Objetivo de Levy é sufocar o crescimento por mais 3 anos

Ministro de Dilma espera cortar R$ 100 bilhões nas despesas públicas para pagamento de juros, começando com R$ 60 bilhões (1,2%) em 2015

Depois de tantos elogios do PT ao sr. Joaquim Levy (segundo o senador Humberto Costa, ele não é apenas competente, mas é um homem de várias “competências”), promovido a “guardião do modelo de desenvolvimento que é exitoso” (sic), resta saber o que ele fez para merecer essa elevação via trem-bala ao panteão dos heróis da nacionalidade (que é, por sinal, do Bradesco – por isso, Getúlio não está lá, mas aqueles desocupados de 1932, M.M.D.C., estão).

O que Joaquim Levy fez na vida (profissional, bem entendido)?

Fez alguma empresa prosperar mais que outras do mesmo ramo?

Não, isso ele não fez.

Por acaso, fez alguma repartição pública ser mais eficiente do que era antes?

Não, leitor, isso ele não fez.

Então, será que ele fez algum banco ganhar mais dinheiro que seus pares, ou emprestar mais dinheiro que outros, ou proliferar seu número de agências, ou, que seja, ter mais clientes, ou, até – o que não é tão difícil nos últimos 20 anos – aumentar seus lucros mais que os demais?

Não, isso o Joaquim Levy não fez.

Mas pode ser que ele, apesar de não ser um bom prático, seja um grande teórico. Quem sabe se não estamos diante de um novo Adam Smith ou um novo (cáspite) Jean-Baptiste Say?

Portanto, indaguemos: que trabalho importante, em economia - ou até em jardinagem, se for o caso –, o Joaquim Levy publicou ou (pode ser que seja autor de algum inédito) escreveu?

Bem, leitor, forçoso é reconhecer que nenhum. Exceto se ele mantém, trancado a sete chaves, algum clássico sobre a economia alimentícia das beldroegas ou – quem sabe – sobre a importância do frango amanteigado como sucedâneo do xarope de limão bravo.

Na sua passagem pelo FMI, pelo BCE, pelo governo Fernando Henrique, pelo Ministério do Palocci e pela Secretaria da Fazenda do Estado do Rio de Janeiro, o citado Levy nada mais foi que uma excelsa e pouco esforçada mediocridade – um puxa-saco do que há de pior no mundo, aquela ideologia fascista neoliberal, segundo a qual a desigualdade e a miséria são as “esporas” que o povo está precisando levar no lombo para ser estimulado...

Mas foi um puxa-saco abaixo da média, do ponto de vista da competência especulativa ou financeira. Tanto assim que, expelido da vida pública, o máximo que arrumou foi a diretoria de um fundo do Bradesco – a repartição que gere especulativamente recursos alheios, o Bradesco Asset Management. Não conseguiu um JP Morgan Chase ou Bank of America para se encostar, apesar de todos os serviços prestados. Teve de se contentar com o Bradesco.

Não sabemos se o sr. Trabuco, presidente do Bradesco, ficou feliz em se ver livre dessa mediocridade – se Levy fosse muito competente, é duvidoso que Trabuco o tivesse dispensado.

No entanto, impressionados com a genialidade que o PT e o governo descobriram no Joaquim Levy, até perguntamos a um ex-colega dele (foram economistas da mesma instituição na mesma época) o que achava da competência do dito cujo. Infelizmente, não podemos reproduzir por escrito as gargalhadas da nossa fonte. Um dia, vamos enviar a cada leitor um MP3.

O que disse esse varão de Plutarco em versão tucana - ou neotucana, isto é, dilmista - na quinta-feira, quando foi oficialmente anunciado como ministro da Fazenda?

