MP investiga outros 40 suspeitos no esquema de propinas em SP

 

Relação de auditores da gestão de Gilberto Kassab na Prefeitura de São Paulo com as megaconstrutoras é investigada pelo Ministério Público e pela CGM

A quadrilha investigada por fraudar a arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS) que desviou cerca de R$ 500 milhões dos cofres públicos da Prefeitura de São Paulo tinha a ajuda de funcionários de grandes construtoras e de despachantes, segundo apontam as investigações do Ministério Público Estadual (MPE) e da Controladoria Geral do Município (CGM). O MPE investiga ainda 40 auditores fiscais da capital paulista por enriquecimento ilícito.

Os 40 inquéritos foram abertos depois da CGM indicar 84 nomes para avaliação. Alguns deles também aparecem nas investigações sobre o pagamento de propina de megaconstrutoras para redução do valor pago em ISS a auditores fiscais da Prefeitura. As denúncias começaram a ser reveladas após a prisão de quatro auditores na última semana. Segundo as investigações, somente eles, acumularam mais de R$ 80 milhões em receptação de propinas.

Segundo o MPE, a mando dos auditores, despachantes e funcionários das empresas construtoras realizavam a entrega das propinas. Em troca do serviço sujo, eles recebiam parte da propina. As investigações ainda não conseguiram comprovar quanto ganhavam os funcionários das empresas no esquema, mas os despachantes ficavam com 10% da propina pelo papel de intermediários.

Por enquanto, foram apontados os nomes de pelo menos três despachantes que teriam ajudado o grupo liderado pelo subsecretário da Receita Municipal de Kassab, Ronilson Bezerra Rodrigues. Seriam eles, Wanderlei Gabaroto, Moisés Auchuir e Gilberto Coz, que tem uma consultoria de regularização de construções na Mooca, zona leste.

Carlos Augusto di Lallo Leite do Amaral, que foi diretor da Secretaria de Finanças da prefeitura na gestão Kassab e preso semana passada, está entre os 40 investigados por enriquecimento ilícito pelo MPE após investigação da CGM. Também aparece o nome de Amilcar José Cançado Lemos. Na apuração da Promotoria sobre ISS, ele aparece como o criador do esquema de fraude.

Segundo a investigação, o dinheiro era entregue por membros do esquema na casa de Ronilson Rodrigues, na Rua Conde de Irajá, na Vila Mariana, zona sul da cidade.

Na época, Rodrigues, Eduardo Horle Barcellos, Luis Alexandre Cardoso Magalhães e Carlos Augusto di Lallo Leite do Amaral recebiam R$ 70 mil por semana. Antes de 2010 o esquema era encabeçado por Amilcar Cançado Lemos.

Na terça-feira (5), Luis Alexandre Cardoso Magalhães, inicialmente preso, mas liberado depois de firmar acordo de delação premiada, foi afastado da Prefeitura, o servidor foi suspenso por 120 dias, segundo consta no Diário Oficial da cidade. Nos próximos dias funcionários citados nas investigações devem ser afastados de seus cargos.

Fabio Camargo Remesso também foi suspenso do cargo na semana passada pelo envolvimento no esquema. Ele atuava como assessor na Secretaria Municipal de Relações Governamentais.

Vladmir Varizo Tavares, do setor de comércio e indústria, um dos maiores pagadores de ISS da cidade, também é investigado por enriquecimento ilícito pelo MP.

MÚLTIS

A Brookfield, a mesma que entre 2008 e 2010, pagou R$ 1,6 milhão em propinas para Hussein Aref Saab para os mesmo fins da atual denuncia, admitiu ao MPE ter pago R$ 4,1 milhões ao esquema. Outras empresas, como Tarjab, Trisul, BKO e Alimonti, também se faziam da facilitação oferecida pelos auditores.

A Secretaria Municipal de Finanças em conjunto com a CGM criou um grupo de trabalho composto por 10 auditores fiscais para convocar as construtoras e incorporadoras a reapresentarem os documentos de recolhimento do ISS cobrado sobre empreendimentos imobiliários recém-construídos.

De acordo com o controlador-geral do Município, Mário Vinícius Spinelli, “o grupo fará a aferição do imposto pago com o devido pelas empresas e, caso haja discrepância no valor recolhido, ajudará para que o município tome ações para a cobrança do imposto restante.

R$ 420 MILHÕES

“Segundo o que sabemos até agora das investigações, é que os quatro presos inicialmente possuíam R$ 80 milhões em bens, já bloqueados pela Justiça, mas ainda não resta sombra dos R$ 420 milhões faltantes para fechar a soma, os R$500 milhões desviados dos cofres públicos, como afirma a denuncia”, indagou o jornalista Ricardo Kotscho em matéria publicada em seu blog.

“O noticiário nos dá a conhecer a fraude na Prefeitura. Mas a conta não fecha. Foram desviados, segundo o Ministério Público, cerca de R$ 500 milhões e apurado patrimônio usurpado pelos diligentes funcionários de apenas R$ 80 milhões. Onde está o restante do roubo, a bagatela de R$ 420 milhões”, afirma o blogueiro que continua “o leitor tem toda razão ao desconfiar que haja mais gente envolvida nesta história. Afinal, o esquema movimentou tanto dinheiro, e por tanto tempo, que seria impossível não vazar para cima e para baixo na hierarquia municipal”.

Fonte ww.horadopovo.com.br

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