientes de empréstimos intercompanhias de filiais no exterior às matrizes brasileiras somaram US$4 bilhões.

Os investimentos estrangeiros diretos somaram ingressos líquidos de US$5,1 bilhões. Os ingressos líquidos em participação no capital de empresas no País atingiram US$3,5 bilhões, enquanto os desembolsos líquidos de empréstimos intercompanhias totalizaram US$1,6 bilhão. Em doze meses, os ingressos líquidos de IED somaram US$65,4 bilhões, equivalentes a 2,94% do PIB.

Os investimentos estrangeiros em carteira apresentaram entradas líquidas de US$2,7 bilhões em janeiro, compostos por saídas líquidas de US$591 milhões em ações e ingressos líquidos de US$3,3 bilhões em títulos de renda fixa. Os investimentos em títulos de renda fixa negociados no País somaram ingressos líquidos de US$2,6 bilhões. As amortizações líquidas de bônus públicos negociados no exterior, incluindo recompras em mercado secundário, somaram US$61 milhões. Os ingressos líquidos de notes e commercial papers atingiram US$727 milhões no mês. Não houve operações em títulos de renda fixa de curto prazo negociados no exterior.

Os outros investimentos brasileiros no exterior apresentaram retornos líquidos de US$2,6 bilhões, compreendendo, dentre outros, redução de US$4 bilhões no saldo de depósitos mantidos por bancos brasileiros no exterior e expansão de US$870 milhões em depósitos de empresas não financeiras. As amortizações líquidas de empréstimos e créditos comerciais de curto prazo concedidos ao exterior somaram US$590 milhões no mês.

Os outros investimentos estrangeiros no País registraram ingressos líquidos de US$2,5 bilhões. O crédito comercial de fornecedores somou desembolsos líquidos de US$2 bilhões, concentrados em operações de curto prazo. Os empréstimos de médio e longo prazos somaram ingressos líquidos de US$587 milhões, influenciados por desembolsos líquidos de empréstimos diretos, US$244 milhões; e de compradores, US$228 milhões.


II - Reservas internacionais

As reservas internacionais, no conceito liquidez, totalizaram US$375,5 bilhões em dezembro, redução de US$332 milhões em relação ao estoque do mês anterior. Em dezembro, a liquidação de operações de linhas de recompra atingiu compras líquidas de US$2,5 bilhões, enquanto o estoque totalizou US$14,5 bilhões. A receita de remuneração das reservas somou US$254 milhões. As variações por preços aumentaram o estoque em US$805 milhões, e as variações por paridades o reduziram em US$1,6 bilhão. No conceito caixa, o estoque de reservas atingiu US$360,9 bilhões em janeiro, aumento de US$2,1 bilhões em relação ao mês anterior.


III - Dívida externa

A posição da dívida externa bruta estimada para janeiro totalizou US$311,3 bilhões, acréscimo de US$766 milhões em relação ao montante estimado para dezembro de 2013. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$279,9 bilhões, elevação de US$765 milhões, enquanto o estoque de curto prazo permaneceu estável em US$31,4 bilhões.

A variação da dívida externa de longo prazo no período é explicada por captações líquidas de títulos tomados pelo setor financeiro de US$591 milhões e de empréstimos pelo setor não financeiro, US$386 milhões. A variação por paridades diminuiu o estoque em US$713 milhões.

Fonte Canco Central 

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