Putin: "o que houve na Ucrânia foi um golpe inconstitucional, uma tomada militar do poder"

 

O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta terça-feira (4) que a deposição do presidente ucraniano Viktor Yanukovich  pelo Parlamento da Ucrânia foi um “golpe inconstitucional”, uma “tomada militar do poder”.
 

"Só pode haver uma avaliação sobre o ocorrido em Kiev e na Ucrânia: é um golpe de Estado anticonstitucional, uma tomada de poder pelas armas", disse Putin em suas primeiras declarações públicas desde a destituição do presidente Viktor Yanukovitch.

O presidente russo disse em entrevista coletiva em sua casa nas proximidades de Moscou que Yanukovich cumpriu todas as condições do acordo assinado com a oposição em 21 de fevereiro, efetivamente abrindo mão de seu poder, mas mesmo assim acabou deposto.

 

Ainda na entrevista, Putin disse que o povo da Ucrânia deve poder escolher seu futuro em condições equitativas, e reafirmou que Yanukovich  ainda é o presidente legítimo do país, apesar de ele não ter mais nenhum poder de fato. Segundo o presidente russo, Yanukovich teria sido morto se não tivesse fugido.

"Do ponto de vista jurídico há um único presidente legítimo, está claro que não tem poder. Mas eu já disse e quero repetir, este presidente legítimo do ponto de vista puramente jurídico é evidentemente Yanukovitch", afirmou.

O presidente russo disse que, por enquanto, não há necessidade de uso de força militar na Crimeia, mas reforçou que a Rússia tem a opção de fazê-lo. Ele também afirmou que o uso de força será feito apenas como último recurso, e que seu país irá fornecer ajuda financeira à Crimeia.

"No que se refere ao envio de tropas, isso não é necessário no momento, mas a possibilidade existe", declarou Putin, acrescentando que seu país se reserva o direito de recorrer a todos os meios para proteger seus cidadãos nesta ex-república soviética.

Ao ser perguntado sobre se existiam forças russas cercando as bases na Crimeia, Putin respondeu: "Não, não participam. São forças locais de autodefesa" que bloqueiam as bases ucranianas na Crimeia, disse.

No entanto, Putin ressaltou que o recurso às forças armadas russas na Ucrânia seria legítimo.

O presidente russo também falou sobre a ameaça de sanções feita pelos Estados Unidos contra a Rússia. Segundo o presidente, aqueles que consideram realizar sanções devem pensar nos estragos que elas podem causar, e afirmou que todas as ameaças contra seu país são “contraproducentes e prejudiciais”.

Na mesma entrevista, Putin disse que a Rússia está pronta para sediar a próxima reunião do G8 – mas que se s líderes ocidentais não quiserem ir, “eles não precisam ir”. A próxima cúpula das grandes potências está marcada para junho em Sochi, na Rússia. Os países ocidentais ameaçaram tirar a Rússia do grupo caso a escalada militar na Ucrânia prossiga.

A deposição de Yanukovich - ocorrida após meses de crise e protestos violentos na Ucrânia -  intensificou as tensões separatistas na região da Crimeia, provocando uma crescente tensão militar com a Rússia, que levou o Senado a aprovar um pedido de envio de tropas feito pelo presidente Vladimir Putin.

O presidente russo também afirmou que os grupos armados que tomaram o poder na Crimeia eram “forças locais de defesa”, não soldados russos. Ele disse que seu país não irá provocar movimentos separatistas na região.

Recuo
Também nesta terça, Putin ordenou o retorno aos quartéis das tropas que participaram das manobras militares que começaram no último dia 26 no Oeste e no Centro do país. Não há, porém, nenhuma informação sobre o movimento de forças russas na Crimeia.

O porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, informou que o chefe de Estado emitiu a ordem na segunda-feira (3), depois de receber o relatório do comando militar sobre o sucesso das manobras, dizem as agências internacionais de notícias Efe e Reuters.

O Kremilin negou que os exercícios militares, que começaram na semana passada, estavam ligados aos acontecimentos na Ucrânia, onde Putin diz que tem o direito de enviar tropas para proteger os compatriotas russos.


Estava previsto, durante os exercícios, o lançamento de forças aerotransportadas na retaguarda "inimiga", o que foi cancelado pelas condições meteorológicas. O líder russo assistiu ao último dia de manobras, em Kirilovski, na região de Leningrado, Noroeste do país.

Há uma senana, Putin colocou em alerta suas tropas no Oeste e no Centro da Rússia, incluindo as que estão nas zonas próximas à Ucrânia. O ministro da Defena Serguéi Shoigú negou, na ocasião, que o alerta das unidades estivesse relacionado com a crise na região.

Um total de 150 mil militares, 90 aviões, mais de 120 helicópteros, 80 blindados, cerca de 1.200 equipamentos de artilharia e 80 navios foram mobilizados durante os exercícios militares, os maiores desde a dissolução da União Soviética, en 1991.

Ao mesmo tempo, a Rússia anunciou também nesta terça que vai aumentar o número de seus navios de desembarque e que intensificará a restauração de suas embarcações desse tipo que já estão à disposição da Marinha de Guerra do país.

"A Marinha russa tem 19 navios dessa classe. Sua vida útil média é de mais de 25 anos", informou Shoygu, que acrescentou que a frota de desembarque russa experimenta uma renovação atualmente.

Fonte G1

 

facebook


Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Design profissional
  • Criação super fácil

Este site foi criado com Webnode. Crie o seu de graça agora!