Madoff e a orgia financeira de Wall Street

O JPMorgan Chase & Co divulgou, nesta terça-feira, uma queda de 7,3% no lucro trimestral após o maior banco dos Estados Unidos em ativos arcar com penalidades impostas pelo governo por não revelar suspeitas de fraude em um esquema do cliente Bernie Madoff. O lucro líquido caiu para US$ 5,28 bilhões, ou US$ 1,30 por ação, no quarto trimestre de 2013, ante US$ 5,69 bilhões, ou US$ 1,39 por ação, no mesmo trimestre de 2012, disse o JPMorgan nesta terça-feira.

Os últimos resultados levaram em conta os ganhos provenientes da venda de ações da Visa e One Chase Manhattan Plaza, além de despesas legais com os acordos relacionados ao caso Madoff. O JPMorgan concordou na semana passada em pagar US$ 2,6 bilhões para encerrar reivindicações privadas e do governo sobre a forma com a qual lidou com as contas de Madoff. O banco estimou naquele momento a subtração de US$ 850 milhões do lucro do quarto trimestre para cobrir despesas que não haviam sido provisionadas. A companhia concordou em pagar quase US$ 20 bilhões em 2013 para resolver reivindicações legais variadas.

“Era do mais alto interesse da companhia e dos acionistas que aceitássemos nossa responsabilidade, resolvêssemos as questões e seguíssemos em frente”, disse o presidente do Conselho e presidente-executivo Jamie Dimon, em comunicado. Analistas, em média, esperavam lucro de US$ 1,35 dólar, segundo a agência econômica Thomson Reuters I/B/E/S. Não ficou imediatamente claro se os números anunciados eram comparáveis.

Pirâmide

Ex-presidente da bolsa eletrônica Nasdaq, Bernard Madoff ressuscitou um velho esquema de investimentos conhecido como “pirâmide de Ponzi”, numa referência ao estelionatário Charles Ponzi, famoso na década de 20 do século passado por lesar 30 mil pequenos investidores norte-americanos. A diferença é que Madoff enganou gente graúda e movimentou muito mais dinheiro. O esquema de Madoff era executado por meio de sua assessoria a fundos de hedge (equivalentes no Brasil aos fundos multimercados), instituições financeiras e investidores individuais. Ele oferecia retornos constantes, mesmo em épocas de queda nas ações. Para isso, usava o dinheiro de novos clientes, em vez de utilizar a receita obtida com as aplicações dos recursos. O modelo depende essencialmente do fluxo constante de novos investimentos. Se alguém interrompe a corrente, o que pode acontecer com a retirada em peso de grande volume de dinheiro, o esquema desmorona sobre seu próprio peso. Com a crise bancária a partir de outubro, Madoff teve pedidos de resgates de US$ 7 bilhões e a pirâmide desmoronou. É como disse Brad Alford, que comanda a consultoria de investimentos Alpha Capital, de Atlanta (EUA):

– Não havia lucros, apenas o dinheiro de outras pessoas.

Entre os clientes de Madoff, estavam algumas das principais instituições financeiras do mundo, como o britânico HSBC, o espanhol Santander e o francês BNP Paribas, além de outros pesos pesados. Na Espanha, os prejuízos da fraude chegaram a € 3 bilhões. Na Inglaterra, passaram dos US$ 5 bilhões. Maior financeira do Japão, a Nomura Holding acumulou danos de US$ 300 milhões. Celebridades como a atriz Uma Thurman e o jogador de basquete Kobe Bryant também torraram milhões de dólares no esquema. Madoff provocou uma epidemia global. Bancos de mais de 40 países usavam seus serviços. Por isso mesmo, a contaminação alastrou-se numa velocidade espantosa e num momento em que as grandes instituições financeiras globais vivem sob desconfiança.

Pesos pesados

Investidores brasileiros com recursos no Exterior também perderam dinheiro. Não se sabe exatamente quanto, mas eles eram grandes clientes do Fairfield Greenwich Group, empresa de Connecticut (EUA) que distribuía os malfadados investimentos entre os milionários de vários países. Com ativos de US$ 14,1 bilhões sob gestão, o grupo afirmou ter direcionado US$ 7,5 bilhões para veículos financeiros ligados a Madoff. Esse dinheiro virou pó. Gestor do Fairfield, o financista Walter Noel é casado com uma brasileira, Mônica Haegler. O casal tem cinco filhas e usava o bom trânsito da família na alta sociedade de Milão, Londres, Madri e Genebra, além do Rio de Janeiro, para oferecer acesso aos fundos.

Uma mansão de Noel na paradisíaca ilha Mustique, no Caribe, chamada de Iemanjá, era o mais luxuoso ponto de encontro com amigos e clientes.Madoff foi muito bem representado pela família Noel durante quase 20 anos. Quatro dos cinco genros de Walter Noel trabalhavam para ele. Seu cunhado, o empresário Alex Haegler, é pai de Bianca, que atuava como gerente de marketing do Fairfield no Brasil. O clã tem ligações familiares e de amizade com Jorge Paulo Lemann, dono da Inbev.

 

Fonte Correio do Brasil

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