Governistas na CPMI da propina na Petrobrás sabotam trabalhos

Governistas na CPMI da propina na Petrobrás sabotam trabalhos

Para impedir que fossem convocados Sérgio Machado (Transpetro) e Renato Duque, ex-diretor de Serviços

A base dilmista no Congresso Nacional protagonizou na terça-feira (11) mais uma escandalosa manobra parlamentar para impedir os trabalhos da CPI que investiga o esquema de superfaturamento nas obras e desvios de verbas na Petrobrás. Setores da oposição, que não chancelaram o acordão fechado na semana anterior entre tucanos e petistas para impedir a convocação dos nomes citados na Justiça pelo ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Youssef, compareceram à sessão da terça dispostos a derrubar o conchavo PT/PSDB e votar os requerimentos convocando todos os implicados.
No início, a base governista esvaziou a primeira parte da reunião, na qual seriam votados os requerimentos de convocação de Sérgio Machado, presidente licenciado da Transpetro, e de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobrás. Na segunda parte da reunião, os parlamentares assistiram ao depoimento de uma testemunha que não acrescentou nada de novo às investigações e que havia sido convocada a pedido do PT: o gerente de contratos da estatal, Edmar Figueiredo.
O representante do PSDB, deputado Carlos Sampaio, desmentiu que partido como um todo tivesse apoiado o acordo da semana anterior para esvaziar a CPI. "O relator mentiu, mentiu, dizendo que tinha acordo para poupar quem quer que fosse. Minha história não combina com acordo", disse. O deputado concluiu dizendo defender também a convocação de Leonardo Meirelles, apontado como laranja do doleiro Alberto Youssef e o responsável por delatar pagamento de propina a tucanos com dinheiro desviado da Petrobrás.
O PSDB apoiou o acordo porque tinha o objetivo de impedir a convocação de Leonardo Meirelles, laranja de Alberto Youssef na Labogen. Meirelles disse à Justiça Federal, durante depoimento realizado em outubro, que o doleiro "trabalhava para o PSDB, com o senador Sérgio Guerra". Já o interesse do PT no esvaziamento do CPI era impedir a convocação do tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto e o diretor Renato Duque, indicado pelo partido. Segundo Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, os dois eram operadores do esquema de propinas do PT dentro da empresa.
Quando, ao final, o quórum foi atingido, a oposição tentou iniciar uma reunião extraordinária na qual seriam votados requerimentos de convocação dos envolvidos nas denúncias, mas não conseguiu. Teve início a Ordem do Dia do Senado e o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), encerrou rapidamente os trabalhos. O deputado gaúcho Enio Bacci (PDT) pediu a palavra para fazer uma denúncia: sem dar nomes, afirmou ter sido pressionado por colegas a não ir à sessão da terça e quarta-feira. "Disseram que eu seria substituído, se aqui comparecesse. É revoltante a forma como isso ocorreu. Em vinte anos, é a primeira vez em que houve uma pressão tão escancarada para que eu não comparecesse a uma CPI", disse ele. "Se eu não estiver aqui na semana que vem, é porque vim dar quórum hoje", precaveu-se Bacci.
A manobra para esvaziar a CPI ficou evidente logo no início dos trabalhos. A programação era a de que a reunião teria início com a votação de requerimentos, e que depois os parlamentares ouviriam o convocado Edmar Figueiredo. Mas os parlamentares governistas esvaziaram o plenário da reunião para impedir as deliberações. Não havia parlamentares do PT – à exceção de Afonso Florence (PT-BA), encarregado de fazer as perguntas ao diretor da estatal por conta da ausência do relator Marco Maia (PT-RS), que estaria hospitalizado. Por causa do baixo quórum, o presidente da CPI deu início ao depoimento.
Após o depoimento de Edmar Figueiredo, o quórum da reunião foi atingido e, com 17 membros presentes, a oposição cobrou a abertura de uma sessão extraordinária - o que o regimento permite. Os parlamentares pretendiam que a CPI votasse, entre outros, a convocação do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, da senadora Gleisi Hoffmann e do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, os três citados pelo doleiro Alberto Youssef como beneficiários do esquema de desvios na estatal. Nesta hora o líder do governo, Humberto Costa (PT-PE), chegou à CPI e informou a Vital que a chamada para votação em plenário havia se iniciado. O peemedebista encerrou os trabalhos da CPI sem ouvir os oposicionistas, que pediam que a sessão fosse suspensa para que ela fosse retomada ainda na própria terça-feira, após a sessão geral do Senado.
A manobra da terça-feira jogou para a inviabilizar as convocações dos envolvidos já que a CPI está com um prazo muito curto de funcionamento. A próxima reunião da comissão, que será na próxima terça-feira (18), poderá tomar as decisões sobre as convocações. A oposição promete brigar para aprovar as novas convocações apesar do prazo curto de funcionamento da comissão. A CPI vai funcionar até o dia 22 de dezembro. Com a troca na legislatura, será preciso abrir outra CPI para continuar as investigações a partir de 2015. Tudo indica que, se não forem convocados agora, os acusados serão chamados por uma nova CPI em 2015.

 

SÉRGIO CRUZ
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