A Batalha de Moscou

A Batalha de Moscou
 
 
 
Tradução de trechos das memórias de G. Zhukov, A. Malinovski, K. Rokossovski e de A Gran Guerra Patria de la Unión Soviética – 1941-1945 – sobre a Batalha de Moscou
"A Rússia é grande, mas não temos onde retroceder: atrás de nós está Moscou"
"No verão e no outono de 1941, o Comitê Central do Partido, o Comitê de Defesa do Estado e o Comando Supremo adotaram varias importantes medidas para fortalecer a defesa da capital, formar consideráveis reservas militares e completar o Exército de Operações com novas unidades e material. Se adotaram medidas complementares para barrar o inimigo" (G. Zhukov, V. II, p. 19).

"Ao entrar o primeiro outono da guerra, a situação estratégica do Exército Vermelho continuava sendo sumamente tensa. O Estado Maior Geral se considerava que a tensão das operações militares nas frentes durante o primeiro outono da guerra não seria menor que o começo da contenda. As tropas hitlerianas não haviam perdido, todavia, todas suas vantagens. Apesar das tremendas perdas – que desde o começo da agressão até os fins de setembro de 1941 passaram de 530.000 homens – seguiam avançando para o leste. O Exército fascista possuía a iniciativa estratégica, tinha superioridade em forças e meios e conservava o domínio no ar. No noroeste não havíamos conseguido impedir o avanço dos fascistas até a cidade de Lenin. Começou o bloqueio de Leningrado. O sério revés sofrido por nossas tropas no flanco sul da frente soviético-germânica criou uma ameaça real para a região industrial de Karkov e Donbáss. Na Criméia, nossas tropas, separadas dos vizinhos, corriam perigo.
Para o G. Q. G. e o E. M. G. o maior cuidado era a Direção Central [Moscou]. Mantínhamos constantemente no campo visual as ações das tropas soviéticas nesta Direção. Para o outono se vislumbrou ali certa estabilização. Era evidente que isto se havia produzido só depois que nossas tropas, com sua sem par firmeza na defesa e seus resolutos contra-ataques, assestaram um golpe muito sensível às tropas do Grupo de Exércitos Centro e frustraram seu primeiro intento de abrir passagem sem deter-se para Moscou". (A. Vasilevski; p. 149).
"Por sua vez, o E. M. G. tinha em conta de que a passagem do inimigo nesta direção da ofensiva à defensiva tinha um caráter estritamente obrigatório e transitório. O centro da luta travada continuava sendo a direção estratégica do oeste e era precisamente ali, na direção de Moscou, onde se propunham os hitlerianos resolverem com toda a rapidez a sorte da guerra a seu favor. O comando político da Alemanha nazi supunha, não sem motivo, que enquanto Moscou continuasse sendo o centro alentador e organizador da luta era impossível vencer a União Soviética.
O comando hitleriano começou a preparar planificadamente a ofensiva contra a capital soviética. Este plano era parte integrante da grande ofensiva hitleriana de outono na Frente Oriental. Seu objetivo geral consistia em conseguir, mediante golpes resolutos em três direções estratégicas, a derrota das tropas do Exército Vermelho, [forçá-las] à defensiva e concluir a guerra antes do inverno. Se decidiu assestar o golpe principal, como no verão, na direção de Moscou; ao mesmo tempo continuava as operações ofensivas para apoderar-se de Leningrado e Rostov do Don". (Vasilevski; p. 150).
(...)
"O Comando militar hitleriano planejou romper a defesa das tropas soviéticas com os golpes de três potentes agrupações encouraçadas (...), cercar, nas imediações de Viazma e Briansk, o grosso das forças das Frentes de Oeste, de Reserva e de Briansk, e avançar depois, sem pausa alguma, sobre Moscou (...). Em uma reunião, que se celebrou no outono de 1941, no E. M. do Grupo de Exércitos Centro, Hitler disse que no curso dessa operação, Moscou devia ser cercada de maneira que não pudesse abandoná-la nem um só soldado russo, nem um só habitante, fosse homem, mulher ou criança. Qualquer intento de sair seria reprimido pela força. Em 6 de setembro de 1941, Hitler assinou a diretriz nº 35 para efetuar esta operação. O comando alemão concentrou na direção de Moscou suas melhores forças para realizá-la. (...) O inimigo concentrou contra três frentes nossas – a do Oeste, a de Reserva e a de Briansk – 77 divisões com um total de mais de um milhão de homens, 1.700 tanques e canhões de assalto, mais de 14.000 peças de artilharia e morteiros e 950 aviões de combate".
