Conchavão do PT e PSDB na CPI para acobertar seus delatados

Em reunião a portas fechadas decidiram não convocar ninguém dos 2 partidos incriminados nas delações premiadas

Quem achava que havia diferenças significativas entre os projetos de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) durante a eleição presidencial deve ter se decepcionado, na quarta-feira (5), ao assistir ao vergonhoso acordão fechado em reunião secreta entre líderes do PSDB e PT, para transformar a CPI da Petrobrás numa grande pizza. O "acerto" feito logo após as eleições visa deixar de fora testemunhas chaves para o esclarecimento das denúncias de obras superfaturadas na Petrobrás e as gordas propinas distribuídas pelo cartel das empresas prestadoras de serviços a diretores da estatal e a partidos políticos.

O pretexto apresentado pelo relator da CPI, Marco Maia (PT-RS), para empurrar tudo para debaixo do tapete foi um suposto "prazo exíguo" para o fim da CPI. "Nós tivemos um acordo aceito por todos de que nós, em função do prazo exíguo, não trataríamos da convocação de ninguém da política, portanto se incluiu os tesoureiros dos partidos, os dirigentes partidários e os parlamentares", afirmou Maia, em entrevista à imprensa após a reunião. Essa "decisão dos líderes" deixa de fora praticamente todos os nomes citados pelos três envolvidos no escândalo que assinaram acordos de delação premiada, o ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e o executivo da Toyo Setal, Júlio Camargo. Os três deram detalhes minuciosos das operações onde o cartel das empreiteiras só pegava obras na Petrobrás se concordasse em pagar 3% de propinas para o PT, PMDB e PP.

Na verdade, tanto o PT como o PSDB tinham grande interesse em abafar as denúncias e impedir as convocações das testemunhas. Pelo lado do PSDB o objetivo foi impedir a convocação de Leonardo Meirelles, laranja de Alberto Youssef nas indústrias de medicamentos Labogen. Meirelles disse à Justiça Federal, durante depoimento realizado em outubro, que o doleiro "trabalhava para o PSDB, com o senador Sérgio Guerra". Paulo Roberto Costa também afirmou que a empreiteira Queiroz Galvão pagou R$ 10 milhões para Guerra e que em 2009, o então senador e presidente nacional do PSDB o procurou para pedir propina em troca do esvaziamento da CPI da Petrobrás, no Senado, aberta em julho daquele ano. Na ocasião, Guerra integrava o bloco de oposição na CPI.

Já o interesse do PT de que a CPI se transforme numa grande pizza tinha vários motivos. Os detalhes informados à Justiça pelas três testemunhas que assinaram os acordos de delação premiada sobre o pagamento de propinas milionárias pelas empreiteiras envolveram, além do tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, o diretor de serviço da estatal, Renato Duque, indicado pelo partido, e parlamentares, como o senador Lindberg Farias, Henrique Fontana, Delcídio Amaral e a ex-ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hofmann, que receberam recursos das empreiteiras e das empresas laranjas do doleiro Youssef.

O PMDB e o PP seguiram a reboque de tucanos e petistas porque, segundo as testemunhas citadas, eram responsáveis pelo recebimento das propinas na diretoria de Abastecimento e na diretoria Internacional da Petrobrás.

O conluio entre PT e PSDB se deu numa reunião administrativa de líderes partidários que compõem a CPI Mista. Eles se reuniram a portas fechadas por cerca de uma hora e meia para fechar o acordão. Dos 497 requerimentos que estavam em pauta, decidiram aprovar apenas os que não enfrentariam resistência por parte de nenhum dos dois partidos. Os requerimentos "polêmicos" nem mesmo foram colocados em votação. Ou seja, cada um dos líderes de PSDB e PT tentou, com essa manobra, proteger os seus podres nesse escandaloso assalto aos cofres da Petrobrás. A estatal foi lesada porque as empresas do cartel, segundo as testemunhas, acrescentavam nos preços das obras, os valores das propinas.

Nem o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que deixou o cargo na última segunda-feira depois de ser denunciado por ter passado R$ 500 mil a Paulo Roberto Costa, foi convocado. Costa deu detalhes da passagem do dinheiro: "Recebi o dinheiro dele [Sérgio Machado] em seu apartamento no Rio de Janeiro".

 

SÉRGIO CRUZ
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