Dilma tagarela sobre defesa da partilha enquanto manobra para aprovar projeto entreguista de Serra

A presidente Dilma ouviu dos trabalhadores da Petrobrás, na quinta-feira (13), que eles são contra o PLS 131, de autoria do senador José Serra. O projeto do tucano acaba com a obrigatoriedade de que qualquer campo do pré-sal tenha a Petrobrás como operadora única. A Petrobrás também não teria mais a obrigação, definida em lei, de participar com no mínimo 30% de qualquer consórcio que venha a explorar o pré-sal. Esse é o golpe que os entreguistas querem dar no momento na Petrobrás. Tirá-la da condição de operadora única. Isso subtrai da estatal o seu principal trunfo. Ser operadora única do pré-sal. Eles não querem mexer na partilha agora. Ele sabem que o melhor caminho para abocanharem o pré-sal é enfraquecer a Petrobrás.

 

Mas, sobre esse ponto - tirar a Petrobrás da condição de operadora única do pré-sal - Dilma não disse uma palavra. Ela respondeu aos trablhadores sobre outro assunto, que não tinha nada a ver com isso. Enganou os trabalhadores. Vejam só o que ela disse: “Eu estou aqui olhando para o povo da FUP e quero dizer a eles enquanto eu for presidente, eu vou lutar até as minhas últimas forças para manter a Lei de Partilha. Lei que eu ajudei a fazer. Eu coordenei a Lei de Partilha, eu sei porque nós fizemos a Lei de Partilha, nós fizemos essa lei, porque no caso do pré-sal, a gente sabia onde estava o petróleo, a qualidade do petróleo, e quanto petróleo tínhamos, por isso, decidimos que essa parte do petróleo tem de ficar com a nação brasileira. Foi por isso que nós fizemos o modelo de partilha”, enfatizou.

 

Não é sobre a mudança da lei de partilha que trata o projeto de José Serra. Ela não disse nada sobre o assunto real que está em pauta porque ao mesmo tempo em que tagarela sobre a partilha - que não está ameaçada - o senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado,  participa de uma manobra que alterou a composição da comissão que havia sido acordada entre os partidos para discutir o PLS 131. Uma manobra para aprovar o PLS 131. Saiba qual foi a manobra: Os senadores Humberto Costa (PT-PE), Fátima Bezerra (PT-RN) e Telmário Mota (PDT-MT), todos contra o projeto, foram substituídos da condição de titulares por Delcídio Amaral (PT-MT), Cristovam Buarque (PDT-DF) e Ciro Nogueira (PP-PI), todos a favor do projeto. Ou seja, o governo e os entreguistas manobraram para aprovar a lei que tira a Petrobrás da condição de operadora única do pré-sal. Ao mesmo tempo, Dilma tenta enganar os trabalhadores dizendo que “até as últimas forças” vai defender a partilha. É muita cara de pau.

 

Dilma prometeu também defender outro ponto que não está ameaçado pelo PLS 131. O conteúdo nacional - que ela sorrateiramente trocou para “conteúdo local”. Ou seja, ela defende o conteúdo produzido por multinacionais instaladas no país como se fosse conteúdo nacional. “Nós também criamos o modelo de conteúdo local pra impedir que fôssemos vítimas de uma coisa: a maldição do petróleo. A maldição do petróleo se caracteriza por você ter um setor de petróleo forte e o resto todo fraco. Então fazer um conteúdo nacional é criar junto à indústria do petróleo, outra indústria de fornecimento que garanta emprego, que aumente a qualidade destes empregos, que transforme essa riqueza que é o petróleo num passaporte pro futuro”.

 

Pois bem, o plano de desinvestimento, anunciado pela direção da Petrobrás, decidido pelo governo, além dos cortes nos investimentos, particularemente nas refinarias, prevê a venda de patrimônio da estatal, inclusive dos campos de petróleo no pré-sal.

 

A empresa já anunciou como parte do pacote de alienação de patrimônio a venda de participações em seis blocos de petróleo, incluindo cinco áreas de pré-sal e uma de pós-sal nas bacias de Santos e Campos. Na Bacia de Campos, está sendo oferecida a fatia de 30% que a estatal possui no bloco Pão de Açúcar; enquanto na Bacia de Santos, a Petrobrás pretende vender a parte do que possui nos campos de Júpiter, Carcará, Lebre e Sagitário.

 

Primeiro foi Graça Foster que anunciou um corte de US$ 5 a 11 bilhões. Depois da defenestração da senhora Foster, foi anunciado que a Petrobrás seria obrigada a vender US$ 13,7 bilhões de seus ativos (e não de US$ 5 a 11 bilhões). Por fim foi anunciado que o desinvestimento será ainda maior. Aliás, imensamente maior: os US$ 13,7 bilhões foram aumentados para US$ 15,1 bilhões até o fim de 2016. Depois, em 2017 e 2018, a meta de “desinvestimento” será US$ 42,6 bilhões. E, ao mesmo tempo, o governo mantém os leilões de petróleo. Corta investimentos da Petrobrás e aprova lei que desobriga a Petrobrás de participar da exploração como operadora. Está claro qual é o jogo do governo, só a FUP parace não ver, ou não querer ver mais essa traição de Dilma. 

 

 

Sérgio Cruz  

 

 

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