Paralisações, passeatas e atos marcam o Dia Nacional de Mobilização em São Paulo

 Paralisações, passeatas e atos marcam o Dia Nacional de Mobilização em São Paulo

Centrais exigiram mudanças na política econômica e implantação da Pauta dos Trabalhadores

CGTB
Passeata dos metalúrgicos na Avenida das Nações Unidas

O Dia Nacional de Mobilização e Paralisação em São Paulo na sexta-feira (30) foi marcado por uma série de atividades que tiveram início durante a madrugada nas portas das fábricas. A CGTB esteve junto com a Força Sindical, desde as primeiras horas do dia, em várias fábricas da cidade de São Paulo na zona sul, zona oeste, zona norte e zona leste.

O presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira) esteve presente na porta da fábrica MWM onde se concentraram trabalhadores de várias empresas e de lá saíram em passeata pela Avenida Nações Unidas até chegar à Ponte do Socorro.

"Nós falamos para os trabalhadores sobre a importância de se acabar com o fator previdenciário, reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais, ter uma política de valorização do salário do aposentado, que tem as mesmas necessidades dos trabalhadores da ativa e é necessário que ele tenha aumento de salário para recuperar seu salário", disse Bira.

André Augusto
Bira, presidente da CGTB, durante discurso no centro de São Paulo

Para Bira "é preciso acabar com o superávit primário para poder sanar as necessidades emergenciais que o povo tem na mobilidade urbana, transporte, saúde, educação. É preciso acabar com essa superlotação no transporte, que carrega nosso povo como se fosse sardinha em lata. Além disso, tem que trabalhador que leva três horas para chegar ao serviço e depois mais três horas para chegar em casa. Temos que aplicar o recurso que está sendo destinado ao superávit primário para suprir essas necessidades".

"O mais absurdo é querer entregar o poço do petróleo do campo de Libra para o cartel estrangeiro para fazer caixa para o superávit primário e pagar juros. Isso está errado. Nós temos é que olhar para o nosso país. O BNDES tem que dar força para desenvolver a empresa nacional porque um país forte só com indústria forte. É necessário acabar com a desnacionalização e a desindustrialização. Para isso, tem que abaixar as taxas de juros, equilibrar o câmbio e aumentar o investimento público, que é quem puxa os outros investimentos", falou Bira.

Ato

André Augusto
Zé Maria (CSP-Conlutas), Oswaldo Lourenço (CGTB), Adilson Araújo (CTB), Paulinho (Força Sindical) e Bira (CGTB) durante ato no centro de SP

Um pouco mais tarde as Centrais Sindicais (CGTB, Força Sindical, CTB e CSP-Conlutas) realizaram um ato em frente à superintendência do INSS, em São Paulo exigindo mudanças na política econômica e que o governo federal cumpra o que prometeu nas eleições e atenda as reivindicações dos trabalhadores, como o fim do fator previdenciário, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, fim dos leilões do petróleo e arquivamento do PL 4.330, o PL da terceirização.

O ato realizado no viaduto Santa Ifigênia contou com a presença de metalúrgicos, costureiras, trabalhadores da construção civil, da saúde, aposentados, químicos, eletricitários, trabalhadores em energia, água e meio ambiente, trabalhadores em edifícios, gráficos e trabalhadores em refeições coletivas. Os aposentados passaram a noite em vigília na frente da superintendência do INSS para enfatizar a necessidade de se acabar com o fator previdenciário.

CGTB
Bira discursa para os metalúrgicos da MWM ao lado de Paulinho, presidente da Força, e Carlão, presidente do Sindicato dos Eletricitários de SP

"Hoje foi um dia muito especial para os trabalhadores brasileiros que se manifestaram de maneira contundente contra essa política econômica e contra esse fator previdenciário que arrocha e prejudica os trabalhadores retirando até 40% do seu salário no momento da aposentadoria. Exigimos o fim do fator previdenciário", disse Bira, presidente da CGTB.

Para Bira "essa é a hora de mostrar a indignação dos trabalhadores. O governo destina todo ano R$ 240 bilhões para os bancos internacionais enquanto falta investimento em saúde, educação, escolas, transporte digno para o povo, emprego e salário".

"Além disso, querem pegar nossa riqueza do petróleo do pré-sal e entregar para as multinacionais para fazer caixa para o superávit primário. O povo está de saco cheio dessa política econômica. Enquanto não mudar essa política, o povo vai continuar na rua", ressaltou Bira.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (Paulinho), falou que "esse é mais um dia que nós estamos na rua para protestar contra o governo que não atende as nossas reivindicações". Paulinho lembrou que "em 2010, na véspera das eleições, nos fizemos uma plenária no estádio do Pacaembu com mais de 30 mil dirigentes sindicais de todo o Brasil e aprovamos uma pauta de reivindicação e entregamos especialmente à Dilma. Ela se comprometeu com todas nossas reivindicações, mas lamentavelmente, até hoje, não atendeu em nada o que foi pedido pelos trabalhadores".

De acordo com o presidente da CTB, Adilson Araújo, o Dia Nacional de Mobilização e Paralisação "vem impactando um desejo de uma mudança profunda nessa política econômica conservadora. Lamentavelmente a tese defendida pelos economistas de plantão do governo Dilma incide na lógica de que para combater a inflação tem que aumentar juros. Essa é uma política equivocada. Se combate inflação com mais investimentos, geração de empregos e elevação da renda da classe trabalhadora, que foi o que permitiu que o Brasil crescesse 7,5% em 2010. De lá para cá começamos a descer a ladeira".

"O governo Dilma é muito prestativo para receber os banqueiros e atender as suas demandas; receber os empresários e atender as suas demandas, mas na hora de atender os trabalhadores falta com respeito e não dá uma resposta às reivindicações apresentadas", disse Zé Maria, da executiva nacional da CSP-Conlutas.

Fonte CGTB

facebook