Força sindical: Milhões de trabalhadores vão às ruas reivindicar mudanças na política econômica

Força sindical: Milhões de trabalhadores vão às ruas reivindicar mudanças na política econômica

 

Paulo Seguro

Milhões de trabalhadores convocados pela Força Sindical e demais centrais foram às ruas reivindicar mudanças na política econômica e o atendimento da pauta trabalhista: fim do fator previdenciário, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial; reajuste digno para os aposentados; mais investimentos em saúde e educação; transporte público de qualidade; fim do Projeto de Lei 4330 que amplia a terceirização; reforma agrária e, fim dos leilões do petróleo.

O Dia Nacional de Luta de Greves e Mobilizações começou de madrugada em várias regiões do País com paralisação de trabalhadores nas indústrias, no comércio  e bloqueio de rodovias. No Estado de São Paulo, dirigentes da Força Sindical e das demais centrais sindicais pararam indústrias localizadas nas regiões Sul, Norte, Leste e Oeste da capital paulista e cidades do interior.

Nestes locais arregimentaram os trabalhadores e saíram em passeata bloqueando vias de grandes avenidas e rodovias localizadas na Grande São Paulo, que totalizaram 35 pontos de manifestações de trabalhadores, como as marginas de Tietê e Pinheiros, Radial Leste, Salim Farah Maluf, Ponte do Socorro, Ponte Estaiada e as rodovias Anhaguera, Presidente Dutra, Cônego Domênico Rangoni, Raposo Tavares, Anchieta, Ayrton Senna, e as rodovias da Baixada Santista. Participaram das manifestações metalúrgicos, químicos, têxteis,  motoboys, comerciários, servidores públicos, frentistas, além de trabalhadores nas indústrias de alimentação, entre outros.

Algumas categorias aderiram em peso ao Dia Nacional de Luta, como trabalhadores em portos e construção pesada. De acordo com Wilton Ferreira Barreto, presidente da Federação Nacional dos Estivadores, pararam os portos incluindo os terminais privados, Porto Alegre e Imbituba (RS);  Paranaguá (PR); São Francisco do Sul (SC); São Sebastião e Santos (SP); Vitória (ES); Salvador (BA); Pernambuco; Maceió (AL) e Fortaleza (CE).

Adalberto Galvão, secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores na Construção Pesada (Fenatracop), informa que na Bahia estão paradas as obras de ferrovia, estaleiro, energia eólica, termelétrica, estradas de rodagem e refinaria.

Em Pernambuco, estão parados os trabalhadores das obras da Refinaria Abreu e Lima (do PAC) e porto de Suape. No Mato Grosso, os trabalhadores das obras da hidrelétrica Teles Pires cruzaram os braços. No Ceará, pararam as obras da construção civil e pesada e no Sergipe, as obras públicas.

