Centrais e Abimaq debatem iniciativas em defesa da indústria nacional e do crescimento econômico

Centrais e Abimaq debatem iniciativas em defesa da indústria nacional e do crescimento econômico

 

As Centrais Sindicais (CGTB, CUT e Força Sindical) foram recebidas na sexta-feira (19) pelo presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, e por diretores da entidade para uma conversa sobre alternativas ao fraco desempenho da economia brasileira e da atividade industrial. Os presentes na reunião defenderam que o momento é de ações a exemplo do Grito de Alerta em Defesa da Produção e do Emprego, com manifestações em seis estados, por menos juros e câmbio equilibrado para reverter o processo de desindustrialização no Brasil.

De acordo com Luiz Aubert, "poderíamos aproveitar a ideia do Grito de Alerta e em conjunto fazermos um movimento de um Brasil melhor para a indústria brasileira, gerando empregos aqui no país e não no exterior. Nós estamos brigando pelo Brasil, pelo emprego e pela indústria de máquinas. Desde 2008 as montadoras remeteram para as matrizes 32 bilhões de dólares, o que dá para fazer sete fábricas de automóveis. E o que esse pessoal desenvolveu na cadeia produtiva no Brasil? Nada".

André Augusto
Bira, presidente da CGTB; Vagner Freitas, presidente da CUT; Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq; e Miguel Torres, vice-presidente da Força Sindical

"Sempre defendi a participação dos trabalhadores dentro do fórum da indústria. É fundamental que os trabalhadores estejam presentes para ouvirmos o que eles têm a dizer. Temos que construir o diálogo", disse Luiz Aubert, completando: "No Orçamento deste ano, 47% está destinado ao pagamento de juros e amortização da dívida. Estamos vivendo para pagar juros e tributos. A questão é saber: queremos um Brasil potência ou colônia?", questionou.

O presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), lembrou que "nós fomos muito felizes em ter feito o Grito de Alerta no ano passado. Fizemos um excelente evento. Colocamos mais de 90 mil pessoas na Assembleia Legislativa de São Paulo e os juros começaram a ser reduzidos. Nosso objetivo é salvar quem impulsiona o desenvolvimento do Brasil que é a indústria nacional".

"Nós devemos marcar uma manifestação. Eu acho muito boa a proposta do Luis Aubert de aglutinar trabalhadores e empresários para que a gente possa fazer um movimento contra essas coisas que estão acontecendo. Acabaram de aumentar a taxa de juro, mesmo com os trabalhadores e empresários contra. Temos que fazer um esforço porque depois não vai adiantar o choro de que acabaram os empregos e os salários. Temos que tomar a iniciativa", falou Bira.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, manifestou preocupação com o atual momento que o Brasil vive. "A CUT defende os seguintes pontos: continuar o processo de desenvolvimento aquecendo o mercado interno; não apoiamos aumentar juros para controlar inflação; o papel do BNDES e o crédito como um todo é apoiar o setor produtivo. Com esses três pontos nós temos total condição de fazer uma discussão juntos, assinar documentos juntos e fazer atos em conjunto. Não vamos entrar em disputas eleitorais e sim ações a favor do desenvolvimento", frisou Vagner.

Para o presidente da CUT, "sucatear a pequena e média empresa nacional é lamentável. Não podemos deixar à pequena e média empresa asfixiada. É preciso ações voltadas para a indústria, que é quem gera empregos de qualidade. Um monte de setores foi desonerado. Desonerou e para onde foi esse dinheiro? Ampliou a produção e o emprego? A Azaleia demitiu 3.000 trabalhadores na Bahia".

O vice-presidente da Força Sindical, Miguel Torres, afirmou que "não podemos deixar a pequena e média empresa asfixiada. É preciso ações voltadas para a indústria, que é quem gera empregos de qualidade. O processo de desindustrialização que estava acentuado há dois anos trás piorou".

"O BNDES só empresta dinheiro para quem tem dinheiro. Só dá prata para quem tem ouro, como o Friboi. Nós tínhamos construído uma unidade de ação entre trabalhadores, empresários e governo. Hoje isso acabou. O governo não senta com trabalhadores e empresários juntos. Os trabalhadores não estão sendo mais recebidos, enquanto os empresários vão lá, sentam e tomam as decisões", disse Miguel.

A reunião também contou com a participação do secretário-geral da CGTB, Carlos Alberto Pereira; de Adi dos Santos Lima, presidente da CUT-SP, e Carlos Schneider, coordenador do movimento Brasil Eficiente.

 

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