20 mil trabalhadores sem terra cercam STF

 

 

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) reúne na tarde desta quarta-feira 12 cerca de 20 mil manifestantes na Praça dos Três Poderes, em um dos maiores protestos do movimento nos últimos tempos. Houve confronto com a polícia, que explodiu bombas de efeito moral contra manifestantes que levavam paus e derrubaram grades de proteção. Há feridos dos dois lados.

O ato teve como ponto de partida o acampamento do grupo no Estádio Nilson Nelson e parada no Ministério da Educação, onde os militantes pediram melhorias em relação às escolas rurais e entregaram carta ao ministro José Henrique Paim (leia matéria abaixo). A multidão passou em frente à embaixada americana e seguiu para o Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu a sessão do dia alegando falta de segurança e temendo inclusive uma invasão. A sessão já foi retomada. 

A Polícia Militar faz um esquema especial para controlar o trânsito por conta do protesto e 150 policiais do Exército ajudam na segurança do local. Sem-terra participam desde segunda-feira, em Brasília, do 6º Congresso Nacional, que marca os 30 anos do movimento. A abertura do evento, que se prolonga até a próxima sexta-feira, foi marcada por críticas ao governo Dilma Rousseff.

"O governo Dilma é sustentado por uma ampla aliança, que inclui setores do agronegócio que impedem o avanço da reforma agrária", disse Diego Moreira, membro da direção nacional do MST. Segundo ele, "há retrocesso na desapropriação de terras" (leia mais aqui). Abaixo, reportagem da Agência Brasil sobre o protesto no MEC:

Sem-terra protestam por mais e melhores escolas no campo

Ana Cristina Campos - Repórter da Agência Brasil - Após duas horas de protesto, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) desocuparam o saguão da portaria principal do Ministério da Educação (MEC). Os manifestantes entregaram ao ministro da Educação, José Henrique Paim, carta em que pedem a abertura de mais escolas no campo, melhor transporte escolar e merenda para os alunos, entre outras demandas.

Os sem-terra, estimados em 750 pelo MST e em 300, pelo MEC, chegaram ao prédio, na Esplanada dos Ministérios, por volta das 10h e saíram ao meio-dia, após entregar a carta ao ministro, que ouviu as reivindicações do grupo. "Nosso compromisso com vocês é com o diálogo permanente, no sentido de reduzir as desigualdades entre a educação no campo e a educação urbana. Queremos que vocês tenham melhores condições para a educação no campo", disse o ministro.

Segundo um dos coordenadores do setor de Educação do MST, Alessandro Mariano, o grupo veio denunciar o descaso do MEC com as escolas do campo. "Nos últimos dez anos, foram mais de 37 mil escolas fechadas, e o ministério não tem feito nada. As escolas em funcionamento e o transporte escolar estão em situação muito precária. Há necessidade de uma política de educação no campo verdadeira", destacou Mariano.

Paim disse que o MEC também está preocupado com o fechamento das escolas no campo. "Temos a mesma preocupação que vocês com a questão do fechamento de escolas. Tanto é assim que já mandamos ao Congresso Nacional projeto de lei, aprovado na Câmara e agora tramitando no Senado, instituindo critérios mais rigorosos para o fechamento de escolas. É preciso ouvir a comunidade para o fechamento de escola."

De acordo com Paim, o Ministério da Educação vai solicitar ao Senado que aprove, o mais rapidamente possível, a lei que impõe como condição para o fechamento das escolas a consulta à comunidade. "Seria muito importante que vocês fossem ao Senado pedir a votação de tal lei. Todas essas demandas pela construção de escolas e melhora do transporte escolar são compromissos do ministério", destacou.

Milena Lima de Oliveira, de 10 anos, que está no quinto ano do ensino fundamental, disse que veio a Brasília para pedir mais e melhores escolas no campo. "Minha escola está precisando de reforma, pois está muito ruim. Precisamos de ar-condicionado, porque [a escola] é muito quente, e de mais merenda", disse a estudante, que mora no Assentamento Palmares, em Parauapebas, no Pará.

No manifesto, que foi feito pelas crianças do movimento e entregue ao ministro da Educação, os sem-terra também pedem atividades extracurriculares e cursos de informática, além da construção de piscinas e quadras esportivas nas escolas no campo.

Os sem-terra participam, até sexta-feira (14), do 6° Congresso Nacional do MST que marca os 30 anos de criação do movimento. De acordo com líderes do MST, o principal objetivo do evento é discutir e fazer um balanço da atual situação do movimento, traçar novas formas de luta pela terra, reforma agrária e transformações sociais.

 

Fonte 247

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