Meirelles e o “tripé” dos bancos

O ex-presidente do Bank Boston, Henrique Meirelles, figura que só não provocou uma grave crise durante o governo Lula, graças à vigorosa ação anti-juros de José Alencar, resolveu voltar à carga contra a economia do país. No último domingo, sem a menor cerimônia, ele defendeu, em sua coluna na “Folha”, que a fracassada política neoliberal de juros altos, favorecimento aos banqueiros e arrocho fiscal impiedoso sobre a sociedade é a “única política que tem eficácia comprovada”. “Nada de querer inventar a roda com políticas originais”, acrescentou. 
 

Quando os banqueiros [ou seus serviçais] falam em eficácia de determinada política econômica, é imperioso saber a quem interessa a “eficácia” propalada por eles. E Meirelles, convenhamos, sabe muito bem quem ganha com a sua. Porque se os beneficiados não fossem os bancos, ele não teria sido guindado em 1999 à condição de presidente do Global Banking do Fleet Boston Financial. Então, pregar juros altos, arrocho fiscal e estagnação da produção - disfarçados com termos bem escolhidos como “metas de inflação”, “equilíbrio fiscal” e “câmbio flutuante” - é a sua especialidade e, porque não dizer também, a sua “escada para o sucesso”. Na peroração do domingo ele jurou que qualquer coisa fora destas “regras básicas da macroeconomia" seria um “criacionismo” inconsequente. 
 

Não nos parece nada estranho que Meirelles, se esforce tanto, e para isso se valha até de fragmentos - bem distantes, diga-se de passagem - da teoria darwinista da evolução, para defender sua baboseira pró-especulação e agiotagem. Afinal, ele é pago - e muito bem pago - para fazer isso. O que chama a atenção mesmo é o governo atual repetir essas asneiras à exaustão e colocar em prática ispi literis toda a cantilena banqueirista que ele advoga no artigo. 
O governo atual deu meia volta em p´raticamente tudo o que Lula fez em matéria de política econômica e passou a caminhar em direção ao passado. Fazem questão de jurar fidelidade aos bancos, aos monopólios e ao capital estrangeiro. Resolveram se aferrar como carraça ao velho “tripé” dos bancos. O tripé da estagnação, do arrocho e da especulação financeira. Com isso a produção desabou a partir de 2011 e, consequentemente, voltaram os espaços para as ameaças reais e fictícias de inflação.

 

Resolveram colocar de lado os lúcidos ensinamentos de Alencar e Lula, que no segundo período de governo cortaram as “asas” do curumim de Wall Street aboletado no BC e, com isso, soltaram as amarras que impediam o crescimento do país. A partir desta histórica decisão de Lula e Alencar, os juros caíram e os investimentos públicos cresceram. Lula, que já havia paralisado as privatizações, valorizou os salários e robusteceu a produção nacional. Essas medidas iniciaram uma elevação do PIB que chegou a 7,5% em 2010. Neste mesmo ano a indústria cresceu a 10%. E, com a produção em alta, não se ouviu falar em ameças de inflação. O consumo crescia e a produção mais ainda. 
 

Tudo hoje está acontecendo ao contrário do que ocorria em 2010 e, inclusive, tudo ao contrário também, do que foi pregado na campanha eleitoral daquele ano. Os juros estão na lua - e subindo -, o superávit primário, comemorado pelo Planalto, está acima da meta e é aplaudido pelos bancos, a crença na “salvação” do país pelo capital estrangeiro tornou-se tão grande que faz lembrar as arengas de Roberto Campos, a contenção de salários e a triste volta das privatizações passaram a ocupar praticamente toda a "agenda" do governo. O resultado não podia ser outro. 


O PÌB do país, como dissemos, embicou a partir de 2011 e a média de crescimento da economia de Dilma reduziu-se a menos da metade do período de Lula. Já se igualou ao desastroso governo FHC. E a previsão para 2014 é de um PIB de 1,99. Com isso, voltamos à era dos “pibinhos”, da quebra da indústria nacional, da primarização de nossas exportações, das privatizações, da inflação rondando o país e de rombos crescentes nas contas externas, que tanto caracterizaram a era tucana. Falta pouco para a volta do desemprego. A indústria já desemprega em todo o país há 26 meses. Um quadro que, mesmo envernizado pela mídia entreguista, está cada vez mais distante do vigoroso e progressista segundo mandato do presidente Lula e seu vice José Alencar. Não há dúvida que é preciso uma outra alternativa de poder que aponte para a mudança no rumo da atual política econômica.

Sérgio Cruz

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