“PIB da Grécia caiu 25% em quatro anos”, afirma Tsipras

02/01/2013 12:44

 

Em sua passagem por São Paulo, Tsipras, líder da coalizão Syriza, concedeu entrevista ao Hora do Povo na qual rechaça a política de endividamento junto aos bancos que “condena a Grécia à recessão e os gregos ao desemprego”

Hora do Povo - Qual é o desafio que a Syriza enfrenta na Grécia?

Alexis Tsipras - Entendemos que a nossa luta é em essência pela soberania, pela independência, pela liberdade, e contra o imperialismo e seu novo modelo de exercer poder no século 21.

Quero assinalar também que estamos numa fase elevada do capitalismo neoliberal e é nesta fase que a democracia tem perdido terreno, em paralelo com os atentados ao direito soberano dos povos.

A Grécia foi eleita como cobaia da crise do sistema financeiro. Não se trata de uma crise grega simplesmente, atinge a Europa, é uma crise do sistema financeiro internacional.

 

HP - Quais as conseqüências da política neoliberal para o povo grego?

Tsipras - A Grécia foi eleita para a implementação de políticas neoliberais de choque. Baixaram muito o nível de vida do povo, a renda média caiu 40%, baixaram o PIB em 25% em quatro anos. O desemprego a 26% e a 50% entre os jovens, os trabalhadores abaixo de 30 anos. Querem, em resumo, nos tomar o direito a um futuro, a condições humanas.

Afirmam coisas nesta direção de forma direta e cínica. Dizem que dentro de um mercado idealizado já não existe a possibilidade para os povos de se autodeterminarem.

Dizem ao povo que, se votam pela soberania, correm um perigo muito maior, pois as medidas necessárias não serão implementadas.

Dizem ‘nós não vamos dar mais créditos, não vamos liberar mais empréstimos’.

No entanto, os empréstimos vão parar na mão dos bancos. A Grécia assumiu dívidas através de empréstimos de 140 bilhões de euros nos últimos três anos. Desse valor, só 19 bilhões foram para a economia real. Esses empréstimos estão nos condenando a uma recessão perpétua, porque não temos a menor possibilidade de pagar essa dívida. A Grécia foi eleita como cobaia da crise europeia gerada pelos bancos e, por isso, tornou-se a principal trincheira na luta contra a detoriaração que esta crise está provocando.

Conseguiram tornar meta o aprofundamento de sua estratégia neoliberal, que significa tornar a periferia da Europa, em particular o sul da Europa, em sua zona exclusiva.

Esse é o interesse de uma parte da classe dominante do centro da Europa que vêem desta forma a sua saída para esta crise.

Mas temos que registrar que nosso povo tem uma tradição histórica de uma luta democrática e por liberdade e é nestas condições que temos crescido.

HP - Como você vê os objetivos comuns dos povos do nosso continente e o povo do seu país?

Tsipras - Nos unem não apenas os inimigos comuns, mas um interesse comum de colocar um freio à política de austeridade neoliberal na Europa. Barrar esta política de austeridade e de recessão é o interesse comum de todos os povos que precisam do desenvolvimento.

Temos que frear essa estratégia que acaba por paralisar a Europa, adotada pela Sra. Merkel. Há, portanto, uma luta comum, por que há o interesse comum dos povos.

Temos observado a América Latina como um continente onde se passam experiências sociais e políticas. Exemplos para nós são políticas desenvolvidas pelo Brasil, Argentina, Bolívia, Venezuela, Equador, exemplos que demonstram que o neoliberalismo não é o caminho sem alternativa.

Por isso é importante mostrarmos ao nosso povo que há caminhos diversos desta destruição da economia nacional. Já não são apenas movimentos e partidos, mas há governos, países com os quais podemos compartilhar e que podemos nos ajudar mutuamente.

 

ENCONTRO COM LULA

O líder grego encontrou-se na manhã de terça com Lula. O ex-presidente concordou com a visão de Tsipras e destacou: "Eu fui candidato a presidente em 89 aqui no Brasil e, naquela época, a dívida da Itália já era de 120% do PIB. Isso não era problema, eram títulos de longo prazo. A dívida dos EUA é maior que o PIB americano, mais de 17 trilhões de dólares, e isso não traz nenhuma preocupação? Por que de repente a dívida dos países mais pobres da Europa ficou problemática? Essa dívida estava na mão de quem? De 2008 até agora já foram colocados 9,5 trilhões de dólares para salvar o sistema e o problema não esta resolvido. Quando, na verdade, parte desse dinheiro poderia ser gasto para retomar produção e crescimento econômico".

Fonte Hora do Povo

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