Fascistas de Kiev querem proibir a existência do Partido Comunista da Ucrânia

 

 
 
Enquanto a ofensiva genocida de Kiev contra o povo das Repúblicas Populares de Donestk e Lugansk continua, mais uma medida antidemocrática é tomada pelo governo de fascistas e imperialistas: o ministro da justiça, Pavlo Petrenko, entrou com uma ação junto à Corte do Distrito de Kiev pedindo o banimento do Partido Comunista Ucraniano sob a alegação de que estariam a apoiar a divisão do país [1].
 
Se esse banimento for declarado será o sintoma de uma escalada repressiva na Ucrânia que não para e que avança na perseguição das forças de esquerda pelo governo golpista. Outro partido anticapitalista, o Borotba, já tem sua direção na clandestinidade e muitos de seus militantes tiveram que abandonar a Ucrânia. Estes foram declarados ilegais pelos grupos fascistas, sendo atacados fisicamente pela Guarda Nacional, guarda-chuva oficial das milícias fascistas, e tiveram suas sedes destruídas[2]. O partido teve que lançar um comunicado oficial chamando a todos os militantes e simpatizantes a que entrassem na clandestinidade e abandonassem suas casas [3].
 
O PCU já sofrera as mais brutais agressões, com militantes atacados e sedes queimadas – e mesmo a casa do líder do partido, Pyotr Simonenko, foi incendiada [4]. Isto fez com que a vida do partido tivesse que migrar completamente para a Ucrânia Oriental. No Parlamento, Simonenko foi atacado por dois deputados fascistas do Svoboda enquanto discursava em defesa da “federalização do país e a concessão do status de língua oficial ao idioma russo” [4]. Pela total falta de segurança para o líder comunista realizar sua campanha presidencial – tendo sido mesmo perseguido por fascistas após sua saída de uma entrevista televisiva – teve que retirar sua candidatura [5].
 
Já no início de maio os deputados da Rada Suprema (parlamento nacional) expulsaram os comunistas de uma sessão a portas fechadas, infringindo o próprio regulamento interno que prevê a possibilidade de expulsão de um deputado de uma sessão, mas não de uma facção parlamentar inteira. Com essa manobra o governo buscava garantir a maioria de votos de que necessitava para aprovar seus intentos de guerra, como o restabelecimento do serviço militar obrigatório, para assim reforçar sua ofensiva genocida [6]. E foram várias as sucessivas declarações do então presidente interino Alexandr Turchínov exigindo a ilegalização do PCU [7].
 
A verdade é o contrário das alegações das “autoridades” de Kiev: quem levou o país à divisão foi a ação dos imperialistas e fascistas que perseguem a esquerda e as minorias nacionais, bem como lançam uma ofensiva genocida contra o povo do Leste. Quem divide o país são os golpistas que retiram o caráter oficial das línguas minoritárias e negam a única política que poderia devolver a paz ao país: a federalização da Ucrânia. Quem dividi o país são os golpistas de Kiev que se aliam aos oligarcas do Leste para reprimir a população, como Ihor Kolomoisky, indicado por eles para ser o governador de Dnipropetrovsky e apontado como um dos principais líderes da máfia ucraniana [8]. Este já propôs a construção de um muro separando a Ucrânia da Rússia, financia as milícias fascistas e ofereceu pela morte do líder antifascista Oleg Tsarev um milhão de dólares [8].
 
O governo de Kiev está sob controle do partido da guerra: oligarcas em geral e do setor militar em particular, milícias fascistas do Maidan, a máfia ucraniana e os EUA. Estes lucram com a guerra e a morte e se fortalecem politicamente. O novo prefeito da capital, Vitali Klichko, representante dos interesses imperialistas alemães no país, que tinha declarado que iria dissolver os acampamentos do Maidan [9] – uma terra de ninguém, de bandidos e fascistas – não os dissolverá mais, tendo já sido ameaçado de ter a prefeitura queimada caso o fizesse [10]. O cessar-fogo foi boicotado pelas milícias e pelos próprios oficiais do exército, desmoralizando o presidente Poroshenko, que teve que recuar e levantar o mesmo [11].
 