(...) Finalizando todos os preparativos para a ofensiva geral na Frente Oriental, Hitler disse em um discurso às tropas: 'Em três meses e meio serão criadas as premissas para, de um potente golpe, abater o inimigo antes da entrada do inverno. Tem-se feito tudo o que cabia as possibilidades humanas... Hoje começa a última batalha decisiva deste ano'.
Moscou estava em perigo. O Comitê Central do Partido e o Governo soviético tomaram todas as medidas para rechaçar o golpe inimigo contra a capital. Mas nossas tropas que operavam na direção de Moscou eram bastante inferiores em número às do inimigo. Naquela ocasião, as Frentes do Oeste, de Reserva e de Briansk contavam com cerca de 800.000 homens, 6.808 canhões e morteiros, 782 tanques e 545 aviões. O G. Q. G. não dispunha de reservas estratégicas preparadas e isso não nos permitia dar passos mais decisivos. Se adotaram medidas urgentes para criar zonas e linhas defensivas complementares na retaguarda das tropas da Frente Ocidental, assim como para rechaçar os ataques aéreos do adversário". (Vasilevski; pp. 150-151).
"Na manhã de 30 de setembro o 2º grupo blindado de Guderian atacou as tropas soviéticas da Frente de Briansk , desde a região de Shostka e Glujov em direção a Oriol, rodeando Briansk pelo sudeste. Era o começo da operação "Tifon". Em 2 de outubro seguiram-se dois novos potentes ataques de tanques alemães desde Dujovschina e Roslavl à Viazma, em direções convergentes. Já nos primeiros dias o inimigo conseguiu penetrar na defesa das tropas soviéticas. Parecia que o comando hitleriano não tinha problemas em avançar rapidamente: no terceiro dia, o grupo blindado de Guderian já estava na retaguarda do 3º e do 13º Exércitos da Frente de Briansk e em 3 de outubro tomou Oriol e marchou ao longo da estrada Oriol-Tula. Em 6 de outubro outros dois grupos blindados se uniram a oeste de Viazma e cercaram os 19º e 20º Exércitos da Frente Oeste e também o 24º e 32º Exércitos da Frente de Reserva. Porém, posteriormente, começaram a suceder um após outro os fracassos da "guerra relâmpago".
"Na noite de 4 para 5 de outubro, o Comitê Estatal para a Defesa tomou uma decisão especial sobre a defesa da capital. A linha defensiva de Mozhaisk passava a ser a linha principal de resistência e para ela se transferiam com urgência todas as forças e meios. Durante uma semana chegaram a Frente Oeste 14 divisões de fuzileiros, 16 brigadas de tanques, mais de 40 regimentos de artilharia e muitas outras unidades das distintas armas.
Para precisar a situação operativa e ajudar os Estados Maiores da Frente Oeste e da Frente de Reserva na criação de uma nova frente de luta, foram enviados para os locais onde se travavam os combates V. Molotov, K. Voroshilov e A. Vasilevski, representantes do Comitê Estatal para a Defesa e do Grande Quartel General. Por sua recomendação, as tropas da Frente Oeste e da Frente de Reserva se uniram em 10 de outubro em uma só Frente Oeste, cujo comandante passou a ser o general G. Zhukov, deslocado da Frente de Leningrado". (La Gran Guerra Patria; pp. 88-89).
(...)
"Tendo em vista que a frente ia se aproximando de Moscou, o Comitê Estatal para a Defesa adotou em 12 de outubro a decisão de criar outra linha defensiva nos acessos imediatos da capital. Respondendo ao chamamento do partido, 450.000 pessoas, principalmente mulheres, construíram posições defensivas nos acessos de Moscou e na própria cidade. As empresas que produziam armas e munições para os defensores da capital trabalhavam em três turnos.
