Dia Nacional de Mobilização paralisa Paulista

 

Em ato, presidente da CUT, Vagner Freitas diz que é preciso acabar com PL 4330, fator previdenciário e diminuir jornada de trabalho para aprofundar mudanças

Escrito por: Luiz Carvalho e Leonardo Severo

 

 
Para Vagner Freitas, governo e parlamentares devem ser mais ousados para que país aprofunde mudanças
Para Vagner Freitas, governo e parlamentares devem ser mais ousados para que país aprofunde mudanças
A CUT fechou a semana em que comemora 30 anos com uma grande mobilização na Avenida Paulista, na tarde desta sexta-feira (30), ao lado de outras centrais e do movimento estudantil.

O Dia Nacional de Mobilização e Paralisação reuniu cerca de cinco mil manifestantes, que fecharam os dois sentidos do coração financeiro de São Paulo, para cobrar que governo federal e Congresso Nacional trabalhem para aprovar uma pauta de reivindicações com nove pontos (clique aqui para conhecer).

Conforme destacou o presidente da CUT, Vagner Freitas, o Brasil avançou muito nos últimos 10 anos, porém, ainda de maneira insuficiente para deixar de privilegiar os interesses dos mais ricos

“Nas bases, o país ainda continua voltado aos interesses da burguesia, do latinfúndio, da concentração de renda. Precisamos lutar muito mais para mudar esse cenário e transformarmos em um Estado democrático, que permita a participação de todos e garanta direitos iguais. A CUT foi criada com essa concepção e continuará nas ruas por uma sociedade socialista”, afirmou.

Para ele, a transformação passa por atender as propostas da classe trabalhadora e citou três pontos que unificam o movimento sindical: a retirada de pauta do PL 4330, o fim do fator previdenciário e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário.

Vagner alertou que a CUT não aceitará qualquer proposta de terceirização da atividade-fim e comentou que a extinção do fator previdenciário seria capaz de gerar mais de um milhão de empregos, já que muitos trabalhadores deixam de se aposentar para não perder renda. Sob o mesmo ponto de vista, reduzir a jornada também seria capaz de criar mais de dois milhões de novas vagas, conforme cálculos do Dieese, além de se tratar de uma questão de justiça.

“Os empresários continuam recebendo desoneração, mas isso não volta como contrapartida social para a sociedade”, criticou.

Superávit e taxa de juros – Vagner defendeu ainda um debate nacional sobre a economia para discutir questões como o superávit primário, que é a parcela do Orçamento reservada pelo governo para o sistema financeiro, e a elevação da taxa de juros. “É desnecessário a manutenção de um superávit de 3,2%, quando você precisa investir no mercado interno. Também fica claro para nós que aumentar a taxa de juros para controlar a inflação é um erro, porque isso prejudica o crescimento. A saída para controlar os preços é taxar as grandes fortunas e investir na produção”, defendeu.
 
Manifestantes sobem a Avenida Consolação após deixarem a Praça da República
Manifestantes sobem a Avenida Consolação após deixarem a Praça da República


Dinheiro para banqueiro e capital estrangeiro – Recém-eleito presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo defendeu a mais ampla unidade “contra a agenda regressiva de precarização das relações de trabalho, de flexibilização de direitos e conquistas para atender os banqueiros e o capital estrangeiro”.

Como a CUT, ele também avalia que é preciso apostar na potencialidade do mercado interno, “na geração de emprego e não em deixar o PAC empacado”, da mesma forma que Lula fez em 2007

Estudantes presentes – No vão livre do Masp, representantes de entidades estudantis falaram sobre a importância de acabar com os leilões de petróleo para defender a soberania nacional, trataram da necessidade de promover as reformas política e da comunicação e cobraram a apuração das denúncias contra o propinoduto tucano, esquema de corrupção que envolve governos do PSDB em São Paulo e teria desviado R$ 9 bilhões dos cofres públicos.

 

As denúncias ainda aguardam investigação na Assembleia Legislativa do Estado. 

“Isso aqui é a continuidade da luta que vivemos em São Paulo e não podemos esquecer que, dois meses após irmos às ruas para cobrar transporte público de qualidade e a diminuição do preço das passagens, fomos surpreendidos com as denúncias de corrupção no metrô”, alertou a presidente da UEE, Carina Vitral.

Dia 3, mobilização no Congresso contra o PL 4330 – Antes da mobilização na Paulista, no início da tarde, uma aula pública comandada pelo Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp), diante da Secretaria Estadual da Educação, na Praça da República, uniu trabalhadores e estudantes.

“Estamos nas ruas em defesa de uma educação de qualidade e da nossa soberania, contra o superávit primário e os leilões do petróleo”, afirmou Rodrigo Lucas, presidente da UMES (União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo). Com expressiva participação na passeata, os estudantes responderam enfáticos: “Leilão é privatização! O petróleo é nosso e não abrimos mão!”

Na ocasião, o Secretário de Relações Internacionais da CUT, João Felício, valorizou a unidade das centrais e ressaltou que a luta contra o PL da terceirização, que pode ser votado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania na próxima semana, vai continuar. João Felicio também alertou para a ação nefasta dos grandes conglomerados privados de comunicação contra a democracia e sublinhou a necessidade de um novo marco regulatório para garantir a efetiva liberdade de expressão.
 

 
João Felício, Adi e Bebel: CUT não sairá das ruas enquanto pauta da classe trabalhadora não for atendida
João Felício, Adi e Bebel: CUT não sairá das ruas enquanto pauta da classe trabalhadora não for atendida
“No próximo dia 3 estaremos em Brasília para impedir que o Congresso aprove esse projeto que acaba com a carteira assinada no país”, falou.

Presidente da CUT-SP, Adi dos Santos Lima, também destacou que o dinheiro desviado pelo propinoduto tucano em São Paulo poderia servir para melhorar o ensino.

“O dinheiro público que falta nas escolas foi para alimentar esse cartel e até agora não vimos os desfechos dessas denúncias”, recordou Adi.

Plano Nacional de Educação –Presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, a Bebel, explicou que os professores convocaram o ato para, além de defenderem a pauta da classe trabalhadora, cobrar a implementação do Piso Nacional da Educação em São Paulo e cobrar medidas que garantam a destinação dos royalties do petróleo para o ensino público.

“É importante reafirmar que esses recursos têm de ir para as escolas públicas e não privadas, porque não queremos grupos se aproveitando desses recursos para aumentarem ainda mais os lucros”, explicou.

Bebel falou ainda da necessidade de planejamento para que o país melhore as condições de ensino e destacou a importância de aprovar o Plano Nacional de Educação, que aguarda votação no Senado.

“Primeiro, espero que seja aprovado, para que tenhamos um planejamento nacional e, mais que isso, seja uma política de Estado, com continuidade para que possamos não ter uma fragmentação. A educação exige continuidade.”

Conheça a pauta que a CUT levou às ruas de todo o país: 


– contra o Projeto de Lei nº 4330/04, o PL da terceirização de autoria do deputado-empresário Sandro Mabel (PMDB-GO), que retira direitos dos trabalhadores e piora muito as condições de trabalho, renda e segurança.

 


2 – pelo fim do fator previdenciário

3 – pelas 40 horas semanais sem redução de salário

 10% do PIB para a educação;


– 10% do orçamento da União para a saúde;


– transporte público e de qualidade;


– valorização das aposentadorias;


– reforma agrária; e,


– suspensão dos leilões do petróleo.

 

Fonte CUT

 

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