Economistas apontam juros como causa do rombo nas contas públicas

Economistas apontam juros como causa do rombo nas contas públicas

 O professor de macroeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Robson Gonçalves, também responsabiliza a alta dos juros como principal fator de desequilíbrio das contas públicas. Além disso, como o resultado fiscal primário representa a diferença da receita e das despesas do estado sem levar em conta os recursos destinados ao pagamento de juros da dívida, o Brasil  teve um resultado de superávit primário acumulado nos últimos 12 meses até setembro equivalente a 1,58% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse superávit é usado pelo governo como medidor da saúde de suas contas públicas e de sua capacidade parapagar as parcelas de sua dívida. Com esse resultado e a consolidação do déficit, a meta proposta pelo governo de fechar o ano de 2013 com uma economia fiscal equivalente a 2,3% do PIB parece ficar mais distante. 

 "O que está acontecendo é que o país está num cenário, desde o ano passado, de progressiva elevação das taxas de juros. Dado o endividamento, que não é preocupante, mas é relevante, se faz necessário gerar um superávit primário maior. O governo federal tem contabilizado receitas futuras como se fossem receitas correntes, e objetivo dessa prática é cravar superávit primário de 2% do PIB. Não existe mais espaço pra isso. No ano passado a gente estava em um contexto de queda de juros e hoje, não. É importante ter o superávit primário preservado, e até maior do que o do ano passado, mas sem recorrer à criatividade contábil”, afirma ele.

O consultor financeiro da Méthode e professor do Curso de Administração da ESPM, Adriano Gomes, ressalta que o déficit fiscal brasileiro continua sempre em ritmo crescente, sem nenhum sinal de resolução no curto prazo. Para ele, primeiro é preciso tomar consciência que o déficit é um grande causador de inflação, com aumento no grau de risco dos títulos públicos, aumento da taxa de juros e comprometimento de todo o sistema econômico. 

Gomes sugere que seja realizada uma tentativa de ajuste, com reconhecimento dos agentes políticos, para "negociar um grande ajuste fiscal". As medidas para solucionar o problema, reforça, são sempre "antipáticas", o que afasta a possibilidade de ações mais concretas, sobretudo em ano eleitoral.

 "A solução passa pelo corte de despesas. Cortar despesas públicas nem sempre é um ato benquisto pela sociedade, sobretudo pelos beneficiados. Por outro lado, grande parte da sociedade teria um benefício colossal com esses cortes, mas nunca vi ninguém fazer isso em ano de eleição”, afirma ele. 

Fonte Jornal do Brasil

facebook


Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Centenas de templates
  • Todo em português

Este site foi criado com Webnode. Crie um grátis para você também!