Embaixador Pak em 1988: atentado do KAL 858 foi obra dos próprios fantoches sul-coreanos

 

 

Na recente onda de provocações contra a Coreia Popular, durante o ensaio de ataque nuclear dos EUA ao país como parte das manobras militares conjuntas com o sul, durante o qual a mídia histericamente acusava a RPDC de “ameaçar os EUA”, foi requentada pela BBC uma velha falsificação contra o país socialista, a da explosão do vôo da Korean Air Lines 858 em 1987, atentado que a ditadura sul-coreana de então usou para vencer por estreita margem eleições que a mobilização democrática arrancara, e esticando assim o regime autoritário por mais anos.

Antes do atentado, a situação da ditadura sul-coreana era muito difícil, com o povo nas ruas desde janeiro, após o assassinato de um estudante na tortura; pela primeira vez em décadas, eclodira o movimento grevista. O candidato da ditadura era um general ligado à repressão do movimento de Kwanju, Roh Tae Woo.

A suposta “agente do norte” que teria cometido o atentado foi levada para Seul na véspera da eleição, algemada e com uma máscara no rosto, e sob todos os holofotes. Foi essa senhora que a BBC desenterrou do seu refúgio. Investigações dos governos democráticos nos anos 2000 revelaram que se tratava da “Operação Rainbow”.

SEM CAIXA-PRETA

O vôo 858 – Bagdá-Abu Dhabi-Bangkok-Seul – desapareceu no dia 29 de novembro de 1987 e jamais sua caixa-preta foi encontrada, nem os corpos.

Dois dias depois, antes que qualquer fragmento de avião fosse achado, o governo de Seul anunciou que dois “agentes norte-coreanos” disfarçados de japoneses – um idoso e uma jovem -, que haviam embarcado em Bagdá e desembarcado em Abu Dhabi, teriam explodido o avião. Os dois foram identificados como “Shimichi Hachiya” e “Mayumi Hachiya”, sua filha. Teriam chegado a eles após examinar a lista dos que haviam saltado em Abu Dhabi e ter descoberto com as autoridades japonesas que o passaporte da jovem seria falso. O Japão acrescentaria depois que o do velho era verdadeiro, mas tinha “sido emprestado por dez dias” pelo dono.

Os dois foram presos no Bahrein - onde tinham passado três dias tirando fotos e fazendo turismo - após interferência do consulado sul-coreano. Após a detenção, o velho caiu morto, depois de fumar um cigarro com cianeto e, de acordo com Seul, a jovem também teria ingerido o veneno mas escapara. Para extraditar a jovem nessa situação – sem provas – o governo de Seul subornou com milhões de dólares as autoridades do Bahrein. Posteriormente ela seria apresentada como “Kim Hyon Hui”.

Desde o início das acusações, o governo de Pyongyang havia denunciado que a explosão do vôo KAL 858 era “um drama representado pelos próprios fantoches sul-coreanos a fim de influenciar a campanha presidencial que estava então ocorrendo”. Já Seul dizia que o atentado visava inviabilizar os Jogos Olímpicos de 1988, marcados para a capital sul-coreana.

O caso foi levado ao Conselho de Segurança da ONU, que discutiu a questão por dois dias e, ao contrário do que queriam Seul, os EUA e o Japão, não tomou qualquer resolução contra a Coreia Popular. Para esse resultado contribuíram não apenas a defesa contundente da Coreia Popular, como as próprias declarações do representante de Seul – que não emprestavam a mínima credibilidade.

Eis como o sul-coreano Choi Young-jin descreveu a “obtenção da confissão” de “Kim Hyon Hui”. Após oito dias de interrogatório na Coreia do Sul, haviam permitido a ela ver um filme sobre a vida no país na televisão e ela teria entendido então “que a vida nas ruas de Seul era inteiramente diferente do que ela tinha sido levada a acreditar. Ela começou a entender que o que tinha sido dito a ela enquanto vivia no Norte era totalmente inverídico.”

Então – a descrição é do sr. Choi – “ela se jogou nos braços de uma investigadora feminina” e confessou o atentado. Em coreano, ela disse “Perdoe-me. Sinto muito. Eu lhe direi tudo”, e acrescentou que tinha sido “explorada como instrumento para as atividades terroristas norte-coreanas”, e feito uma detalhada e voluntária confissão. 
Não é de estranhar que tal peça de propaganda, sem vínculo com qualquer realidade, não tenha convencido o Conselho de Segurança. Havia, na acusação, outro detalhe ainda mais ridículo, o nome do suposto agente morto, o idoso, seria “Kim Sung Il”, uma evidente provocação contra o presidente da Coreia Popular, Kim Il Sung.

