Dilma nomeia diretor da HRT para Petrosal

Escolhido pela presidente Dilma Rousseff, o executivo que vai presidir a toda poderosa Pré-Sal Petróleo S/A (PPSA) — a empresa estatal criada para coordenar a gestão e fiscalizar a exploração de petróleo dos campos do pré-sal no regime de partilha — será o engenheiro Oswaldo Pedrosa. Atualmente, ele é o gerente executivo do campo de Polvo (Bacia de Campos), da petroleira nacional HRT, associada à empresa Tink/BP. O anúncio deverá ser feito oficialmente pela presidente Dilma Rousseff na próxima segunda-feira, dia 14, sete dias antes do leilão da área de Libra, na Bacia de Santos. Será o primeiro leilão do pré-sal no regime de partilha.
 
Dilma recebeu várias sugestões de nomes de executivos com perfil técnico, com longa experiência no setor petrolífero. Os nomes foram apresentados pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e pela presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster. Segundo fontes, foram levadas também à presidente Dilma indicações políticas, que não foram aceitas.
 
Oswaldo Antunes Pedrosa, de 63 anos, é engenheiro PhD formado pela Universidade de Stanford, na Califórnia. É aposentado pela Petrobras, onde trabalhou por 30 anos. Ingressou na Agência Nacional do Petróleo (ANP) no ano em que o órgão foi criado, em 1998. Na ANP, foi superintendente de Desenvolvimento e Produção até 2003. Desde 2010, está na HRT — petrolífera que vem enfrentando sérios problemas devido aos resultados negativos em sua campanha exploratória no Solimões, na Amazônia, e na Namíbia, na África. Pedrosa é o gerente executivo do campo de Polvo, no qual a HRT tem 60% de participação.
 
 

Haroldo Lima, ex-ANP, é ‘consultor’ da HRT
 

Diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) por oito anos, Haroldo Lima agora é consultor da petroleira HRT, fundada em 2008 por ex-funcionários da Petrobrás. A empresa foi habilitada pela agência para participar do 11º leilão de petróleo previsto para ser realizado este mês, que, segundo ele, “vai ter uma atuação forte nos leilões”.

A HRT tem 19,7% de participação de estrangeiros em seu capital social. Em julho de 2011, a empresa vendeu 45% de 21 blocos no rio Solimões para a anglo-russa TNK-BP. O contrato entre HRT e TNK prevê a opção de a segunda – na qual a British Petroleum possui 50% de participação - poder aumentar em 10% sua participação, ou seja, alcançaria 55% nos blocos na Amazônia.

A HRT é daquelas empresas de “pequeno e médio porte” que Lima supostamente pretendia fortalecer, em um setor altamente monopolizado, no qual, exceto estatais como Petrobrás e PDVSA, atua um reduzido número de transnacionais. A venda de ativo na Amazônia para uma empresa estrangeira só comprova que a participação de empresas desse tipo em leilões é apenas para dar ares de “concorrência” às leiloatas. Adquiridos um ou outro bloco, são repassados depois aos integrantes do cartel do petróleo.

Com a experiência em leilões da ANP, Lima vai dar os seus préstimos à HRT nos leilões, que estão sendo repudiado pelas Centrais Sindicais, Associação dos Engenheiros da Petrobrás, Clube de Engenharia e sindicatos ligados ao setor, em todo o Brasil.

 
 
 
 
 
A PPSA, além de coordenar e fiscalizar as atividades de exploração e produção pelo regime de partilha, participará da gestão do consórcio que vai explorar os campos. A estatal vai compor o comitê operacional da empresa. Com poder de veto e de voto, mas sem assumir riscos nem investimentos na gestão da companhia, a PPSA terá como uma de suas funções principais fiscalizar os gastos que serão feitos pelo consórcio para desenvolver os campos de petróleo. Esses gastos serão contabilizados numa conta chamada “custo em óleo”, cujos valores serão ressarcidos quando começar a produção.
 
A função da PPSA é evitar que as empresas aumentem em demasia os “custos em óleo”, o que reduziria as receitas com a produção. Na partilha, essas receitas são divididas com a União na chamada conta “óleo lucro”.
 
 
Em entrevista ao GLOBO no último dia 29 de setembro, a presidente da Petrobras admitia que o fato de Libra ser a primeira área explorada por um novo regime pode ter feito com que o número de empresas participantes ficasse abaixo do esperado. Na ocasião, Graça destacou a importância de o presidente da PPSA — que ainda não tinha sido escolhido — ser um técnico com bastante experiência, um interlocutor com quem poderia discutir “de igual para igual”, no “mesmo nível de conhecimento do setor”.
 
— A PPSA será uma empresa de excelência, pequena e enxuta. O cara que sentar comigo à mesa para negociar deve estar no mesmo nível. O que ele quer é o que eu quero: as melhores práticas aos custos de mercado. E tem que ser gente técnica, gente que sabe, com muita experiência — destacou Graça, na ocasião.
 
Procurado, Oswaldo Pedrosa não foi encontrado.
 
O governo federal tem afirmado que a PPSA será uma empresa enxuta, com 150 funcionários e, no máximo, 30 cargos comissionados
 
 
Fonte: O Globo
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