Eleição de 2014: Obama colhe a traição que cevou

Eleição de 2014: Obama colhe a traição que cevou

Eleição de 2014: Obama
colhe a traição que cevou

A outra ala direita do partido único toma o senado, amplia controle na Câmara dos deputados e elege maioria dos governadores. Abstenção geral foi de 62% e, entre os jovens, um recorde de 88%

O repúdio generalizado a Obama levou os democratas à maior derrota desde Truman, nas eleições intermediárias de novembro (4), com os republicanos tomando o Senado, ampliando a vantagem na Câmara dos deputados e elegendo a maioria dos governadores em disputa. 62% dos eleitores se recusaram a votar nos parasitas, fossem democratas ou republicanos, – ou, na sagaz descrição de um analista, se expressaram “com os fundilhos das calças na cadeira, ficando em casa”. Às urnas, só compareceram 78 milhões – entre 206 milhões de eleitores. Entre os jovens até 30 anos, a abstenção foi de 88%.

No Senado, os republicanos conseguiram 52 cadeiras, contra 45 dos democratas, e ainda podem obter pelo menos mais uma. Na Câmara, os republicanos aumentaram entre 14 e 18 cadeiras, podendo chegar a 247 em 435, maior bancada em décadas. Também venceram as eleições de governador em estados tidos até aqui como redutos dos democratas, como o Illinois, berço político de Obama, e ainda no Texas e Flórida. Dos 19 governadores republicanos que tentavam a reeleição, 17 conseguiram, em comparação com cinco entre nove democratas.

É o que dá ser eleito e reeleito, como Obama, prometendo ser “a mudança”, e depois, “o defensor da classe média, dos trabalhadores, dos negros, das mulheres e dos imigrantes”, para só trair, entupindo com trilhões de dólares do bailout e do “quantitative easing” os bancos e magnatas; mentindo sobre a “recuperação econômica” e largando milhões no desemprego ou despejados; expulsando imigrantes; espio-nando em massa nos EUA e no mundo inteiro; e, após bombardear a Líbia, Iêmen, Paquistão, Afeganistão e Síria, ainda desencadeando a Guerra do Iraque III “sem botas em terra”.

É a trairagem: se elege com conversa de “esquerda” e “pró-social”, e governa bem pela direita, a favor de Wall Street, Big Oil e da indústria bélica – e da Máfia hospitalar. Lá se vão ao longe os tempos em que a legenda democrata, com o presidente Roosevelt, serviu para o bom combate à depressão econômica, para a conquista do direito de greve e da previdência social, para a regulamentação dos bancos e para fazer frente a nazistas.

Até Johnson foi capaz de atender à ampliação dos direitos civis, combater a pobreza e criar o Medicare. Mas desde Clinton, o programa de governo democrata é fazer com mais conversa mole o que os republicanos fazem sem dó: são os “novos democratas”. Foi Clinton, aliás, que derrubou a legislação de regulamentação dos bancos criada por Roosevelt, abrindo o caminho para o colapso de 2008.

Assim, na magistral descrição do escritor Gore Vidal sobre a democracia de fancaria em vigor no país, os EUA vivem sob “partido único com duas alas de direita” – uma sublegenda “republicana” e, outra, “democrata”. A desigualdade de riqueza nos EUA retrocedeu a antes do crash de 1929. Enquanto se corta o programa “Food Stamps”, mais e mais bilhões vão para o Pentágono e as mil bases externas.

A taxa de desemprego murcha artifi-cialmente, graças à exclusão de milhões da força de trabalho. Já se vão seis anos de mandato e o salário mínimo não aumenta no país em que quase só são gerados Mcjobs. Diante do pânico do ebola, tudo o que Obama fez foi mandar 3 mil marines para a África.

PRESIDENTE DOS DRONES

Obama também manteve e radicalizou os ataques de W. Bush à constituição sob o nefasto “Ato Patriótico”. Virou o “presidente dos drones”. Guantánamo não foi fechado, e ninguém foi punido pelo “waterboarding”. Também, nenhum bankster de 2008 foi preso ou processado.

Não é de surpreender que, desta vez, os apelos frenéticos nas últimas horas que antecederam ao pleito para “votar no mal menor” não hajam surtido efeito. Os candidatos democratas agiam como se Obama fosse leproso – queriam distância. O comando republicano caprichou na encenação, até montando brigadas de assessores treinados para coibir candidatos de falarem as besteiras escabrosas que eles acham sobre a plebe, para evitar ser usado eleitoralmente pelos adversários democratas. 
Mas, em última instância, a eleição mostrou o que os eleitores acham das lendas urbanas sobre a “sensacional recuperação econômica dos EUA”: se existisse, ia ser essa lavada republicana?

 

ANTONIO PIMENTA
www.horadopovo.com.br

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