Com a “confissão” de “Kim Hyon Hui” como a principal peça de acusação, começaram os questionamentos. Verificou-se que a confissão escrita por “Kim” tinha mais de 100 erros em relação ao coreano escrito no norte. Como apontou o representante da Coreia Popular, ela usava palavras que só existem no coreano falado no sul depois da ocupação, como “Tibi” (TV), “sokjoe” (expiação) e “Yakjubyong” (garrafa de vinho de arroz).

Era dito que ela teria 26 anos, mas como o representante da Coreia Popular assinalou, se ela tivesse sido recrutada na idade que diziam e feito os cursos a ela atribuídos, de acordo com o ciclo escolar do Norte, teria de ter 28 anos. Não existia o suposto “pai” funcionário da embaixada em Angola. Também nas escolas e universidades da Coreia Popular não existia qualquer registro de nome Kim Hyon Hui.

FRAUDE

Outro aspecto foi que, na gravação da conferência de imprensa que deu, não havia qualquer variação de freqüência de voz durante toda a duração, nem mesmo quanto chorou, usando o mesmo tom monocórdio o tempo todo, e como se tivesse decorado numerosas vezes. Jornais japoneses começaram a dizer que “outra mulher substituiu a Mayumi” e que “Mayumi é uma fraude”.

Na sua intervenção no Conselho de Segurança da ONU, o embaixador da Coreia Popular questionou outros pontos, como o de que “uma bomba de explosivo C-4 em um rádio transitor Panasonic e uma garrafa com líquido explosivo” teriam sido postas no avião em Bagdá. O aeroporto de Bagdá vivia sob rigoroso controle de segurança, por causa da guerra Irã-Iraque, e seria o ponto menos indicado para embarcar um explosivo. Todos os vôos sul-coreanos tinham agentes de segurança a bordo e não haveria como num vôo de nove horas não ser detectado algo estranho.

TRATAMENTO DE CHOQUE

O representante do Norte afirmou que parcos destroços que foram exibidos pela Coreia do Sul eram uma fabricação, e que teriam sido jogados no mar para serem encontrados. Seul rapidamente encerrou as buscas sem achar a caixa-preta nem os corpos. Assim, jamais foi estabelecido o que realmente ocorreu no vôo 858. A ditadura sul-coreana também não se interessou por declarações da tribo Karen, da fronteira de Myammar, de que teria encontrado o corpo do avião e corpos de passageiros, e que se ofereciam para negociar os despojos.

O embaixador acusou, então, frontalmente, a ditadura sul-coreana de haver montado uma operação para culpar o Norte, dar um “tratamento de choque” na opinião pública do sul e virar as eleições. Segundo as investigações da Coreia Popular, o plano surgiu em agosto, e estava calcado em outro plano, delineado para provocar nova guerra ao longo da linha de armistício, após a derrubada pelos fantoches do avião que conduziria o ministro das Relações Exteriores ao Japão, o que seria atribuído ao Norte, que foi discutido no ano anterior entre os generais dos EUA e a ditadura, e acabou sendo abandonado.

Tomada a decisão, a ditadura foi em busca dos biombos para a operação, os “Hachyia”, que não sabiam de nada, e viviam de contrabando do Japão para o sul, e os atraíram. A bomba foi colocada por um agente da Agência de Planejamento de Segurança Nacional da Coreia do Sul, e em Abu Dhabi desembarcaram 11 funcionários do governo de Seul, nove tripulantes, esse agente e os dois. No avião, praticamente só ficaram trabalhadores sul-coreanos que voltavam do Oriente Médio e os tripulantes escalados para morrer. Agentes do sul acompanharam todos os movimentos dos “Hachyia” e, logo após o atentado, foram até o Regency Hotel, e os ameaçaram, fazendo com que deixassem o Hotel. A cigarreira do velho foi trocada por outra com cigarros com cianeto, que ele acabou fumando e morrendo, um detalhe importante para apresentá-lo como “agente do norte”.

Quando há um crime, a pergunta que é feita há centenas de anos é “quem se beneficiou”. A Coreia Popular, num momento em que a luta democrática e pela reunificação no sul tomava um alcance sem precedentes, e em que Pyongyang propunha drástica redução mútua das tropas e uma Conferência Norte-Sul, não tinha nada a ganhar com um atentado que serviria, ao contrário, para dividir a nação coreana e dar votos aos fantoches. Antes do atentado, era dificílima a situação da ditadura sul-coreana; depois dele, e da histeria que se seguiu, o detestado general Roh Tae Woo acabou eleito.

ANTONIO PIMENTA

Fonte Hora do Povo

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