Morre Hurricane Carter, norte-americano que passou quase 20 anos preso injustamente

 
Carter, nascido em 1937 na cidade norte-americana de Clifton, começou a sua carreira de pugilista depois de se alistar no exército. Passaria quatro anos na prisão por furto, até em 1961, ano em que é libertado, regressar à prática desportiva para se tornar profissional de pesos médios.  Tudo apontava para um futuro promissor, depois de acumular mais de uma dúzia de vitórias seguidas, na sua maioria por knock out, o que lhe valeu a alcunha de Hurricane (furacão).
 
Mas, em 1966 é detido com um amigo e acusado de assassinato de três pessoas em Nova Jersey. Num julgamento relâmpago é condenado a três penas perpetuas por um júri composto exclusivamente por brancos. Tanto Carter como o seu amigo, John Artis, negaram sempre o seu alegado envolvimento nos crimes. Para além disso, passaram sem problemas num detetor de mentiras e nunca foram reconhecidos como autores pelas testemunhas.
 
Em 1974, Carter publica a autobiografia “The Sixteenth Round” que atraiu a atenção de pessoas como o cantor Bob Dylan ou Mohamed Ali. Dylan viria a reunir-se com Carter na prisão e, convencido da sua inocência, organizou vários concertos de apoio e denúncia do seu caso. Em 1975, escreveu a canção Hurricane que rapidamente se converteu num grande sucesso musical e num hino da luta pela justiça.
 
Após um segundo julgamento em 1976, Carter e Artis foram novamente condenados, apesar de a principal testemunha de acusação ser um conhecido delinquente, que por duas ocasiões mudara a sua versão dos factos. Porém, em 1979 um adolescente negro que vivia no Canadá convenceu um grupo de canadianos, entre eles os advogados Leon Friedman e Myron Beldock, a iniciarem uma campanha pela sua libertação.
 
Os seus esforços surgiram efeito. Em 1985 um juiz federal entendeu que a Procuradoria tinha agido de má-fé nos dois julgamentos e anulou as penas de que era acusado. Após 19 anos, sai da prisão e muda-se para Toronto onde vai viver com o grupo que tornou possível a sua libertação.
 
Em 1999, o realizador canadiano Norman Jewsion dirigiu a longa-metragem The Hurricane, protagonizada por Denzel Washington, sobre a história de Carter. Posteriormente, tornou-se ativo na defesa da libertação de presos que, como ele, foram condenados por crimes que não cometeram.
 
Durante anos o ex-pugilista foi diretor executivo da Associação em Defesa dos Injustamente Condenados em Toronto e mais tarde viria mesmo a criar a sua própria organização, Inocência Internacional. Em 2011, ao mesmo tempo que lhe foi diagnosticado um cancro maligno na próstata, Carter escreveu outra autobiografia: Eye of the Hurricane: My Path from Darkness to Freedom.
 
Fonte Nassif

 

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