Lista dos atos

Força Sindical São Paulo
Grande SP
São Caetano do Sul- paralisação nas indústrias, incuindo GM e bloqueio da Avenida Goiás.
Guarulhos – Concentração na rua Barão do Rio Branco até o Shopping Internacional de Guarulhos, próximo ao km 225, da Rodovia Presidente Dutra.
Mogi das Cruzes – Metalúrgicos invadem a Gerdau e retiram trabalhadores de dentro da empresa, seguindo em passeata até a rodovia Ayrton Senna.
Suzano – várias categorias, como químicos, refeições coletivas e metalúrgicos fizeram manifestação na cidade.
Interior
Araçatuba – Passeata de trabalhadores nas principais ruas da cidade.
Americana – os químicos e representantes de entidades sindicais e centrais se reuniram na Praça Basílio Rangel e seguiram em passeata pelo centro da cidade. O terminal urbano central foi paralisado.
Barretos – Paralisação da Usina Guarani e passeata pelo centro da cidade.
Campinas – manifestação pelas ruas da cidade e bloqueio no km 69 da Rodovia Santos Dumont.
Ferraz de Vasconcelos – Trabalhadores da área de Instrumentos Musicais e Brinquedos paralisaram as atividades nas empresas ( Brinquedos Bandeirante e Carisma), em Itaquera.
Guarulhos –  químicos se juntaram com outros dirigentes sindicais na Rua Barão do Rio Branco e Rua Cavadas no Itapegica (em frente à Borlem e Dyna). Um grupo fez passeata até o Shopping Internacional de Guarulhos, na via Dutra. Outro grupo saiu da região central. As paralisações reuniram químicos, metalúrgicos, servidores públicos, gráficos, vigilantes, comerciários, trabalhadores do setor de alimentação, borracha, condutores, da construção civil e indústria têxtil.
Jundiaí – bloqueio em pontos que dão acesso às indústrias. Sindicato dos Plásticos realizando passeata na Rodovia Anhanguera e foi até o centro comercial de Jundiaí.
Franca e Ribeirão Preto – bloqueio no km 379, da rodovia que liga Franca a Ribeirão.
Itatiba: pela manhã, químicos paralisaram as atividades na empresa Nautilus, em Atibaia.
Ipaussu – na parte da manhã, o sindicato dos químicos de Ipaussu e as centrais realizaram panfletagem no Páteo da Prefeitura de Ourinhos e depois, às 12h, no Distrito Industrial da cidade. Às 17h30, foi realizado um ato político na Praça Melo Peixoto, também em Ourinhos.
Itapecerica da Serra - o Sindicato dos Químicos paralisou as atividades nas empresas Boehringer e Fresenius.
Guaratinguetá – os Químicos de Guaratinguetá e Pindamonhangaba, em conjunto com os Metalúrgicos de Lorena, se organizaram em dois grupos que se concentraram na Praça Afonso Pena, às 7h, em São José dos Campos, e também na Dutra, em frente à Volkswagen, também às 7h.
Guaíra -  químicos e a regional Barretos da Força Sindical participaram de um ato, às 17h, na Praça Francisco Barreto, em Barretos.
Marília – lideranças sindicais de várias centrais e movimentos sociais da região estão realizando um grande ato na Praça São Bento.
Piracicaba – Passeata do centro da cidade até a Praça José Bonifácio. O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Papel de Piracicaba participou de atos na cidade.
Rio Claro – Mobilização dos químicos  na empresa Tigre, que emprega aproximadamente 1.500 trabalhadores.
Baixada Santista – dirigentes sindicais dos químicos participaram e coordenaram greves e passeatas em toda região. Os trabalhadores fecharam a rodovia Mogi-Bertioga. Foram realizados atos nos paços municipais de Santos e Cubatão.
São Carlos – a manifestação dos químicos em conjunto com as demais entidades sindicais e centrais foi em frente ao Mercado Municipal da cidade, às 17h.
Sorocaba – Manifestantes se concentraram no Parque das Águas, acesso à zona industrial da cidade e desviaram os ônibus que levavam os trabalhadores para as empresas. Os químicos de Sorocaba, Salto e Itapetininga coordenaram, ao lado de lideranças sindicais de outras categorias, a paralisação rodovia Dutra.
Suzano – dirigentes dos químicos coordenaram as paralisações nas rodovias Mogi-Dutra e Trabalhadores.
São João da Boa Vista – ao longo do dia, os químicos de São João da Boa Vista paralisaram os trabalhadores da Elfusa.
São José do Rio Preto – a regional da Força Sindical, em conjunto com os Químicos de Rio Preto e demais entidades sindicais realizaram atos ao longo do dia.