Disse que Dilma vai fazer, no próximo mandato, tudo aquilo de que acusou os adversários na campanha eleitoral. Alguns trechos do seu discurso:

1) “O objetivo imediato é estabelecer uma meta de superávit primário para os três próximos anos compatível com a estabilização e declínio da relação dívida bruta do governo geral como percentual do PIB. (…) A meta de superávit primário para 2016 e 2017 não será menor do que 2% do PIB”.

A dívida bruta interna está em R$ 3 trilhões. Diz Levy que quer baixá-la aumentando o desvio de verbas das necessidades da população para os juros. Hoje, 2% do PIB são R$ 100 bilhões – o corte mínimo que Dilma e Levy querem fazer nas despesas públicas, começando com 1,2% (R$ 60 bilhões) em 2015.

Tomemos como base, grosso modo, o Orçamento atual: todas as despesas primárias (isto é, não financeiras) discricionárias (isto é, não obrigatórias) somam apenas R$ 176 bilhões (mais exatamente: R$ 176.326.592.453). O que Levy está falando é que pretende cortar 34% dessas despesas em 2015 e 57% delas em 2016 e 2017 – ou seja, mais da metade dos gastos públicos com o povo que não são obrigatórios.

Isso significa recessão em 2015, 2016 e 2017. Significa sete anos de crescimento para trás – se assim é lícito nos expressarmos – com juros altos e desvio das verbas da Saúde, Educação, etc., para os juros.

2)         “... o superávit primário deve alcançar valor de no mínimo 2% do PIB (…) desde que não haja ampliação do estoque de transferências do Tesouro Nacional para as instituições financeiras públicas”.

Resumindo: cortar o apoio do Tesouro aos bancos públicos, em especial o BNDES – única fonte de financiamento das empresas, exceto seus recursos próprios. Exatamente a acusação falsa (ou uma delas) que Dilma fez à Marina na campanha eleitoral.

Evidentemente, isso significaria acabar com o BNDES: o saldo devedor do banco com o Tesouro era de R$ 470 bilhões no final de outubro - uma dívida que, aliás, é rigorosamente paga. Sem recursos do Tesouro, o BNDES teria que cobrar os mesmos juros dos bancos privados. Em suma, os investimentos, que já estão desabando (ver matéria nesta página), passariam a ser quase inviáveis.

3)         “Não faltando oportunidades de investimento no Brasil, especialmente se dificuldades regulatórias, burocráticas, assim como possíveis incertezas, forem superadas, e na medida em que mecanismos como as concessões de infraestruturase expandirem...”

Traduzindo em duas palavras: privatização edesnacionalização da infraestrutura. O leitor deve saber ou intuir quantos países se desenvolveram com a infraestrutura nessas condições: nenhum.

4)         “... nossa prioridade tem que ser o aumento dessa taxa de poupança. Para isso, o governo federal dará o exemplo, aumentando sua poupança, especificamente, o superávit primário”.

Aqui é a mera vigarice: o superávit primário não é poupança, mas um desvio de verbas para os juros. Portanto, aumentá-lo não faz aumentar a taxa de poupança, pelo contrário. A baixa taxa de poupança é uma função da baixa taxa de investimento (são os investimentos, como demonstraram Keynes e Kalecki, que criam a poupança, e não o contrário).

5)         “... o mercado de capitais terá um papel cada vez mais importante, complementando a ação do sistema bancário na alocação eficiente de recursos, de acordo com sua própria avaliação dos riscos e retorno de cada oportunidade de investimento”.

Para os leitores mais jovens: essa é a teoria de uma múmia chamada Eugênio Gudin, que foi ministro da Fazenda do malfadado governo Café Filho, em 1954 - portanto, há 60 anos. Evidentemente, é uma idiotice, pois, ao tornar a produção (e os investimentos necessários para ela) apenas um ramo da especulação financeira, acaba por sufocar a produção. Para que produzir quando os ganhos maiores estão na especulação? Só para alimentar o povo? Os especuladores teriam que ser filantropos para que isso desse certo...

CARLOS LOPES

  

 

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