BC: rombo nas contas externas atinge US$ 81,4 bilhões

BC: rombo nas contas externas atinge US$ 81,4 bilhões

O balanço de pagamentos registrou deficit de US$2,7 bilhões, em dezembro, e de US$5,9 bilhões, em 2013. As transações correntes apresentaram deficit de US$8,7 bilhões no mês. No ano, o resultado em conta corrente foi negativo em US$81,4 bilhões, equivalentes a 3,66% do PIB, comparativamente a deficit de US$54,2 bilhões, 2,41% do PIB, em 2012. No mês, a conta financeira apresentou ingressos líquidos de US$5,8 bilhões, com destaque para os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros diretos (IED), US$6,5 bilhões. No ano, a conta financeira acumulou saldo de US$72,6 bilhões, destacando-se novamente os ingressos líquidos de IED, que atingiram US$64 bilhões.

No mês, a conta de serviços foi deficitária em US$4,2 bilhões, comparativamente a deficit de US$4,3 bilhões em dezembro do ano anterior. Em 2013, a conta serviços registrou despesas líquidas de US$47,5 bilhões, elevação de 15,8% na comparação com 2012. As despesas líquidas com aluguel de equipamentos atingiram US$2,1 bilhões no mês e US$19,1 bilhões no ano, acréscimo de 1,7% em relação a 2012. A conta de viagens internacionais apresentou deficit de US$1,6 bilhão no mês, influenciado pelos aumentos de 3% dos gastos de estrangeiros no Brasil e de 11,5% dos gastos de brasileiros no exterior, ambos na comparação com dezembro de 2012. No ano, o saldo negativo de US$18,6 bilhões constituiu o recorde da série, aumentando 19,5% em relação ao ano anterior, com receitas e despesas atingindo os níveis máximos de US$6,7 bilhões e US$25,3 bilhões, respectivamente. As despesas líquidas com transportes somaram US$601 milhões em dezembro, acumulandodeficit de US$9,8 bilhões no ano, ante US$8,8 bilhões registrados em 2012. O deficit em serviços de computação e informações atingiu US$390 milhões em dezembro e US$4,5 bilhões no ano, 16,1% acima do resultado de 2012. As remessas líquidas de royalties e licenças somaram US$270 milhões no mês e US$3,1 bilhões no ano, recuo de 2,8%, comparativamente ao ano anterior.

As remessas líquidas de renda para o exterior somaram US$7,5 bilhões no mês, 14,4% acima do resultado de dezembro de 2012, acumulando US$39,8 bilhões em 2013, crescimento de 12,2% na comparação com o ano anterior. Em dezembro, as saídas líquidas de renda de investimento direto somaram US$5,7 bilhões, dos quais US$4,7 bilhões em remessas líquidas de lucros e dividendos. As remessas líquidas de renda de investimento em carteira totalizaram US$951 milhões, dos quais US$795 milhões referentes a juros de títulos de renda fixa. As remessas líquidas de rendas de outros investimentos somaram US$879 milhões em dezembro. No ano, os pagamentos líquidos de juros alcançaram US$14,2 bilhões, ante US$11,8 bilhões no ano anterior. As remessas totais líquidas de lucros e dividendos somaram US$26 bilhões, elevação de 8% na comparação com 2012.

No mês, as transferências unilaterais somaram ingressos líquidos de US$400 milhões, acumulando no ano US$3,4 bilhões, aumento de 18,2% na comparação com 2012. O ingresso bruto referente à manutenção de residentes atingiu US$1,9 bilhão em 2013, situando-se 2,4% abaixo do resultado do ano anterior.

Os investimentos brasileiros diretos no exterior somaram, em dezembro, retornos líquidos de US$164 milhões, acumulando retornos líquidos de US$3,5 bilhões em 2013, ante US$2,8 bilhões em 2012, compreendendo US$14,8 bilhões em aquisições líquidas de participação no capital de empresas no exterior, e US$18,3 bilhões em amortizações líquidas de empréstimos de intercompanhias.

Os investimentos estrangeiros diretos registraram ingressos líquidos de US$6,5 bilhões em dezembro. No ano, os fluxos líquidos de IED alcançaram US$64 bilhões, redução de 1,9% comparativamente ao resultado do ano anterior. A participação no capital de empresas no País, incluídas as conversões em investimentos, somou ingressos líquidos de US$41,6 bilhões e os empréstimos intercompanhias totalizaram US$22,4 bilhões, em 2013.

