IBGE registra queda na produção industrial de 0,2% em novembro

 

O setor com maior participação na indústria, de bens intermediários, está praticamente estagnado

A produção industrial recuou (-0,2%) em novembro de 2013 em relação ao mês anterior, após três meses de insignificantes taxas positivas, e no acumulado do ano (janeiro a novembro) registrou alta de 1,4%, ambas com ajuste sazonal. Os números divulgados pelo IBGE na quarta-feira (08) não são nada alvissareiros, pois para fechar as contas de 2013 falta apenas o mês de dezembro, que a essa altura do campeonato pouco irá acrescentar ao medíocre resultado acumulado de 11 meses e, o que é pior, não irá compensar a queda (-2,6%) de todo o ano de 2012.

Outras contribuições negativas sobre o total da indústria: máquinas e equipamentos (-3,0%), edição, impressão e reprodução de gravações (-5,3%), equipamentos de instrumentação médico-hospitalar, ópticos e outros (-16,0%), indústrias extrativas (-3,1%) e produtos de metal (-3,4%).

O fraco resultado da produção industrial pode ser constatado com a retração (-2,6%) no setor de bens de capital (máquinas e equipamentos).

No acumulado de janeiro a novembro, em relação ao mesmo período de 2012, o setor com maior participação na indústria, a produção de bens intermediários (insumos, componentes etc.), ficou praticamente estagnada, com uma ligeira alta de 0,2%.

O desempenho medíocre da produção industrial é o desfecho melancólico – e previsível – da política econômica do governo Dilma, de corte dos investimentos, dos gastos e do financiamento público; juros muito acima dos patamares internacionais; câmbio que subsidia as importações, que batem recordes sobre recordes; estímulo ao ingresso do chamado “investimento direto estrangeiro”, aumentando brutalmente a desnacionalização e, consequentemente, a desindustrialização; arrocho salarial do funcionalismo e estímulo ao arrocho também no setor privado; e a volta das privatizações, cuja face mais perversa se deu com o leilão do campo de Libra, com a entrada das Shell e Total, do cartel multinacional de petróleo, com o mesmo peso da Petrobrás. Enfim, uma consequência de uma política entreguista de fio a pavio.

Poderíamos lembrar que essa política já foi levada a cabo sob a administração tucana e deu no que deu. Mas não é preciso ir tão longe. Os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) do próprio governo Dilma são uma demonstração disso: 2,7% e 1% em 2011 e 2012, respectivamente. Para 2013, as projeções mais otimistas não chegam a 2,5% e neste ano continua na mesma marcha batida para o fiasco.

O segundo governo Lula, baseado na ampliação dos investimentos públicos, já demonstrou que é possível uma política de crescimento, para a qual a produção industrial é fundamental, por ser o setor mais dinâmico da economia. Portanto, a redução dos juros aos níveis internacionais e um câmbio equilibrado são essenciais, bem como o combate à desnacionalização e à desindustrialização e priorizar as empresas genuinamente nacionais, privadas e estatais, nos financiamentos e nas compras do Estado.

Recursos existem. Basta ver a montanha de dinheiro do BNDES destinada aos aeroportos privatizados e o desperdício de recursos desviados dos orçamentos da União, estados, municípios e estatais (exceto Petrobrás e Eletrobrás) para os bancos, através do superávit primário.

VALDO ALBUQUERQUE

 
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