Na reunião dos ativistas do partido de Moscou, celebrada em 13 de outubro para discutir os "problemas do dia", acordou: "mobilizar toda a organização do partido de Moscou, todos os comunistas, o Komosomol [Organização da Juventude Comunista] e todos os trabalhadores da capital em geral para o rechaço aos agressores germano-fascistas, para a defesa da cidade e para a organização da vitória".
As tropas soviéticas, cercadas próximo a Viazma, combatiam valorosamente. Seus ataques seguiam um após outro. Imobilizaram ali 28 divisões inimigas que durante muito tempo não puderam continuar a ofensiva à Moscou.
As divisões blindadas avançadas de Guderian, que iam de Oriol à Tula, foram atacadas nas proximidades de Mtsensk pelo primeiro corpo de fuzileiros da Guarda sob o comando do general D. Leliushenko. Os tanquistas soviéticos empregaram com êxito as emboscadas de tanques. A demora das tropas de Guderian próximo de Mtsensk facilitou a organização da defesa de Tula.
Numa frente ampla, desde o alto Volga até Lgov, se lutava obstinadamente. O inimigo tomou Sychiovka e Gzhatsk, saiu aos acessos de Kaluga e travava combates na zona de Briansk e próximo a Mtsensk, Ponyri e Lgov. Em 14 de outubro a agrupação de choque do inimigo, ao norte, irrompeu em Kalinin. Em 17 de outubro, o Grande Quartel General criou a Frente de Kalinin, sob o comando do general I. Koniev". (La Gran Guerra Patria; pp. 89-90).
"A organização do Partido da capital prestou grande ajuda ao 16º Exército, na direção de Volokolamsk. Graças a sua preocupação se formaram no mês de outubro dezenas de companhias e batalhões de caçadores voluntários moscovitas, que se fundiram com o [16º] Exército e reforçaram suas fileiras, reduzidas nos intensos e ininterruptos combates. (...) Na manhã do dia 16 de outubro o inimigo assestou um golpe com grandes unidades de tanques e motorizadas no flanco esquerdo do nosso Exército, precisamente ali onde supúnhamos que devia produzir-se e onde nos preparamos com especial atenção para repeli-lo. (...) Travaram-se grandes combates defensivos. Os hitlerianos lanzavam à luta poderosos grupos de 30 a 50 tanques, acompanhados por densas fileiras de infantaria e apoiados pelo fogo de artilharia e bombardeio aéreo. (...)
No dia 17 de outubro foi atacado o corpo de Exército de Dovátor, ao norte de Volokolamsk. Neste mesmo dia, na zona de Bolíchevo e no enlace com o 5º Exército, os alemães lançaram contra o regimento da 316ª Divisão até uma centena de tanques. Conseguiram ocupar dois povoados, obrigando a retirar-se parte de seus defensores.
Os alemães, tratando de desenvolver o êxito em profundidade, reforçaram a pressão, mas foram recebidos com a artilharia, transferidas para aqui de outros setores e, depois de sofrerem grandes perdas em tanques, se viram obrigados a retrocederem. (...)
No dia 18, o inimigo, tratando a qualquer preço obter êxito, lançou contra a 316ª Divisão de Fuzileiros 150 tanques e um regimento de infantaria motorizada na direção de Ignatkovo, Zhílino e Ostáshino. Ao encontro dessa avalancha de aço foi enviada a artilharia antitanque, as baterias de canhões e os katiuchas.
Como resultado de dois dias de combates, 18 e 19 de outubro, os hitlerianos conseguiram fazer retroceder, insignificantemente, as unidades da divisão de Panfílov. Porém, o inimigo sofreu tais perdas em tanques e homens que se viu obrigado a cessar os ataques.
A trégua durou pouco. Os combates se renovaram. Os ataques sucediam-se uns aos outros.
Ao dispor de grande superioridade de forças, os hitlerianos, pouco a pouco, quilômetro por quilômetro, faziam retroceder nossas tropas. Tratavam de abrir passagem para Valokolamsk, com a ajuda de um poderoso grupo de tanques. Seus ataques estavam constantemente apoiados pela aviação.
No dia 25 de outubro o inimigo ocupou Bolichevo, Ostáshevo e forçou o rio Ruza. Depois de lançar ao ataque até 125 tanques, ocupou a estação de Volokolamsk. (K. Rokossovski, pp. 78-79-80).