Bloqueios nas rodovias
Foram 22 rodovias em seis Estados; São Paulo, Alagoas, Goiás, Bahia, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.
Amazonas – Parados ônibus especiais que levavam trabalhadores para o distrito industrial de Manaus. Concentrações de trabalhadores em vários pontos como INSS e DRT, por exemplo, que se deslocaram para o Centro da Cidade.
Alagoas – BR-104 em Rio Largo, próximo do Aeroporto Zumbi dos Palmares; rodovia 101 em Flexeiras, Joaquim Gomes, Propiá e Novo Lino; BR-104, em Murici; BR-423 em Delmiro Gouveia; BR-316, em Atalaia e AL- 101 em Maragogi, no Litoral Norte. Às 14 horas concentração no centro de Maceió, paralisação no porto de Maceió e greve funcionários estaduais e municipais.
Bahia – pararam obras da construção pesada: metrô, refinaria de petróleo de São Roque do Paraguaçu e construção de estaleiro, além de rodoviários, limpeza urbana e aposentados. Passeata das ruas de Campo Grande até a Praça Municipal de Salvador.
Ceará – MST interditou trecho da CE-060, em Quixeramobim. Concentração das centrais na Praça Porto Ferreira. Parados trabalhadores da construção civil, construção pesada, Correios, servidores públicos da área da saúde, metalúrgicos, frentistas, têxteis e paralisação das lojas do centro de Fortaleza.
Distrito Federal – Manifestantes sairam da Catedral de Brasília até o Palácio do Planalto, e depois voltaram e fizeram um ato no Congresso Nacional.
Espírito Santo – Bloqueio de várias pontes de Vitória e fechamento de lojas. Manifestantes foram recebidos pelo governador, prefeito e foram à Assembleia Legislativa.
Minas Gerais – Ipatinga – metalúrgicos fecharam 50 quilômetros da BR-381; BH – metrô parado e manifestantes na Praça Sete; Montes Claros – professores municipais ocupam prefeitura; São João Del Rei – metalúrgicos, comerciários, rodoviários e UFSJ parados;  Governador Valadares protestos em ruas da cidade.
Goiás – Indústrias paradas em Catalão e bloqueio da BR-50.
Maranhão – Bloqueio do acesso ao Porto de Itaqui.
Mato Grosso – Bloqueio nas BRs 364 e 163. À tarde, manifestantes foram até o Centro de Cuiabá.
Mato Grosso do Sul – Passeata pelas principais vias de Campo Grande. Algumas lojas foram fechadas na capital. Participaram várias categorias como comerciários e trabalhadores na indústria da construção civil e construção pesada. 
Paraná – bloqueadas várias rodovias federais e o Contorno Sul, que liga a BR-116 à BR-277, sentido norte do Estado. As mobilizações ocorreram das 5h às 10h, e envolveram cerca de 20 mil trabalhadores nas empresas Volvo, Renault, Volkswagen, JTekt, CNH, Bosch, Brafer, WHB, Arotubi, Aethra, Parque Industrial da Volks (PIC), Arotubi e Perfecta. 
Cerca de cinco mil metalúrgicos da Volkswagen, PIC e Brose, JTekt, em São José dos Pinhais, realizaram passeata na BR-376, das 8h às 10h, bloqueando os dois sentidos da rodovia. Já os dois mil trabalhadores da Volvo fecharam as duas pistas e as duas marginais do Contorno Sul, em frente à montadora, das 8h às 10h. Na Renault, os metalúrgicos do 1º turno realizaram passeata na BR-277, nesse mesmo horário, fechando também as duas pistas da estrada. Nas três montadoras (Volvo, Renault e Volks) os trabalhadores do 1º turno decidiram paralisar atividades durante todo o dia.
Pará  - Concentração em frente à prefeitura de Belém. Depois a pauta de reivindicações foi entregue ao prefeito e ao governo estadual e retornou  ao local do ato. 
Paraíba – passeata nas ruas de João Pessoa e manifestação na cidade de Campina Grande.
Pernambuco – 80 mil trabalhadores parados no Complexo de Suape, inclusive obras da Refinaria Abreu e Lima (obra do PAC). Passeata Centro de Recife comércio e bancos fechados.
Rio de Janeiro – Metalúrgicos de Volta Redonda fizeram assembleia em função do Dia 11. Pararam os rodoviários de Volta Redonda e os químicos. À tarde, manifestação na Candelária, no Rio.
Rio Grande do Norte – Após concentração no Midway Mall Shopping, manifestantes seguiram pela avenida Salgado Filho até o Estádio Arena das Dunas (paralisou as obras), Palácio do governo, depois pela BR-101 até a avenida engenheiro Roberto Freire até Ponta Negra. 
Santa Catarina - Itajaí/SC: Aproximadamente duas mil pessoas vieram de toda a região do Vale do Itajaí e Litoral Norte para participar da Greve Geral ou Dia de Paralisação e Manifestação Sobre a Luta da Classe Trabalhadora em Itajaí. Mais outras três cidades fizeram atos: a capital Florianópolis, Criciúma ao Sul e Chapecó no Oeste.

 

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