Ao contrário das medidas de Kiev, a única maneira de reconstruir a unidade do país passa não pela ilegalização da esquerda ucraniana, que luta por democracia e em defesa dos trabalhadores do país e das minorias ameaçadas. A única forma de reconstruir a unidade é garantindo os direitos democráticos e a federalização. A única forma de conquistar a paz é combatendo as milícias fascistas e colocando na ilegalidade os partidos fascistas como o Svoboda e o Pravy Sektor, que espalham o terror pelo país.
 
Nessa hora sombria em que novamente a esquerda é ameaçada pelas hordas fascistas, e que o terror castanho anda livremente pelas ruas de Kiev e matam no Leste, é necessário que todos os comunistas e verdadeiros democratas do mundo se unam em defesa da esquerda ucraniana. Contra ilegalização do PCU! Contra a perseguição à esquerda ucraniana!
 
* Carlos Serrano Ferreira é pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia da UFRJ (LEHC-UFRJ) e militante do PCB-RJ.
 
[1]AFP. Ukraine seeks to ban Communist Party. 8 de julho. Disponível em:www.business-standard.com/article/pti-stories/ukraine-seeks-to-ban-communist-party-114070801494_1.html.
 
[2] INITIATIV. Antifascistas na Ucrânia: Entrevista a um responsável do Borotba no exílio. Tradução do Diário Liberdade. 23 de junho. Disponível em:www.diarioliberdade.org/artigos-em-destaque/413-antifascismo-e-anti-racismo/49421-antifascistas-na-ucrânia-entrevista-a-um-responsável-do-borotba-no-exílio.html.
 
[3] BOROTBA. Ukraine: Junta launches repressions against Borotba activists Statement of the union ‘Borotba’ (Struggle). Disponível em: http://borotba.org/ukraine-_junta_launches_repressions_against_borotba_activists_statement_of_the_union_borotba_struggle.html.
 
 
[5] CENSOR.NET. Activists of Automaidan blocked Simonenko’s car and smashed the windows. 17 de maio. Disponível em: http://inforesist.org/en/activists-of-automaidan-blocked-simonenkos-car-and-smashed-the-windows/.
 
[6] RIANOVOSTI. El Parlamento de Ucrania expulsa a los comunistas y restaura la mili. 6 de maio. Disponível em:http://sp.ria.ru/international/20140506/159972738.html.
 
[7] Dois exemplos disto, feitos em seqüência em maio passado, podem ser encontrados aqui: RIANOVOSTI.Presidente interino llama a proscribir el PCU por supuesto separatismo. 13 de maio. Disponível em:http://sp.ria.ru/international/20140513/160045358.html e RIANOVOSTI.El presidente interino de Ucrania exige prohibir al Partido Comunista. 19 de maio. Disponível em: http://sp.ria.ru/international/20140519/160125734.html.
 
[8]VOLTAIRE. Ukraine: Ihor Kolomoisky offers $ 1 million to murder Oleg Tsarev. 17 de maio. Disponível em:www.voltairenet.org/article183839.html.
 
[9] RIANOVOSTI. Klichko planea liberar el centro de Kiev de los restos del Maidán. 26 de maio. Disponível em:http://sp.ria.ru/international/20140526/160205699.html.
 
[10] RIANOVOSTI. La situación en El centro de Kiev sigue peligrosa, reconoce su alcade. 7 de julho. Disponível em:http://sp.ria.ru/international/20140707/160695082.html.
 
[11] RIANOVOSTI. Poroshenko quiere tregua en el este pero parte de los militares no le obedecen.http://sp.ria.ru/international/20140630/160605294.html.
 
Por Carlos Serrano Ferreira*

 

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