"Os combates pela cidade e pela zona de Volokolamsk entraram para a História. (...) todos – desde o soldado raso até o chefe do Exército – fizeram o impossível para impedir que o inimigo rompesse a defesa do Exército e o conseguimos" (K. Rokossovski, p. 82).
"Quanto mais avançava o inimigo, tanto mais tenaz era a resistência que lhe ofereciam as tropas soviéticas. Depois de cruentos combates travados a noroeste de Moscou, as tropas do 16º Exército do general K. Rokossovski detiveram, em 27 de outubro, o inimigo na direção de Volokolamsk. Mais ao sul, na direção de Mozhaisk, se batiam firmemente as tropas do 5º Exército. Ali, no histórico campo de Borodino, fizeram frente ao inimigo as unidades deste Exército, de sua 32ª Divisão de fuzileiros da Ordem da Bandeira Vermelha, sob o comando do coronel V. Polosujin, divisão que se havia coberto de glória na luta contra os invasores japoneses próximo do lago Jasan, em 1938, assim como a 18º, a 19º e a 20ª brigada de tanques. Essas tropas soviéticas, apoiadas pelo grupo de aviação do coronel N. Sbytov, rechaçaram durante quatro dias os ataques inimigos e se retiraram somente quando o adversário conseguiu flanqueá-las.
Enquanto em 12 de outubro, a sudoeste de Moscou, se abandonou Kalunga, o inimigo que avançava a Maloyaroslavets tropeçou com a firme resistência de um grupo de tropas do 43º Exército. Com particular tenacidade, combateram o inimigo os alunos das escolas militares de Podolsk: a de infantaria e a de metralhadores e artilheiros. Só em 18 de outubro, após cinco dias de combates, puderam os tanques alemães irromperem na cidade de Maloyaroslavets.
Mais ao sul, a heróica Tula e seus defensores constituíram uma barreira intransponível para o Grupo blindado de Guderian. Se distinguiram pela extraordinária firmeza e valentia manifestadas na defesa da cidade a 258ª Divisão de fuzileiros, o Regimento operário de Tula e o 732º Regimento de artilharia antiaérea. O comitê urbano da defesa de Tula, presidida pelo secretário do comitê regional do PC(b) da URSS, V. Zhavoronkov, se mostrou como hábil organizador em mobilizar os trabalhadores na defesa da cidade.
As unidades da DAA [Defesa antiaérea] de Moscou rechaçavam com êxito as incursões da aviação inimiga. Só um mês depois de começada a guerra, se decidiu o adversário assestar o primeiro golpe aéreo sobre a capital soviética, porém, conseguiram penetrar no céu de Moscou não mais que poucos aviões. Em princípios de outubro, o sistema DAA de Moscou tinha uma organização harmoniosa, baseada no principio de defesa circular, levando em consideração as direções mais perigosas. Estava integrado por 700 caças do 6º Corpo aéreo, com o qual cooperava o 1º Corpo da DAA que contava 759 canhões antiaéreos de médio calibre, 352 canhões antiaéreos de pequeno calibre, 643 metralhadoras antiaéreas de grande calibre e 763 projetores antiaéreos. O seguinte fato mostra como combateram ao inimigo aéreo as tropas da DAA de Moscou: de uns 2.000 aviões que participaram das incursões sobre a capital, em outubro, somente 72 alcançaram os objetivos de bombardeio. A capital soviética sofreu poucos danos dos ataques da aviação germano-fascista.
Nos aziagos dias de outubro, o Comitê Estatal para a Defesa adotou e pôs em prática a decisão sobre a evacuação da capital das instituições governamentais, do corpo diplomático, das empresas da indústria de guerra e dos estabelecimentos científicos e culturais. Porém, o Bureau Político do CC do PC(b) da URSS, o Comitê Estatal para a Defesa, o Grande Quartel General e o grupo operativo de oficiais do Estado Maior Geral permaneceram em Moscou. A frente se aproximou da capital e em 20 de outubro se declarou Moscou e as zonas adjacentes em estado de sítio".
"As tropas na direção de Moscou eram continuamente completadas ao custo das reservas do G. Q. G. e de outras Frentes. Em fins de outubro, a frente que passava de Selizharorovo a Tula, já se opunha ao inimigo dez Exércitos da Frente de Kalinin e da Frente Oeste. Lutando por cada palmo de terra, os defensores de Moscou frearam e logo detiveram o avanço dos nazistas, criando uma frente defensiva contínua. (La Gran Guerra Patria; pp. 91-92).
