Portugal: "austeridade" vai destruir 88 mil postos de trabalho

17/01/2013 20:56

 

Portugal: "austeridade" vai destruir 88 mil postos de trabalho

 

O Banco de Portugal prevê que a riqueza produzida em Portugal continue em queda, estimando que as medidas de austeridade incluídas no Orçamento de Estado levem a uma queda de 1,9% do PIB em 2013, o dobro do previsto pelo Governo. Números do banco central confirmam que Portugal está num atoleiro, responde o Bloco de Esquerda.
Austeridade vai destruir 88 mil postos de trabalho em 2013
Aumento das exportações, apontada desde sempre pela maioria de direita como a saída para uma economia nacional atingida pela austeridade, é cada vez mais uma miragem. // Foto de Paulete Matos

A economia nacional deve cair 1,9 por cento em 2013, estima o Banco de Portugal, um valor que é quase o dobro da redução de 1 por cento do Produto Interno Bruto previsto pelo Governo e pela troika para este ano. A confirmarem-se estes números, a economia nacional terá perdido 7,4 por cento de toda a riqueza produzida desde 2009, o ano em que os efeitos da crise financeira se começaram a sentir mais duramente.

É o primeiro estudo feito pelo banco de Portugal depois de ser conhecido o Orçamento de Estado para este ano e o banco central associa diretamente o efeito recessivo das medidas de austeridade à revisão em baixa das perspetivas da economia nacional. “A implementação das medidas de consolidação orçamental incluídas no Orçamento do Estado para 2013 contribuirá para uma queda significativa do rendimento e da procura interna” no presente ano, pode ler-se no Boletim Económico de Inverno publicado esta terça-feira.

Uma evolução das exportações abaixo do esperado, crescendo apenas 2% em 2013, quando há dois meses o mesmo Banco de Portugal estimava um aumento de 5%, é outro dos indicadores que explica a revisão em baixa da atividade económica para este ano.

O Banco de Portugal calcula também que os efeitos recessivos da austeridade levem a economia portuguesa a destruir mais 88 mil empregos ao longo de 2013, estimando uma queda de 1,9 por centro do nível de emprego.

O Banco de Portugal prevê o regresso do crescimento da economia em 2013, com um aumento de 1,3 por cento do PIB, mas mesmo esse valor deve ser lido com “prudência”, pois não inclui ainda os cortes adicionais de 4000 milhões de euros que o Governo pretende aplicar. "A sua materialização traduzir-se-á numa redução dos rendimentos das famílias e empresas com consequências sobre a procura interna", alerta o banco central.

Governo está a tornar Portugal num “atoleiro”

Respondendo aos números avançados pelo Banco de Portugal, o Bloco de Esquerda considera que estas previsões reforçam a ideia de que o Governo está a afundar o país numa “espiral recessiva”.

"Estamos num atoleiro, sem qualquer capacidade de transformar o nosso perfil económico e a nossa capacidade de crescimento, com um Governo que apenas está determinado em fazer cortes de tal maneira que são absolutamente desastrosos para a nossa capacidade de crescimento económico", considerou Ana Drago.

De acordo com a deputada do BE, o resultado da atuação da maioria de direita está à vista: "O Governo há dois anos que nos vem prometendo que, se for implementado um conjunto de reformas, isto vai melhorar, e à medida que as previsões se vão sucedendo, elas são sempre em pior", apontou.

 

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