Espanha: capacho Rajoy firma entrega de base a americanos

O governo do PP quer entregar base em caráter definitivo para que EUA utilize o posto ao sul da Espanha em suas intervenções no continente africano

Diante da melhor localização para suas intervenções na África e da possível derrota do seu capacho, Mariano Rajoy, nas eleições gerais que se avizinham - com o Podemos e aliados que contestam a submissão do atual governo à Troika e EUA - Obama solicitou e foi prontamente atendido na transferência do Comando dos Estados Unidos para África (Africom) de Stuttgart, na Alemanha, para a base militar de Morón de la Frontera, em Sevilha. Isto depois das tentativas infrutíferas do governo dos EUA de instalar tal aparato no Continente africano (com os preferidos Nigéria e Marrocos havendo negado tal autorização).

O conselho de ministros de Espanha já disse amém, conforme a vice-presidente e porta-voz do executivo de Mariano Rajoy, Soraya Sáenz de Santamaría. A transferência do Africom e a ocupação “por tempo indefinido” daquela parte do território espanhol implicaria na conversão de Morón de uma base com 26 aviões e 850 marines, para saltar para a de 2.200 a 3.500 “em caso de crise”. O acordo foi discutido longe do conhecimento público ou mesmo do Congresso espanhol.

Ocorre que, agora, conforme o jornal El País, a incerteza do resultado das eleições espanholas, em que se prevê a derrota do governo fantoche, fez com que Washington acelerasse a imposição do “acordo bilateral” que ainda tem que passar pelo Congresso. Cúmulo da sabujice, o El País comemora que a assinatura de cooperação irá aumentar ainda mais o “status” da Espanha como “parceiro privilegiado” dos EUA.

Para assinar o memorando de entendimento com pompa e circunstância os EUA enviaram o seu secretário de Estado, John Kerry, que, no entanto, caiu da bicicleta e quebrou o fêmur na França e teve que adiar sua viagem a Madri. Já o aguardavam para a cerimônia de apoio à base de intervenção dos EUA na África não só o premiê Rajoy, mas também o Rei Felipe e o ministro do Exterior, Juan Manoel Garcia.

Em 30 de abril os EUA já haviam enviado a Cadiz o USS Porter, o terceiro dos quatro destróieres da classe Arleigh Burke, tornando o porto espanhol a principal base de instalação naval dos EUA no Mediterrâneo.

Em uma manobra similar, em 2011, com Zapatero também em fim de mandato, foi aprovada a participação da base naval de Rota no chamado escudo antimísseis, um sistema instalado na Europa e apontado em direção à Rússia, que acelera a corrida armamentista no continente e na verdade transforma a região onde está a base em alvo central em caso de conflito.

De acordo com o governo espanhol, a implantação “permanente de uma força de resposta à crise” visa “proteger os cidadãos e as instalações dos Estados Unidos na Espanha, bem como os Estados membros da Aliança do Atlântico Norte (Otan)”. Além, é claro, de “contribuir para a estabilidade regional e segurança comum na África, Europa e Oriente Médio”.

As “missões humanitárias” e os “bombardeios cirúrgicos” que dizimaram centenas de milhares de inocentes no Iraque e na Líbia e o apoio – financeiro e em armas - aos terroristas que foram instigados a buscar a derrubada do presidente da Síria, Bashar Al Assad, deixam claro a que ‘estabilidade’ se referem os EUA e governos capachos como o de Rajoy e o quanto estes governos prezam a soberania do território de seus países, ainda que neste caso o premiê tenha tentado tapar o sol com a peneira ao estabelecer, no convênio assinado, que conste a exigência de autorização do governo espanhol para todas as operações dos EUA a partir da base.

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