Os investimentos estrangeiros em carteira apresentaram saídas líquidas de US$1,1 bilhão, no mês, e ingressos líquidos de US$34,7 bilhões em 2013, comparativamente a US$16,5 bilhões, no ano anterior. Os investimentos estrangeiros em ações totalizaram ingressos líquidos de US$905 milhões no mês e de US$11,6 bilhões no ano. No mercado doméstico, os investimentos de não residentes em títulos de renda fixa apresentaram saídas líquidas de US$263 milhões no mês e ingressos líquidos de US$25,4 bilhões no ano. Os ingressos líquidos referentes a bônus da República acumularam US$522 milhões em 2013. As notes e commercial papers somaram saídas líquidas de US$1,8 bilhão em dezembro e de US$2,9 bilhões no ano. A taxa de rolagem para papéis de médio e longo prazos, excetos bônus da República, totalizou 41% em dezembro e 76% em 2013. Não houve operações em títulos de renda fixa de curto prazo negociados no exterior durante o ano.

Os outros investimentos brasileiros no exterior resultaram em aplicações líquidas de US$1,5 bilhão em dezembro e de US$40,6 bilhões no ano, compreendendo concessões líquidas de créditos comerciais e empréstimos, US$30,5 bilhões; constituição de depósitos de bancos brasileiros no exterior, US$1,8 bilhão, e dos demais setores, US$9 bilhões.

Os outros investimentos estrangeiros no País registraram ingressos líquidos de US$1,4 bilhão em dezembro e de US$19,7 bilhões no ano. O crédito comercial de fornecedores registrou amortizações líquidas de US$1,1 bilhão no mês e desembolsos líquidos de US$21 bilhões no ano, concentrados em operações de curto prazo. Os empréstimos de médio e longo prazos apresentaram ingressos líquidos de US$2,6 bilhões, em dezembro, e de US$1,8 bilhão no ano. A taxa de rolagem dos empréstimos diretos de médio e longo prazos somou 105% no mês e 102% em 2013. No ano, os empréstimos junto a organismos e agências totalizaram ingressos líquidos de US$1,3 bilhão e de US$460 milhões, respectivamente, enquanto os empréstimos de compradores acumularam amortizações líquidas de US$484 milhões. As amortizações líquidas de empréstimos de curto prazo atingiram US$6 milhões no ano.


II - Reservas internacionais

As reservas internacionais, no conceito liquidez, totalizaram US$375,8 bilhões em dezembro, redução de US$302 milhões em relação ao estoque do mês anterior. No mês, a liquidação de operações de linhas de recompra atingiu vendas líquidas de US$3,3 bilhões, enquanto o estoque totalizou US$17 bilhões. A receita de remuneração das reservas somou US$253 milhões. As variações por preços e por paridades diminuíram o estoque, respectivamente, em US$778 milhões e US$78 milhões. Na comparação anual, o estoque de reservas no conceito liquidez recuou US$2,8 bilhões, influenciado pelos decréscimos decorrentes de variações por preços, US$4,3 bilhões, e paridades, US$4,1 bilhões, enquanto as receitas de juros totalizaram US$3,4 bilhões.

No conceito caixa, o estoque de reservas atingiu US$358,8 bilhões em dezembro, recuos de US$3,6 bilhões em relação ao mês anterior e de US$14,3 bilhões em relação a 2012.


III - Dívida externa

A posição da dívida externa bruta estimada para dezembro totalizou US$312 bilhões, elevação de US$4,3 bilhões em relação ao estoque de setembro de 2013. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$279,2 bilhões e o estoque de curto prazo, US$32,9 bilhões, variações de US$5 bilhões e de -US$697 milhões nas mesmas bases comparativas.

Dentre os determinantes da variação da dívida externa de longo prazo, destacaram-se as captações líquidas de empréstimos e de títulos tomados pelo governo, US$2,2 bilhões e US$1,6 bilhão, respectivamente; os empréstimos contraídos pelo setor não financeiro, US$3,6 bilhões; e as amortizações líquidas de títulos de longo prazo pelo setor financeiro de US$2,2 bilhões. A variação por paridades diminuiu o estoque em US$714 milhões.

 

Fonte Basco Central

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