Cristina Kirchner diz que Argentina é alvo de ‘pilhagem internacional’


 
 
 
 

A presidente da Argentina Cristina Kirchner afirmou nesta quarta-feira (16), em Brasília, que o país vizinho é alvo de “pilhagem internacional financeira” em relação ao pagamento de sua dívida pública. O governo argentino tem até 30 de julho para fechar um acordo com os credores que não aceitaram os termos das negociações da dívida argentina, em uma disputa que deixa a terceira maior economia da América Latina à beira do segundo calote em 12 anos.

 

“Acreditamos que se deve terminar com este tipo de pilhagem internacional em matéria financeira como hoje pretendem fazer contra a Argentina e como vão pretender fazer, seguramente, contra outros países do planeta”, disse a presidente a jovens que a aguardavam na porta de um hotel da capital federal.

Cristina está em Brasília para participar da VI Cúpula do Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores. Para a sessão desta quarta, foram convidados 11 presidentes de países sul-americanos.

A chefe de Estado argentina afirmou que é preciso criticar o espaço de participação restrita dos países em desenvolvimento nos organismos internacionais. Os países latino-americanos e os integrantes do Brics criticam a ausência de nações emergentes nas esferas de decisão do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

“Hoje, vamos dar um passo muito importante. Ontem, demos um passo importante aqui no Brasil. Os países da Unasur também deram um passo importante quando constituímos o Banco do Sul. E vão surgindo cada vez mais instituições que questionam precisamente o funcionamento de organismos multilaterais que, no lugar de dar soluções, não fazem mais do que complicar a vida dos povos”, disse, fazendo referência ao anúncio de ontem sobre a criação do banco dos Brics, o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que vai financiar projetos de infraestrutura em países emergentes.

A presidente do vizinho sul-americano aproveitou a presença de militantes da ala jovem do PC do B para falar sobre juventude e esperanças. “Por isso é muito importante, sobretudo a vocês que são jovens e que são o presente e futuro, que não se permita que se hipotequem as esperanças, e os sonhos de um Brasil melhor, de uma América do Sul melhor e de um mundo melhor.”


Após se recusar a saldar a dívida pública de US$ 100 bilhões, em 2001, o governo argentino negociou o pagamento com desconto e dividido em parcelas. Mais de 92% dos credores do país aceitaram receber menos de 30 centavos para cada dólar nas negociações realizadas em 2005 e 2010. Os demais credores recusaram os termos da renegociação e reivindicam o recebimento de 100% do principal da dívida.A Argentina foi empurrada para a beira de um novo calote por uma série de decisões de tribunais dos Estados Unidos, que forçaram o país a negociar com investidores que não aceitaram participar da reestruturação da dívida após a crise de 2002.

Enquanto briga na Justiça americana contra fundos que querem receber os valores integrais, a Argentina tem pagado as parcelas aos credores que aceitaram a renegociação.

Justiça dos EUA
Em discurso na cúpula do Brics, reunião na qual a Argentina participa como convidada, Cristina Kirchner voltou a criticar a forma como a Justiça norte-americana vem cobrando a dívida do país da América do Sul com credores que não aceitaram negociar o saldo. Ela afirmou que a Argentina está sofrendo “um fortíssimo ataque especulativo pelos fundos abutres” e garantiu que que vai honrar suas dívidas com “100% dos credores”.

“A Argentina está convencida de que vai honrar suas dívidas com 100% dos credores, mas de forma justa, equitativa e legal, e conforme as condições que estabelecem os prospectos de dívida da nação Argentina”, declarou Cristina, destacando que seu país não vai entrar em “default”, termo também usado para designar calote da dívida. Ainda em discurso na reunião do Brics, Cristina Kirchner disse que a decisão do bloco de criar um banco para financiar projetos de infraestrutura em países emergentes poderá “colocar ordem” ao sistema de regulação e fomento financeiro internacional.

“Saudamos essa decisão do Brics de constituir um banco de fomento, de desenvolvimento, que também poderá, por que não, colocar ordem em uma finança internacional deficiente. Muitas vezes, falamos da imprescindível reforma nos mecanismos multilaterais de crédito e políticos. Esse é um sinal muito positivo”, disse a presidente argentina diante da presidente Dilma Rousseff e de outros chefes de Estado.

Segundo Cristina, a criação do banco no âmbito do Brics “é uma alternativa frente à falta de repostas” dos organismos financeiros internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), à demanda de países emergentes por maior status e participação.

Presidente da Colômbia critica tratamento dado à Argentina
Para o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, a forma como a Argentina está sendo tratada em relação ao pagamento de sua dívida pública é uma situação "irracional e insólita".

"Todos os países expressaram seu apoio à Argentina e à uma solução prática com esse problema com esse juiz em Nova York", acrescentou ele. 

Manuel Santos observou que, no encontro desta quarta, estava representada metade da população mundial e 20% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Para ele, a reunião foi importante para que o crescimento e o desenvolvimento sejam efetivos na luta contra a pobreza e, ao mesmo tempo, seja "mais amigável" com o meio ambiente, ou seja, sustentável.

"É um tema fundamental para a Colômbia. Estamos buscando a paz com prosperidade social, que precisa estar acompanhada de mais inclusão", declarou.

Segundo Manuel Santos, também houve uma reunião bilateral da Colômbia com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Segundo ele, o presidente russo "expressou total disponibilidade" para ajudar no combate às guerrilhas na Colômbia, quer seja por meios políticos ou até mesmo por intervenções diretas.

"Isso representa algo muito importante pelo simbolismo. Que a Rússia esteja apoiando. Muitos dos comandantes guerrilheiros foram educados na antiga União Soviética. Estamos todos interessados que esse conflito termine o quanto antes", concluiu.

 
Filipe Matoso, Nathalia Passarinho e Alexandro Martello
Do G1, em Brasília

 

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