Esquema do doleiro Youssef movimentou R$ 10 bilhões

Paulo Roberto Costa foi responsável pela obra mais cara da Petrobrás, a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, cujo preço final pode ultrapassar R$ 40 bilhões. Segundo a Polícia Federal, os contratos eram superfaturados e o sobrepreço era repassado pelas empreiteiras ao doleiro Alberto Youssef. O doleiro, por sua vez, cuidava da distribuição do suborno aos políticos. Nas empresas laranjas do doleiro foram depositados, até agora, pelas empreiteiras, cerca de R$ 206 milhões, já identificados pela PF, que serviram para o pagamento de propinas. A Toyo, que também depositou nas empresas de Youssef, tem contratos de mais de R$ 4 bilhões com a Petrobrás. Sua diretoria rompeu com o cartel e está decidida a colaborar com a PF. Os procuradores da Operação Lava Jato iniciaram seus trabalhos com o intuito de descobrir a origem dos mais de R$ 10 bilhões lavados pelo esquema de Alberto Youssef e acabaram por descobrir o desvio milionário na Petrobrás através de superfaturamento de obras para alimentar diretores da estatal, políticos e parlamentares.

Paulo Roberto Costa e Youssef disseram à Justiça que o então diretor de Serviços da Petrobrás, Renato Duque, indicado pelo PT e João Vaccari, que estava em Itaipu, e que também se afastou, participavam ativamente do esquema de recolhimento de recursos. Youssef informou ao juiz Sergio Moro ter estado duas vezes com Vaccari para "tratar de Petrobrás". Em seu depoimento, Paulo Roberto confirmou que a propina era de 3%. Perguntado pelo juiz Sérgio Moro se os diretores da Petrobrás também recebiam alguma parcela desses valores, Paulo Roberto Costa confirmou. "Em relação à diretoria de serviços todo mundo sabia que tinha um percentual desses contratos da área de abastecimento, de 3%. Destes, 2% era para o PT através da diretoria de serviços, dirigida por Renato Duque. "Do 1% que ficava, uma parte ficava comigo", explicou.

"Então, o comentário que pautava dentro da companhia é que onde só havia PT, nesse caso, os 3% ficavam diretamente para o PT", afirmou Paulo Roberto Costa. A diretoria internacional tinha indicação do PMDB e havia recursos que eram repassados também para o PMDB", acrescentou. "Dentro do PT a ligação que o diretor de serviços tinha era o tesoureiro do PT, o senhor João Vaccari. A ligação era diretamente com ele. No PMDB, da diretoria internacional, o nome que fazia essa articulação toda se chama Fernando Soares", completou o ex-diretor da estatal. Nenhum desses senhores, e também nenhuma das empreiteiras que pagaram as propinas, será convocada para dar explicações na CPI, nem mesmo a Toyo que decidiu colaborar com as investigações. Ou seja, PT e PSDB decidiram se dar as mãos e abafar tudo para se proteger mutuamente.

SÉRGIO CRUZ
www.horadopovo.com.br

 

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