Governo pretende privatizar os aeroportos de Recife e Curitiba

Recém reformados e avaliados pelos usuários como os melhores do país, eles devem entrar na segunda rodada de privatizações, segundo nota enviada ao Congresso

O governo federal pretende entregar ao setor privado mais três dos principais aeroportos do país em 2015 por meio de concessões. Esta que será a terceira rodada de privatização do setor coloca os aeroportos de Curitiba (PR), Recife (PE) e Cuiabá (MT) a disposição dos conglomerados multinacionais. A lista está em nota explicativa enviada pelo Executivo ao Congresso sobre a previsão de “receitas com concessões e permissões”. O objetivo do governo é de arrecadar R$ 2,97 bilhões, para destinar ao pagamento de superávit primário.

Segundo o ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Moreira Franco disse, o governo vê ainda “potencial de concessões de aeroportos nas regiões Sul, Norte e Nordeste”. A SAC admite ainda que pretende acrescentar o aeroporto de Porto Alegre – Salgado Filho, na nova rodada de privatizações da infraestrutura brasileira.

Dois dos aeroportos previstos nessa onda privatista, Recife e Curitiba, foram considerados pelos usuários como os melhores do país nas últimas pesquisas realizadas pela própria Secretaria de Aviação Civil. Eles receberam uma série de investimentos da estatal Infraero, se modernizando e ampliando a capacidade de atendimento.

Nos casos dos aeroportos de Recife e Cuiabá, novos terminais foram construídos, transformando-os por completo.

Ou seja, até a justificativa anterior apresentada pelo governo Dilma para privatização dos aeroportos de Guarulhos (SP), Viracopos (SP), Confins (MG), Brasília (DF) e Galeão (RJ); de que era necessária uma equipe com experiência internacional para a gestão dos aeroportos, caiu por terra.

O Aeroporto do Recife/Guararapes - Gilberto Freyre, segundo mais movimentado do nordeste, atrás apenas do de Salvador, pode sair das mãos da Infraero e ser privatizado pela bagatela de R$ 1,3 bilhão. Somente no ano passado o Guararapes teve uma movimentação de 6,8 milhões de passageiros, em 81 mil pousos e decolagens, segundo dados da Infraero.

Com o aeroporto de Curitiba, que também foi reformado durante as obras da Copa do Mundo numa obra que custou R$ 239 milhões, a presidente Dilma pretende doá-lo e arrecadar igualmente R$ 1,3 bilhão.

Com a ampliação custeada pelo estado, o aeroporto teve a capacidade ampliada de 7,9 milhões de passageiros para 8,5 milhões e ao término da obra em 2016 a ampliação chegará em 14,8 milhões de passageiros por ano.

O aeroporto de Cuiabá, que também passou pro reformas para a Copa teve sua capacidade ampliada de 2,5 milhões de passageiros por ano para 5,7 milhões e será entregue por apenas R$ 376 milhões.

Segundo a pesquisa que analisou o desempenho dos 14 principais aeroportos do país, os três aeroportos privatizados em 2012 estão em 2014 entre os piores avaliados, Brasília em 8º lugar, Viracopos em 12º e Cumbica leva o título de pior avaliado sendo o 14º na pesquisa.

O descaso com os trabalhadores é acentuado na gestão privada. Em 2013, uma fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) resgatou 111 operários nas obras de ampliação do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), que estavam submetidos a situações análogas a escravidão.

No aeroporto de Brasília - Juscelino Kubitschek, houve um grande alagamento na área de desembarque doméstico, após uma forte e rápida chuva. O caso ocorreu a nove dias do início da Copa do Mundo. A água transbordou de um bueiro que não suportou a vazão da água, escorreu pelas luminárias do teto ainda inacabado do desembarque, a área de check-in do novo terminal ficou intransitável de tanta água que tinha e acabou sendo isolada, segundo informou o consórcio estrangeiro responsável pelo aeroporto desde 2012, Inframerica.

GOVERNO NOVO MESMAS IDEIAS

No seu plano de privatizações, o governo conta também com uma nova concessão da ponte Rio-Niterói (até R$ 1 bilhão); o pagamento de bônus de assinatura da licitação de minério de ferro (R$ 966,3 milhões); o contrato de partilha do campo de petróleo de Pau-Brasil (R$ 3,125 bilhões); e a renovação das concessões de distribuição de energia (R$ 2,26 bilhões).

Constam ainda das receitas extraordinárias, a arrecadação com a concessão do porto de Imbituba (SC) por 30 anos (R$ 200 milhões) e de duas ferrovias: Oeste-Leste (Ilhéus/BA-Barreiras/BA), de R$ 3,5 bilhões, e Norte-Sul (Ouro Verde/GO-Estrela D’Oeste/SP), R$ 2,3 bilhões.

 

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