Eduardo Campos diz que 'país parou' e 'saiu dos trilhos' do desenvolvimento

 

 
 

Possível candidato à Presidência da República nas eleições de outubro, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), afirmou nesta terça-feira (4) ter a "percepção clara" de que o Brasil "parou" e "saiu dos trilhos" do desenvolvimento. No auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, em Brasília, Campos lançou, ao lado da ex-senadora Marina Silva (PSB-AC), as diretrizes para uma eventual gestão na Presidência.

"É possível fazer melhorar o Brasil e fazer com que o país não saia dos trilhos. Seja em um assentamento rural, periferia no Sudeste ou qualquer cidade na Amazônia Legal que vamos, temos a clara percepção que as pessoas estão vendo que o país parou, saiu dos trilhos que vinha, que com idas e vindas estava avançando", ressaltou o presidente do PSB.

De acordo com Campos, a "sensação" de que o Brasil "freou" impôs ao PSB lançar candidatura própria à Presidência da República. "De repente, houve a sensação da freada.  Essa percepção clara impõe [uma atitude] ao PSB, que ajudou a construir a vitória do governo em 2010, a tomar a decisão unânime e mais dura [de se afastar do PT]", disse.

Mais cedo, nesta terça-feira, o governador pernambucano e Marina Silva entregaram o documento com as diretrizes do governo ao presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP). O partido oposicionista oficializou, em dezembro, apoio à chapa presidencial do PSB em 2014.

Campos entrou no auditório da Câmara aos gritos de ordem: "Brasil, para frente, Eduardo presidente". A ex-senadora Marina Silva se sentou ao lado do governador e foi aplaudida de pé ao chegar ao Nereu Ramos. Na plateia, estavam possíveis candidatos a diversos cargos nas eleições de outubro, como a ex-corregedora-geral de Justiça ministra Eliana Calmon, que deve concorrer ao Senado pela Bahia.

Diretrizes
As 12 diretrizes apresentadas por Eduardo Campos e Marina Silva nesta terça-feira estão compreendidas em cinco "eixos: Estado e democracia de alta intensidade; economia para o desenvolvimento sustentável; educação, cultura e inovação; políticas sociais e qualidade de vida; e novo urbanismo e pacto pela vida.

Primeiro eixo (Estado e democracia de alta intensidade): o partido propõe o uso da tecnologia e da mídia digital para ampliar a democracia. Defende ainda o fim de "disputas personalistas", o fim do abuso do poder econômico e a "superação do clientelismo". Para tanto, defende a realização de uma reforma política.

Segundo eixo (economia para o desenvolvimento sustentável): a aliança PSB-Rede Sustentabilidade defende valorizar pequenas e médias empresas, implementar uma economia que produza baixa emissão de gás carbônico (CO2), modernizar a agricultura e "reformular a reforma agrária".

Terceiro eixo (educação cultura e inovação): Campos diz que o foco será a erradicação do analfabetismo, a ampliação da política de cotas e a integração entre educação e cultura, com a abertura de escolas à "diversidade cultural" do país.

Quarto eixo (políticas sociais e qualidade de vida): o partido diz que reforçará o Sistema Único de Saúde (SUS), a atenção básica de saúde e o atendimento a famílias.

Quinto eixo (novo urbanismo e pacto pela vida): o PSB promete melhorar a mobilidade urbana, investindo no transporte coletivo em "todas as suas modalidades". Para resolver o problema da segurança pública, o partido propõe uma "reconciliação" entre a periferia e as áreas centrais das cidades. Para a sigla, o acesso a transporte, cultura e lazer deve contribuir para gerar uma "cultura de paz".

Segundo Campos, nem todos "caem de joelho" em troca de cargos na administração federal. O PSB entregou os postos que ocupava no Executivo após integrantes do PT terem criticado a suposta incoerência de Campos ao censurar um governo do qual ele fazia parte por meio de uma fatia na Esplanada dos Ministérios.Fisiologismo
Apesar de o PSB ter ocupado cargos no governo Dilma Rousseff durante quase três anos, o potencial adversário da presidente da República afirmou em seu discurso que o "velho pacto político que mofou" não dará "nada de bom" à sociedade brasileira.

"Sei que não podemos botar cabresto na política, distribuindo cargos, pensando que todos se põem de joelhos. Há aqueles que carregam na consciência a vontade de lutar contra esse estado de letargia que nos comandava", alfinetou o governador de PE.

