Fernando Siqueira: Espionagem é mais uma consequência desgranida das privatizações

Fernando Siqueira: Espionagem é mais uma consequência desgranida das privatizações


Os jornais de domingo (7) estamparam nas suas primeiras páginas as informações vazadas pelo Wikileaks de que a Agencia Nacional de Segurança dos EUA vem espionando o Brasil.  Algo como dois bilhões de telefonemas e mensagens de brasileiros foram espionadas.

Artigo de Fernando Siqueira* 
 
Um crime hediondo de violação das liberdades individuais, sem nenhuma justificativa, a não ser a de cumprir a estratégia do Departamento de Defesa americano para manter o Brasil, o maior celeiro de matéria prima para os EUA, na condição de subdesenvolvido. Diz o jornal O Globo: “Companhias de telecomunicações no Brasil tem esta parceria que dá acesso à empresa americana. O que não fica claro é qual a empresa americana tem sido usada pela NSA como “ponte...”. (O Globo de domingo, 7/7/13, páginas 36 e 37).
 
Quando a privataria começou, alertávamos do perigo de privatizar as telecomunicações, portadoras da informação, por ser esta de alta importância estratégica. Se as empresas de telecomunicações ainda fossem estatais seria muito mais difícil cooptá-las. Tratando-se de empresas estrangeiras, fica muito mais fácil. Aliás, foi esta uma das razões da privatização das teles. O Brasil perdeu o controle das informações. 
 
Outras más consequências das privatizações foram: a abertura do subsolo para empresas estrangeiras; abertura da navegação de cabotagem para elas navegarem nos nossos rios e escoarem nossas riquezas; a venda da Vale por um centésimo do seu valor real e a quebra do monopólio do petróleo. Esta última está gerando a entrega do pré-sal para o cartel internacional do petróleo.
 
Sob um bombardeio diário do cartel internacional, o governo Dilma est[a acuado e, após reabrir os leilões, - o que não tem sentido, pois a Ptrobrás já descobriu mais de 60 bilhões de barris no pré-sal - está prestes a entregar ao cartel internacional do Petróleo o maior campo brasileiro, Libra, cuja reserva provável é de 15 bilhões de barris.
 
Estrangulando a Petrobrás financeiramente, o governo deixa a empresa enfraquecida para participar do leilão. No 11º leilão recém realizado, regido pela Lei de FHC que dá todo o petróleo para quem produzir, a Petrobras teve uma participação pífia, tendo comprado menos de 20% das áreas ofertadas e sendo operadora apenas em 3 delas.
 
No 12º que é específico para o campo de Libra, o bilhete premiado, a Petrobrás pode ficar de fora ou com apenas 30% por ser operadora única. Em compensação, consórcio estrangeiro tem chances de ficar com 46% do petróleo produzido, sem ter corrido risco, sem ter feito nada, pois a Petrobrás será a operadora. E vai exportar esse petróleo bruto, deixando de pagar 30% de impostos ao país e usando um imenso poder de barganha na geopolítica mundial porque petróleo dá poder.
 
Enquanto isto, nós brasileiros, verdadeiros donos do petróleo, deixamos escapar a maior oportunidade que o nosso país deixar de ser o eterno país do futuro para ser uma potencia econômica financeira e tecnológica mundial.
 
NÃO DÁ PARA ACEITAR ISTO!     
 
Fernando Siqueira é vice-presidente da Aepet e do Clube de Engenharia.

Fonte Agência Petroleira de Notícias (APN)

 

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