"A capital soviética afrontou valorosamente o perigo que se aproximava. Os chamamentos do Comitê Central e do Comitê de Moscou do Partido a defender a capital eram compreensíveis para cada moscovita, para cada combatente, para todos os cidadãos soviéticos. Os moscovitas converteram a capital e seus acessos em um fortaleza inexpugnável, e a defesa de Moscou constituiu uma heróica epopéia.
Quando falamos do heroísmo realizado na batalha de Moscou sobre-entendemos não só as ações de nosso Exército, dos heróicos soldados, dos chefes e instrutores políticos. O que se conseguiu na Frente do Oeste durante o mês de outubro e posteriormente nas batalhas sucessivas, foi possível somente graças à união e aos esforços conjuntos das tropas e da população da capital e da região de Moscou, a eficaz ajuda que prestaram ao Exército e aos defensores da capital, todo o país, todo o povo soviético". (Zhukov II, p. 23).
(...)
Centenas de milhares de moscovitas trabalhavam dia e noite na construção de fortificações que rodeavam a capital. Somente no cinturão interior de defesa trabalharam, durante os meses de outubro e novembro, cerca de 250.000 pessoas, 75% das quais eram mulheres e adolescentes. Construíram 72.000 metros de fossos antitanque, cerca de 80.000 metros de escarpas e contra-escarpas, 52.500 metros de pilares e outros muitos obstáculos, cavaram quase 128.000 metros de canais e trincheiras de comunicação. Estas pessoas removeram com suas mãos mais de três milhões de metros cúbicos de terra". (Zhukov II, p. 24).
"(...) O Conselho Militar da Frente do Oeste fez um chamamento às tropas em que se dizia:
'Companheiros! Na terrível hora de perigo para nosso Estado, a vida de cada combatente pertence à Pátria. Esta exige de cada um de nós a maior tensão de energias, valor, heroísmo e firmeza. A Pátria nos chama a convertermo-nos em uma muralha indestrutível e impedir que as hordas fascistas entrem em nossa amada Moscou. Hoje se exige mais do que nunca vigilância, férrea disciplina, organização, ações decididas, vontade inquebrantável de vitória e disposição de sacrifício'" (Zhukov II, p. 25).
"Nos fins de outubro, as tropas soviéticas pararam o inimigo na linha da represa do Volga, a leste de Volokolamsk, e mais adiante pela linha dos rios Nara e Oká e, nos acessos sudoeste de Moscou, no setor de Tula, onde o 50º Exército foi apoiado firmemente pelos destacamentos de operários de Tula.
O balanço dos acontecimentos de outubro foi muito duro para nós. O Exército sofreu sérias perdas. O inimigo avançou quase 250 km, mas não conseguiu alcançar os objetivos do plano "Tifon". A firmeza e bravura dos defensores da capital soviética e a ajuda dos trabalhadores da retaguarda pararam as hordas fascistas. O Grupo de Exércitos Centro viu-se obrigado a suspender temporariamente a ofensiva. Este foi o principal resultado do período de outubro da batalha de Moscou, muito importante e responsável em toda a luta pela capital. (...) as tropas soviéticas resistiram firmemente às investidas do inimigo que era superior a nós em número e armamentos e que nele desempenhou um grande papel a firme direção do Comitê Central do Partido e do C. D. E., com Stalin à cabeça, que exerceram infatigável atividade na mobilização e utilização das energias do país. (Vasilevski; pp. 157-158).
"Ao falar dos dias de outubro e novembro, tão duros e perigosos para nossa capital e para o país em conjunto, quando o inimigo estava às portas de Moscou e Leningrado, não posso deixar de referir à imensa transcendência que tiveram para os moscovitas, para todo o povo soviético e as Forças Armadas, a solene reunião do Soviet de Deputados dos Trabalhadores de Moscou, conjuntamente com as organizações do Partido e sociais da capital, celebrada em 6 de novembro e dedicada ao XXIV aniversário da Grande Revolução Socialista de Outubro, e a tradicional parada militar de 7 de novembro na Praça Vermelha. No E. M. G. apesar de ser tão grave a situação na frente de Moscou, os ânimos eram de festa. O discurso de Stalin na solene reunião e seu discurso veemente na Praça Vermelha patentearam que os dirigentes soviéticos estavam tranquilos pela sorte da capital. (...)
