Leda Paulani: O ajuste fiscal é um nonsense (*)

 

(,,,) Ele [o ajuste fiscal] não vai resolver nada e só agravará as coisas. O grande problema, para quem defende esse tipo de ajuste, é o crescimento da relação dívida/PIB, que teria passado de 52 para 62% nos últimos 5 anos, e o resultado primário das contas do governo que, pela primeira vez desde 2002, deu um resultado negativo (de 0,6% do PIB) em 2014. O ajuste fiscal, a par de seu enorme custo social em termos de desemprego, de redução da massa salarial, de redução do salário médio real, de redução de benefícios sociais, de corte de recursos em políticas públicas essenciais, não vai adiantar nada para a melhora dessas duas variáveis. Como aos cortes profundos nos gastos públicos se combina também uma elevação injustificável da taxa básica de juros, temos um resultado explosivo e que se autoalimenta: ajuste fiscal, queda dos investimentos (público e privado), queda do consumo e dos gastos do governo, queda do produto, queda da arrecadação, piora nas contas públicas, piora na relação dívida/PIB, necessidade de mais ajuste. Em outras palavras, a elevação dos juros joga a dívida para cima e essa elevação, combinada aos cortes de gastos, joga o PIB para baixo. De que maneira pode cair a relação Dívida/PIB? Ou ainda, a piora na performance da economia faz cair arrecadação, piorando o resultado primário das contas públicas, por mais que se cortem os gastos (…).

 

(*) Trecho da entrevista ao Jornal do Commércio

Economista e professora da USP

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