Dirceu: Os riscos da exposição de nossa economia ao capital estrangeiro

Dirceu: Os riscos da exposição de nossa economia ao capital estrangeiro

 

A saída recorde de dólares em agosto, em que pese que boa parte dela se deve ao vencimento de dívidas de instituições financeiras no exterior, é uma oportunidade para tirarmos lições da exposição da nossa economia – portanto da nossa soberania nas decisões econômicas – ao capital estrangeiro, ao capital financeiro internacional.

A saída de dólares superou a entrada em US$ 5,85 bilhões, a maior perda desde 1998. A expectativa do fim dos estímulos mensais colocados pelos EUA contribuiu para o resultado em agosto, mas é preciso esclarecer que grande parte desse movimento se deve ao fato de os bancos terem quitado empréstimos tomados em 2011, quando precisaram de dólares para atender novas exigências do BC. A maior parte da cobrança de imposto venceu no mês passado. O resultado não pode ser encarado, portanto, como uma fuga de capitais do país.

De qualquer maneira, que o resultado nos sirva de lição. Se hoje não temos uma dívida externa que comprometa e inviabilize o nosso crescimento e o desenvolvimento, temos uma economia totalmente aberta ao movimento de capitais. Isso expõe a nossa Bolsa, a dívida pública e a moeda aos movimentos especulativos. E pior, expõe também às políticas monetárias, cambiais e comerciais dos Estados Unidos, e não só deles.

A crise de 2008-09 já provou que o controle e o domínio das políticas econômicas dos EUA e Europa estão com os bancos e o capital financeiro, que colocaram e colocam o governo norte-americano e outros a seu serviço, a um custo avassalador para o mundo.

Basta ver a crise na Europa e agora as consequências para os BRICs e emergentes, o que evidencia a necessidade de controle dos capitais e de seu movimento. Sem isso, a nossa economia ficará submetida às decisões tomadas em Washington e Bruxelas, ou Berlim, e não em Brasília.

Devemos cada vez mais depender de nosso mercado interno, de nossa poupança e da integração sul-americana. Cada vez mais exigir reciprocidade do capital estrangeiro que vem ao Brasil em forma de investimentos diretos ou indiretos.

E também exigir transferência de tecnologia e associação com o capital nacional, evitando a desnacionalização da nossa economia, o que caminha em passos céleres em muitas áreas, inclusive alguns sensíveis, como Educação, cultura e mídia – uma forma mais grave de submissão de nossa economia e de nossa soberania ao capital estrangeiro, às potências hegemônicas e ao mundo dominado pelos Estados Unidos.

Fonte Blog do Dirceu

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