Os chamamentos do Partido Comunista que se fizeram nas alocuções de Stalin – a empregar todas as forças para a defesa da Pátria e a vitória sobre o inimigo – e a própria parada despertaram um poderoso entusiasmo patriótico no país, alentaram a nossa gente para novos heroísmos na frente e na retaguarda e robusteceram a segurança na viragem inelutável na marcha da guerra" (A. Vasilevski; pag. 159).
"O passo firme dos regimentos que, com todo o seu equipamento de combate, desfilaram na Praça Vermelha ante o Mausoléu de V. I. Lenin e em seguida marcharam ao front, infundiu aos soviéticos a fé na invencibilidade e de uma viragem no curso da guerra.
A aproximação do inverno obrigava o comando hitleriano a dar-se pressa em preparar uma nova ofensiva. Na primeira quinzena de novembro eles reagruparam suas tropas e reforçaram suas agrupações de choque que atuavam nos flancos, nas direções de Volokolamsk-Klin e de Tula, inclusive quase todas as divisões de tanques e motorizadas do Grupo "Centro".
A composição do Grupo de exércitos "Centro" não experimentou mudanças notáveis. Integravam-no, como antes, o 9º, o 4º e o 2º Exército de campanha, o 2º Exército blindado (formado à base do 2º grupo blindado, completado com mais de 110 tanques) e dos grupos de tanques: o 3º e o 4º. Contava no total 73 divisões, 14 delas blindadas e 8 motorizadas. Porém, participaram na ofensiva a Moscou somente 51 divisões, entre elas 23 blindadas e 7 motorizadas. As demais tropas – o 9º e o 2º Exército de campanha – estavam mobilizados na Frente de Kalinin e na Frente Sudoeste e não puderam participar da ofensiva.
Tampouco mudou a idéia do assalto à Moscou: se planejava assestar golpes demolidores nos flancos da Frente Oeste, rodear Moscou pelo norte e pelo sul e fechar o cerco a leste da cidade.
A Frente Oeste opôs ao inimigo 53 divisões – três delas blindadas e 12 de cavalaria – e 14 brigadas de tanques. Como antes, as tropas soviéticas sujeitavam-se aos alemães em pessoal e armamentos. O Grupo de Exércitos "Centro" seguia conservando a superioridade em força viva e material de guerra, sobretudo nas direções dos golpes principais. Na direção de Klin, por exemplo, o inimigo utilizou na ofensiva uma agrupação de 300 tanques e 910 peças de artilharia e morteiros contra 56 tanques e 210 peças de artilharia do 30º Exército". (La Gran Guerra Patria; pp. 93-94).
"Os combatentes soviéticos – soldados, chefes e oficiais – faziam todo o possível, e inclusive o que parecia impossível, para deter o inimigo e cerrar-lhe o passo à capital. Artilheiros e infantes, sapadores e pessoal de comunicações, todos davam provas de heroísmo. Eram frequentes os casos em que os artilheiros faziam fogo com peças avariadas; a infantaria lutava contra os tanques utilizando granadas de mão e garrafas com líquido inflamável, conhecidas no Ocidente sob o nome de coktail Mólotov.
A capital, com barricadas e pilares antitanque em seus subúrbios e com seteiras nos muros dos edifícios, tinha um aspecto severo. "A Rússia é grande, mas não temos onde retroceder: atrás de nós está Moscou", disse o instrutor político Vasili Klochkov durante um combate de morte próxima do baldio Dubosékovo, onde 28 combatentes da 316ª Divisão de fuzileiros do general I. Panfilov destruíram 18 tanques inimigos numa luta desigual que durou quatro horas. Essas palavras passaram a ser a consigna de todos os defensores da capital.
Sob o embate de forças superiores do inimigo, a 316ª Divisão procedeu em várias ocasiões o retrocesso, mas nenhuma só vez se rompeu sua frente de defesa. Travaram combates de morte contra o inimigo sob os muros de Moscou também os combatentes de outras divisões de fuzileiros, do Grupo de cavalaria sob o comando do general L. Dovátor, das brigadas de tanques de M. Katukov e F. Rémizov.
