Doleiro diz que entregou propina até na sede do PT

 

O doleiro Alberto Youssef afirmou à Justiça Federal, no dia 3 de fevereiro, que entregou R$ 800 mil em dinheiro vivo, dividido em duas partes, para o tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Em nova audiência na terça feira (31), Youssef reiterou sua versão sobre os dois pagamentos e os locais onde ocorreram, tendo Vaccari como destinatário. Neste novo depoimento o doleiro detalhou que “a mando da Toshiba (Infraestrutura)” fez dois pagamentos para o tesoureiro do PT. O dinheiro, segundo Youssef, teve origem em uma contratação para obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), entre 2009 e 2010.

“O primeiro valor foi retirado no meu escritório da rua Renato Paes de Barros (São Paulo) pela cunhada dele (Vaccari)”, declarou Youssef, referindo-se à Marice Corrêa Lima, perante o juiz federal Sérgio Moro, que dirige as ações penais da Lava Jato. “Eu entreguei esse valor pessoalmente. O segundo valor foi entregue na porta do diretório do PT nacional - [segundo ele, na porta do diretório nacional do partido, localizado na Rua Silveira Martins, região central de São Paulo] - pelo meu funcionário Rafael Ângulo Lopez para o funcionário da Toshiba para que ele pudesse entregar o valor para o Vaccari”, informou Yousseff.

“O sr. sabe o nome do funcionário da Toshiba?”, perguntou um advogado na audiência. “Piva”, respondeu o doleiro. É a primeira vez que o doleiro relata esse episódio à Justiça. Anteriormente, em um depoimento prestado à força-tarefa da Lava Jato, Youssef havia declarado que uma parte da propina foi levada ao próprio tesoureiro do PT em uma “sacola lacrada” em restaurante perto da Avenida Paulista. No dia 3 de fevereiro, porém, diante dos detalhes que, talvez propositalmente, deixou de informar, mas que constaram dos depoimentos de Rafael Ângulo, ele resolveu completar suas informações anteriores.

Vaccari, já bastante complicado pelas revelações feitas, tanto de Yousseff quanto de Pedro Barusco, gerente de serviços da Petrobrás e dos executivos da Toyo Setal, Júlio Camargo e Augusto Mendonça Neto, apegou-se no detalhe da omissão inicial desse fato da entrega de dinheiro na porta do PT - que até certo ponto o haviam isentado - e tentou caracterizar como contraditórios os depoimentos. Acabou se complicando ainda mais.

O depoimento complementar do doleiro foi feito perante a delegada da PF, Erika Mialik Marena, e os procuradores da República, Carlos Fernando Santos Lima e Januário Palludo. Na ocasião, foi solicitado que desse mais detalhes sobre “as operações financeiras em que destinou valores para João Vaccari Neto”. “Houve dois pagamentos (para ele, Youssef) pela empresa Toshiba, por conta de um contrato que esta havia conseguido com a Petrobrás”, disse o doleiro. “Parte desses pagamentos deveria ser destinada ao Partido dos Trabalhadores. Um primeiro recebimento por um emissário do PT foi feito direto no meu escritório na Rua Renato Paes de Barros em São Paulo pela pessoa identificada como Marice, sendo que somente após a minha prisão na Operação Lava Jato vim a saber se tratar de cunhada de João Vaccari”. Segundo ele, Marice Corrêa Lima “entrou pela garagem do prédio”. “Quando da necessidade de efetuar um segundo pagamento por conta dos depósitos da Toshiba, a pessoa de Piva, representante da Toshiba com quem eu tratava, havia pedido para providenciar a entrega da parte do PT em um restaurante no qual (Piva) se encontraria com Vaccari. Então, Rafael Ângulo, meu empregado, foi designado para levar o dinheiro no restaurante.”

Youssef relatou que “posteriormente tomou conhecimento que no meio do caminho Rafael foi orientado a entregar o dinheiro diretamente na sede do PT em São Paulo, tendo entregue os valores na porta da sede do partido para Piva, que lá se encontrava”.

 

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