Gabrielli volta a divergir de Dilma e diz que compra de Pasadena foi correta

Gabrielli explica Pasadena para bancada do PT e diz que foi um "bom negócio"

  • Ex-presidente da Petrobras se reuniu com bancada do PT na Câmara. Estratégia é montar um discurso de defesa da estatal
  • CRISTIANE JUNGBLUT 

Bancada do PT na Câmara se reúne com o ex-presidente da Petrobras Sérgio GabrielliAilton de Freitas / O Globo

 

 

BRASÍLIA - Em encontro de duas horas e meia com a bancada do PT na Câmara, o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli classificou a compra da refinaria de Pasadena como “cíclica": sendo um bom negócio no momento de sua compra, tendo problemas por mudanças de mercado em 2008 e voltando agora a ser um negócio lucrativo. Gabrielli admitiu que a presidente Dilma Rousseff não tinha todas as informações como presidente do Conselho da Petrobras, na época, mas insistiu que a compra da refinaria foi um "bom negócio" e "correto". Mas Dilma criticou, em nota, a compra. Perguntado sobre esta contradição, Gabrielli disse que "todos estão corretos" em suas posições.

Para ele, a oposição está fazendo "alegações com motivações políticas e eleitorais". Ele disse que a refinaria custou em ativos US$ 486 milhões e que o restante foi decorrente de estoques (de petróleo) comprados e vendidos e de despesas bancárias para garantir a operação. A estratégia do PT é montar um discurso de defesa da Petrobras e da compra da refinaria e tentar evitar a instalação de uma CPI específica sobre o assunto.

- É uma refinaria cíclica. A presidente (Dilma) não tinha acesso a todas as informações. Isso é correto. É correto (dizer) que ela não tinha todas as informações, como é correto que esse é um bom negócio. Tudo é correto - disse Gabrielli, acrescentando:

- Foi um negócio absolutamente normal. A refinaria foi um bom negócio naquele momento. É falso dizer que foi um negócio ruim.

Já no caso da Petrobras, Gabrielli disse que em dinheiro a estatal gastou US$ 486 milhões, sendo US$ 190 milhões na primeira parcela e mais R$ 296 milhões na segunda parcela, quando comprou a parte da Astra. Além disso, foram US$ 170 milhões de estoque na primeira parcela e mais US$ 170 milhões na segunda, somando US$ 340 milhões. E ainda US$ 150 milhões em garantias bancárias. Ao todo, isso soma US$ 976 milhões. A oposição tem dito que a Petrobras gastou US$ 1,1 bilhão, como sendo todo o ativo gasto.

Ele explicou ainda que a refinaria se tornou uma disputa judicial internacional. Primeiro, a Petrobras entrou na Justiça. Depois, a Astra recorreu.

Ao final, o processo de arbitragem dos Estados Unidos estipulou o valor que a Petrobras tinha que pagar pela parcela da sócia. Ele disse que a polêmica cláusula Marlin, que falava sobre percentual de dividendos, não foi aplicada. E que a cláusula Put Option estabelecia a forma de dissolução da parceria, em caso de desacordo.

A presidente Dilma, em nota oficial, reclamou que não conhecia as duas cláusulas e que o parecer feito na época sobre a compra fora malfeito.

Apesar de admitir que Dilma não tinha todas as informações, o ex-presidente da Petrobras procurou justificar a compra citando a decisão colegiada do Conselho da Petrobras, dizendo que o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, que era membro, concordou com a compra, por exemplo.

- Foram quatro anos de disputa judicial - disse Gabrielli.

Ele disse que hoje a refinaria é lucrativa. Gabrielli disse ainda, em entrevista em inglês, que a Petrobras é uma empresa "transparente, honesta e limpa" e que auditorias internas e externas são normais. Por isso, disse não haver problemas nas auditorias pedidas pela atual presidente, Graça Foster.

Ao seu lado, o líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (SP), disse que Gabrielli foi convidado para dar munição ao partido.

- A bancada saiu muito satisfeita - disse Vicentinho.

 

Fonte O Globo e Nssif

  • CRISTIANE JUNGBLUT 

 

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