Mostraram firmeza em defender Moscou as tropas da DAA, que rechaçaram exitosamente as incursões aéreas do inimigo sobre a capital, efetuaram a proteção aérea do campo de batalha e repeliam os ataques de tanques e infantaria inimigos. Desde o início dos ataques aéreos à capital, os artilheiros e aviadores da DAA de Moscou derrubaram em quatro meses mais de 1.300 aviões e rechaçaram 122 incursões em que participaram 7.146 aviões. Desses últimos, só 229, ou seja, uns 3%, puderam alcançar a capital. Durante os combates aéreos nos acessos de Moscou se distinguiram os pilotos V. Talalijin, autor da primeira investida noturna na história, e A. Kátrich, autor da primeira investida a grande altura. Em suma, os pilotos soviéticos que combateram nos acessos aéreos de Moscou tinham a seu favor 24 investidas. Apesar da proximidade da frente, a capital sofreu poucos danos dos piratas aéreos fascistas.
As tropas da Frente Oeste impuseram ao inimigo uma luta duradoura e extenuante, em que resultaram na lentidão das forças principais do Grupo de exércitos "Centro". Inclusive as unidades móveis do inimigo não puderam avançar mais que três a cinco km por dia. Mas os alemães se obstinavam em continuar a ofensiva". (La Gran Guerra Patria; pp. 94-95).
"Em fins de novembro as tropas fascistas conseguiram avançar a noroeste da capital até o canal Moscou-Volga e cruzá-lo em Yajroma, e no sudeste chegar ao setor de Kashira. O inimigo não deu nem um passo mais. Perdidas suas possibilidades ofensivas, dessangradas e extenuadas pela defesa ativa das tropas soviéticas, as unidades do Grupo de Exércitos Centro viram-se obrigadas a passarem à defensiva em todas as partes: em três de dezembro, as tropas do 4º Exército alemão; em cinco de dezembro, as tropas dos grupos de tanques 3º e 4º e também do 2º Exército de Tanques. Assim terminou o período defensivo mais difícil para nós na batalha de Moscou". (Vasilevski; p. 160).
"Em 3 de dezembro Halder escreveu em seu diário que era perigoso passar à defensiva próximo à Moscou, mas já no dia seguinte, em 4 de dezembro, teve que reconhecer que era impossível continuar a ofensiva.
Assim concluiu o período defensivo da batalha de Moscou. Pela primeira vez no curso da II Guerra Mundial o Exército Soviético conseguiu o que não pode fazer nenhum exército dos Estados capitalistas do Ocidente. Foi domado o "Tifon" hitleriano, a última esperança dos generais nazistas em seu afã para alcançar os objetivos do Plano 'Barbaroxa'.
Milhares de heróis conhecidos e anônimos realizaram magníficas façanhas defendendo a Pátria socialista. Pela firmeza e valor manifestados durante a defesa da capital, dezenas de milhares de combatentes foram condecorados com ordens e medalhas. O título de herói da União Soviética foi concedido a 110 soldados e oficiais. Mais de um milhão de homens receberam a medalha "Pela defesa de Moscou". Durante a batalha de Moscou se engrossaram as fileiras da Guarda soviética: em novembro e nos primeiros dias de dezembro de 1941 receberam esse qualificativo – por disposição do Comissário do Povo para a Defesa e em atenção à habilidade em defender-se firmemente e combater o inimigo que avançava para Moscou – dois corpos de cavalaria, uma divisão de cavalaria, uma brigada de tanques e seis regimentos de aviação". (La Gran Guerra Patria; p. 96).
Bibliografia:
La Gran Guerra Patria de La Unión Sovietica – 1941-1945. P. Zhilin, et all; Editorial Progreso, Moscou, 1985, pp. 86-96).
Memórias y Reflexiones. Gueorgui Zhukov; V. II – capítulo XIV – Editorial Progreso, Moscou, 1991, pp. 05-67).
La causa de toda mi vida. A. Vasilevski; Editorial Progreso, Moscou, 1979, pp. 149-174).
El deber de un soldado. K. Rokossovski; Ediciones Altaya, España, 2008, pp. 78-79-80.
Tradução de Percival Alves.

Fonte Comunidade José Stalin

 
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