EUA e dono do eBay financiaram oposição ucraniana, indicam documentos

 

Documentos vazados pelo site de notícias PandoDaily mostram como o governo dos Estados Unidos e Pierre Omidyar, dono do eBay e do site jornalístico The Intercept, ajudaram a financiar os oposicionistas ucranianos. O governo dos EUA doou dinheiro aos ucranianos por meio da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). Já a outra parte do dinheiro veio do bilionário norte-americano, que já trabalhou com o governo dos EUA.

Reprodução/PandoDaily

Um dos documentos obtidos pelo site de notícias PandoDaily que demonstraria envolvimento de Omidyar com opositores ucranianos

Pierre Omidyar é dono do site de comércio eletrônico eBay e financiador do blog de jornalismo independente The Intercept, editado pelo jornalista Glen Greenwald. Greenwald foi o repórter responsável por vazar os documentos obtidos por Edward Snowden sobre a espionagem feita pela NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA).



Ou seja, numa reviravolta, Omydiar passa de financiador de projetos para desmacarar governos a apoiador de iniciativas políticas capazes de causar instabilidade numa região do globo. De modo algum os documentos vazados pelo PandoDaily atestam um golpe de Estado apoiado pelos EUA, mas como o financiamento externo impulsionou muitos dos grupos envolvidos na derrubada do presidente Viktor Yanukovych.

Reprodução
Além disso, não pode ser desprezado da direita neo-nazista ucraniana na crise. Mas muito do poder político envolvido no processo está nas mãos de políticos pró-União Europeia, como Oleh Rybachuk. Ribachuk era o braço direito de Viktor Yuschenko, líder da chamada Revolução Laranja - movimento contra fraudes eleitorais e corrupção ocorrido em 2004.

[Omidyar é dono do site de comércio eletrônico eBay e financiador do blog de jornalismo independente The Intercept]

Em dezembro, o jornal britânico Financial Times mostrou como a New Citizen, ONG fundada por Rybachuk desempenhou importante papel nas manifestações contra o governo de Yanukovych. Além da New Citizen, outras ONGs como a Centre UA, Chesno e Stop Censorship alvejaram aliados de Yanukovych em campanhas no interior do país antes de desembocar nos massivos protestos na capital Kiev.



A articulação dessas ONGs foi tão forte ao ponto do governo ser acusado de “jogo sujo” para impedir os protestos, segundo reportagem do jornal Kyiv Post. Essas organizações tiveram força - e isso significa dinheiro, sublinha a reportagem do PandoDaily – para resistir aos ataques do governo. Qual é a fonte desse dinheiro?

Cerca de US$ 180 mil, 36% do orçamento de 2012 da Centre UA vieram da Omidyar Network, empresa de Pierre Omidyar. Outros US$ 220 mil do orçamento de 2012 da Centre UA vieram da USAID. Ou seja, 90% dos recursos utilizados por uma das principais forças oposicionistas ucranianas vieram dos EUA. Já em 2011, Omidyar doou US$ 335 mil para a New Citizen, a ONG liderada por Rybachuk.

Omidyar sempre falou com orgulho sobre a New Citizen: “usando mídia e tecnologia, a New Citizen coordena esforços de membros da sociedade civil preocupados com o país, aumentando suas possibilidades de moldar e definir políticas públicas”, diz o texto no site da ONG. “Com apoio da Omidyar Network, a New Citizen vai aumentar seus esforços em trazer mais transparência e engajar cidadãos em assuntos importantes para eles”.

Rybachuk segue um roteiro comum nas ex-repúblicas soviéticas: de bem-relacionado com a KGB (serviço secreto da antiga URSS) a lobista pró-neoliberalismo nas repúblicas independentes. Ele chefiou o departamento de relações internacionais do Banco Central da Ucrânia sob as ordens de Yuschenko. No governo, Rybachuk comandou a privatização das estatais ucranianas. Nesse período, o futuro líder de ONG estabeleceria contatos com governos ocidentais e instituições de ajuda financeira internacionais. Na época, um dos doadores para ONGs na Ásia Central era o investidor George Soros.

Logo, se instalou um conflito de interesses para Omidyar: ao mesmo tempo que trabalha ao lado do governo dos EUA para derrubar governos estrangeiros e financiar a queda de um regime democraticamente eleito, o empresário investe em um grupo de jornalistas independentes para investigar as ações do governo dos EUA dentro e fora do território ianque. No mínimo, contraditório.

Ao contratar Greenwald e outros jornalistas independentes, Omidyar ganhou elogios e nenhum criticismo por parte da imprensa, de acordo com o DailyPando. A história sobre o financiamento da oposição ucraniana foi levantada por Marcy Wheel, uma das estrelas do jornalismo investigativo contratadas por Omidyar. No Twitter, Marcy perguntou quem estaria financiando a segunda revolução laranja na Ucrânia. A ironia foi ela descobrir que um dos patronos da insurgência era seu próprio chefe.

 

Fon te Opera Mundi

Orçamento da ONG Chesno (Honestamente) para 2012 (PDF), mostrando ajuda da USAID e da Omidyar Network.

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