Desastre duplo em Arkansas

 Desastre duplo em Arkansas

 


 

Acidente nuclear atingiu Russellville, matando um funcionário./Arkansas Democrat-Gazette-Reuters

 

Para os moradores do Estado de Arkansas, nos Estados Unidos, o feriado da Páscoa deste ano estava mais próximo da catástrofe do que da ressurreição. Enquanto equipes de emergência trabalhavam ontem para conter o vazamento de milhares de barris de petróleo em Mayflower, na região central do Estado, não muito longe dali, um acidente em uma usina nuclear provocou apreensão entre os habitantes de Russellville.

As autoridades de Russellville, a 123 quilômetros a noroeste da capital Little Rock, rapidamente tranquilizaram os moradores, garantindo que não houve risco de vazamento de material radioativo. No entanto, um funcionário morreu e outros três ficaram feridos, informou a companhia Entergy, que administra a usina Arkansas Nuclear One.

O vice-presidente executivo e chefe nuclear da Entergy, Jeff Forbes, expressou seu "pesar" pelo ocorrido e seu apoio a todos os trabalhadores.

"O acidente aconteceu quando caiu o 'stator' (parte fixa) de um gerador, no momento em que ele estava sendo retirado da turbina", explicou a empresa.

O primeiro reator da central nuclear estava desligado para receber combustível, e o segundo parou automaticamente. De acordo com a companhia, os reatores agora encontram-se estáveis.

Por conta do acidente, a usina nuclear se encontra em situação de "acontecimento incomum", a mais baixa das quatro classificações de emergência da Comissão de Regulação Nuclear.

O grupo fornece energia elétrica para 2,8 milhões de consumidores no Arkansas e estados vizinhos do Texas, Louisiana e Mississippi.

 

Um vazamento derramou petróleo em uma área residencial de Mayflower, atingindo ao menos 22 casas./Arkansas Democrat-Gazette-Reuters

 

Rio negro - A menos de 90 quilômetros dali, moradores de Mayflower acompanhavam os trabalhos da petrolífera Exxon Mobil para conter o vazamento de um oleoduto que derramou milhares de barris de petróleo bruto em uma área residencial da cidade. Pelo menos 22 imóveis precisaram ser esvaziados por causa do vazamento.

O oleoduto Pégasus, que tem capacidade para transportar mais de 90 mil barris por dia (bpd) de petróleo de Illinois para o Texas, foi fechado após o vazamento ser identificado, no final da sexta-feira passada, disse a companhia em comunicado.

A Exxon afirmou não ter estimativa para a reabertura do oleoduto, que transportava petróleo bruto do Canadá no momento do vazamento.

A companhia acrescentou que, na madrugada de sábado, não havia vazamentos adicionais vindos do oleoduto. Imagens da mídia local mostravam petróleo serpenteando ao longo da estrada.

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos classificou o vazamento como "de grande proporção", segundo a Exxon, que afirmou estar se preparando para lidar com um vazamento de mais de 10 mil barris.

A Exxon expandiu o oleoduto Pégasus em 2009 para transportar mais petróleo do Canadá, passando pelo Meio-Oeste dos EUA, para o complexo de refinarias do Golfo do México e instalou o que chamou de nova "tecnologia de detecção de vazamento".

Na semana passada, a Exxon foi alvo de uma multa de US$ 1,7 milhão pelo vazamento no rio Yellowstone em 2011. Um porta-voz da companhia confirmou que o oleoduto carregava petróleo betuminoso diluído com produtos para permitir seu fluxo, de acordo com a CEPA, associação canadense de oleodutos.

Alguns ambientalistas argumentam que o petróleo betuminoso é mais corrosivo que o petróleo convencional, embora a CEPA tenha dito que o petróleo diluído não é mais agressivo que outros petróleos pesados.

O vazamento ocorre quando o Departamento de Estados norte-americano estuda o destino dos 800 mil bpd do oleoduto Keystone XL, que poderia transportar petróleo cru do Canadá para a região do Golfo do México. Ambientalistas, preocupados com o impacto da exploração do petróleo betuminoso, têm tentado barrar a aprovação.

 

 

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