IEDI: déficit record na balança da indústria de transformação

IEDI: déficit record na balança da indústria de transformação



Mais do que registrar ligeiro decréscimo nas exportações, de -0,6%, o saldo brasileiro dos bens produzidos pela indústria de transformação, segundo uma classificação da OCDE, atingiu déficit recorde para períodos de janeiro-setembro, de US$ 49,4 bilhões, devido ao aumento de 7,0% nas importações frente a igual período de 2012. Desde de 2006 que o saldo desses bens têm se deteriorado, isto é, após o superávit recorde logrado em janeiro-setembro de 2005, de US$ 22,4 bilhões.

Mesmo o saldo positivo de US$ 47,6 bilhões dos demais bens, basicamente da extração mineral e agropecuária, não foi o suficiente para tornar a balança comercial do País positiva. O superávit não alcançou o valor de 2012 e 2011. Essa deterioração decorreu da menor exportação dos bens primários em relação aos dois anos anteriores para o acumulado em tela: do recorde de US$ 80,3 bilhões em janeiro-setembro de 2011 a US$ 72,9 bilhões no mesmo período de 2013. Daí a balança comercial negativa do País, de US$ 1,8 bilhão. Foi o primeiro déficit desde 1999. As exportações totais de bens caíram pela terceira vez seguida, ficando em US$ 177,5 bilhões.

Já o intercâmbio de produtos da indústria de transformação pela classificação por intensidade tecnológica, a saber, alta, média-alta, média-baixa e baixa, os saldos das três primeiras faixas se deterioraram na comparação entre acumulado até setembro de 2013 e o de 2012. Os três com déficits em nível recorde e retração nas exportações. O segmento de baixa intensidade permaneceu superavitário, recuperando-se em relação a igual acumulado de 2012. Detalhando um pouco mais: 

  • O intercâmbio dos bens oriundos de atividades de alta intensidade tecnológica registrou déficit de US$ 24,6 bilhões nos nove primeiros meses de 2013. As exportações caíram para US$ 6,6 bilhões. Tirando igual acumulado de 2010, foi o mais baixo montante exportado desde 2006. As importações cresceram para o patamar recorde de US$ 31,2 bilhões. A maior parte desse grupo de bens são produtos montados com extensa cadeia produtiva global, a exemplo da indústria aeronáutica e das atividades do complexo eletrônico. Todos estes e os produtos farmacêuticos experimentaram déficit, sobressaindo o saldo negativo de eletrônicos.
     
  • A faixa de média-alta intensidade apresentou o maior déficit: saldo negativo de US$ 46,3 bilhões. O Brasil exportou US$ 29,5 bilhões em mercadorias tipicamente produzidas por atividades de média-alta intensidade. Tal grandeza ficou abaixo daquelas observadas em janeiro-setembro de 2012, 2011 e 2008. Este segmento abarca os materiais de transporte terrestre, parte expressiva dos bens de capital, afora produtos químicos, que abrangem amplo leque de bens intermediários.
     
  • Já os bens tipicamente produzidos por atividades de média-baixa intensidade tecnológica, experimentou pela quarta vez seguida, saldo negativo para o período em questão, déficit de US$ 8,6 bilhões, o maior desde 1989 para tal acumulado no ano. Apenas os últimos quatro anos da série iniciada em 1989 registraram déficits em janeiro-setembro. Esta mudança reflete o comportamento de dois dos principais tipos de mercadorias deste segmento: produtos derivados do petróleo, combustíveis e afins; e produtos metálicos, com destaque para commodities industriais. O resultado positivo dos produtos metálicos não vem mais logrando contrabalançar o déficit em produtos derivados do petróleo, combustíveis e afins.
     
  • Já o conjunto de bens da indústria de baixa intensidade tecnológica, obteve o único superávit no acumulado até setembro de 2013: US$ 30,2 bilhões. Esta faixa comporta dois tipos de produtos: aqueles cujos processos de produção são intensivos em recursos naturais nos quais o País é abundante; e aqueles cuja fabricação emprega intensivamente mão-de-obra. O superávit para os nove meses iniciais foi o terceiro maior em toda a série, ficando aquém do observado em igual acumulado de 2011 e de 2008. As vendas externas alcançaram US$ 44,2 bilhões, segundo melhor resultado da série. Tais resultados positivos se devem, sobretudo, aos produtos alimentícios, com contribuição dos segmentos madeireiro, de papel e celulose. Em contrapartida, os produtos das indústrias têxtil, de vestuário, calçados e de couro observaram déficit, assim como os bens diversos.

A premência de esforço inovador por parte do setor privado com apoio de um leque bem direcionado de estímulos do setor público são necessários para o incremento da produtividade e a reindustrialização brasileira. Tal processo se faz mister tendo em conta o comportamento recente dos preços das commodities e sua oscilação. Mesmo o câmbio, preço relativo central da economia, ainda não permitiu a aguardada retomada. Mas níveis maiores da taxa de câmbio sem oscilações tão abruptas são um reforço importante, em especial para atividades mais sensíveis a economias de escala.

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