A TERRA ESPANHOLA

 

02/02/2013
A TERRA ESPANHOLA
Joris Ivens (1937), EUA, 52 min.  
 
Sinopse
Em fevereiro de 1936, a Frente Popular constituída por republicanos, socialistas e comunistas vence as eleições na Espanha. A direita responde com um golpe de Estado comandado pelo general Francisco Franco, em julho do mesmo ano. O golpe fracassa, mas tem início a Guerra Civil Espanhola (1936-39), vencida pelos  falangistas de Franco que contaram com farto apoio de armas e homens da Itália fascista e da Alemanha nazista. Do lado das tropas do governo constitucional, combateram as Brigadas Internacionais Republicanas, formadas por 47 mil voluntários do mundo inteiro, inclusive brasileiros como o tenente ApolÃ?nio de Carvalho (1912-2005) e o tenente-aviador Dinarco Reis (1904-89), e que contavam com apoio logístico da URSS. Os governos da Inglaterra e França optaram por uma neutralidade duvidosa, decretando um embargo à exportação de armas para a Espanha cujo único resultado era impedir que a ajuda internacional chegasse à República. Os golpistas recebiam re forços pela fronteira portuguesa e pelo Mediterraneo - e jamais foram incomodados por isso.
Rodado no calor dos combates, “A Terra Espanhola” registra tocantes aspectos da defesa de Madri. O filme é narrado por Ernest Hemingway e foi produzido pela Contemporary Historians Inc. – criada por Herman Shumlin,  Lilian Hellman, Dorothy Parker, Archibald MacLeish e outros intelectuais americanos que no pós-guerra iriam frequentar as listas negras do macarthismo.  
 
Direção: Joris Ivens (1898-1989)
Joris Ivens, o Holandês Voador, nasceu em Nimegue. Seu pai era dono da CAPI, empresa de venda de produtos fotográficos. Estudou economia, em Rotterdam, e fotoquímica, em Berlim. Em 1926, dirige a subsidiária da CAPI em Amsterdam, realiza seus primeiros testes e participa da Liga de Cinema Holandês. “Chuva” (1929) é o  ponto alto desse ciclo experimental, no qual Ivens acompanha o homem em seu ambiente. Em 1930, a convite de Pudovkin, visitou a URSS. Filmou, no ano seguinte, “Canção dos Heróis”, sobre a construção da nova Magnitogorski por voluntários do Komsomol (Juventude Comunista).  Em 1933, dirigiu com Henri Storck, “MisÃ?re au Borinage”, denunciando a selvageria da exploração do proletariado naquela região carbonífera da Bélgica.
A partir daí, realizou 50 documentários nos cinco continentes, procurando registrar o rumo dos ventos. Alguns deles são “O Incêndio do Rechstag” (Alemanha, 1935), “A Terra Espanhola” (1937), “Os 400 Milhões” (China, 1939), “The Power and The Land” (EUA, 1940), “Our Russian Front” (parceria com Lewis Milestone, 1942), “Action Stations” (Canadá, 1943), “Know Your Enemy” (com Frank Capra, 1945), “Indonésia Chamando” (1946), “A Vitória da Amizade” (com Ivan Pyriev, 1951), “O Canto dos Rios” (Alemanha, 1954), “O Sena Encontra Paris” (1954), “A Rosa dos Ventos”(com Sergei Gerasimov, Alberto Cavalcanti, Alex Viany, Gillo Pontecorvo, Yannick Bellon, 1957), “L’Italia Non È Un Paese Povero” (1960), “Pueblo em Armas” (Cuba, 1961), “... A Valparaiso” (Chile, 1965), “Rotterdam Europoort” (1967), “Paralelo 17” (Vietnam, 1968), “Como Yukong Moveu as Montanhas” (China, 1976, série de 12 filmes). Em “Um a História do Vento” (1988), Ivens documenta sua última jornada para captá-lo.  
 
