As petroleiras chinesas no leilão de Libra

Há uma grande expectativa para o leilão do pré-sal no dia 21, já que o número de empresas inscritas para a disputa ficou bem abaixo do esperado. Além disso, gigantes como Chevron e BP preferiram ficar de fora da 1ª Rodada. São 11 as empresas que vão participar. Entre elas, três semiestatais chinesas desconhecidas para a maioria dos brasileiros. A CNPC, a CNOOC e a Sinopec são resultado do processo de reforma do setor petrolífero da China, nos anos 80. No começo, a CNPC se especializou em exploração onshore, ou seja, com a perfuração realizada em terra, a CNOOC em offshore, perfuração em solo marítimo, e a Sinopec em refino.


A CNOOC é gigante chinesa fundada em 1982 e responsável, principalmente, pela produção offshore, que lhe garante o posto de maior produtora de petróleo em perfuração de solo marinho no país. Seu acionista majoritário é o governo da China, que detém 70% da empresa, o que a coloca no posto de semiestatal. Por conta disso, a empresa assume 51% de qualquer exploração em alto mar realizada na China, sem custos adicionais. Em 2005, a CNOOC tentou comprar a petrolífera americana Unocal Corporation. A oferta de US$ 18,5 bilhões não chegou a se concretizar por bloqueio dos Estados Unidos, que justificou ter razões de "Segurança Nacional". Seus ativos totais alcançam, aproximadamente, US$ 75 bilhões. No leilão, CNOOC e CNPC deverão estar em um mesmo consórcio para disputar, já o controlador é o mesmo: o governo chinês.Fundada em 1988, a CNPC é a maior produtora e fornecedora de óleo e gás da China e está presente em quase 70 países. Ela aparece como a 5º maior empresa do mundo em pesquisa da Fortune desse ano. Sua intenção em estreitar as relações com a América Latina não é segredo: no site, o presidente, Zhou Jiping diz que a aliança resultou em conquistas impressionantes. "Em outubro de 1993, a CNPC começou sua atuação no Peru. (...) Ao longo das últimas duas décadas, temos assistido a um progresso constante. Como prova, visitei a Venezuela, o Peru e o Equador muitas vezes, estabelecendo parceria e amizade com os governos locais", ele diz. Há quase 3 anos, a Baoji Oilfield Machinery Co Ltd, subsidiária da CNPC, estabeleceu uma parceria com as brasileiras Brasil China Petróleo e Asperbras. Juntas, fabricam equipamentos ligados ao setor petrolífero. A chinesa fica com 34% do capital, e as brasileiras com 33%. Em 1999, as atividades foram dividadas em uma nova empresa, a PetroChina. Subsidiária da CNPC, foi considerada, em 2010, a que possui o maior valor de mercado pela Ernst and Young, com números em torno de US$ 353,2 bilhões. 

Em 2004, a Sinopec iniciou suas atividades no Brasil, quando assinou um contrato de cooperação estratégica com a Petrobrás. No leilão, marca seu lugar através de outras empresas. Ela participa dos capitais da Petrogal, petroleira de Portugal, e da Repsol Sinopec Brasil, da Repsol Espanha. Ela não se encaixa no mesmo caso das chinesas que precisarão participar de um único consórcio porque a Sinopec não é a controladora das que participam do leilão. Em 2012, ela foi eleita pela Forbes a quinta maior empresa do mundo. 


O leilão do Campo de Libra é muito esperado, já que as regiões do pré-sal guardam grandes quantidades de petróleo em águas profundas. Estima-se que o óleo esteja de 5 a 7 mil metros abaixo do nível do mar, o que dificulta e encarece a exploração. Os números assustam: segundo a ANP, o campo poderá render R$ 900 bilhões para o Brasil em 30 anos. Pela lei, 75% dos royalties do petróleo serão destinados para a educação. Em seu auge, Libra será capaz de produzir um milhão de barris de petróleo por dia, o que corresponde à metade da produção anual no país inteiro. No total, a expectativa é de 8 a 12 bilhões de barris de petróleo recuperáveis na área.

O LEILÃO NO CAMPO DE LIBRA

A disputa funcionará sob o regime de partilha da produção para as áreas do polígono do pré-sal, enquanto o restante das bacias sedimentares atua pelo regime de concessões. Isso quer dizer que qualquer bloco leiloado na região de de águas profundas a União e a empresa vencedora partilham a produção. Dessa forma, a Petrobrás tem participação mínima de 30% no contrato, como operadora da área, qualquer que seja a oferta vencedora. Nesse leilão, apenas um bloco está em jogo, com 12 a 18 plataformas.

Para fazer ofertas no dia, as 11 empresas precisam apresentar a "garantia de oferta" (no caso de Libra, R$ 156 milhões). A previsão é de que a produção se inicie 5 anos após a assinatura do contrato.

Amanda Rocha*

Fonte Jornal do Brasil

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