Campos também criticou a atual administração federal, dizendo não haver "ninguém que ache que mais quatro anos do que está aí fará bem ao povo brasileiro". Além disso, ele afirmou que vai derrotar o governo atual com "ideias" e disse que não vai se "desesperar como aqueles que se agarram à máquina pública com medo de perder as eleições".

Burocracia
Campos ainda defendeu ações para desburocratizar o país. "O Estado brasileiro complica a vida do povo brasileiro", disse. O governador relatou que um empresário contou a ele que tem 200 funcionários só para pagar impostos.

O presidente do PSB também criticou o excesso de documentos necessários para realizar qualquer transação ou registro no Brasil. "Você chega em um órgão público e precisa de 30 documentos. Quando arruma o 30°, o primeiro já venceu", afirmou Campos, arrancado risadas da plateia.

O governador defendeu que a máquina pública seja operada por profissionais competentes, e não por indicações políticas. "O Estado não pode ser apropriado nem pelas elites, nem pelo corporativismo, nem pelos partidos políticos. Tem que ser apropriado pela competência e excelência de servir."

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Se o país passar uma década crescendo a 2%, vai acontecer o que acontece hoje. O analfabetismo crescendo, o país perdendo competitividade, a indústria caindo e vamos gerar às futuras gerações que país?"
Eduardo Campos,
governador de Pernambuco e
presidente nacional do PSB

Crescimento
Eduardo Campos criticou ainda o desacelerado crescimento econômico do Brasil, que, segundo ele, tem gerado pioras nos indicadores sociais.

“Se o país passar uma década crescendo a 2%, vai acontecer o que acontece hoje. O analfabetismo crescendo, o país perdendo competitividade, a indústria caindo, e vamos gerar às futuras gerações que país?", questionou.

Educação
O governador de PE destacou ainda que a maior prioridade de um eventual  governo do PSB será a educação.

"Se temos que ter uma prioridade, tem que ser a educação. Radicalizar na prioridade é colocar técnica, recursos, colocar o povo próximo da reformulação da política, do controle social sobre as escolas. [É preciso] Ter uma escola em que a comunidade participe", defendeu.

Campos também disse que as políticas sociais são importantes, mas precisam "ser protegidas pela condição econômica". "Senão, é enxugar gelo", disse.

'Mofo'
Marina Silva discursou antes de Campos e afirmou ser possível "reconstruir aquilo que está mofando na política". Antes do discurso da ex-senadora, um poeta resumiu as diretrizes do programa do PSB em verso e prosa. Em seguida, um tocador de pandeiro fez uma apresentação.

"Ver nossas políticas serem cantadas em verso e prosa é demonstração que algo novo e vivo está surgindo", afirmou Marina após as apresentações. Segundo ela, a aliança entre PSB e Rede Sustentabilidade "não é baseada em estrutura, tempo de televisão ou marketing, mas em cima de um programa".

O entulho da velha política está atrapalhando o Brasil, porque não se discutem propostas, não se discutem ideias, se discute o que fazer para aumentar o tempo de televisão, o que fazer para aumentar o palanque"
Marina Silva,
ex-senadora (PSB-AC)

"[Temos como] eixo de sustentação a ideia de que precisamos ampliar as conquistas, mas ao mesmo tempo sem ter uma atitude de complacência com os erros que estão sendo praticados repetidamente", disse.

Para a ex-senadora, que deve concorrer à vice-presidência na chapa de Campos, a "política está insustentável da forma como está sendo operada".

"Cada vez mais, a população quer melhorar a qualidade da sua representação. Cada vez mais, as pessoas querem ampliar sua participação, porque está surgindo no Brasil um novo sujeito político."

Marina reforçou sua plataforma principal de atuação política – a proteção ambiental – e defendeu o surgimento de "um modelo de desenvolvimento capaz de assegurar vida digna, justiça social, mas ao mesmo tempo preservar as bases naturais desse desenvolvimento".

"O entulho da velha política está atrapalhando o Brasil, porque não se discutem propostas, não se discutem ideias, se discute o que fazer para aumentar o tempo de televisão, o que fazer para aumentar o palanque", criticou.

Fonte G1

 
Nathalia PassarinhoDo G1, em Brasília
 
 

 

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