Moniz Bandeira denuncia golpe fascista na Ucrânia

Ocidente apoiou putsch inconstitucional contra governo eleito, perpetrado, dentre outros, por milícias armadas de fascistas neonazistas, instrumentalizados pelos EUA e países da União Europeia ”

Embaixatriz pede parcialidade do Brasil

Dr. Rosinha, especial para o Viomundo

No dia 12 de março, o embaixador da Ucrânia, Rostyslav Tronenko e sua esposa, Fabiana Tronenko, estiveram na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados. Como pelo Regimento Interno da Câmara os embaixadores de países estrangeiros no Brasil não podem se manifestar, foi a embaixatriz da Ucrânia quem se manifestou.

A embaixatriz Fabiana Tronenko é brasileira, nascida em Curitiba, e lhe foi permitido fazer uso da palavra na Comissão. Ela fez um apelo para que o Brasil não fique imparcial na crise vivida pela Ucrânia e pediu apoio do nosso governo. Emocionada, por mais de uma vez pediu que o Brasil tome posição a favor da Ucrânia.

Disse a embaixatriz: “Nós necessitamos agora dos nossos países amigos; nós precisamos de um posicionamento do Brasil, não da sua interferência. Não que o Brasil chegue a interferir diretamente na situação, não é nada disso. É apenas um posicionamento, porque a situação que a Ucrânia está vivendo hoje é muito delicada”.

Na própria reunião, comentei com a senhora Tronenko que o Itamaraty já tinha divulgado uma nota pedindo uma solução pacífica para os problemas e que a solução passa pelo diálogo interno. Disse também que o nosso governo não pode ir além do que está disposto no art. 4º da nossa Constituição:

 A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I – independência nacional; II – prevalência dos direitos humanos; III – autodeterminação dos povos; IV – não-intervenção; V – igualdade entre os Estados; VI – defesa da paz; VII – solução pacífica dos conflitos; VIII – repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX – cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; X – concessão de asilo político.

Nesse mesmo dia 12, na CREDN, foi aprovado um requerimento para a realização de audiência pública para debater essa questão. Sugeri que um dos convidados para esta audiência fosse o Prof. Moniz Bandeira, que infelizmente não pôde, por questão de saúde, aceitar.

Transcrevo parte da mensagem, de 14 de março de 2013, que o Professor Moniz Bandeira enviou à Comissão agradecendo o convite e justificando a impossibilidade de estar presente:

Muito agradeço sua atenção e o honroso convite para participar de Audiência Pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional para debater a situação da Ucrânia, após as recentes manifestações populares, e a ocupação, por parte da Rússia, do território da Criméia. Infelizmente, não posso comparecer ao evento, uma vez que resido na Alemanha e minha situação cardíaca, aos 78 anos, não mais me permite uma viagem de 11/12hs, como para o Brasil.

Creio, entretanto, que a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, em consideração aos princípios de respeito à soberania e a autodeterminação dos povos, examinasse também o motivo pelo qual dois senadores americanos – John McCain (Partido Republicano) e Christopher Murphy (Partido Democrata) – participaram de manifestações em Kiev, interferindo nos assuntos internos de outro país, bem como a denúncia feita pelo economista Paul Craig Roberts, ex-secretário assistente do Tesouro no governo Reagan (1981-1989), de que ‘a Ucrânia ou a parte ocidental do país está cheia de ONGs mantidas por Washington cujo objetivo é entregar a Ucrânia às garras da União Europeia, para que os bancos da União Europeia e dos Estados Unidos possam saquear o país como saquearam, por exemplo, a Letônia; e simultaneamente enfraquecer a Rússia, roubando-lhe uma parte tradicional e convertendo esta área em área reservada para bases militares de Estados Unidos-OTAN.

E o fato, Sr. Deputado Eduardo Barbosa, foi que o Ocidente apoiou um putsch inconstitucional contra governo eleito, perpetrado, dentre outros, por milícias armadas de fascistas neonazistas (dos partidos Svoboda e outras organizações de direita, racistas e anti-semitas), instrumentalizados pelos serviço de inteligência dos Estados Unidos e outros países da União Europeia.

Antes da derrubada do governo eleito de Viktor Yushchenko, recebi de um conhecido em Kiev essa mensagem, que bem confirma e demonstra o quanto a mídia manipula as informações sobre os acontecimentos na Ucrânia:

“Sim, efetivamente aqui está muito quente na rua (a temperatura chegou a -35 graus na semana passada). Eu fui ver as barricadas ontem à noite, na primeira linha diante dos integrantes da polícia militar. É bastante impressionante. Os opositores na rua que ocupam aquela área estão armados, muito bem organizados militarmente em companhias, fazem patrulhas em grupos de combate de dez pessoas, com capacetes e armas. Eu cruzei com dois sujeitos com uniformes da divisão SS Galicia (que lutou com os alemães contra os soviéticos em 1943-1945. Acho muito engraçado ver os políticos europeus fazendo grandes declarações sobre o ‘Maidan’ e a democracia quando praticamente todos esses tipos que enfrentam a polícia nas ruas são fascistas. É uma grande hipocrisia. Os euro-atlânticos estão prontos a se aliar com não importa quem (como os islamistas na Síria) desde que isso contribua para enfraquecer a Rússia”.

Ao tomar conhecimento da impossibilidade da sua presença, enviei uma mensagem, via internet, para o Prof. Bandeira. Na resposta entre outras coisas ele lembra “que o tratado com a Ucrânia permite que a Rússia mantenha um efetivo de até 25.000 soldados na Criméia”.

Em correspondência simples, o Prof. Moniz Bandeira mostrou que a situação na Ucrânia é mais grave do que deixou transparecer a embaixatriz Tronenko.

O governo brasileiro deve divulgar alguma outra nota sobre a Ucrânia, que não sei qual é. Mas a minha posição é contra o golpe de Estado patrocinado pelos EUA e pela União Europeia.

Dr. Rosinha, médico pediatra, é deputado federal (PT-PR). No twitter: @DrRosinha.

 

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