Governo beneficia rentistas com R$ 146 bi e derruba PIB em 1,6%

Resultado desastroso no primeiro trimestre na comparação com o primeiro trimestre de 2014

 

O Produto Interno Bruto (PIB) registrou variação negativa de 0,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre de 2014. Na comparação com igual período do ano passado o recuo foi 1,6%, segundo números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na sexta-feira (29/05). No acumulado dos quatro trimestres terminados no primeiro trimestre de 2015, a retração foi de 0,9% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Na comparação do primeiro trimestre de 2015 com o primeiro trimestre de 2014 a indústria apresentou contração de 3,0% e serviços de 1,2% - a agropecuária ficou positiva (4,0%). Já a formação bruta de capital fixo (FBCF), que representa os investimentos, despencou 7,8%. Além do fraco desempenho da indústria e dos investimentos, a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, destacou que a queda de 0,9% do consumo das famílias – afetado pelos juros altos, escassez de crédito, avanço do desemprego e queda na renda real do trabalhador – afetou o resultado negativo do PIB. “O consumo das famílias afeta demais a evolução do PIB, já que ele pesa 63% na economia”, disse.

Ainda segundo Rebeca Palis, o “ajuste” fiscal fez o consumo do governo cair 1,5% no primeiro trimestre em relação a igual período do ano passado, a maior desde o quatro trimestre do ano 2000.

A taxa de investimento (FBCF/PIB) no primeiro trimestre deste ano foi de 19,7% do PIB, abaixo do verificado no mesmo período do ano anterior (20,3%).

“Os dados hoje [29/05] divulgados pelo IBGE para o PIB mostram com clareza a matriz da recessão que vem se instalando no país. Trata-se de uma crise cuja origem está em uma redução extremamente forte do investimento, um sintoma da derrocada das expectativas empresariais, mas agravado pela política de ajuste. Esta, pelo menos em seus primeiros impactos, deprime adicionalmente as expectativas, introduz incertezas, sobre como, por exemplo, aumento de impostos, e ainda reduz os investimentos públicos, carregando as inversões privadas associadas”, avaliou o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).

De janeiro a abril, gastos com juros representam 7,78% do PIB

Em situação como essa, de recessão econômica, a política de juros siderais só joga mais gasolina na fogueira. De acordo com o relatório de política fiscal do Banco Central, somente de janeiro a abril o setor público gastou com juros R$ 146,060 bilhões, o que representa inacreditáveis 7,78% do PIB. Desse total, R$ 115,669 bilhões foram gatos pelo governo central (Tesouro, INSS e Bacen). Estados e municípios foram achacados em R$ 28,362 bilhões e as estatais – exceto Petrobrás e Eletrobrás – em R$ 2,029 bilhões. Ou seja, se a situação está ruim, com essa política de beneficiar os bancos, fundos e demais rentistas vai ficar ainda pior, principalmente no setor mais dinâmico da economia, a indústria de transformação.

Para o IEDI, “infelizmente, o encolhimento do investimento e da indústria, característico do primeiro trimestre deste ano, tende a se generalizar para a economia como um todo. Para o consumo devido ao menor emprego e restrições crescentes no crédito e, do ponto de vista da oferta, para o setor de serviços, refletindo o menor rendimento e consequentemente menor capacidade de consumo da população”.

Em relação ao trimestre imediatamente anterior, o PIB recuou 0,2%, sendo que a agropecuária cresceu 4,7%, a indústria recuou 0,3% e os serviços caíram 0,7%. Na indústria, extrativa mineral (3,3%) e construção civil (1,1%) cresceram. Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (-4,3%) e indústria de transformação (-1,6%) caíram.

No acumulado nos quatro trimestres terminados no primeiro trimestre de 2015, o PIB recuou 0,9% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. “Esta taxa resultou da contração de 0,7% do Valor Adicionado a preços básicos e do recuo de 1,9% nos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios. O resultado do Valor Adicionado decorreu dos seguintes desempenhos: Agropecuária (0,6%), Indústria (-2,5%) e Serviços (-0,2%)”, conforme o IBGE.

Na segunda-feira (1º), em evento na Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou que o “ajuste” fiscal vai durar pelo menos dois anos. E com ele mais recessão.

“A falta de perspectiva de uma retomada da produção industrial, o fim do ciclo de produção da construção, a retração dos investimentos, o menor consumo das famílias e do governo, as incertezas do setor externo, tudo isso aponta para um cenário muito ruim para a economia brasileira em 2015. Uma queda do PIB de mais de 2,0% no corrente ano já não é uma estimativa tão pessimista”, resumiu o IEDI.

VALDO ALBUQUERQUE

 

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