Argumento Original: Ernest Hemingway (1899-1961)
Ernest Miller Hemingway nasceu num subúrbio de Chicago. Durante a 1ª. Guerra Mundial serviu como motorista de ambulância no Exército italiano e foi gravemente ferido. Ao deixar o hospital trabalhou como correspondente em Paris, onde passou a conviver com o grupo de artistas batizado por Gertrude Stein, com uma ponta de ironia, de Geração Perdida – Scott Fitzgerald, Buñuel, Picasso, James Joyce, entre outros. Em 1926, publica “O Sol Também Se Levanta” e, em 1929, “Adeus às Armas”, inspirado em sua experiência militar na Itália. Na Espanha, escreve “Morte à Tarde” (1932), sobre as touradas. De seu engajamento na Guerra Civil Espanhola resultam a peça “A Quinta-Coluna” (1937) e o romance “Por Quem os Sinos Dobram” (1940). Ao fim da 2ª. Guerra Mundial se instalou em Cuba. Em 1952 publica "O Velho e o Mar", com o qual ganhou o prêmio Pulitzer. O Nobel de Literatura veio em 1954.
Dono de um estilo econÃ?mico que marcou a ficção moderna, Hemingway escreveu muitos contos e teve três romances publicados após sua morte. Suas obras receberam mais de 60 adaptações para as telas, inclusive “Adeus às Armas” (Frank Borzage, 1932), “Por Quem Os Sinos Dobram” (Sam Wood, 1943), “Uma Aventura na Martinica” (Howard Hawks, 1944), “The Breaking Point” (Michael Curtiz, 1950), “As Neves do Kilimanjaro (Henry King, 1952), “O Velho e o Mar” (John Sturges, 1958), “A Quinta-Coluna” (John Frakenheimer, 1960), “Os Assassinos” (Don Siegel, 1964).
Em março de 1983, o Washington Post informou que o FBI espionava Hemingway com frequência, fato confirmado pela abertura do arquivo sobre o escritor.    
Música: Marc Blitzstein  (1905-64) e Virgil Thomson (1896-1989)
Natural da Filadélfia, o compositor Marcus Samuel Blitzstein tornou-se conhecido pelo musical “The Cradle Will Rock” (1937), cuja epopeia foi o tema do filme de Tim Robbins, “O Poder Vai Dançar” (1999), e pela ópera “Regina” (1948), uma adaptação da peça “The Little Foxes”, de Lillian Hellman, escrita em 1939. Seus trabalhos também incluem a adaptação dos clássicos, de Bertolt Brecht e Kurt Weill, “A Ópera dos Três Vinténs” (2611 apresentações na Broadway, entre 1954-61), “Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny” - e de “Mãe Coragem e Seus Filhos”, de Brecht e Paul Dessau. Blitzstein escreveu dezenas de musicais e óperas, também compÃ?s para filmes, como “Surf e Algas” (Ralph Stiner, 1931) e  “A Terra Espanhola” (Joris Ivens, 1937). Em 1950, foi intimado a depor no Comitê de Atividades Antiamericanas, recusou-se a citar nomes.  
Virgil Thomson foi compositor e crítico musical. Nascido em Kansas City, frequentou a Universidade de Harvard, com a intenção de se tornar pianista e organista. Viveu um período prolongado em Paris, onde estudou com Nadia Boulanger, conviveu com Cocteau, Stravinsky, Satie e compÃ?s com o grupo Les Six. Ainda na França, conheceu Gertrude Stein, com quem desenvolveu as óperas “Four Saints in Three Acts” (1928) e “The Mother of Us All“ (1946). Trabalhou como crítico no New York Herald Tribune (1937-51). Publicou oito livros de crítica musical e uma autobiografia. Ganhou um Prêmio Pulitzer por sua trilha para o filme “A História de Louisiana” (Robert Flaherty, 1948). Em 1988, recebeu a Medalha Nacional de Artes.

 

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